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architexts ISSN 1809-6298


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BERJMAN, Sonia. O espaço verde público. Modelos materializados em Buenos Aires - parte 1. Arquitextos, São Paulo, ano 01, n. 008.10, Vitruvius, jan. 2001 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.008/935/pt>.

Os modelos

A cidade de Buenos Aires é o resultado de vários séculos de tentativas e concretizações, pensadas e consumadas por aqueles que desembarcam dos navios, designação que podemos aplicar tanto ao plano físico como mental. Corresponderia, então, como qualificativo das antigas diretrizes reais, dos próprios conquistadores, e daqueles que voltaram convenientemente instruídos da útil viagem de estudos ou das férias comme iI faut desfrutadas nas Mãe Europa.

Não há dúvida de que a ausência de uma consolidada cultura indígena local influiu na construção de uma cidade pensada por europeus para uma geografia americana e como abrigo de uma população em sua maioria composta de migrantes.

Se desde sua fundação Buenos Aires seguiu os traços que os espanhóis haviam fixado para suas colônias do além-mar, as grandes mudanças operadas no século XIX refletiram as luzes de Paris, mais os detalhes italianos, alemães, ingleses. O século XX apareceu, por sua vez, como uma fonte inesgotável de ofertas – outra vez européias, mas também americanas (do norte) – nas quais as novas gerações buscaram identificar-se.

Algumas tentativas isoladas de moldar uma identidade própria e não somente derivada, ficaram diminuídas pela contundência hierárquica do importado (o made in), ainda que isto não seja estranho, já que se correlaciona com nosso nascimento e com os contraditórios sinais que temos recebido de um passado conhecido através da História Oficial.

Se entendemos a identidade como um conjunto de caracteres peculiares que diferenciam as culturas entre si, poderemos observar que a nossa foi se formando na busca de uma "qualidade de semelhança" (o idêntico) mais do que como um enraizamento nos traços particulares subjacentes ou com os modelos locais. Neste sentido, recordemos a importância que Freud deu à identificação com os modelos primários e secundários na conformação da personalidade do indivíduo, que como bem afirma Braier, pode assimelhar-se à identidade de um povo (2).

Se apontou, em nosso passado, que estas "duas coisas distintas apareceram como idênticas" e que "chegaram a ter as mesmas idéias, vontades e desejos" – tudo aquilo que qualquer dicionário define como identificar-se: Neste caso, colônia (nós) com Metrópole (eles, os europeus).

O modelo, em seu sentido original de "objeto que se reproduz ou se imita / perfeito em seu gênero, digno de ser imitado", foi o meio pelo qual pudemos alcançar esse tão perseguido caráter do idêntico, mais do que a de uma identidade própria (3).

O resultado que tal exercício produziu – a cópia do modelo – mostrou-se diminuído em relação ao original, apenas um reflexo do autêntico. Então, a eleição de modelos se acelerou com o desgaste, tanto em sua significação, como no período temporal de sua validez. Tal empobrecimento, quantitativo e qualitativo, leva, como tem ocorrido nesta sofrida cultura pós-moderna, a uma situação onde "a própria idéia de modelo tenha perdido vigência", como caracterizou Marina Waisman (4).

De forma clara e lúcida, a autora explicou como todo trabalho histórico implica em um recorte da realidade determinado pela inserção do historiador em uma ideologia determinada (5). O mesmo esquema podemos aplicar aos construtores de nossa cidade (fundadores, profissionais, dirigentes, governantes) que buscaram, classificaram, selecionaram e potencializaram certos dados que hierarquizaram ideologicamente para que – uma vez materializados – conformassem uma estrutura sustentadora do poder que desejavam exercer.

"Toda ideologia é uma referência ao poder, e há uma última relação entre espaço e poder, poder e lugar. Na medida que a arquitetura manipula espaços, atribui diferentes significações às classes sociais e lhes reconhece cotas de poder distintas. Aqui, certamente, há uma questão ideológica. Não somente classes poderosas e classes sem poder, mas também o público e o privado, o individual e o coletivo, o masculino e o feminino, o jovem e o velho, podem ser relações de poder que tem manifestações espaciais" (6).

Como bem apontou Pedro Almeida, o urbanismo é o campo no qual as coisas já ditas se manifestam com maior ênfase "no que diz respeito à apropriação e uso do espaço urbano" (7) e onde – do ponto de vista público – a ação do Estado se potencializa mais evidentemente, não só em sua conformação física mas também nos usos sociais provocados pelas derivações dessa conformação. Daí a importância de ter sempre presente de que maneira e quais atores elegeram o modelo e como o materializaram, em que espaço e em que sociedade se impôs, o nível de êxito do empreendimento, qual foi a herança aceita e incorporada à sociedade receptora.

Através de nossa história, nós portenhos tivemos como primeiro espaço urbano público a concepção de uma Praça Maior resolvida conforme a maneira estabelecida por um antigo rei; vários séculos depois contamos com um grande parque urbano projetado à maneira do pensado para uma longínqua Nova York, combinando perfeitamente com as numerosas praças perfeitamente francesas à maneira de uma longínqua Paris; logo vimos crescer passeios nos quais as colunas de cimento e as representações pictóricas tomaram lugar da desprezada árvore, à maneira de um longínquo... Os espaços verdes públicos de Buenos Aires, portanto, imitaram diferentes modelos desde o longínquo 1580 (8).

O modelo espanhol partiu do zero, do campo virgem, e por isso às vezes aparece como instaurador de raízes às quais hoje deveríamos (?) respeitar como próprias.

