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PORTAL VITRUVIUS. Sede da Petrobras em Vitória ES. Projetos, São Paulo, ano 05, n. 056.01, Vitruvius, ago. 2005 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/05.056/2519>.


O sítio e a cidade

A nova sede da Petrobrás UN-ES será construída sobre um local raro dentro do contexto urbano de Vitória. O Morro do Barro Vermelho é, por si só, um marco referencial na paisagem. Além disso, a rica vegetação que a área possui configura uma verdadeira ilha verde. O projeto sugerido parte da premissa de valorizar essas características ao integrar geografia e construção de maneira que uma valorize a outra.

Os edifícios propostos se caracterizam pela horizontalidade, contrapondo-se tanto à verticalidade do Morro do Barro Vermelho e do Morro da Gamela, quanto à ocupação típica do bairro com suas torres isoladas.

Estratégia de ocupação

A excepcionalidade do lugar e sua presença na cidade, os encontros das encostas com os planos aterrados, constituem situações espaciais que o projeto procura valorizar e evidenciar. A relação visual direta entre as cotas altas do morro e a cidade na cota zero, assumindo a encosta como saia arborizada dessa ilha verde, é um dos preceitos que determinam o projeto.

A estratégia de ocupação, com a localização das construções no topo do morro realiza esta idéia e se contrapõe aos edifícios do entorno que negam e escondem essa geografia, subtraindo-a da vida cotidiana da cidade. Ao atingir as cotas mais altas, se ganha a possibilidade de avistar a Baía, a Ilha do Frade e o Canal da Passagem. Este conjunto de operações busca realizar uma espécie de homenagem à topografia, tão marcante na espacialidade desta cidade.

O estudo minucioso do terreno levou a um ajuste do embasamento central proposto de modo a preservar integralmente a área rochosa onde se localizam as árvores mais significativas da área, incorporando-a ao conjunto edificado. Este espaço dado, ponto culminante do morro, torna-se um local de estar e uma comunicação externa entre os edifícios das duas fases de implantação. Sua flora constitui o suporte natural para o Orquidário que ali será instalado. A este local deu-se o nome de Praça das Pedras.

Edifícios propostos e fases de implantação

As dimensões estabelecidas para a futura ampliação levaram à concepção do projeto de forma integral, com suas duas fases de construção. Deste modo o conjunto apresenta uma única lógica de implantação e as mesmas qualidades espaciais. A construção da primeira fase, no entanto, já constitui um núcleo funcional e íntegro, que terá sua espacialidade enriquecida pela futura ampliação. A execução da segunda fase poderá ser realizada sem gerar qualquer transtorno para o funcionamento da fase inicial.

Os edifícios propostos podem ser agrupados em dois tipos no que se refere às diferentes situações de implantação e isso determina sua solução construtiva. Há os que, incrustados no morro e paralelos às curvas de nível, mimetizam a pedra e reconstroem o topo como rochas artificiais de uma nova topografia. Para estes adotou-se a estrutura em concreto armado com planos em laje grelha e fechamentos em painéis pré-fabricados. Há ainda os que se destacam do morro, dispostos transversalmente e soltos na paisagem. Para estes a estrutura metálica se apresenta como solução mais coerente.

O conjunto proposto é constituído pelos seguintes edifícios:

Embasamento

O embasamento, de implantação discreta e geometria que se adéqua ao topo do morro, é o elemento de articulação geral do complexo. Seu interior abriga 543 vagas de estacionamento cobertas, mini-auditórios, salas de vídeo conferência, setor bancário, revistaria e um bar / café. Em sua cobertura, em meio a uma Praça de Água, encontram-se a área para eventos ao ar livre, o centro de atividades físicas e um pequeno café. Coração do conjunto, este edifício mistura os setores de Vivência e Centro de Convenções criando um ponto focal para o encontro e a integração. Através do embasamento, seja pelo seu interior, seja por sua cobertura, acontece a comunicação entre os vários edifícios da primeira fase além da integração destes com os edifícios da segunda fase.

Um recuo desta construção preserva uma área de rochas e árvores existentes. Esta Praça das Pedras transforma-se em extensão ao ar livre do foyer do Auditório Central, do Centro de Convenções e do Centro de Realidade Virtual, coadunando todas estas atividades.

