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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Fredy Massad e Alicia Guerrero sobre a exposição São Paulo 300 mm, uma aproximação a esse complexo e mutante sistema urbano: através da apresentação de fatos e situações paradigmaticamente definidores da realidade

english
Fredy Massad and Alicia Guerrero on the exhibition Sao Paulo 300 mm, an approach to this complex and changing urban system: through the presentation of facts and situations paradigmatically defining the current reality of the city

español
Fredy Massad y Alicia Guerrero sobre la exposición San Pablo 300 mm, una aproximación a ese complejo y mutante sistema urbano: a través de la presentación de hechos y situaciones

how to quote

MASSAD, Fredy; GUERRERO YESTE, Alicia. São Paulo, uma metrópole. Drops, São Paulo, ano 08, n. 023.03, Vitruvius, jun. 2008 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/08.023/1757>.



O tecido urbano de São Paulo (como o de toda metrópole ou região metropolitana) é uma rede que cresce à margem de qualquer possibilidade de controle regrado, que aglutina e reage às condições e necessidades de ocupação de indivíduos pertencentes a classes sócio-econômicas já não só distintas, mas abismalmente opostas entre si. A exposição São Paulo 300 mm é uma aproximação a esse complexo e mutante sistema urbano: através da apresentação de fatos e situações paradigmaticamente definidores da realidade presente da cidade, Ariadna Cantis e Alexandre Cafcalas, seus curadores, tratam de deixar patente as formas em que se concretiza uma dinâmica arquitetônica e urbana promovida por “três atores inconstantes: a sociedade, o poder público e os arquitetos”.

Fenômenos em si mesmos

Cantis e Cafcalas identificaram uma série de “eventos recentes que representaram fatos importantes para a reconstrução do tecido urbano e sua discussão, e que ao mesmo tempo não deixam de ser fenômenos sociais mais ou menos inovadores em si mesmos”. Por um lado, se apresenta o trabalho que desempenha um coletivo de jovens profissionais da arquitetura, Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha, cujo nexo ideológico é o de tentar manter uma continuidade em relação aos princípios disciplinares dos principais teóricos da tradição arquitetônica e de planejamento da cidade. Por outro lado, se revelam ações arquitetônicas e urbanas que se desenvolvem à margem da oficialidade e nas quais os curadores integram a reconversão de edifícios em centros de uso coletivo, o uso das infra-estruturas da cidade como suportes de expressão criativa e a ocupação ilegal de habitações.

Aproximar-se ao tema das grandes urbes que crescem desenfreada e desarticuladamente é um fenômeno que fascina os arquitetos. Durante séculos, foi possível abordar intelectualmente o fato urbano, mas estas mega-urbes do presente escapam a toda possível domesticação e compreensão integral /clientes/vitruvius//clientes/vitruvius/mediante uma concepção racional. Por isso, aqueles que refletem sobre a cidade não encontram o ponto onde fundamentar seu trabalho. Provavelmente, porque esse possível eixo já não existe.

Leituras pessoais

Não escapa aos responsáveis de São Paulo 300 mm que as megalópoles estão compostas por diferentes estratos, que individualmente oferecem uma leitura e interpretação própria; do mesmo modo que intuem que são necessárias novas formas de construir que permitam a reaproximação crítica ou analítica. Utilizando registros fotográficos e de vídeo digital realizados por fotógrafos e artistas da cidade como ferramentas que tratam de transladar ao recinto expositivo a complexidade de São Paulo, a mostra se distribui em nove seções: “Paisagem operativa”, um trânsito visual de introdução-situação que se realiza através de imagens panorâmicas da área central da cidade realizadas por Nelson Kon; “São Paulo, lado B”, uma série de fotografias de Tuca Vieira e Bob Wolfenson nas quais se estampam detalhes que encapsulam as dinâmicas cotidianas e a batida da vida urbana; “Ensinar periferias”, com propostas de estruturas pré-fabricadas desenhadas como parte de um importante programa oficial que tem como objetivo construir cem escolas na periferia urbana; “Interfaces de mobilidade”, que descreve as iniciativas para melhorar as redes de circulação de veículos e a identidade visual dos transportes públicos; “Cidade ficção”, que expõe como a atual geração de arquitetos recém graduados unicamente parece encontrar suas saídas profissionais e criativas na construção de habitações para as classes privilegiadas em condomínios alienados; “Reativação central”, que se centra nos projetos de reativação do centro histórico paulista; “Ocupação vertical”, que expõe o caso paradigmático da massiva ocupação ilegal de um edifício organizada por uma associação de pessoas sem teto; “Interstícios apropriados”, que evidencia como a cidade é suporte de atos criativos espontâneos, reflexo da identidade cidadã; e “Cidade imprevista”, uma mostra da justaposição de diferenças sócio-econômicas sobre a textura do tecido urbano. A evidência é que São Paulo é intrinsecamente tão complexa e que cada um destes nove temas dão motivo a uma reflexão individual suficientemente interessante e plena de sentido em si mesma.

