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architexts ISSN 1809-6298


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português
Este artigo apresenta uma estratégia educacional sobre aplicações práticas dos princípios do design universal em arquitetura. O participantes aprendem a medir o sucesso na interpretação de problemas com múltiplas perspectivas críticas,

english
This article presents an educational strategy on practical applications of universal design principles in architecture. Participants learn to measure success in interpreting problems from multiple critical perspectives.

español
Este artículo presenta una estrategia educativa sobre aplicaciones prácticas de los principios del diseño universal en arquitectura. Los participantes aprenden a medir el éxito en la interpretación de problemas desde múltiples perspectivas críticas.


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GUIMARÃES, Marcelo Pinto. Explorações sobre design universal. Os espaços de moradia, as características dos lotes e a vida social em bairros acessíveis. Arquitextos, São Paulo, ano 22, n. 263.06, Vitruvius, abr. 2022 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/22.263/8456>.

O curso diurno de graduação em arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais — UFMG inclui uma série de módulos programáticos com sessenta horas de atividades educacionais durante cinco semestres. Cada módulo é projetado de acordo com a experiência de pesquisa e o campo de trabalho dos instrutores. A ideia de fornecer flexibilidade para o currículo de estudantes de arquitetura permite que eles escolham os programas do curso que combinam com interesses e habilidades pessoais. Então, a meio caminho de prosseguir com a conclusão do currículo de graduação, os(as) estudantes podem experimentar trabalhos numa variedade de assuntos e se sentirem preparados para diversos desafios profissionais.

Entre os programas do curso, alguns deles são dedicados a conscientizar os(as) participantes sobre questões de habitação para famílias de baixa renda. A visão enfática sobre estratégias de design em projeto socialmente orientado resulta em explorações sobre tópicos vinculados à sustentabilidade, como o uso de materiais de baixo custo, processos participativos no desenvolvimento de conhecimento tácito por técnicas tradicionais de construção e sobreposição de funções em áreas extremamente pequenas em ambientes modulares de alta tecnologia ou em espaços de moradia com assentamentos irregulares. Há apenas uma disciplina que aborda a prática de acessibilidade e inclusão social por meio do design universal para a moradia de pessoas com baixa renda financeira. Este artigo explica a estratégia educacional e discute o conteúdo e o formato das atividades, bem como a qualidade dos produtos que os(as) estudantes podem fazer.

O nome da disciplina é "Casas e seus lotes: a aplicação dos princípios do design universal em casas para famílias de baixa renda e sua vizinhança". Geralmente, cada semestre atrai cerca de nove a doze estudantes. A maioria delas/deles é de novatos e inexperientes, enquanto outros indivíduos podem estar envolvidos já no meio do curso, e muito poucos estão nos últimos semestres para a formatura. O campo comum pode ser o interesse e a relação pessoal com o assunto. Muitos deles são muito sensíveis à forma como os brasileiros vivem em estruturas urbanas pouco desenvolvidas nas bordas das cidades. Alguns desses estudantes podem ter membros de famílias que poderiam ser descritas como parte da população-alvo. Além disso, quase todos(as) os(as) estudantes querem aprender sobre questões de design para acessibilidade que estão além dos requisitos de normas técnicas e legislação para uso público de edifícios de grande porte. Como outros programas de disciplinas afins podem não explorar questões relacionadas à prática do design universal, a disciplina Casas e seus lotes: a aplicação dos princípios do design universal em casas para famílias de baixa renda e sua vizinhança oferece uma oportunidade para os estudantes lidarem com preocupações sobre o comportamento humano, tais como a interação social e a autoestima além de instruções sobre ergonomia relacionadas às necessidades das pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e problemas de orientação no meio edificado. O trabalho da disciplina ajuda os(as) estudantes a entenderem questões relacionadas à criação de casas que sejam simples e funcionais e pareçam semelhantes a outras casas de tijolos que são comuns nas proximidades. O foco é promover interações sociais bem-sucedidas num bairro com acessibilidade a pessoas em cadeiras de rodas do que em desenvolver propostas para edifícios estilizados para pessoas com deficiências específicas que possam querer viver em isolamento.