Blocos de apoio leste e oeste

Paralelos às curvas de nível, estes dois blocos albergam os setores que precisam de comunicação com os escritórios, porém necessitam de autonomia espacial e de acessos independentes. O bloco Oeste, por sua posição mais próxima ao acesso principal e relação mais franca com a avenida, recebe os programas de interface pública mais definida: Serviços, Subsidiárias e Centro de Atendimento Médico. Foi locado também nesta construção o Centro Integrado de Controle (CIC).

O bloco leste, mais próximo ao acesso secundário, abriga os setores que precisam de acesso com docas de carga e descarga e pés-direitos especiais. Encontram-se nele: Almoxarifado e Oficinas, Datacenter, Laboratórios e Armazenagem de Amostras.

As coberturas de ambos são jardins conectados à Praça de Água por meio de pontes metálicas sobre a rua interna.

Edifício de escritórios

As áreas para escritórios se resolvem em um único bloco destacado sobre os demais. Sua implantação dá unidade ao conjunto e permite a criação de comunicações verticais diretas entre eles. O edifício contém áreas para escritórios distribuídas em quatro níveis no interior de uma estrutura de 150m de comprimento e 37,50m de largura. Quatro linhas estruturais longitudinais criam três salões paralelos de 150x12,5m. O salão central concentra os núcleos de circulação vertical e instalações e cria um grande vazio, interrompido duas vezes por volumes que abrigam programas especiais como mini-auditório, vídeo-conferência e reuniões. Esse vazio permite proporcionar ventilação e iluminação naturais para todos os ambientes.

Os salões laterais dão suporte à instalação das estações de trabalho dos escritórios panorâmicos possibilitando arranjos diferentes para atender aos vários setores. A circulação horizontal acontece junto ao vazio interno e pode ou não ser segregada. Jardins e varandas, intercalados, dão ritmo aos pavimentos, sugerem setorizações e criam espaços para o usufruto da paisagem. Para controlar a insolação sobre suas fachadas foram criados planos de sombreamento e difusão em chapa metálica perfurada, galvanizada e pintada de branco. A perfuração desses elementos é variável e responde às necessidades de cada ambiente e às diferentes orientações. Esses elementos, pela escala de sua aplicação, superam seu caráter utilitário ao configurar um bloco monolítico branco que paira sobre o morro e a Praça da Água.

Auditório / refeitório central

Junto à Praça das Pedras, uma nova pedra, quadrada, com 27 metros de lado e 16m de altura abriga o auditório central, o refeitório e um conjunto de rampas que interliga estes programas e os três níveis do embasamento. A sala do auditório acomoda 390 lugares e possui foyer externo avarandado que desfruta a paisagem e se funde aos demais programas que conformam o centro de convenções. Sob o palco um pavimento técnico acomoda os equipamentos de climatização e o insuflamento é feito pelo piso da platéia através de um plenum. A proximidade com o CRV sugere sua possível utilização como uma grande sala de visualização em três dimensões.

O refeitório, sobre o auditório, se desenvolve em dois pavimentos. O inferior recebe a área de distribuição e alimentação e possui uma extensa abertura horizontal. O superior aloja toda a infra-estrutura necessária e possui aberturas para ventilação e iluminação zenitais. O acesso ao refeitório pode ser feito ao ar livre através da Praça da Água no nível 41,00 ou de forma abrigada, pelo nível 36,60.

Centro de Realidade Virtual

Por seu caráter investigativo e experimental por meio da utilização de tecnologias em desenvolvimento, o CRV foi pensado como uma grande caixa dentro da qual diferentes arranjos irão se sucedendo ao longo do tempo. Este volume, de planta octogonal e construção em concreto armado, cria um vazio interno de 10 metros de altura e uma prumada de instalações sanitárias e salas de reunião que se repete em três pavimentos. Os ambientes que completam o programa são construídos com estruturas metálicas e podem ser futuramente re-configurados. O acesso de público a seu interior situa-se no nível 36,60 tornando este programa parte integrante do centro de convenções. Um acesso técnico e de equipamentos localiza-se junto à via de acesso no nível 29,80.

Empreiteirópolis

A Empreiteirópolis localiza-se na extremidade norte do conjunto, próxima à Portaria 2. A situação topográfica permitiu sua implantação de forma muito discreta com a praça de contêineres em nível com a rua sobre os vestiários e refeitório, em nível inferior, aberto e ventilado.