O modelo francês veio modificar radicalmente uma estrutura social e urbana de três séculos de tradição e foi pouco a pouco sendo adotado como naturalmente próprio. Desde meados do século XX, as contradições locais e a complexidade do mundo contemporâneo levaram aos ocasionais projetistas de praças e parques por um ziguezagueante caminho sem resultados concretos e persistentes, o que às vezes tomou a forma de uma corrida apressada atrás de um novo modelo, o que se combinou com a falta de uma idéia diretriz para o urbano (o que não havia acontecido nos casos anteriores), desembocando-se em uma crise que todos juntos temos que tratar de resolver.

Devemos analisar e compreender nossas necessidades e nossos desejos, conhecer a fundo nosso passado para poder ter uma posição crítica ante o herdado, resgatar o realmente significativo, e daí em diante propor e exigir ao Estado a materialização de espaços verdes públicos que nos manifestem em nossa totalidade física, intelectual e volitiva, como resultado de uma História na qual nos reconheçamos como atores principais e não como meros espectadores das decisões tomadas em nosso nome (9).

O espaço verde público

Para seu equilíbrio, a cidade construída (plena) necessita espaços abertos (vazios) que, como remansos na diversidade, nos permitam incorporar a necessária amplitude: ambos são termos indispensáveis para conseguir um todo harmônico.

"Para que serve esse espaço vazio? Quem sabe para ter essa prazerosa sensação de distanciamento do cotidiano da cidade (...) Para que serve o silêncio entre as palavras? Para que serve o intervalo do sonho? Enfim, para simplificar, digamos que o vazio é parte indispensável da própria vida" (10).

Com o transcurso do tempo, à medida que vamos percebendo o vazio como presença, vamos dando significado a ele, ou vamos enchendo de espaço, ou o criamos como referência e com ele nos relacionamos, tal como disse Breyer (11).

Esses espaços livres públicos, de propriedade coletiva, podem ser verdes ou não. Entre os primeiros temos as praças, pracinhas, canteiros, bosques, bulevares. Entre os segundos, os campos de desportivos, terrenos baldios, cruzamentos de trânsito, átrios religiosos e civis, estacionamentos para veículos, ou sistema circulatório em geral.

Os objetivos principais da própria existência dos espaços verdes públicos se destinam a cumprir nossas necessidades básicas de higiene (pulmões da cidade), de gozo estético e desportivo (recreação), de convivência coletiva (grupos sociais diversos) (12).

"Espaço aberto que pode ser espaço verde quando o material vegetal está presente e é principal componente. Espaço verde, então, caracterizado por sua dinamicidade, sua variação ao longo do ano e sua evolução prolongada no tempo" (13).

Ainda que um espaço verde – em termos gerais – abarque desde um canteiro a um bosque, contemporaneamente se considera que os níveis necessários podem estabelecer-se em pátios (referidos à quadra), praças (referidas ao bairro), parques urbanos (referidos à cidade) e parques metropolitanos (referidos à região) (14).

Não há dúvida de que a palavra praça é a que mais nos toca como habitantes de uma cidade estruturada por bairros que estão diretamente relacionados com sua escala. Como primeira aproximação, podemos defini-la como um "lugar espaçoso rodeado de casas, no interior de uma cidade", e quando "é um lugar arborizado de certa extensão para caça ou para recreio" temos um parque. Ao contrário, quando é de superfície reduzida, resultado do traçado de ruas ou avenidas e que se deixa livre por necessidade do trânsito, estamos frente a um largo, que não é o mesmo que uma pracinha (diminutivo de praça) (15).

Em meados do século passado, se definia a uma praça como um "local mais ou menos largo, mais ou menos espaçoso, dentro das cidade, onde se vendem gêneros comestíveis e de outras classes, se tem o convívio entre vizinhos e cidadãos, se celebram feiras, mercados, festas públicas" (16). Hoje, para nós, deve "ter como complemento jardins e árvores, além de bancos para distração e descanso, por ser um passeio público" (17). Ambas definições contém um ponto comum de partida: o espaço livre dentro da cidade, que temos tentado definir e que podemos caracterizar como o negativo da trama.

A arquitetura paisagística, conformada com o acúmulo de várias vertentes (horticultura, botânica, jardinagem, história, sociologia) é a que se ocupa de dar forma e colorido a esses espaços vazios, e por decorrência, a dar-lhes significação. "A forma, ao definir ao espaço, confere existência cultural ao entorno" (18).

A arquitetura paisagística combina, como em nenhuma outra disciplina, os traços provenientes tanto da ciência como da arte múltipla e temporal. O paisagismo produz, mediante uma matéria biologicamente viva, situações em contínua mudança, onde o simbólico adquire uma importância essencial, principalmente para voltar a instaurar a fascinação da idéia de um paraíso terreal, do Jardim de Éden. Contemporaneamente, deve devolver-nos o sentido mágico e misterioso da origem, ao que nós somamos de forma coletiva e individual os conteúdos da vida cotidiana e as significações próprias de nosso tempo.

Esta arte pública se realiza por meio do Estado com os recursos públicos; quer dizer, fruto da colaboração de todos, com o objetivo de que todos os habitantes desfrutem do bem geral (19). Seu nascimento, durante o século XIX na França, esteve ligado ao da nova arte de construir a cidade e ao paralelo surgimento do tempo livre do proletariado industrial, fatores que se conjugaram na aparição do parque público como necessidade urbana e social.