O desenvolvimento de críticas sobre projetos arquitetônicos com inacessibilidade

O formato de estúdio no processo de projetação em arquitetura inclui duas fases claramente distintas da disciplina. O primeiro estágio está relacionado ao estudo preliminar de projeto da casa que seja acessível para pessoas em cadeiras de rodas, e que possa atender às necessidades de outras pessoas na família, com diferentes idades e habilidades. O segundo estágio está relacionado ao desenho urbano do bairro numa pequena cidade de Minas Gerais. Nessa última fase de desenvolvimento, os(as) estudantes trabalham em equipe para determinar o tamanho de cada lote, a orientação e a inclinação das ruas e ruas de pedestres, o número de unidades habitacionais, a distribuição de áreas comerciais e as de recreação que também devem ser acessíveis a todos.

No início da primeira fase, os(as) estudantes praticam suas habilidades para representação arquitetônica de ideias através da construção de modelos digitais de espaços habitacionais típicos.
O exercício de introdução às técnicas de representação dura cerca de três dias de aula e é importante que os(as) participantes aprendam sobre design e técnicas de modelagem digital em três dimensões — 3D.

É baseado na representação em modelagem 3D do projeto oficial de design de casas criadas pela Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais — Cohab MG para famílias de baixa renda.

Dois modelos de configuração espacial ilustram alguns projetos de design padrão da Cohab MG: uma casa média (cerca de 36 metros quadrados) para pessoas sem deficiências aparentes em geral e uma casa especialmente acessível (cerca de 42 metros quadrados) para famílias uma ou mais pessoas com deficiência física. Os(as) participantes do estúdio exploram a compreensão da turma sobre as limitações do usuário no ambiente doméstico convencional, que é menor, e criam um modelo 3D digital desse projeto. Em seguida, os(as) estudantes inserem blocos tridimensionais de móveis e peças hidráulicas naquela casa. O objetivo é entender o tamanho real dos espaços existentes em habitações comuns da Cohab em comparação com o espaço necessário para atividades, de acordo com conforto e escala humana. Embora os(as) estudantes sejam livres para escolher blocos digitais dos menores móveis que possam pensar para funcionarem bem e confortavelmente em ambientes apertados, eles são encorajados a discutir a restrição de desempenho das atividades e o estresse das interações sociais para as pessoas naquela família típica (pai, mãe, dois filhos ou uma criança e um avô). Nas sessões de crítica em grupo, os(as) participantes do estúdio examinam e apreciam os trabalhos em conjunto. Técnicas e instalações particulares de construção são estudadas em detalhe. Como exemplos: a) o tamanho e a forma do projeto da casa são considerados em contraposição com os requisitos técnicos das características regulares do telhado; b) a instalação do lavatório dentro do banheiro único é contrastada com a ideia de manter um lavatório fora do banheiro e instalado no corredor em direção aos quartos.

Algumas fotografias de casas reais da Cohab MG ilustram a diversidade de modificação de espaços e instalações por parte dos usuários. Evidências fotográficas revelam que famílias de baixa renda geralmente não entendem bem os benefícios de espaços maiores para movimentos de cadeira de rodas dentro da casa.

O espaço extra dentro do banheiro que foi projetado para acessibilidade de cadeira de rodas serve para os moradores inserirem a máquina de lavar naquele local. Segundo Adriana Leão (1), as famílias pobres dos usuários de cadeira de rodas preferem transformar a área de transferência lateral em banheiros em espaço de armazenamento para aquele equipamento caro. Além disso, o uso de barras de apoio como prateleiras indica que os usuários de cadeira de rodas não têm poder para usar os banheiros de forma autônoma e independente. Parece que o desenvolvimento de projetos de casas acessíveis às pessoas em cadeiras de rodas deve ocorrer simultaneamente com os esforços educacionais sobre a importância dos elementos de acessibilidade para as famílias, para que a verdadeira experiência de acessibilidade seja possível.

