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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Este trabalho é um questionamento sobre a permanência do uso do termo “Escola Franciscana do Nordeste”, criado pelo historiador Germain Bazin, quando trabalhava para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

english
This paper is a question about the continued use of the term “Franciscan School of the Northeast”, created by the historian Germain Bazin, when working for the Institute of National Historical and Artistic Heritage.

español
Este trabajo es una pregunta sobre el uso continuado del término "Escuela Franciscana del Nordeste", creado por el historiador Germain Bazin, cuando trabajaba para el Instituto del Patrimonio Histórico y Artístico Nacional.


how to quote

GUZZO, Ana Maria Moraes. Germain Bazin e a valorização dos conventos franciscanos do Nordeste brasileiro. Arquitextos, São Paulo, ano 22, n. 256.06, Vitruvius, set. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/22.256/8263>.

Neste artigo foram estudados os conventos franciscanos brasileiros, cujos exemplares edificados na região Nordeste foram considerados pelo historiador francês Germain Bazin formadores da “Escola Franciscana do Nordeste”, quando este autor ajudou a “apresentar” o país como possuidor de um patrimônio no campo da arte e arquitetura, no momento em que trabalhou para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, nas décadas de 1940 e 1950. Ressaltamos que em função do recorte temporal, este artigo não contemplará estudos anteriores às datas citadas.

No entanto, consideramos que a disseminação do termo destacado pode ser problematizada, se levarmos em conta algumas características mencionadas por Bazin como sendo peculiares aos conventos da região citada, confrontando com o que a literatura aponta sobre os exemplares da região Sudeste, que detêm essas mesmas “feições”.

Nesse sentido, para procurar entender as colocações de Bazin, é preciso voltar ao momento da criação do referido Instituto, que ocasionou a vinda ao Brasil de profissionais estrangeiros, entre eles, Bazin. Nessa época, buscava-se a valorização e divulgação do nosso patrimônio cultural. Assim, surge um primeiro questionamento: O fato de o país ser detentor de uma “Escola” lhe conferia uma maior importância?

Interessante observar que, a denominação de “Escola” vem sendo repetida por outros autores que, assim como o próprio Bazin, não apresentam argumentos para o uso do referido termo. Dessa forma, por não haver um referencial teórico a respeito do assunto que propicie um debate de ideias, a questão sobre o uso da terminologia dentro da Historiografia da Arte e da Arquitetura, torna-se por si só, um trabalho dotado de originalidade. Para tentar compreender a ideia de Bazin ao denominar esse conjunto de conventos, faz-se pertinente uma retrospectiva da fundação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, e a observação sobre as características dos conventos nordestinos brasileiros, apontados pelo estudioso francês como soluções inéditas na constituição da Escola Franciscana do Nordeste.

Somados a tais abordagens, onde enquadramos os profissionais estrangeiros envolvidos nos trabalhos da Instituição citada, mencionamos alguns autores da atualidade que, de alguma forma, ratificam as colocações de Bazin, e que nos propiciaram chegar às considerações finais.

Nasce o Iphan

No final de 1934, pouco depois de assumir o Ministério da Educação e Saúde, Gustavo Capanema convida Mário de Andrade, para dar vida a um anteprojeto para a proteção da arte no Brasil. Seria o pródromo da criação do Iphan, na ocasião chamado Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Sphan – que, a partir de 1936, funcionou em caráter provisório. Em 1937, a ação tomou caráter definitivo e o órgão se empenhou na construção discursiva de Nação. O que iria fazer parte do patrimônio brasileiro foi definido pelo primeiro diretor do instituto, Rodrigo Melo Franco de Andrade (1936-1969), e pelos funcionários de sua gestão, como Mário de Andrade, Lúcio Costa, Luís Saia e Edson Mota (1). Na hierarquia dos bens, a arquitetura caminhava na frente, seguida das outras artes a ela integradas.

O Estado passou a ser protetor do patrimônio, escolhendo os bens a serem conservados, por meio dos tombamentos. E essa prioridade voltou-se à arte colonial brasileira, com enfoque na arquitetura religiosa. Iniciaram-se os processos de tombamento como maneira de proteger nossas artes e para isso, uma série de inventários foi realizada (2). Havia ânsia em se executar esses tombamentos e, os arquitetos do Iphan, sob o comando de Rodrigo Meio Franco de Andrade, foram coautores da seleção e responsáveis pelos critérios que formaram esse patrimônio.

Fica patente para nós que, a arquitetura daria materialidade à nação e seria apresentada aos brasileiros como “bens”. Essenciais para a valorização do patrimônio foram a propaganda associada às opiniões de especialistas nacionais e internacionais. Os “especialistas” confirmavam os critérios usados pela instituição, dando credibilidade a um conhecimento determinado pelo Estado. Havia, pois, claramente, um empenho por parte do Iphan na propagação da arte brasileira. Esforços não eram medidos para que nossa arte conquistasse seu lugar ao sol. Foi um momento em que tradições precisavam ser inventadas (3).

A opinião dos especialistas era o atestado de autenticidade almejado pelo órgão e, assim, o diretor pretendia contar com profissionais gabaritados na preservação das obras de arte e na formação dos quadros da instituição. Dessa maneira, ao ampliar suas atividades, verificamos que o Iphan voltou os olhos para a necessidade da presença no órgão de profissionais tais como fotógrafos, artistas plásticos, historiadores ou museólogos, alguns requisitados no exterior. Foi dessa forma que profissionais estrangeiros participaram na produção do patrimônio cultural do Brasil, principalmente na arquitetura, promovendo também um intercâmbio de informações.

Simbiose entre profissionais estrangeiros e o Iphan

Em 1937, Gustavo Capanema institui o Serviço de Cooperação Intelectual, a criação de bolsas para estudantes brasileiros no exterior e a concessão de subvenções às revistas e instituições que organizassem congressos internacionais sobre nossa cultura, almejando colocar o Brasil no patrimônio cultural e intelectual da humanidade.

Dessa forma, o americano Robert Chester Smith (1912-1975), historiador e doutor pela Universidade de Harvard, com tese sobre a arquitetura portuguesa, veio ao Brasil pela primeira vez em 1937, no espírito de cooperação pela cultura internacional. Nessa missão de estudos sobre a arte colonial brasileira, conheceu Rodrigo Melo Franco de Andrade, que se interessou pelo trabalho do estadunidense, especialmente por seu conhecimento da arte portuguesa. A partir daí se estabelece uma cooperação que representava, por parte do Iphan, a facilitação do acesso aos monumentos e arquivos no Brasil, além de uma simbiose para a pesquisa entre ambos. Smith retribuía com palestras e cursos no Brasil, afora publicações em revistas científicas norte-americanas (4).

Quando Robert Smith chegou pela primeira vez ao nosso país, os estudos sobre arte, arquitetura e urbanismo no solo brasileiro eram incipientes. Os acervos documentais eram desconhecidos e difíceis de serem reunidos, pois se achavam dispersos em folhetos, jornais e revistas, cuja busca era trabalhosa. Uma das características de seus trabalhos era documentar / catalogar obras de arte. Smith valorizava as imagens, seguindo a metodologia do Departamento de Belas Artes de Harvard, onde as fotografias eram primordiais para contrapor características antigas das construções, com as atuais. Seus trabalhos foram de grande valia na divulgação de nossa arte e na organização das bases do Iphan.

E a interlocução com pesquisadores prosseguiu, resultando em estudos e publicações. É o caso do historiador de arte e pesquisador inglês, John Bernard Bury, que esteve no Brasil entre 1947 e 1948. Bury não tinha grande vínculo com o Iphan, mas manteve contato com o órgão em seus estudos sobre arquitetura e arte no Brasil Colônia, direcionando-se mais para as obras mineiras, escolhendo o Aleijadinho como objeto de estudo para sua tese. Ao retornar à Inglaterra, ministrou palestras e publicou artigos em revistas acadêmicas sobre o barroco, chamando a atenção para seu legado no Brasil, até então desconhecido (5). Bury, tal como Smith, recebeu suporte do Iphan para a elaboração de suas pesquisas e deixou sua contribuição na divulgação de nossa arte.

Outra historiadora da arte, que trabalhou como contratada pelo Iphan, foi Hanna Levy (1912-1984), judia-alemã, que esteve no Brasil entre 1937 e 1947, por razões particulares. Iniciou seus trabalhos como professora historiadora e crítica de arte junto a instituições como o Iphan e a Fundação Getúlio Vargas e ministrou curso para a especialização dos técnicos do Iphan (6).