"O jardim público deve sua existência e seu desenvolvimento a uma conjunção de inovações científicas, políticas e jurídicas (...) A teoria arquitetônica se coloca de acordo com a medicina, a filosofia social e o direito para estabelecer a primazia do espaço público sobre o espaço doméstico e lhe confere desde então a missão de sanear e embelezar a cidade enferma de si mesma" (20).

Em nossa cidade, o trajeto que vai desde o primitivo assentamento até a multifacetária metrópole de hoje, foi árduo, lento, com idas e vindas. A relação com a natureza se deu de maneira dual: primeiro se tratou de dominá-la, e quando isso foi conseguido, tentou-se fracassadamente reconquistá-la. Quatro séculos foram investidos neste caminho e agora se necessita imperiosamente tratar de reverter tal situação para se conseguir uma relação mais fluida do homem com o entorno natural.

A praça, o parque, o espaço verde público, têm acompanhado esse processo em distintas instâncias e com distintos objetivos, o que se traduz na instauração consecutiva de diferentes modelos que plasmaram desigualmente nossas necessidades (reais ou transplantadas) mas que pouco a pouco foram assumidos por uma sociedade que hoje os considera como próprios, formando já parte indissolúvel da memória coletiva.

O modelo espanhol

A primeira influência estrangeira recebida por nosso território foi a trazida pelo urbanismo espanhol, construindo-se através do tempo um "modelo clássico de cidade colonial hispano-americana", como foi definido por Hardoy, ao que correspondeu nossa cidade de fundação tardia (21).

A praça hispano-americana foi a resultante de vários processos culturais, que em seu sincretismo, nos legaram um modelo que respondeu a variadas influências e origens.

Quando a tipologia hispano-árabe foi introduzida na América, em nosso continente já existiam espaços públicos que, ainda que variados em sua materialização, respondiam a pautas parecidas às européias (22). No mundo indígena esses espaços públicos eram de dois tipos: de um lado, cenários cerimoniais de vastas proporções cuja convergência estava determinada por dois eixos urbanos principais de composição, e de outro, a versatilidade da estrutura urbana permitia o desenvolvimento de locais onde se instalaram os mercados. Mas não só se praticava a construção destes dois tipos de praças secas; a importância dada à jardinagem privada ultrapassava em exotismo à herança moura, sobretudo por contar-se com uma flora muito rica e um clima adequado a seu desenvolvimento adequado. Ainda que ambas práticas aconteceram em comunidades não assentadas na zona rio-platense, mesmo assim valem como antecedente indiscutível no assentamento americano de nossa gente.

O origem da praça espanhola (23) remonta ao período medieval e deve buscar-se na coexistência de duas culturas diferentes em um mesmo território, a cristã e a muçulmana, de onde emergiu um produto integrado, melhorado, conceituado e exportável para nossa América conquistada: uma praça que reconhece seu nascimento comum como local do mercado. Na península, pouco a pouco, os mercados extramuros começaram a ser alojados em construções definitivas, e o local do mercado passou a ser a praça urbana do subúrbio mercantil. Assim, a partir desse distante século Xl, a praça e o mercado tornaram-se unidos, em um processo que se repetirá em nossa Buenos Aires colonial.

Durante os séculos XIV e XV, como prenúncio da grande mudança que produzirá a conquista americana, se gestou a cidade ordenada e geométrica do Renascimento, que tornou imaginável a adequação das cidades hispano-muçulmanas a este novo ideal urbano. Sobre as antigas cidades mudejares, à custa de demolições, se materializou o conceito de nova urbe, com suas ruas mais largas e retas, suas praças uniformes, com passeios e perspectivas abertas.

A cidade ideal do Renascimento possuía um amplo espaço central ou praça, com o edifício principal situado em eixo e isolado, sendo o ponto focal a igreja, mantendo todos os acessos a mesma importância. Algumas indicações dos tratadistas clássicos, como Vitrúvio e Alberti, se encontraram quase literalmente repetidas nas Ordenanças de População espanholas, em uma influência decisiva e permanente (24). Assim, a regulamentação das urbes que seriam fundadas, determinou as formas perimetrais e os usos de nossas praças até a emancipação nacional.

Não há dúvida de que o elemento mais importante utilizado naquele processo de urbanização constituiu a Praça Maior americana, o que levou Ricard a dizer que "... uma cidade hispano-americana é uma Praça Maior rodeada por ruas e casas, mais do que um conjunto de ruas e casas em torno de uma Praça Maior". Destacou também que este "centro e símbolo da cidade" foi maior do que a espanhola, não sendo monumental por si mesma mas pelos edifícios que a rodeavam. Em relação às suas funções, à tradição de praça municipal, em nosso continente se somou a presença da igreja, das residências oficiais, do tribunal, da prisão (25).

Nossa Praça Maior

A Buenos Aires originária não tinha "fossos, paliçadas, portas nem sentinelas (...) O que marcava o novo assentamento era a solidão, o rio imenso sem margem visível e o pampa inalcançável" (26). O que se teve desde o primeiríssimo momento foi a Praça Maior, ainda que não tenha principiado mais do que em idéia, em ênfase de presença conquistadora e em demonstração da existência de uma ordem hierárquica à que tudo e todos deviam submissão.

Na fundação da Cidade de Trinidade e do Porto de Santa Maria dos Buenos Aires, se procedeu quase que exatamente de acordo com o estipulado pelas Ordenanças de População, dando nascimento à nova cidade no lugar que desde então ficou sendo chamado como Praça Maior.