Central de utilidades, galeria técnica de instalações e ETRA

Na extremidade sul do terreno foi prevista uma Central de Utilidades que aglutina a central de água gelada do sistema de ar condicionado, a subestação SE-3, grupo de geradores, reservatórios inferiores e casa de bombas. Próximo à central de utilidades foi posicionado o Castelo D’água, torre cilíndrica com 5m de diâmetro.

Para organizar a distribuição horizontal das tubulações e cabeamentos de todos os sistemas de infra-estrutura foi proposta uma Galeria Técnica de instalações. Esta galeria possui acessos para visita e manutenção e articula a central de utilidades com os demais edifícios.

A Estação de Tratamento de Resíduos e Águas localiza-se ao lado da Portaria 2, em cota favorável para a captação do esgoto cinza. Nessa estação será feito o tratamento biológico com posterior filtragem e cloração.

Acessos, controles e circulação de veículos e pedestres

A circulação de veículos se organiza de maneira setorizada. A via interna proposta contorna o embasamento e comunica as duas portarias. No trecho oeste desta rua e com acesso pela Portaria 1 junto à Av. Nossa Senhora da Penha, localizam-se as entradas dos estacionamentos cobertos, o acesso ao bloco de apoio oeste e boa parte das vagas descobertas. Este setor concentra a circulação de funcionários e visitantes. O trecho leste da via, próximo à Portaria 2 junto à Rua Guilherme Serrano, se caracteriza como rua de serviços ao prover acesso à Empreiteirópolis, Almoxarifado e Oficinas, Depósito de Amostras dos Laboratórios, Datacenter, CRV, Estação de Tratamento e Central de Utilidades. Paralela a essa via corre a galeria de instalações. O controle dos veículos é feito nas portarias 1 (funcionários e visitantes) e 2 (carga e serviços).

O acesso de pedestres ao interior do conjunto se faz através de percursos aéreos. Junto à Portaria 1, uma marquise conduz os pedestres, após a identificação, até uma torre de concreto que contém dois elevadores, com paradas nos níveis 3,00 e 36,60. Estes elevadores atendem à demanda da primeira fase de implantação e deverão ser complementados por outros dois quando a segunda fase se concretizar. Uma passarela metálica no nível 36,60 leva até o interior do embasamento passando sobre a mata recomposta na encosta e sobre a rua interna. Ao evidenciar a escala vertical da topografia, este elemento transcende seu aspecto funcional tornando-se um símbolo e um marco urbano sobre a avenida e para a cidade. Um torre semelhante, com menor capacidade, poderá ser construída na segunda fase caso o acesso de pedestres pela Rua Chapot Presvot se revele significativo.

Este projeto se configura como uma ação de adição. Não subtrai da vida da cidade o Morro do Barro Vermelho, seu sítio de implantação, mas ressalta sua vegetação e consolida seu caráter original. Acrescenta à paisagem uma nova referência, planos d’água, outras pedras e duas linhas brancas. Sombras e luzes sobre a rocha ligando seu passado natural a seu futuro desejável.

ficha técnica

Autores do projeto
Alvaro Puntoni, Eduardo Ferroni, Jonathan Davies, Fernanda Costa Neiva, Maria Julia Herklotz, Pablo Hereñú

Colaboradores
Edson Riva, Fabiana Cyon, João Sodré, Juliana Braga, Olivia Pereira, Omar Dalank, Vitor ao Castro

Consultores
Estrutura: Cia De Projetos Ltda
Ar Condicionado: Thermoplan Engenharia Térmica Ltda
Instalações: PHE Projetos Hidráulicos e Elétricos S/C Ltda
Automação Predial: SI2 Soluções Inteligentes
Sistema Viário e Estacionamentos: PLANVIA Engenharia e Consultoria
Transporte Vertical: EMPRO Engenharia de Produção Ltda
Lógica: Marciano Engenharia Elétrica LtdaPaisagismo: Engenheiro Agrônomo Ricardo Vianna
Conforto Ambiental e Eficiência Energética: Geros Arquitetura Ltda
Maquete: Triviño Maquetes

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Equipe premiada
São Paulo SP Brasil

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