As discussões abordam as falhas das agências governamentais em adotar a controversa estratégia de design baseada na separação de dois tipos de casas de acordo com a deficiência, o estigma e os preconceitos sociais para todos os usuários. As agências governamentais entregam cada nova casa sem qualquer mobília, equipamento básico ou estruturas de armazenamento. A falta de prateleiras, armários e guarda-roupas confiáveis afeta a mobilidade dos usuários pelo acúmulo de malas, caixas e aparelhos pessoais em espaços de circulação apertados. Como as famílias de baixa renda quase não têm experiências anteriores de realizar com sucesso as tarefas domésticas em espaços acessíveis, fornecer pequenas casas para essas pessoas pode não resultar em melhores padrões de vida além da miséria e do preconceito.

Aplicações de design universal dentro de casas

Na próxima etapa do processo de aprendizagem, os(as) estudantes devem incluir os espaços livres mínimos para acomodação, mobilidade e manobra de cadeira de rodas dentro de cada sala em espaços funcionais da pequena casa.

Parte das características do modelo 3D selecionado inclui volumes independentes de parede que podem ser movidos para expandir o espaço útil de acordo com as novas configurações de cômodos.

Além disso, trabalhando em ambientes domésticos separados como estudos de caso isolados (2), os(as) estudantes tem que explorar potenciais mudanças de configuração no posicionamento dos móveis. Dessa forma, eles podem entender que muitos princípios do design universal (3) atuam em conjunto. Por exemplo, o posicionamento variado de camas e outras peças de mobiliário dentro do quarto indica que há espaço para “flexibilidade no uso”, assim como “tamanho e espaço para aproximação e uso”. Como o tamanho do quarto pode ser grande o suficiente para várias configurações no posicionamento da mobília, os moradores podem decidir as alternativas de leiaute devem ser mais adequadas às suas necessidades. Esse é um exemplo de como a “tolerância ao erro” afeta a “flexibilidade no uso”, o “uso simples e intuitivo” e, acima de tudo, o “uso equitativo”. Na verdade, ao redimensionar os espaços reduzidos originais para salas maiores, os(as) estudantes precisam lidar com o desafio de fornecer espaço suficiente para atividades, evitando tamanhos extremos que estão além do senso comum.

O senso comum é um fator-chave para a tomada de decisões no projeto. Às vezes, os(as) estudantes podem se sentir desconfortáveis com a criação de uma casa grande em comparação com a estrutura original limitada. Eles tendem a acreditar que não fornecem todos os benefícios que a acessibilidade pode oferecer, porque que o necessário tamanho do espaço resultante implica em construção mais cara. Em seguida, os(as) estudantes aprendem uma importante lição relacionada a investimentos financeiros e design universal. A chamada casa grande que é acessível e totalmente funcional é menos dispendiosa do que a casa Cohab MG original, que é tão pequena e que não oferece acessibilidade. O ponto do aprendizado: custo é inversamente relacionado aos benefícios. O custo é baixo se os benefícios forem altos; o custo é alto se os benefícios forem inatingíveis. O problema é uma luta política, já que o alto custo final é pago pela qualidade de vida das pessoas. Então, no primeiro caso, custo significa investimento; no segundo caso, custo significa desperdício. A diferença é que os investimentos trazem benefícios no tempo, e o desperdício tira a experiência bem-sucedida de acessibilidade. Portanto, os(as) estudantes são incentivados a explicar cada solução com base em acordos mútuos sobre o senso comum para a aplicação de princípios de design universal. Isso significa ponderar os custos em termos de investimentos e benefícios.