Suas características mais destacadas são:

a) morfologicamente devia ser de perímetro retangular com um comprimento de uma vez e meia a largura. Sem dúvida o fundador Juan de Garay a pensou quadrada (de lados iguais) e ainda que os avatares da história a tornassem retangular, não o foi na proporção estipulada. A força dos ventos (o pampero e a sudestada) determinaram que no seu entorno – em vez dos mercados – se erguessem uma construção compacta sobre o limite municipal e que seus ângulos se orientassem segundo SO e SE (27).

b) funcionalmente constituiu o âmbito mais multifacetado e talvez contraditório da cidade. Como elemento original do assentamento adquiriu primeiro o caráter de local orientador e depois de espaço institucional. Uma vez assentados os recém chegados no entorno imediato, a atividade comunitária teve aí seu cenário lógico, já que era um território demarcado como pertencente a todos, a referência comum. Do mesmo ato fundacional derivaram algumas de suas funções mais importantes, como as de ser local de justiça, de religião, de administração e de polícia. Ao ser local de encontro foi naturalmente e por herança o primeiro mercado de Buenos Aires, por muito tempo no próprio piso (venda de mantas ou ponchos) e logo depois em bandolas (primitivos caixotes ou bancas de feira). Diante de todas estas atividades mais ou menos estáveis, o que mais variedade proporcionou a esse espaço foi a celebração de todo tipo de festas e atrações de rua, tão necessários e tão escassos a esse agrupamento humano que tratava por todos os meios de fixar condutas e normas que o convertessem em uma sociedade estável. Os jogos e os torneios, as disputas desportivas, as corridas de touros, as mascaradas, foram surgindo e alternando-se no tempo com a leitura dos editos reais, a comemoração das festas do Santo Patrono, de algum triunfo militar, da coroação de um novo soberano, alternando-se com as atividades de mercado, as procissões, os autos de fé ou o Passeio do Estandarte.

c) paisagisticamente era um terreno baldio barrento ou poeirento, de acordo a as condições climáticas imperantes, rodeado por construções primitivas e econômicas. Sem dúvida, esta verdadeira sala de usos múltiplos ao ar livre mudava eficaz e rapidamente de fisionomia por meio de uma arquitetura efêmera que lhe proporcionava hoje palcos e estrados, amanhã arcos de triunfo, com estandartes e bandeiras nos balcões circundantes.

d) nossa Praça Maior excedeu a significação própria da conquista (caráter político-econômico-evangelizador) para conseguir "uma valorização simbólica sobreposta" dada pela soma dos valores em uso e se converteu assim em uma "referência para toda a cidade" (28). Com o transcurso dos séculos, esse simbolismo imanente foi se transformando em uma significação muito mais real, e a Praça Maior se perpetuou como o âmbito de maior poder político-econômico do país. Sem dúvida, quem consegue hoje apropriar-se desse espaço – ainda que seja fugazmente – resume em si o verdadeiro poder, independentemente de sua condição de indivíduo ou de massa, de governante ou povo, de establishment ou marginalidade.

Os vazios e as praças mercado

Nos primeiros séculos de vida de nossa cidade (XVII-XVIII) a palavra praça só designava um local de mercado muito primitivo, terrenos baldios ou vazios que serviam de paradas às carretas que, com todo tipo de produtos, se acercavam a esses locais e que serviam de postos de vendas. Derivava da expressão praça de Buenos Aires significando as operações comerciais ou mercantis desta população. Com o assentamento permanente em lugares fixos, apareceram os comerciantes de tal ou qual praça e o vocábulo se estendeu no uso designando-se então à Praça X ou à Praça Y como mercados ou mercadinhos de uma zona ou de um produto determinado (29).

Dentro da cidade existiam numerosos locais em estado de abandono total, baldios ou vazios, de propriedade privada ou pública, e se utilizavam para todo tipo de atividade temporária.

Nossa Praça Maior, também chamada "o maior de nossos vazios" (30) foi complementada como mercado coberto (ou galeria comercial) em 1803 com a construção de um mercado de dois pisos com locais comerciais que dividiu ao até então espaço único: surgiram as denominações de Praça do Mercado e Praça da Vitória para os dois setores componentes.

Os outros âmbitos dedicados ao comércio foram de dimensões reduzidas (atual Praça Dorrego) como de superfícies de vários hectares (Lorea, Miserere, Constituición) chegando estes a ser verdadeiros centros de intercâmbio em grande escala até que a partir de 1850 foram surgindo os mercados-edifícios propriamente ditos e os outrora "vazios se foram transformando nas principais praças portenhas de hoje" (31).

Os átrios e as pracinhas

A vida de interior que levavam os portenhos da aldeia da colônia, conformadores de uma "sociedade conventual em espírito e hábito" (32) estava guiada por uma prática religiosa que regulava a cotidianeidade, tanto pelo badalar dos sinos como pela conceituação do divino e do profano nos âmbitos urbanos.

Nesse cotidiano sem diversões, adquiriam importância os ritos, as procissões, as celebrações religiosas, atos que não necessitavam praças para exteriorizar-se, mas locais próximos aos do culto e eram geralmente os átrios: pontos de encontro e falas, antes e depois dos ofícios. Próximos aos templos, surgiram também as pequenas praças secas, de caráter mundano e comercial, abrigando painéis para teatro e música, assim como postos de vendas. (33)

Uma das características de nossa Buenos Aires indiana foi a ausência de fontes provedoras de água de consumo e para lavagem, tão comuns nas cidades européias, já que estas necessidades estavam cobertas pela margem do Rio da Prata e pelos numerosos riachos e córregos interiores.