De acordo com o pensamento de Levy, a história deveria ser encarada como um processo vinculado à história social, à conceituação de um dado momento da História da Arte e às instituições das artes. Levy questionava ainda a primazia de uma história da arte europeia, livrando a arte brasileira de preconceitos, inclusive o eurocentrismo. Seu discurso caminhava contra os discursos oficiais relacionados à arte do século que tomou força no Brasil a partir de 1950, por meio de outro autor que divulgava o barroco brasileiro. Tratava-se, justamente, de Germain Bazin.

Germain Bazin (1901-1990), francês, tinha formação em História da Arte e Museologia. Foi legitimador e divulgador dos postulados do Iphan em nível mundial, observando as manifestações barrocas da arquitetura do Brasil. Nas suas viagens ao Brasil, entre 1945 e 1949, também estabeleceu trocas com Rodrigo Melo Franco de Andrade, divulgando o barroco brasileiro como expressão de uma arte com representação própria. Sua vinda ao Brasil possibilitou observar e divulgar a arte barroca, em um campo desconhecido à espera de um historiador. O próprio Rodrigo Melo Franco de Andrade o teria encarregado de escrever os seus livros sobre arte brasileira (7). Não é preciso dizer o prazer que isso lhe proporcionou, ocupando um lugar de destaque na divulgação e validação do barroco colonial como expressão artística brasileira.

Porém, no campo da arquitetura conventual franciscana, não foi possível vislumbrar em que medida esse incentivo foi voltado aos conventos do Nordeste, em detrimento dos conventos da região Sudeste. Bazin estudava o barroco e o Brasil dava seus primeiros passos na direção desse estilo, principalmente nas fachadas daqueles conventos, o que nos faz supor maior afinidade do historiador por eles.

O interesse do Iphan com esses estrangeiros era conhecer e fazer reconhecida a arte brasileira internacionalmente. Do vínculo que se formou, o Iphan facilitava o acesso aos documentos aos pesquisadores que vinham ao Brasil, objetivando a propagação da arte brasileira. A colaboração era mútua (8).

Ao se escrever sobre personalidades intelectuais, deve-se considerar a obra por quem a produziu como resultante de uma intenção ligada à estrutura da sociedade, porém, lacunas documentais, novas perguntas e esclarecimentos aparecem a todo momento. E foi assim que questionamentos surgiram entre nós, sobre a obra de Bazin, especialmente no que diz respeito à chamada “Escola Franciscana do Nordeste”. Contudo, Bazin engrandeceu a arquitetura brasileira como produto de uma civilização e concedeu ao barroco nacional um status de obra de arte, atendendo aos anseios do Iphan naquele momento, conforme vimos até então.

Em relação às imagens, a dimensão do nosso território e a dificuldade de acesso aos nossos bens, aliadas à falta de verbas para o trabalho de campo faziam com que as fotografias fossem usadas como fontes de consulta para os processos de tombamentos e para as obras de conservação e de restauração. Como na época não havia profissionais desta área, os atuantes estrangeiros desse campo também trabalharam no Iphan, fazendo da documentação fotográfica um fator importante.

Em janeiro de 1948, Rodrigo Melo Franco de Andrade assinou uma Portaria denominada “Fotografias de obras de valor artístico e histórico”, visando padronizar um caminho para fotografar as obras de arte e arquitetura dos inventários feitos pela Seção de Arte da Divisão de Estudos e Tombamento. Tal fato culminou com os serviços prestados por fotógrafos estrangeiros, e tombamentos foram feitos baseados na análise fotográfica. Daí a importância da fotografia naquela época (9).

Quanto aos fotógrafos estrangeiros que vieram para o Brasil com essa missão, não podemos deixar de citar o alemão Eric Hess (1911-1995) e o francês Marcel Gautherot (1910-1996), dando continuidade ao histórico da criação do Iphan. Consideradas importantes, as fotografias devem ser vistas como parte integrante do patrimônio cultural brasileiro, colaborando para a formação do acervo do Iphan.