Os estudos na disciplina progridem com sessões de crítica em que os(as) participantes apresentam ideias alternativas de design para a casa acessível. Depois de alcançar soluções agradáveis para o tamanho e leiaute de salas separadas, cada aluno tenta combinar essas salas em estruturas inovadoras para os projetos de suas casas. Nesse estágio, outro desafio se torna inevitável: incluindo espaço para um quarto extra e um abrigo para carros perto da entrada da casa. A ideia é que as famílias de baixa renda possam estar interessadas em ampliar o espaço de vida da casa a longo prazo da vida familiar. À medida que as crianças crescem, por exemplo, algumas delas podem ficar e morar com os pais, junto com o marido, com a esposa ou até mesmo com os filhos dessa segunda geração. Noutros cenários, a família de baixa renda pode ter que acomodar filhos adotivos, primos ou avós ao longo do tempo, ou o novo quarto pode se tornar necessário para um dos membros da família usar como espaço de escritório ou estande comercial para expandir suas oportunidades e/ou manter sua renda financeira. Os(as) participantes do estúdio devem criar um espaço aberto para áreas de cozinha, refeitório e sala de estar em tamanhos que correspondam ao número de pessoas que podem morar na casa, e esses ambientes devem permitir circulação livre, os círculos de giro e manobras além dos espaços de acomodação das pessoas em cadeiras de rodas.

Finalmente, a fase conclusiva do projeto da casa corresponde às explorações de varandas e espaços externos descobertos ao redor da casa. Isso está relacionado a considerações sobre a interação social que pode ocorrer entre os vizinhos lado a lado e os vizinhos de fundo dos quintais. Os(as) participantes do estúdio tem que preparar propostas para a localização de árvores, jardins, áreas de serviço e áreas de lazer para crianças no mesmo contexto que consideram o tamanho do local, a inclinação do terreno e a distância das casas na rua. Neste ponto, as condições reais da vizinhança não são a principal preocupação. O principal objetivo é a definição de ambientes domésticos que contam histórias sobre interação social, solidariedade e participação plena de vizinhos com apoio mútuo e igualdade de oportunidades.

Aplicações do design universal para a vizinhança

A segunda fase da disciplina ocorre após a revisão de estudos de caso por exames numa das principais sessões de crítica. A implantação das moradias do bairro começa com uma revisão da literatura que inclui o trabalho de Calthorpe e Van der Ryn, Halprin, Lang, MacDonalds e Newman, para citar alguns. Os trabalhos de Jon Lang (4) e Oscar Newman (5) abordam ideias básicas sobre privacidade, segurança e escala humana para bairros de baixa densidade. Peter Calthorpe & Sim van der Ryn (6) e Donald MacDonalds (7) adotam discussões sobre o desenvolvimento sustentável e a importância dos espaços internos de interação social dentro do bloco de casas. As ideias de Lawrence Halprin (8) sugerem que as perspectivas do alinhamento das ruas sejam sinuosas e incentivam os(as) participantes do estúdio a pensar sobre a experiência da caminhada lenta em movimentos de pedestres.

A discussão de ideias de design para urbanismo de bairros que acompanham análises de fotografias e desenhos conceituais permite que os(as) participantes evitem armadilhas, como: projetar becos sem saída, concentrar prédios comerciais e de serviços em áreas específicas do bairro, criando configurações comuns de encruzilhada que se assemelham às mesmas referências visuais e definem aos usuários de cadeira de rodas encostas inacessíveis das ruas. Em cada conjunto de problemas, os(as) estudantes são convidados a redefinir soluções potenciais de acordo com interpretações sobre os princípios do design universal.

Portanto, o processo de construção de consenso em sala de aula conclui que as relações sociais entre os vizinhos são possíveis para as pessoas que moram na mesma rua e para aqueles que compartilham seus quintais, mas que podem ter acesso por ruas horizontais em níveis diferentes. Os(as) estudantes que desenvolvem explorações sobre áreas comuns de quintal concentram-se na criação de ruas paralelas em diferentes alturas e nas instalações compatilhadas da habitação. Dentro de cada bloco de casas, grandes platôs e terraplenagem são acompanhados por rampas com amplos patamares e becos verdes que servem para recreação e socialização coletiva neste quarteirão. Outros(as) estudos podem explorar maior destaque às conexões paralelas e laterais de vizinhos que moram no mesmo nível da rua. Dessa forma, o caminho de pedestres para a conexão com uma rota acessível entre níveis de ruas distintas só pode ocorrer em espaços públicos em escala local onde pequenos edifícios comerciais com dois pavimentos e elevadores ou plataformas elevatórias têm entradas voltadas para espaços compartilhados tanto para a rua de baixo quanto para a de cima.