A Alameda: primeiro "passeio" público

Os mudanças nos modos de vida que se produziram durante o século XVIII levaram à criação de espaços "para desafogo dos ânimos naqueles tempos que se concedem ao descanso", e em 1757 se viu aparecer o primeiro signo dessa mudança com a construção da Alameda, ante "a necessidade de criar âmbitos específicos para o ócio dentro da estrutura urbana" (34) (35)

Nossa Alameda, primeiro passeio público pensado como tal, nasceu em realidade como salgueiral (por estar plantada com salgueiros), logo agregadas de umbuzeiros e quase de laranjais, que chegaram a ser pensados. Se desejava criar um "clima acolhedor para os que passeiam a pé, à cavalo ou em carruagens" (36) e desde o primeiro momento se constituiu no passeio democrático para onde todos iam. Sua situação privilegiada à margem do rio, na borda da barranca, e sua proximidade do porto, o converteram na imagem respeitável para oferecer aos viajantes que chegavam a uma cidade que ambicionava comparar-se a outras de classe superior.

As praças de toros (37)

Ao nascer o século XIX, a população de Buenos Aires já começava a diferenciar-se cada vez mais em distintas classes sociais, com seus próprios costumes de vida e de recreação. Começou a ter lugar uma arquitetura do entretenimento, que deveria dar conta de suportes adequados às rinhas de galos, aos teatros e às praças de touros.

A primeira corrida que teve lugar em nossa cidade se realizou em 1609 na Praça Maior, onde se ergueram as construções para tal finalidade.

Mas a envergadura e assiduidade desses espetáculos determinou que se construíssem duas arenas especiais para isso, na Praça de Montserrat e na do Retiro, abarcando o período de 1790 a 1819. Os dias de espetáculos eram de excitação geral e de muito movimento na cidade. A festividade era imensa, popular, com participação de negros, chineses, mamelucos, mulatos, criollos e espanhóis, civis, religiosos e militares, todos juntos desfrutando da festa (38).

Até aqui as principais materializações do modelo espanhol no momento da fundação condicionaram espacialmente o futuro desenvolvimento da cidade. Sobre essa estrutura urbana hispânica veio a estabelecer-se o modelo francês, que transformou principalmente a resolução paisagística de acordo a pautas de uso e estética, acentuando-se o mudança, tanto no visual como no social.

O modelo francês (39)

O jardim francês se materializou, em sua terra de origem, em composições simétricas, em traçados grandiosos e regulares que abarcavam terrenos muito amplos sobre os quais o homem tratava de impor seu domínio sobre a natureza, modificando níveis de solo ou realizando plantações alinhadas, por exemplo. O ponto culminante do jardim francês se deu no século XVII com a obra de Le Nôtre, a que representa a aplicação da filosofia racional de Descartes, com seu mundo da ciência moderna, sua geometria analítica e sua óptica geométrica.

O estilo de Le Nôtre notabilizou-se por uma geometrismo radical, com enormes eixos visuais que permitiam captar toda a composição de um só golpe de vista. Le Nôtre, como nenhum outro, produziu cenários para a representação do drama fictício da vida regulamentada pela Corte, tendente a afirmar a concepção ideológica do Estado absolutista: um modelo repetível em outras situações geográficas, que valorizava o conceito unitário do jardim, onde as partes apontavam para o todo.

A influência inglesa na jardinagem francesa adquiriu importância com o nascimento da jardinagem pública, já bem entrado o século XIX, tendo registrado sua época de maior esplendor na Inglaterra do século XVIII. Foi a emergência de uma filosofia (o empirismo sensualista de Hume), de uma religião (o puritanismo que preconizava uma moral elevada negando o artificial), de uma literatura (a garden literature), de uma pintura (surgiu primeiro na tela do pintor e logo se modelou na realidade), de um teatro (com suas representações em cenografias vegetais), do melhoramento da ciência experimental e da imitação da natureza. O jardim inglês foi aquele da variedade, o do discurso não unitário, o dos contrastes, das contínuas surpresas, dos recantos, da intimidade, do sentimento ou da sensibilidade, da ênfase no temporal.

Quem sintetizou em um novo estilo e em um novo uso as duas correntes mencionadas (francesa e inglesa) foi quem hoje é considerado pelos mesmos franceses como "o inventor do jardim público": Adolphe Alphand. Este conseguiu interpretar o papel que lhe cabia na grande renovação urbanística impulsionada por Napoleão III em Paris com a execução do plano do Barão de Haussmann, que estabeleceu "um sistema hierarquizado e ramificado em toda a capital que lhe conferiu sua originalidade incluindo bosques suburbanos, parques intramuros, squares e praças" (40).

Os primeiros espaços verdes criados a partir desse projeto se constituíram nas pedras fundamentais da jardinagem pública impulsionada por razões de "moralidade" e "higiene": o Bois de Boulogne (1852) e o Bois de Vincennes (1860) como passeios de propriedade municipal.

Se antes os franceses deviam freqüentar os jardins reais privados, desde esse momento começaram a desfrutar de praças e parques de tipos variados igualmente e em todos os recantos da cidade: algo que sempre se quis imitar em Buenos Aires mas que nunca foi conseguido.

"O conceito específico de jardim público e sua arquitetura multiforme estará desde seu nascimento estreitamente associado a uma nova arte de construir a cidade" (41). Esta nova construção da cidade – que partiu de pautas de ordenamento do trânsito, da higiene, da ética social – pouco a pouco foi incorporando as idéias de reunião de massas, de beneficio intelectual e material para a comunidade, na medida em que pudesse ser didáticas e permitissem a expansão lúdica. Indispensável para alcançar esses objetivos foi o desenvolvimento paralelo de uma estética paisagística e de uma horticultura que permitiria sua materialização.