Germain Bazin e os novos historiadores

Como vimos, a vinda de Germain Bazin ao nosso país foi a resposta desejada pelo Iphan, frente à construção da historiografia da arte brasileira.

Quanto aos conventos franciscanos do Nordeste, Bazin, ao conhecê-los nas décadas de 1940 e 1950, batizou-os como pertencentes à Escola Franciscana do Nordeste, termo usado e consagrado por autores que dedicaram seus trabalhos a este tema. Porém, ao fazer uma releitura sobre os conventos referidos como formadores dessa “Escola”, verificamos que os historiadores não explicam em seus trabalhos o porquê dessa denominação. Limitam-se a citar algumas características pertinentes a essas edificações como sendo-lhes peculiares, seguindo as premissas de Bazin.

Verificamos, ainda, que o Iphan, tal qual Bazin, não despendeu o mesmo cuidado (ou não lhe foi solicitado) ao estudo da arquitetura conventual da região Sudeste. Este fato pode ter propiciado a ruína, demolição e descaracterização de alguns exemplares, prejudicando seu estudo na atualidade, sobretudo se quisermos compará-los com os conventos do Nordeste.

A atração pelos conventos do Nordeste era evidente, principalmente se considerarmos a decoração dessas fachadas conventuais em relação às do Sudeste. Os frontispícios do Nordeste eram mais generosos em conter elementos barrocos, foco de estudo na ocasião. O interesse de Bazin teria influenciado o Iphan quanto à priorização de tombamentos dos conventos franciscanos do Nordeste? Ou teria acontecido o inverso?

Na obra de Germain Bazin (10), intitulada “L’Architecture religieuse coloniale au Brésil” (1956-1958), versão brasileira A Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil” (1983), o autor dedica uma parte à consagrada Escola Franciscana. O status de haver em nosso solo uma “Escola” conferia maior qualificação no campo das artes. No entanto, também não são apontadas razões para tal denominação, senão suposições e sugestões.

De concreto temos as características consideradas por Bazin em relação aos conventos do Nordeste, para afirmar a existência da “Escola”, reproduzidas a seguir:

  • Quantidade, formato e localização dos claustros em relação à igreja principal – claustros únicos e, na maioria das vezes, à esquerda da igreja conventual;
  • Presença de adros com cruzeiros;
  • Capela dos Terceiros – localizadas de forma perpendicular em relação ao conjunto conventual, comunicando-se com a igreja da Ordem Primeira através de um arco;
  • Frontispícios das igrejas da Ordem Primeira, onde foram definidos dois tipos como modelo: o do Convento de Ipojuca e o do Convento de Cairu;
  • Nave da igreja conventual – nave única;
  • Torre – única, recuada em relação à fachada e, na maioria das vezes, à direita da igreja conventual;
  • Presença de Pórtico / Galilé – geralmente com três arcos.

Alguns conventos do Nordeste apresentavam ausências de algumas dessas características, enquanto que nos do Sudeste, se faziam presentes.

No que diz respeito aos autores e trabalhos de uma geração mais recente, encontramos ratificação às colocações de Bazin, sem questionamentos, e algumas contradições, principalmente em relação a datas.

Por exemplo, Alberto José de Sousa (11) doutor, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (1973), em um artigo, intitulado “Igreja franciscana de Cairu: a invenção do barroco brasileiro”, ao descrever esta igreja, refere que sua frontaria foi a primeira construída no Brasil que se afiliava ao barroco, sendo, portanto, uma invenção brasileira. Tal fachada, dentro do universo das frontarias de igrejas do Brasil colonial, foi a mais imitada, gerando uma verdadeira escola arquitetônica. Aqui a Escola seria, para este autor, apenas a fachada? Lembremos que, apesar dos estudos de Frei Jaboatão, cronista da Ordem, não atender ao recorte temporal deste trabalho, em 1761 o frei aponta a igreja de Cairu construída com três arcos em sua frontaria, e a igreja da Paraíba já detentora de cinco arcos (12). Bazin e Sousa conheceram Cairu após sua “evolução” com cinco arcos. Assim, se considerarmos o modelo de fachada mais elaborado (e mais imitado?) da Ordem Franciscana, apontaríamos para o convento de João Pessoa (13).

