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drops ISSN 2175-6716

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O aumento da renda e do consumo traz muitos resultados positivos para a sociedade, mas carrega com ele um preço elevado, para esta e para as futuras gerações, pois a elas cabem a redução, a reutilização e a reciclagem do lixo que produzem.

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PEREIRA, Denise. Os desafios do lixo. Drops, São Paulo, ano 17, n. 107.03, Vitruvius, ago. 2016 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/17.107/6147>.


O lixo hoje é um grande problema global. O desenvolvimento econômico e social, trouxe grandes benefícios às sociedades como um todo, no entanto, traz como consequência o aumento da geração do volume de lixo nas grandes cidades. Uma sociedade mais rica produz mais, consome mais e gera mais lixo. Calcula-se que em média uma pessoa gere, nas grandes cidades, em torno de 1,5 quilos de lixo por dia. Esse volume ainda pode ser maior conforme a riqueza da região. Além do aumento na geração do consumo, o desenvolvimento econômico reduz a quantidade de terra disponível, ou seja, cada vez os espaços nos grandes centros vão sendo ocupados por um deslocamento humano que busca melhores condições de vida. Deste modo, as soluções relacionadas ao lixo tornam-se cada vez mais complexas, uma vez que estão relacionadas à reflexões sociais, econômicas, geográficas e, também, demográficas.

É preciso primeiramente entender o que é o lixo. De uma forma simplista, é considerado lixo tudo aquilo que atribuímos não ter mais utilidade ou valor, resíduos de atividades produtivas, ou ainda, sobras dos produtos que consumimos.

Pensando assim, o lixo pode estar relacionado desde simples atividades humanas até processos produtivos complexos. Ele pode ser oriundo de: uma reforma ou uma construção; atividades hospitalares ou farmacêuticas; atividades produtivas, seja ela industrial ou agrícola; ou de uma boa limpeza de casa! Ou seja, o lixo pode ter diversas origens e, em função de suas diversas procedências, pode, e deve, receber tratamentos diferentes. Ele pode ser: direcionado para aterros controlados, incinerado, reciclado, ou ainda, reutilizado.

Porém, o lixo nem sempre é lixo. Quando ele pode ser reciclado ou reutilizado, ele deixa de ser lixo e passa a ter um valor. Mas cuidado! É importante realizar uma distinção entre resíduos perigosos e não perigosos, o que deve ser feito em função do dano que provocam ao meio ambiente e às pessoas.

Ao se dar valor ao lixo, o entulho de uma reforma pode, ao invés de ser enviado para o aterro, ser encaminhado para uma empresa de reciclagem (que tritura esse material e o reutiliza novamente na construção civil) ou ser reutilizado por empresas de desmanche. Os resíduos das atividades industriais ou agrícolas podem sofrer tratamentos químicos ou biológicos e voltarem para o meio ambiente, ou ainda, serem reciclados ou reutilizados. Muitas empresas de confecção doam seus retalhos para cooperativas que os transformam em novos produtos. Além de reduzir a quantidade de lixo que mandam para o meio ambiente, estas empresas realizam um papel social. Algumas substâncias, no entanto, não conseguem ser valorizadas, é o caso dos resíduos hospitalares, de laboratórios, consultórios, veterinários e farmacêuticos, que normalmente, são enviados para um local específico onde são incinerados para se evitar riscos de contaminação.

Os resíduos domésticos devem ser pensados da mesma forma, ou seja, devem ser valorizados. Antes de serem descartados, os descartes domésticos precisam ser avaliados e separados entre aqueles que: podem ser destinados à compostagem por exemplo; os que podem ser reaproveitados; os que podem ser reciclados; e os que realmente não tem mais valor algum. O óleo de cozinha é um bom exemplo, ao invés de ser jogado pelo ralo (e correr o risco de entupimentos) ele pode ser encaminhado para a reciclagem, e ser utilizado na indústria de sabão.

Por que o lixo é um desafio?

Por causa do volume gerado indiscriminadamente; de sua disposição inadequada e porque não há mais espaço para destina-lo.

Além do lixo abandonado aleatoriamente nos espaços públicos, deve-se considerar a situação dos aterros sanitários. Em primeiro lugar, nem todos os aterros podem ser considerados em bom estado de funcionamento, ou nem mesmo podem ser chamados de aterros. A maioria das cidades brasileiras não possuem aterros sanitários, mais sim lixões a céu aberto.

Os aterros sanitários devem possuir determinados controles que garantam a sua salubridade e segurança para a população que vive ao seu entorno, além de características que permitam a redução dos impactos ambientais.

Os terrenos destinados aos aterros sanitários, normalmente, ocupam grandes áreas e devem respeitar algumas especificidades a fim de se evitar a contaminação dos lençóis freáticos. Devem estar mais afastados: dos grandes conglomerados (pelo menos 2 km de zonas residenciais); dos aeroportos e corredores de aproximação de aeronaves (devido a incidência de aves como urubus); e de cursos ou nascentes de água a fim de evitar sua contaminação. O ideal é que os aterros sejam construídos em solos de baixa permeabilidade, pois funcionará como se fosse um filtro, retendo as substâncias à medida que o chorume se movimenta através dele, reduzindo o seu poder contaminante. Os terrenos devem ter preferencialmente uma topografia mais baixa (depressões naturais secas), devem ser impermeabilizados e de preferência cobertos por uma manta de geotêxtil, antes do seu uso.

O chorume (líquido resultantes da decomposição de resíduos orgânicos) e os gases eliminados devem ser tratados, respeitando-se algumas cláusulas de salubridade. E, finalmente, de tempos em tempos o lixo deve ser aterrado.

Devido as suas especificidades, não é difícil concluir que, trata-se de um processo caro e sujeito ao encontro de espaços que cada dia estão mais escassos, e consequentemente, mais caros. Ou seja, a destinação correta do lixo é cara!

Só para complicar o nosso raciocínio vamos considerar ainda o aumento da necessidade de áreas de plantio (um dos grandes problemas do futuro será a produção de alimentos) e a perda de terrenos produtivos provocados pela elevação do nível do mar, consequência do aquecimento global. Ou seja, cada vez mais devemos pensar em ter menos aterros ou operá-los de forma mais racional.

Os resíduos das empresas estão sujeitos à normas e legislações específicas, e a multa para o descumprimento destas normas e leis está a cada dia mais pesado para as empresas. Além disso, como elas são as responsáveis pelo destino final de seus resíduos uma má gestão do lixo onera seus resultados. Sem contar, que a disposição errada de seus resíduos, pode refletir negativamente na sua imagem, basta nos lembrar da imagem das garrafas PET boiando nos rios, o que obrigou as empresas envolvidas com esse produto a buscarem soluções para o seu descarte, seja pela reciclagem, seja pelo reuso ou até mesmo pela sua substituição por garrafas de vidro, que ambientalmente parecem ser mais corretas devido as suas características de decomposição. Deste modo, seja para reduzir seus custos, para trabalhar a sua imagem perante os consumidores ou por uma obrigatoriedade legal as empresas vem adotando melhores práticas em relação aos seus resíduos. Vale ressaltar uma série de campanhas publicitarias que vem sendo desenvolvidas para promover a “imagem verde” das empresas.

Pode-se dizer, que a maioria das grandes empresas estão adequadas em relação a disposição final de seus resíduos. Isso não significa dizer, no entanto, que todas estão enquadradas e que podemos relaxar. É muito importante ficarmos de olho! Já, as pequenas e médias empresas muitas vezes desconhecem ou não possuem uma equipe adequada para manusear seus resíduos. Deve-se considerar, ainda, os custos envolvidos no tratamento de resíduos que podem onerar ainda mais as atividades destas empresas.

Qual é a solução?

Para a busca de uma solução para os problemas gerados pelo lixo, deve-se considerar, quem é o seu dono. No caso dos pequenos comércios e das residências após o descarte o lixo passa a ser responsabilidade das prefeituras. Já, nas empresas, sejam elas, grandes varejistas, indústrias, empresas de saúde, construção civil, agrícola, entre outras, o lixo é propriedade do gerador e é ele quem deve dar o destino mais adequado a ele. Veja assim que, a responsabilidade pelo lixo divide-se em pelo menos três atores: as empresas, a sociedade civil e os governos.

As empresas são responsáveis pelo descarte correto dos produtos em que estão diretamente envolvidas e pela criação de produtos que provoquem menor impacto no meio ambiente e à sociedade civil, como por exemplo, o desenvolvimento de embalagens mais adequadas. Sempre é bom lembrar que são elas que dominam a competência para a produção e colocação no mercado produtos que gerem menos problemas de saúde para a população (o que vai além do termo produtos mais saudáveis) e produtos que sejam ambientalmente mais amigáveis.

Por sua vez, a sociedade civil pode contribuir com a diminuição do lixo gerado da seguinte forma: reduzindo a geração de lixo; reutilizando produtos ao invés de simplesmente descarta-los; contribuindo para o fomento dos processos de reciclagem; ou repensando no seu modelo de consumo. Não se trata da redução do consumo, pois defendo a teoria de que devemos ter a liberdade para consumir e de fazer nossas opções de consumo, mas precisamos aprender a consumir melhor. Ou seja, devemos buscar consumir produtos que gerem menos resíduos, optando por aqueles que tenham menos embalagens (ou que estas sejam recicláveis ou reutilizáveis). Devemos carregar a nossa própria sacola e optar por produtos que gerem menos impacto ao meio ambiente em seu processo produtivo, na escolha das matérias-primas, e que possuam fácil decomposição. E, principalmente, não descantar o lixo em áreas que prejudiquem o meio ambiente ou as pessoas.

Aqui vale ressaltar, também, a importância das cooperativas de coleta seletiva que possuem um papel ambiental significativo ao recolherem produtos que podem ser reciclados e darem à eles a destinação correta. Elas atuam com uma entidade que centraliza estes resíduos e depois o distribuem adequadamente entre as indústrias que promovem a reciclagem dos mais diferentes tipos de produtos. Sem contar seu papel social e de geração de riqueza.

O governo é o responsável pelo destino do lixo doméstico e dos pequenos comércios, e pela criação de leis que garantam sua destinação correta; pela fiscalização em relação a atuação das empresas e dos aterros; e por proporcionar mecanismos que melhorem o descarte do lixo doméstico, seja pela colocação de postos de coletas voluntários, pela realização de coleta seletivas ou pelo incentivo às cooperativas de reciclagem.

Mas para que todo esse sistema funcione de forma harmônica é preciso que haja uma mudança de costumes, que implica em um processo de reeducação. Este processo pode ser promovido por Organizações não Governamentais, campanhas governamentais e escolares. Deve-se unir a este processo de mudança, as empresas e sua competência de marketing a fim de informar a população sobre como deveria ser o descarte adequado dos produtos que elas fabricam.

O que é preciso?

De forma simples, é preciso uma maior integração dos três atores responsáveis pela gestão e geração do lixo. É necessário uma ação conjunta entre as empresas, a sociedade civil e os governos na busca de uma sociedade mais saudável e digna. E os desafios são grandes!

sobre a autora

Denise Pereira, coordenadora da Agência Mackenzie de Sustentabilidade da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

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