Com a valorização do ócio, já se pensou em "ocupar o tempo morto do proletariado, entretê-lo e instrui-lo, fazê-lo repousar de seu trabalho fazendo-o mudar de ambiente" (42).

Foi assim como a jardinagem pública foi evoluindo: dos terrenos residuais das vias de trânsito e das alamedas rudimentares, até a autonomia formal e funcional dos parques urbanos.

Na década de 1850, junto com o gosto por desfrutar a natureza, se incorporou o que Michel Vernes descreve como "necessidade de conceber em um mesmo movimento à cidade e seus jardins" (43). Foi justamente quando Adolphe Alphand assumiu a Direção do Serviço de Parques de Paris, criado em 1855. Ciente de que não estava só modificando a Capital de França, mas assentando as bases de um mudança conceitual nas cidades de todo o mundo, destacou que seus escritos incluíam conselhos técnicos para "aquelas administrações municipais dispostas a seguir de longe o exemplo de Paris". Ele esperava que a transformação da cidade-luz desse "motivo às municipalidades para seguir seu exemplo e a estabelecer nas mais modestas proporções (diversos passeios)", deixando evidente o rol dos modelos e o das cópias: em escala, em tecnologia e em necessidades (reais e aparentes). "A horticultura européia conseguiu no mundo inteiro expansão de sua conquista pacífica. Essa expansão foi em todas latitudes", expressou Alphand (44).

Essa conquista pacífica (o sublinhado é nosso) – como sabemos – foi muito além do terreno da jardinagem, abarcando todo o espectro do campo das idéias, convertendo-se assim nossas praças e parques em mais um dos espelhos infinitos e distantes nos quais nós argentinos ansiamos vermo-nos refletidos como dignos habitantes da codificada Paris...do Prata.

Coincidiu essa circunstância com a estadia do então jovem pintor e engenheiro Pridiliano Pueyrredón na Paris verdadeira, onde bebeu nas fontes da cultura francesa, e que logo trasladaria à Buenos Aires provinciana, como primeira e tímida modelação daquilo que o Presidente Bernardino Rivadavia havia desejado instaurar três décadas antes: uma Buenos Aires européia, mas não hispânica.

Pueyrredón regressou em 1854 e nos anos seguintes projetou e executou uma reforma que transformou totalmente a imagem da tradicional Praça Maior, convertendo-a em um primitivo modelo de praça pública tal como a entendemos hoje. Pueyrredón atacou todas as facetas daquele legendário espaço: reconstruiu a Pirâmide – nosso primeiro monumento público evocativo da Revolução de Maio –, instalou bancos, pavimentou, formou canteiros de jardins e plantou 300 paraísos em renques. Nas imediações colocou uma corrente em suportes que só permitia o passeio dos pedestres, resguardando-se assim a integridade do passeio da possível destruição por parte dos animais soltos e do trânsito de veículos, além de contribuir para hierarquizar o espaço (45).

As conquistas de Pueyrredón causaram impacto profundo nos habitantes de nossa cidade e o modelo foi prontamente seguido, reformando-se algumas outras praças como a de Concepção, Monserrat, Lavalle, Lorea, etc, repetindo-se a costume de cercar a praças, que continuou até bem entrado o século XX.

Vinte anos mais tarde, outro visionário, o ex-Presidente Domingo Faustino Sarmiento, depois de grande luta e árduo trabalho, conseguiu inaugurar o Parque 3 de Fevereiro na zona norte da cidade. Sua idéia de recriar o Central Park de Nova York e os parques públicos parisienses teve que abrir caminho entre uma sociedade que não gostava do local por recordar a um tirano e uma notória precariedade na horticultura local. Sem dúvida, sobre os restos do que havia sido Palermo – a residência do ditador Don Juan Manuel de Rosas com seus pomares, canalizações e bosques – Sarmiento construiu o primeiro parque urbano público portenho que hoje continua mantendo seu papel fundamental dentro do conjunto dos parques de Buenos Aires.

O projeto e a realização reuniram técnicos e jardineiros franceses, polacos, suíços e alemães: uma verdadeira conjunção que assegurou um grau científico e estético de caráter internacional. As intenções de Sarmiento também foram amplas quanto ao destino do novo passeio: "Em meio do assombroso desenvolvimento da cidade de Buenos Aires, cujos subúrbios se confundem ao sul com Barracas e à oeste com San José de Flores, precisamos ao menos de um parque como o Bois de Boulogne, Hyde Park ou o Central Park de Nova York, que permitem – não só à vizinhança e aos estrangeiros, mas aos milhões de trabalhadores e suas famílias que encontram o espetáculo de suas belezas naturais permitido pela arte – prazer nas suas tarefas diárias e recreação proveitosa para a saúde" (46).

As transformações introduzidas por Alvear

De 1880 a 1887 a população da cidade aumentou de 300.000 para 450.000 habitantes ao passar sua superfície de 4.400 ha a 18.100 ha pela incorporação de outros municípios: a cidade-capital começava a ser uma realidade. Foi o momento do grande mudança, durante a qual "as antigas praças maiores e as pequenas praças secas das cidades hispânicas se cobriram de canteiros triangulares, céspedes geométricas, árvores com cortes caprichosos e fontes ornamentais" (47).