A calçada para pedestres em ruas quase horizontais é de fácil utilização, para que as pessoas com mobilidade reduzida e os usuários de cadeira de rodas possam se sentir à vontade para acessar o quarteirão da rua e visitar um ao outro.

Em relação ao uso das vias como estacionamento de veículos de moradores ou visitante, isso é desconsiderado porque acarreta muitos problemas para acessibilidade aos passageiros e motoristas com deficiência. Desse modo, sem estacionamento paralelo ao meio-fio, há mais espaço livre e a largura das vias pode ser menor desde que ocorra espaço de estacionamento no interior dos lotes. De fato, a rota acessível para qualquer casa começa em espaços reservados e planos para cada garagem dos moradores.

A forma curva, quase trapezoidal e a inclinação montanhosa do terreno em estudo são questões importantes. Como a forma é irregular, os(as) participantes do estúdio tem que considerar projetos de vias locais que permitam mais blocos de casas no lado maior do terreno. A longa rua coletora existente e que faz conexão com outros bairros na cidade está no nível mais baixo da gleba. Devido a uma estratégia educacional para a viabilidade das propostas alternativas dos(as) estudantes, as definições de marcos topográficos para o local foram ajustados para que o traçado de ruas locais planas se torne um objetivo alcançável. O nível mais alto do loteamento é 28 metros acima daquela via, e a inclinação média do terreno é de cerca de 11%. O terreno real utilizado como referência para os estudos é muito mais íngreme do que isso, e a porcentagem de inclinação do perfil do relevo é quase duas vezes maior.

A conexão com outros bairros próximos ocorre por zonas de separação e de ajuste do relevo com áreas verdes íngremes em talude, particularmente a que está localizada no menor lado do terreno. Em geral, o projeto de quarteirões e de vias locais para o bairro tende a gerar três ruas com inclinação suave e acessível para usuários de cadeiras de rodas. Essas ruas são transversais e seguem a largura do terreno desde os níveis mais baixos (área mais ampla), até os de altura média e superior (área mais estreita).

Ao contrário do traçado tradicional de bairros nos quais as áreas institucionais, comerciais e recreativas estão concentradas e segregadas dos lotes residenciais, a proposta geral do design universal de bairros acessíveis a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida incentiva os(as) participantes do estúdio a dispersar os edifícios comerciais de pequena escala em curtas distâncias dos locais de moradia. O resultado mostra uma combinação de casas e pequenas lojas na mesma proporção em que jardins compartilhados e sombras de árvores servem para a recreação de vizinhos próximos, criando uma malha quase homogênea de elementos naturais dentro do bairro.

Conclusão

Num curto programa de atividades de aulas de projeto, os(as) participantes do estúdio sobre "casas e seus lotes: a aplicação dos princípios do design universal em casas para famílias de baixa renda e sua vizinhança" aprendem sobre estratégias específicas de design para ambientes acessíveis a pessoas em cadeiras de rodas e outros com ou sem problema aparente de mobilidade. O número médio de três ou quatro equipes de três alunos em cada semestre tenta demonstrar como a provisão de espaço, os baixos bloqueios de ruas inclinadas, os laços de proximidade social e a baixa densidade em bairros habitacionais são fatores-chave para famílias de baixa renda que vivam em casas realmente acessíveis para todos.

No final do semestre, os(as) estudantes apresentam seu trabalho em uma sessão crítica de design final. Cada aluno expressa seus pontos de vista sobre a vida familiar dentro de seu projeto de casa. Em seguida, cada equipe de estudantes demonstra a aplicação dos princípios do design universal em cada casa, cada lote privado, cada bloco de casas e desenho da rua, incluindo o transporte público.