Planta baixa do primeiro pavimento. Convento de Santo Antônio, Cairu BA
Mapoteca Iphan RJ

Sousa e outros estudiosos citam a fachada de Cairu (1650) como sendo o protótipo da arquitetura franciscana nordestina para as igrejas da Paraíba (1590), de Paraguaçu (1649), Igarassu (1588), Recife (1606), e Olinda (1585). Porém, vale observar as datas de fundações colocadas entre parênteses. Como então uma fachada poderia servir de modelo para conventos fundados em datas anteriores? Ainda no portal da igreja de Cairu, aparece a inscrição de 1750, sugerindo sua conclusão cem anos depois de sua fundação. Para melhor compreensão, ilustramos este trabalho com algumas figuras reproduzidas dos arquivos do Iphan, em datas próximas à visita de Bazin aos conventos franciscanos nordestinos.

Conjunto franciscano de João Pessoa com a Ordem Terceira à direita da igreja dos frades, planta baixa
Fr. Venâncio Willeke, Livros dos Guardiães do Convento de Santo Antônio da Paraíba [Arquivo da Província Franciscana]

Continuando a observar essas fachadas, não foram relatadas reformas significativas na igreja de Paraguaçu. Porém, no portal da entrada da igreja consta o ano de 1660 e na verga de entrada do convento, a data de 1686. Mas, há a citação de que o Convento de Paraguaçu foi fundado em 1649 (14). No entanto, o término de sua fachada só se daria em tempo posterior, uma vez que Jaboatão, em sua crônica de 1761, relata esta casa religiosa com somente três arcos frontais (15). Alertamos novamente para as datas. Em que sentido considerou-se a fundação do convento (a partir da solicitação, da doação de terras, do lançamento da pedra fundamental)? Já a fachada do convento de Igarassu sofreu nova elevação por volta de 1753 e recebeu decoração em seu frontão cerca de 1786. Seria então a nova fachada, que foi baseada no Convento de Cairu? Quanto à igreja do Recife, não se acharam as datas de sua edificação e decoração do seu frontispício, mas sabe-se que fez parte das obras ocorridas após a expulsão dos holandeses.

Convento de Santo Antônio ou São Francisco do Paraguaçu, planta baixa do primeiro pavimento, Paraguaçu BA
Mapoteca Iphan RJ

Maria Berthilde Moura Filha (16), doutora, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Paraíba (1986), menciona na introdução de seu trabalho intitulado “Registros dos franciscanos em Pernambuco e Paraíba: arquitetura e identidade”, a obra de Bazin denominada “Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil”, onde este historiador define a existência de uma “Escola Franciscana do Nordeste”, pressupondo uma escola de construtores da Ordem. No entanto, pouco se observou a ênfase dada por Bazin frente a essa escola como uma hipótese da existência de “oficinas ambulantes” que aplicaram em vários destes conventos, elementos e formas responsáveis pela marca que lhes confere unidade. Mas, o caminho dessa investigação não é de fácil acesso pela falta de documentos.

Convento de Santo Antônio, planta baixa do primeiro pavimento, Igarassu PE
Mapoteca Iphan RJ

Apesar de ser conhecida a cronologia da fundação dos conventos, não há documentação sobre as suas construções, talvez em função da solução de continuidade ocorrida por conta das invasões holandesas no século 17. Assim, procurou-se entender estas edificações a partir da expulsão dos invasores, em suas reconstruções, recuperando as estruturas pré-existentes e na edificação de igrejas e conventos segundo o “gosto” da época, resultando os conjuntos construídos entre a Bahia e Pernambuco em dois “tipos” definidos por Bazin – o tipo baiano, cujo modelo é o frontispício de Cairu (barroco), e o tipo pernambucano baseado no convento de Ipojuca (clássico). A autora diz ainda que Bazin relacionava o frontispício de Ipojuca com os frontispícios dele derivados, como as igrejas de Olinda (observar que Alberto de Sousa mencionou que esta igreja tomou como modelo a igreja de Cairu), Penedo, Marechal Deodoro e São Cristóvão. Outro tipo de frontispício tem o seu protótipo no convento de Cairu, piramidal, formado pela superposição de três pavimentos de larguras decrescentes, composição adotada na igreja de Santo Antônio do Paraguaçu, caracterizando o denominado “tipo baiano”.