O Prefeito Don Torcuato de Alvear conseguiu modelar o reflexo dos modelos urbanos europeus correspondentes aos novos usos que se incorporavam a uma cidade que se desejava cosmopolita, e claramente estabeleceu sua intenção de ação sobre os passeios públicos ao assumir seu mandato quando expressou que não só havia que ter boas intenções para efetuá-los, mas também meios suficientes para que não acabem "no pó dos arquivos ou em exposição para curiosos" (48).

Para conseguir a mudança desejada, Alvear apelou ao modelo conhecido e em voga do haussmanismo parisiense. Dentro desse contexto, a composição, a simetria e a harmonia passaram à jardinagem e consequentemente à paisagem urbana total. Se valeu de meios já conhecidos em outras latitudes, mas novas para nós: jardinagens elaboradas e vistosas, elementos arquitetônicos incorporados (grutas, pontes, esplanadas, escadarias), uso profuso da água (lagos, cascatas), amplos espaços de céspedes (pelouses), obras de arte ("que são necessárias para a educação popular") (49).

Naturalmente, Alvear se rodeou daqueles profissionais capazes de concretizar suas idéias: o arquiteto Juan A. Buschiazzo (que teve um papel decisivo na etapa transformadora quando ocupava o cargo de Diretor de Obras Públicas) e o francês Eugéne Courtois, na área dos passeios. Esta equipe concretizou numerosos passeios novos (transformações de mercados em praças, praças e pracinhas de bairro, jardins como marco de edifícios públicos), remodelações das principais praças centrais e variados projetos que não foram terminados.

Toda gestão de governo teve, tem e terá seus detratores e seus apologistas e a de Alvear não é a exceção. Sua obra pode qualificar-se de destacada, correspondendo ao pensamento e ao objetivo que lhe deu origem. Foi a materialização mais decisiva da geração de 1880 em matéria urbana, já que preparou o terreno para a conformação da digna Capital Federal que sobrevive há mais de um século como mostra palpável do poder de sua ideologia sustentadora.

Apesar das ações executadas antes do governo de Alvear, não há dúvida de que a fratura real entre a praça de tradição hispano-americana e a instalação do jardim público francês se deu com a tarefa realizada por Eugéne Courtois durante a década 1878-1888. Logo após, em Paris começou a obra de Edouard André e em Buenos Aires a de Charles Thays, seu antigo condiscípulo e sócio. André havia elaborado um Plano para Buenos Aires em 1868 e outro para Montevidéu em 1890, e foi quem recomendou Thays para a realização de projetos que o trouxeram para a Argentina (50).

Se com Courtois se havia começado com a transformação dos passeios portenhos para adequá-los ao novo ideal urbano que desejava suplantar a imagem hispano-colonial, com Thays se modelou o padrão franco-colonial em tal magnitude – quantidade e qualidade – que podemos falar de uma Buenos Aires anterior e outra posterior à sua intervenção.

Depois de 1914 se produziu outro corte com o trabalho de Benito Carrasco e suas novas idéias sobre "a missão social" dos espaços verdes, ainda que contivesse pouca variação estilística em relação ao seu predecessor (51).

Na década de 1920 continuou a mesma concepção clássica francesa, com a ação do filho primogênito de Thays, Carlos León, que a manteve enquanto foi Diretor de Passeios, até a metade do século XX.

Os recursos estilísticos utilizados pela jardinagem pública portenha no período de vigência do modelo francês foram, quase sem variar:

1. perspectivas compostas através de eixos que tendiam a ser infinitos.

2. centralidade conseguida por elementos de grande força, tanto na composição principal como nas secundárias.

3. simetria constante, até em realizações de caráter irregular.

4. padrões de desenho correspondentes aos tipos geométrico, irregular e misto.

5. uma clara subordinação ao traçado viário existente, salvo em casos isolados.

O vocabulário formal apelou ao modelo original, combinando-se os elementos naturais com os artificiais: pelouses com belvederes e balaustradas, uso de água e das circulações arborizadas, arvoredos, decorações florais e vegetais, obras de arte, de engenheraria, de arquitetura, mais um completo mobiliário, destacando-se a praça cercada e a incorporação de grutas e ruínas fictícias, hoje desconhecidos para o portenho.

Até aqui delineamos a evolução das dois primeiros períodos do espaço recreativo público de Buenos Aires – os correspondentes ao modelo espanhol sem vegetação e o que se combinou com o modelo verde francês. Este último perdurou como mera cópia da cópia até a década de 1970 quando, na ditadura militar, se tratou de instaurar um modelo decorrente dessa ideologia sustentadora: as praças de cimento. Como as praças são emergentes diretas do poder em exercício, com o retorno da democracia se impulsaram novas ações que tiveram – e tem – a novidade do papel municipal.

notas

1
Segunda parte do artigo: BERJMAN, Sonia. "O espaço verde público: modelos materializados em Buenos Aires – parte 2". Arquitextos, Texto Especial 048. São Paulo, Portal Vitruvius, jan. 2001 <http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp048.asp>.

2
BRAIER, Eduardo. "Barrio, Identidad y cultura". In Revista de Psicoanálisis (Buenos Aires), Tomo XLII, n. 6, nov./dez. 1985, p. 1245-1272.

3
Diccionario Larousse Usual. México, Larousse, 1979.

4
WAISMAN, Marina. "Las corrientes posmodernas vistas desde América Latina". In Summa (Buenos Aires), nº 261, mayo 1989, p.45.

5
Idem. La estructura histórica del entorno. Buenos Aires, Nueva Visión, 1985, 3º ed. Idem. Documentos para una historia de la arquitectura argentina. Buenos Aires, Summa, 1980, p.14.