Em geral, os aspectos de dispersão de áreas verdes, instalações e áreas de lazer são identificados como bons exemplos de uso equitativo. A exploração de mudanças potenciais que uma casa pode fornecer horas extras é apontada como a prática de flexibilidade em uso. A proximidade de áreas comerciais, o perfil plano de ruas e calçadas, além da estreita conexão entre os vizinhos, indicam boas referências de tamanho para aproximação e uso bem como o baixo esforço físico. O traçado geral das ruas é lógico, facilita o fluxo de trânsito de veículos e de pedestres. O posicionamento estratégico de locais de socialização fornece referências para localização e orientação, sendo assim reconhecido como uma percepção fácil para uso, além de uso simples e intuitivo.

O esquema geral e os elementos de desenho urbano se baseiam em investimentos financeiros maciços para benefícios contínuos e de longo prazo. Certamente, reduzem a grande concentração do número de unidades habitacionais inadequadas e em espaços insuficientes para condições mínimas de qualidade de vida. Ressalta, particularmente, a tolerância ao erro, pois asseguram o equilíbrio entre os espaços particulares e os de vizinhança, o compartilhamento da vida coletiva entre famílias. Proporcionam lares realmente acessíveis para todos, principalmente para pessoas em cadeira de rodas, e enriquecem a qualidade de vida geral, independente da idade ou habilidade das pessoas. Trata-se da melhor aplicação simultanea de todos os princípios do design universal.

notas

NA — As ilustrações deste artigo são visões adaptadas de etapas distintas dos projetos de design dos seguintes estudantes de graduação que participaram das "Casas e seus lotes: a aplicação dos princípios do design universal em casas para famílias de baixa renda e seu bairro", na Escola de Arquitetura da UFMG: Gabriela Maciel (2014); Amanda Gava (2015); Gabriela Ferreira e Sara Levi (2016); Romario Cumbers e Vinicius Almeida (2017).

1
LEÃO, Adriana. O impacto do padrão de moradia popular para acessibilidade no modo de vida dos moradores. Dissertação de mestrado. Belo Horizonte, PPGAU UFMG, 2011.

2
GUIMARÃES, Marcelo. An Assessment of Understanding Universal Design Through Online Visual Resources and Roleplaying Simulation Exercises. Ph.D. R. Moore, Raleigh, North Carolina State University, 2005; MENEZES, Alexandre; GUIMARÃES, Marcelo; MASCARENHAS, Eduardo. The interactive use of digital technologies for integrated education and practice of architectural representation, accessible for all. Proceedings of the 14th Congress of the Iberoamerican Society of Digital Graphics, Bogotá, 2010, p. 96-99.

3
CUD, 2000

4
LANG, Jon. Creating Architectural Theory: the role of the behavioral sciences in environmental design. Nova York, Van Nostrand Reinhold Co., 1987.

5
Newman, Oscar. Creating Defensible Space. Washington, D.C., U.S. Department of Housing and Urban Development. Office of Policy Development and Research, 1996.

6
VAN DER RYN, Sim; CALTHORPE, Peter. Sustainable Communities: a new design synthesis for cities, suburbs and towns. Gabriola Island, New Catalyst Books, 2008.

7
MACDONALDS, Donald. Democratic Architecture: practical solutions to today’s housing crisis. Nova York, Watson-Guptill Publications, 1996.

8
HALPRIN, Lawrence. The RSVP Cycles: creative processes in the human environment. New York, Braziller, 1970.

sobre o autor

Marcelo Pinto Guimarães é engenheiro arquiteto (UFMG), mestre em Arquitetura (State University of New York at Buffalo) e doutor em Design (North Carolina State University). Professor associado (EA UFMG) e coordenador do Laboratório de Acessibilidade em Design e Arquitetura para Pesquisas e Treinamento em Serviços de Extensão — Adaptse.

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263.06 habitação popular
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