Antes de seguir com o trabalho de Maria Berthilde, mencionaremos as contradições entre esses dois autores. Para Alberto de Sousa outras fachadas derivaram do Convento de Cairu (1650). São elas as dos conventos de Paraguaçu (1649), Igarassu (1588, Recife (1606), e Olinda (1585). Chamamos a atenção novamente sobre as datas de suas fundações. Nos escritos de Berthilde, aparece agora o Convento de Olinda, como tendo seu frontispício derivado do Convento de Ipojuca, tipo pernambucano, o qual para nós é muito diferente do convento considerado. Dando sequência, o Convento de Cairu surge como o segundo tipo ou baiano, que deu origem ao Convento de Paraguaçu. Vale rever as datas de fundações destes conventos.

Retomando o texto de Berthilde, a autora se reporta a Bazin, que diz que, mesmo esses conventos tendo sido criados em regiões distintas, e apresentando tipologias diferentes, não estão muito separados cronologicamente. A pedra fundamental do convento de Ipojuca foi assentada em 6 de janeiro de 1608, e em 1654, teve início a sua reconstrução. Por sua vez, a igreja de Cairu teve sua pedra fundamental datada de 1654, ano em que se iniciou a reconstrução do convento de Ipojuca. A autora ainda acrescenta que a diferença entre estes dois tipos pode estar relacionada em função de, em Ipojuca, tratar-se da reconstrução de uma edificação já existente, enquanto que em Cairu surgia uma nova construção. Contudo, o tipo “pernambucano” do frontispício de Ipojuca foi reproduzido em outras obras erguidas em época posterior, como em Penedo e em São Cristóvão, fazendo-nos questionar a respeito da existência de uma área de influência deste tipo. Porém, esta hipótese não pode ser levantada, uma vez que o “tipo baiano” aparece em Recife e em João Pessoa. Estas igrejas surgiram entre os séculos 16 e 17, e foram reconstruídas após a expulsão dos invasores holandeses. A própria autora questiona não haver sentido na análise da repetição destes tipos edificados, não se justificando pela cronologia ou pela localização geográfica. A escolha e transferência desses tipos citados poderiam ser justificadas através da influência e circulação dos homens que fabricaram esta arquitetura? Como trabalharam nessas duas regiões? Até hoje não houve acréscimo nas informações, mas pode ter existido as “oficinas ambulantes” constituindo a “Escola de construtores” como hipótese lançada por Bazin. No entanto, as informações são insuficientes.

Após ler o trabalho dessa autora, deixamos aqui também um questionamento: Afinal, Bazin usa a denominação de “Escola” para reunir as características dos conventos franciscanos do Nordeste ou para defender, como hipótese, a existência de uma oficina ambulante de artífices? Portanto, verifica-se aqui também a falta de embasamento para que tenha sido criado o termo “Escola”.

Já José Dirson Argolo (17), graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (1976), defende no livro “O Convento Franciscano de Cairu – Restauração de elementos artísticos”, que o convento em questão representa o marco do barroco na arquitetura religiosa luso-brasileira. Descreve as características deste estilo que seriam repetidas nas igrejas franciscanas do Paraguaçu, Igarassu e de João Pessoa.

Recupera a história de Cairu e aborda a fachada da igreja, citando os dizeres de Alberto de Sousa, quando este autor se refere a uma verdadeira invenção brasileira. Em relação à Ordem Terceira do Convento de Cairu, Argolo relata que, paralela à igreja, a irmandade iniciou a construção da sua capela no século 18, nunca concluída, tendo se transformado em ruínas. De importante fica também a observação da posição da capela da Ordem Terceira no complexo conventual, destoando da localização citada como característica dos conventos nordestinos, segundo Bazin, perpendicular à nave da igreja da Ordem Primeira. Porém, ao que tudo indica, Argolo fazia menção à Casa de Exercícios, paralela à igreja dos frades, com entrada própria e vinculada à Ordem Terceira.

