Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Sérgio UIisses Jatobá após assistir ao documentário "Sketches of Frank Gehry", passou a ver o arquiteto como um continuador de Niemeyer e não mais como contraponto, já que passou a considerar a plasticidade de suas obras e suas habilidades escultóricas

english
Sérgio Jatoba UIisses explains that after watching the documentary "Sketches of Frank Gehry", he sees the architect as a follower of Niemeyer, since he now considers the plasticity of their work and their sculptural skills

español
Sérgio Ulises Jatobá explica que, luego de ver el documental "Sketches of Frank Gehry", pasó a ver al arquitecto como un continuador de Niemeyer, ya que pasó a considerar la plasticidad de sus obras y sus habilidades escultóricas

how to quote

SISTER, Sérgio. Frank Gehry e Oscar Niemeyer. A plasticidade em arquitetura. Drops, São Paulo, ano 08, n. 023.05, Vitruvius, jun. 2008 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/08.023/1759>.


Quando vi o Museu Guggenheim em Bilbao (1) pela primeira vez pessoalmente achei menos surpreendente do que nas fotos, nas quais parecia uma alucinante e futurista escultura de titânio. Era difícil, mesmo para um arquiteto, acreditar que poderia haver uma “ordem arquitetônica” alí e que a revolução formal pretendida resultasse em beleza para olhos acostumados à tradição da arquitetura limpa de inspiração modernista. Quando cheguei perto da obra, apesar de só poder apreciá-la de fora (não pude entrar, pois o museu estava fechado) consegui compreendê-la melhor, mas mesmo assim ela não me cativou de cara como outras grandes obras arquitetônicas, cuja a beleza apreciada de perto, muitas vezes, me emocionara. O prédio – ou aquela escultura na qual se podia penetrar e exercer atividades – me pareceu uma construção extremamente tecnológica e portanto fria, para mim. Aquelas formas mirabolantes só poderiam ser projetadas e construídas com a ajuda de poderosos programas de computação gráfica e alto desenvolvimento tecnológico de materiais, portanto com suporte técnico e custo muito elevados. Aliado ao efeito de espetáculo urbano que o projeto provocara, atraindo investimentos urbanos e turísticos e potencializando a função capitalista da “arquitetura de grife”, a euforia gehriana não me contagiou. Não havia nela a simplicidade, a leveza e a espontaneidade do traço arquitetônico de um Niemeyer, por exemplo.

Esta impressão modificou-se bastante quando assisti ao documentário “Sketches of Frank Gehry” de Sidney Pollack (2). Ao invés de ver Gehry como um contraponto a Niemeyer, passei a vê-lo como um continuador deste (embora Gehry provavelmente não se veja assim), no rompimento da rigidez formal do modernismo e na incorporação da forma livre como expressão arquitetônica acima de tudo. Ou acima da função, de acordo com a conhecida polêmica entre arquitetos formalistas e funcionalistas. Assim como Niemeyer, Gehry, antes de ser um arquiteto é um genial escultor e trata desta forma a obra arquitetônica. Há discordâncias quanto a “boa arquitetura” ser, antes de tudo, formal, mas há de se reconhecer a grande plasticidade dos projetos de Gehry e Niemeyer. É claro que nem sempre esta plasticidade significa beleza para a maior parte das pessoas. Ou seja, Gehry e Niemeyer também projetam obras que são consideradas feias e sem a genialidade de suas obras primas.

Interessante é vermos ambos – Gehry e Niemeyer – como homens simples e poetas do traço livre, que preferem conceber suas obras a partir de croquis desenhados a mão. Nenhum dos dois desenha em computador, embora tenham equipes de profissionais altamente treinados em sofisticadas tecnologias a os assessorar. Os dois pensam a arquitetura, desde a concepção do projeto, como volume plástico e objeto escultório que deve proporcionar surpresa e emoção às pessoas em primeiro lugar. O que os diferencia: Em Gehry é o arrojo das formas curvilíneas e o uso sofisticado de materiais high tech que cria a surpresa arquitetônica, em Niemeyer é a singeleza e sofisticação do traço curvo e o desenho limpo que levam à beleza. Gehry esculpe no metal – material caro e sofisticado da arquitetura de impacto midiática do século XXI , Niemeyer no concreto– material barato e terceiromundista, a pedra transformada em arte edificada pela arquitetura brasileira modernista da década de 1950/60.

Gehry conseguiu dar vazão ao seu poder criativo com o auxílio da terapia e quando resolver ousar na profissão. Niemeyer sempre afirmou que dá menos importância à arquitetura – a qual exerce diariamente até hoje com seus 100 anos – do que a vida. Conclui-se que o aspecto humano é o que diferencia estes mestres. Há razão, contudo, em muitas críticas a eles feitas e muitas vezes contradição na humanidade que desejam para a sua arquitetura e no que ela, de fato, representa, enquanto símbolo midiático e de poder. Porém contradição, desigualdade, paradoxo, beleza e caos são traços próprios da arte e não se pode cobrar coerência dela, sob pena de esterelizá-la.

notas

1
Mais informações sobre o projeto arquitetônico do Museu Guggenheim em Bilbao podem ser obtidas em: http://www.guggenheim-bilbao.es

2
Informações adicionais sobre o documentário “Sketches of Frank Gehry” podem ser obtidas em: http://www.sonyclassics.com/sketchesoffrankgehry/.

sobre o autor

Sérgio Ulisses Jatobá, arquiteto (UnB,1981), mestre e doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB, 2000 e 2006). É arquiteto da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal e pesquisador do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais – NEUR da Universidade de Brasília.

Sérgio Ulisses Jatobá, Brasília DF Brasil

Museu Guggenheim Bilbao
Foto Sérgio Ulisses Jatobá

Museu da República
Foto Julio Reis Jatobá

 

comments

023.05
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

023

023.01 prêmio pritzker

Operação triunfo

Jean Nouvel ganha o Prêmio Pritzker 2008

Fredy Massad and Alicia Guerrero Yeste

023.02

O arquiteto global - lord Norman Foster

Os desafios do lord Norman Foster

Reginaldo Marinho

023.03

São Paulo, uma metrópole

Fredy Massad and Alicia Guerrero Yeste

023.04

Desenhos como arquiteturas

Renata Falzoni

023.06

Lirismo e geometria

A Praça Dedé Caxias, ou Praça Turca, em Juazeiro, Bahia

Márcio Correia Campos

023.07

Workshop em Ankara

Troca de experiências de ensino

Mariana Malufe

023.08

Demolição de baixo para cima?

Regiane Trevisan Pupo

023.09

Richard Rogers e a figura da epiderme

Rémi Rouyer

newspaper


© 2000–2022 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided