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interview ISSN 2175-6708

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Entrevista de Helio Herbst com Guimar Morelo, que participou da montagem da I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, encerrando sua carreira como chefe de montagem da Fundação Bienal de São Paulo.

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HERBST, Helio. A montagem das primeiras bienais: improviso e superação. Lembranças de Guimar Morelo. Entrevista, São Paulo, ano 22, n. 088.02, Vitruvius, nov. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/22.088/8324>.


Artigo “São Paulo é a terra predestinada aos ímpetos da evolução brasileira”
Correio Paulistano, 21 out. 1951 [Website da Fundação Biblioteca Nacional]

Helio Herbst: O senhor conheceu os arquitetos que participaram do projeto? E também o arquiteto João Baptista Vilanova Artigas, que integrava o Conselho e projetou a adaptação do MAM na rua Sete de Abril? O senhor soube por qual motivo o Artigas não participou da primeira Bienal?

Guimar Morelo: A primeira Bienal foi criada por dois arquitetos conhecidos na época. O Eduardo Kneese de Mello tinha renome e o Luís Saia trabalhou com o Artigas, que fez o projeto do Museu na Sete de Abril. Artigas fez o mezanino, onde ficava a diretoria, a parte técnica e a financeira. Em baixo tinha dois salões, o pequeno salão e um salão no fundo, o grande salão, e um corredor. Ele criou toda essa estrutura do Museu e tinha um belo escritório, que eu frequentava, na Avenida São João esquina com a Dom José de Barros, no segundo andar. Em baixo era um bar. Eu fui muito amigo do Vilanova Artigas.

HH: Mas na primeira Bienal ele não estava mais [no MAM/SP].

GM: Eu não sei se ele estava no Brasil, até porque deveria estar. Ele fez o Museu em 48, 49, mas ele não participou não sei porquê. Não deve ter havido um motivo especial para não convidar o Artigas. Eu tenho a impressão, mas não tenho certeza, de que ele não estava no Brasil na época porque senão ele teria participado tranquilamente. Com certeza absoluta ele não participou (7).

HH: Pois então, nos registros que pesquisei existem informações imprecisas. Eu não sabia, por exemplo, que o projeto de interiores tinha sido feito com a participação de Miguel Forte.

Artigo “Verdadeira farra de tubarões. A inauguração da Bienal de Rockefeller”
Hoje, jornal ligado ao Partido Comunista do Brasil, 21 out. 1951 [Arquivo Histórico Wanda Svevo / Fundação Bienal de São Paulo]

GM: Foram dois arquitetos, o Miguel Forte e o Jacob Ruchti. A Bienal não tem história, eles não guardaram nada. Eu sempre sugeri a compra de uma máquina filmadora. Só há alguns anos foi comprado de um fotografo, o Athayde [de Barros], os negativos que ele possuía.

HH: Pelo que pude pesquisar, já havia ao menos uma emissora de televisão em São Paulo na primeira Bienal – a TV Tupi, de propriedade de Chateaubriand. Eles chegaram a filmar a inauguração? Estavam presentes o governador, ministros, celebridades…

GM: Na I Bienal eu acho que não, não tenho certeza. Agora, na segunda Bienal, com absoluta certeza. Os canais de televisão que existiam na época, a TV Tupi e a TV Paulista, fizeram a cobertura da segunda Bienal.

HH: A segunda Bienal foi “a” grandiosa.

GM: A segunda Bienal foi o tchan, teve Picasso...

HH: Coincidiu [não por acaso] com a abertura do próprio Parque Ibirapuera. Mas eu imagino que a primeira Bienal deve ter sido muito, muito polêmica...

GM: Todas as Bienais foram polêmicas. A Bienal é polêmica desde a primeira, agora o curioso é que na primeira Bienal houve uma gafe, sempre existem problemas de bastidores. A inauguração estava marcada para às 17h e o Adhemar de Barros, que era governador, chegou às 15h, 15h ou 17h, houve uma confusão. Então o Adhemar chegou na Bienal com a caravana e batedores. Eu me lembro como se fosse hoje que eu estava em cima de um cavalete pendurando a sala do Japão. Chegou o Profili e falou para todo mundo: vamos inaugurar e depois a gente volta. Isso foi na primeira Bienal. Depois aconteceu na segunda, terceira, quarta, quinta…. Todas as Bienais têm uma complementação feita a posteriori. Eu tenho uma frustração: acho que a Bienal deveria ser inaugurada no primeiro dia da montagem, porque a montagem é a dinâmica da Bienal, pintando parede, pendurando quadro. Depois parece que fica em camara lenta, tudo estático, o grande tesão de uma Bienal é a montagem. Engraçado que eu tenho uma recordação de uma discussão que tive com o Matarazzo, acho que foi na sétima Bienal. O Ciccillo Matarazzo me chamou na sala muito nervoso, estava com a bengalinha, eu não me esqueço, batia com a bengalinha e [me] dizia: Guimar, não vai dar tempo, vamos adiar. Eu respondi: seu Matarazzo, vai dar tempo, não vamos adiar. Mas Guimar, está tudo atrasado, ele disse, agitado. Mas no dia da inauguração, inaugurou. Depois ele me cobrou quando eu falei: o senhor está vendo, inaugurou. Mas não estava completa, a vigésima-segunda Bienal [1994] não inaugurou completa, a vigésima-terceira [1996] não vai inaugurar completa, sempre ficam coisas...

Artigo “A Bienal é contra os artistas brasileiros”, de de Vilanova Artigas
Fundamentos, São Paulo, n. 23, dez. 1951, p. 10-12 [Website da Fundação Biblioteca Nacional]

notas

7
Artigas afastou-se do conselho artístico do MAM/SP por motivação político-ideológica, mas em 1957 expôs na IV Exposição Internacional de Arquitetura. Ver: HERBST, Helio. Pelos salões das bienais a arquitetura ausente dos manuais (op. cit.).

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088.01

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