Continuando com a sequência de autores que corroboram com Bazin, Benedito Lima de Toledo (18), graduado em Arquitetura e Urbanismo na USP (1961), ao escrever sobre o barroco, se reporta aos dois tipos de frontispícios franciscanos e cita o recuo da torre, como sendo comum nas igrejas do Nordeste. Nessa descrição, vemos repetida a mesma opinião de Bazin, quanto a essas características. No entanto, para Toledo, no conjunto de obras da “Escola Franciscana”, elege-se como o exemplar mais evoluído do barroco o Convento de João Pessoa, na Paraíba. Aqui entendemos que o autor não considera este convento como modelo do barroco, e sim o encara como a evolução deste estilo. Mas, ao declarar o conjunto de obras como fazendo parte da “Escola”, também se coloca concordando com Bazin.

Para encerrar esta pequena lista de autores, citaremos Geraldo Gomes da Silva (19), doutor, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (1965) que, sobre a Escola Franciscana do Nordeste, além de concordar com o termo criado por Bazin, enumera as razões para essa denominação, alegando que tais manifestações ocorreram somente no Nordeste. Gomes cita ainda o convento de João Pessoa como sendo o provável modelo que serviu de referência para caracterizar a “Escola Franciscana”. Aqui é clara a contradição entre este autor e os outros mencionados, que colocam o Convento de Cairu como protótipo na construção de outros conventos franciscanos do Nordeste. E segue apontando como última e “exclusiva” característica dos conventos do Nordeste, a disposição das capelas das Ordens Terceiras, com suas naves perpendiculares às naves das igrejas conventuais.

Essa característica não é “exclusiva” dos conventos nordestinos. Em vários cenóbios do Sudeste encontramos essa mesma localização em um percentual alto, sem levarmos em conta que muitos conventos desta região, inicialmente tiveram suas capelas da Ordem Terceira na mesma posição mencionada como exclusiva dos conventos do Nordeste. Mas, neste trabalho, consideramos apenas a localização dos Terceiros a partir do recorte temporal por nós especificado – a década de 1950. Acrescentamos ainda que não podemos esquecer a Casa de Exercícios, conforme já mencionada, confundida algumas vezes com a capela dos Terceiros.

Sintetizando, quanto à Escola Franciscana do Nordeste, todas as informações cunhadas por Bazin são repetidas sem análise ou crítica. Nem mesmo o próprio Bazin, na sua obra, esclarece quais critérios foram importantes para essa escolha. E é justamente essa “repetição” que nos chamou a atenção.

A bibliografia aponta como o mais próximo daquilo que Bazin parece determinar como sendo “Escola”, a definição correspondente a Estilo, que indica um grupo de características que permitem a identificação da arte produzida em um período histórico, em uma região, por um grupo de artistas (estilo dos Itinerantes), ou de um único artista, relacionando uma obra à sua origem. Ainda assim, Estilo é um conceito da História da Arte de significado amplo e vago.

Para a Historiografia e Filosofia, o conceito de “Escola” não se relaciona com Estilo, sendo mais complexo. O conceito de "Escola" na historiografia, é contrastado em relação a outros, normalmente para construir a identidade teórica dos historiadores.

O que seria uma “Escola”, quando a palavra constitui uma categoria relacionada a uma corrente de pensamento ou de práticas relativas a determinado campo? O que caracteriza uma escola é um programa de ação, um campo de escolhas que permite sintonizar-se com outros semelhantes. O “programa” seria fundamental para a constituição de uma “escola” (20). Foi sob esse ponto de vista que Bazin determinou a existência da “Escola Franciscana”? É uma pergunta sem resposta. Porém, mais do que tentar definir o que seria uma “Escola”, há um trabalho de análise historiográfica que deve ser feito para aplicar este conceito a um determinado movimento e momento. E isso não foi feito.

Dessa forma, a afirmativa de Bazin, corroborada e sacramentada por outros autores, sobre a existência de uma “Escola Franciscana do Nordeste” pode ser problematizada a partir do estudo comparativo com relação aos conventos franciscanos do Sudeste, conforme já teria acenado, sem se aprofundar sobre a questão, Ivan Cavalcanti Filho (21) em sua tese de 2009, principalmente se levarmos em conta a avidez pelo desejo de criação e propagação de um patrimônio brasileiro, no contexto histórico do país, na época da fundação do Iphan.