Paisagens exóticas

São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires, Bombay, Yakarta ou o Cairo somam a seu atrativo o fato de estarem distantes do contexto e da compreensão que o europeu médio possui do conceito “metrópole”, fazendo com que tudo o que se possa opinar delas se imbua de uma aura de um certo exotismo e pitoresquismo que contrasta com a (mais abrangível) realidade européia. Por este motivo, quando se trata de explicá-las ou descrevê-las, se tende a recorrer a esquematismos (a beleza do feio, a estranha convivência entre opulência e pobreza, a brutalidade da dinâmica cotidiana?), que se introduzem numa estratégia comunicativa aparentemente experimental (tratando de hibridar aspectos da arte com o pensamento da arquitetura), culminando finalmente numa aproximação a estas “diferenças / especificidades” que pode acabar, resultando fictícia para um observador mentalmente primeiro-mundista (que pode estar localizado geograficamente tanto na Europa, como na Ibero-América). Ainda que se faça com as mais honestas intenções, isto aboca a resultados que podem devir vácuos tanto para o emissor como para o receptor.

Riscos iminentes

Nestes casos sería necessário se formular uma pergunta de base: a de se tudo isto é um pretexto que ocupa espaço e tempo, e se não seria possível obter e organizar /clientes/vitruvius//clientes/vitruvius/mediante nossos próprios recursos de acesso à informação toda a documentação que oferecem exposições baseadas nesta concepção multimídia, que trata de transmitir uma sensação da intensidade do real correndo o risco de limitar-se a constituir uma experiência lúdico-estética que não evoque autenticamente a profundidade do real e, conseqüentemente, não permita discernir em que pontos radica a transcendência do que se compreende e define como “São Paulo, metrópole”. O conceito é demasiado genérico e o risco de acometê-lo por tantas frentes é que o pensamento se dilua.

Abusar da imagem e tentar complexizar a transmissão de conteúdos menospreza os propósitos pedagógicos e críticos que uma mostra que reflete sobre a vida e a identidade urbana deve ter. A contemporaneidade não se baseia na saturação de informação como fim em si mesma, mas em saber utilizar seus meios como vias para a pesquisa.

Assim, o que realmente se torna necessário é reduzir as doses de espetáculo para nos abocar à prática de uma reflexão que nos conduziria a admitir que talvez a ou as respostas começarão a surgir com uma visão objetiva e liberada de dramatismos e espetacularismos, abandonando defasados estereótipos. Assim, nestes casos, se desterraria o antigo conceito de cidade para afrontar as metrópoles como grandes conglomerados humanos e arquitetônicos, complexos e polimórficos, que evoluem e funcionam em coerência consigo mesmos e suas próprias escalas, escapando do colete de qualquer parâmetro regulador. E assim emergiria o autêntico significado atual deste conceito.

notas

1
Artigo publicado originalmente em  ABCD de las Artes y las Letras, nº 836, em 09 de fevereiro de 2008.

[tradução ivana barossi garcia]

sobre o autor

Fredy Massad e Alicia Guerrero Yeste, titulares do escritório ¿btbW, são autores do livro “Enric Miralles: Metamorfosi do paesaggio”, editora Testo & Immagine, 2004.

Fredy Massad e Alicia Guerrero, Barcelona Espanha

 

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