Considerações finais

Estudiosos em História da Arte e da Arquitetura brasileira buscam um consenso que abrace autores que façam uso dos mesmos conceitos, ou dos mesmos pensamentos, que, contudo, não existe. O caminho é árduo na busca de novas reflexões, uma vez que o debate crítico em nosso país se formou a partir de uma visão estrangeira, como pudemos ver. Por isso, faz-se necessário uma revisão na historiografia, que analise e entenda o rumo percorrido, em cada época e comunidade cultural.

Situar uma obra não é inseri-la em um momento cronológico; é preciso entender em que medida ela faz parte do conjunto das ideias de seu tempo. Assim, o estudo das manifestações artísticas deve procurar um diálogo entre a imagem e o contexto social, utilizando os documentos disponíveis, mas sabendo de antemão que as “verdades” são momentâneas e mutáveis, necessitando, sempre, de reavaliação historiográfica.

Em relação ao período estudado, é preciso que haja uma revisão dos trabalhos feitos pela geração modernista, para a qual, além da ruptura com o passado, havia o compromisso com a questão nacional, necessidade basilar à época da criação do Iphan. Os modernistas tiveram papel importante na ideia de preservação da memória, mas foram, nesse sentido, doutrinadores.

Pelas pesquisas e leituras realizadas sobre as obras de Bazin, parece ter acontecido o mesmo, no sentido de atender aos desejos da fase inicial da criação do Iphan, uma vez que o autor não apresenta argumentação para ter denominado os conventos nordestinos de “Escola”, enquanto exercia serviços para o Iphan. Já os conventos do Sudeste tiveram pouco espaço em seus estudos, talvez por não terem sido prioridades no momento da fundação deste órgão. Dessa forma, assim como os modernistas, Bazin também seguiu o mesmo caminho de doutrinação e valorização da arte brasileira, e sua atuação foi significante na divulgação da nossa arte em âmbito nacional e internacional.

No que diz respeito aos autores e trabalhos da geração mais recente, podemos verificar que existe uma concordância na menção do termo “Escola Franciscana do Nordeste”, lançado por Bazin. Porém, o questionamento permanece: seria essa a denominação mais eficaz para referenciar tais obras? O que levou Bazin a nomear esses conventos como pertencentes a uma Escola? Difícil responder quando a literatura não é clara quanto à definição de “Escola”.

Contudo, a historiografia é dinâmica. E em função de tal adjetivo, exige um debate contínuo em relação à “fatia de tempo” em que se escreve a História, partindo de leituras produzidas pelas gerações predecessoras, para construir novas ideias, mesmo que os temas já sejam consagrados e sacramentados. Foi o objetivo deste trabalho, com o qual esperamos ter prestado nossa contribuição, sem, no entanto, cultivar a pretensão de “verdade absoluta” que, no momento, se traduz pela não existência da “Escola Franciscana do Nordeste”.

notas

NA – Este artigo é parte da tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. GUZZO, Ana Maria Moraes. Arquitetura franciscana no brasil: uma revisão historiográfica a partir de Germain Bazin. Tese de doutorado. Rio de Janeiro, PROARQ FAU UFRJ, 2020 <https://bit.ly/3AABPOM>.

1
FONSECA, Maria Cecília Londres et al [1997]. O patrimônio em processo: trajetória política. 2a edição. Rio de Janeiro, Editora UFRJ/Minc-Iphan, 2005.

2
CUNHA, Cláudia dos Reis e. Restauração: diálogos entre teoria e prática no Brasil nas experiências do Iphan. Tese de doutorado. São Paulo, FAU USP, 2010.

3
CHUVA, Márcia Regina Romeiro. Os arquitetos da memória: sociogênese das práticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil (anos 1930-1940). Rio de Janeiro, UFRJ, 2009.

4
MELO, Sabrina Fernandes. Robert Chester Smith e os estudos das cidades coloniais. Urbana: Revista Eletrônica do Centro Interdisciplinar de Estudos Sobre a Cidade, vol. 10, n. 1, 2018, p. 208-231 <https://doi.org/10.20396/urbana.v10i1.8651043>.

5
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sobre a autora

Ana Maria Moraes Guzzo é arquiteta e urbanista (UFRJ), Mestre em Ciências da Arquitetura pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROARQ/UFRJ, 1999), doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROARQ/UFRJ). Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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