6
ALMEIDA, Pedro. "Sociología urbana e ideología" In Summarios (Buenos Aires) Año 10, nº 113, mayo 1987, p. 10.

7
Ibidem, ibidem.

8
Alguns autores tem tentado sistematizar as épocas onde houveram mudanças nos espaços verdes de Buenos Aires: BIANCHI, Luis María. "Las plazas de Buenos Aires" In Summa Colección Temática (Buenos Aires) nº 3, 1983, p. 44-50. Considera a existência de 3 etapas: 1º de vazios e Plaza de Mayo, 2º modelos europeus (verde), 3º atual (confusão – desordem). Pablo Pschepiurca, em uma conferência apresentada no Seminário CLACSO-CESCA (1983) defendeu a existência de 4 momentos: A) 1874-1891 Parque Tres de Febrero e parques planificados, B) até 1920 bairros populares, C) 1925 Plano NoeI, D) 1929 conceito de espaço verde, socialistas; 1940 espaço verde público; 1947 Plano Le Corbusier. Nós temos preferido analisar o conceito de "modelo", tanto quando abordamos cronologicamente toda a vida de nossa cidade, como nas implicações estéticas e sociais da adoção dos mesmos.

9
BERJMAN, Sonia. "¿y por la plaza como andamos?" In Dana (Resistencia), nº 20, dez. 1985, p. 73, Reflexiones.

10
LIVINGSTON, Rodolfo. "Elogio al vacío". In Clarín (Buenos Aires), 28 ago. 1984, Sección Opinión.

11
BREYER, Gastón. "El ambiente de la vivienda". In Summa (Buenos Aires), nº 9, ago. 1967, p. 73 e seguintes. Idem. "La heurística del diseño, entre el teorema y el poema". In Summa (Buenos Aires), nº 131, dez. 1978, p. 29.

12
PETRONI, Carlos; KENIGSBERG, Rosa. Diccionario de Urbanismo. Buenos Aires, Cesarini, 1966, p. 67.

13
MARENGO DE TAPIA, Marta. "La ciudad y sus espacios abiertos". In Summa Colección Temática (Buenos Aires), nº 3, 1983, p. 14.

14
Idem. p.12.

15
Ver nota nº 3.

16
DOMÍNGUEZ, Ramón Joaquín. Dicionário editado en 1864. Citado por LAGLEYZE, Julio Luqui. "Las plazas de Buenos Aires". In Todo es Historia (Buenos Aires) nº 90, 1974, p. 76.

17
ABAD DE SANTILLÁN, Diego. Gran Enciclopedia Argentina. Buenos Aires, Ediar, 1959-1963, Tomo VI, p. 449.

18
Ver nota nº 5, p. 89.

19
PAEZ DE LA CADENA, Francisco. Historia de los estilos en jardinería. Madrid, Istmo, 1982, p. 221.

20
VERNES, Michel. "Gènese et avatars du jardin public". In Monuments historiques (París) nº 142, jan. 1986, p. 4.

21
HARDOY, Jorge. "El modelo de la ciudad colonial hispanoamericana". In Congreso Internacional de Americanistas, nº 38. Munique, Klaus Renner, 1972, Tomo IV, p. 143-181.

22
CLIFFORD, Derek. Los jardines, historia, trazado, arte... Madrid, Instituto de Estudios de Administración Local, 1970, Cap. 10.

23
TORRES BALBAS, CERVERA, CHUECA, BIDAGOR. Resúmen histórico del urbanismo en España. Madrid, Instituto de Estudios de Administración Local, 1954.

24
HARDOY, Jorge Enrique. "Las características físicas de las ciudades ideales del Renacimiento en Italia". In Boletín del Centro de Investigaciones Históricas y Estéticas. (Caracas) nº 21, nov. 1975, p. 67; GUTIÉRREZ, Ramón. Arquitectura y urbanismo en Iberoamérica. Madrid, Cátedra, 1983, Cap. 5. Dentro da geografia espanhola, mesmo na língua catalã, foi sem dúvida o Crestiá (tratado urbanístico escrito por Eximenic em 1381) o que deu um impulso determinante à revalorização das idéias clássicas.

25
RICARD, Robert. "La Plaza Mayor en España y en América Española" In Estudios Geográficos (Madrid), Año Xl, nº 39, maio 1950, p. 321-327. Idem "Apuntes complementarios sobre la Plaza Mayor Española y el rossio portugués". In Idem, Año XIII, nº 47, maio 1952, p. 229-237.

26
DE LAFUENTE MACHAIN, Ricardo. Buenos Aires en el siglo XVII. Buenos Aires, MCBA 1980. p. 12-14.

27
Entre outros estudos referentes ao tema, recomendamos ver: PAULA, Alberto de. "La escala comarcal en el planeamiento indiano: estructura territorial y evolución de la campaña bonaerense". In Seminario La Ciudad Iberoamericana. Comisión de Estudios Históricos de Obras Públicas y Urbanismo de España, Buenos Aires, nov. 1985, cópia mimeografada.

28
GUTIÉRREZ, Ramón; HARDOY, Jorge Enrique. "La ciudad hispanoamericana en el siglo XVI". In Seminario... Já citado na nota nº 27.

29
DE LAFUENTE MACHAIN, Ricardo. Buenos Aires en el siglo XVIII. Buenos Aires, MCBA, 1980, p. 74.

30
Ver nota nº 26.

31
BERJMAN, Sonia; FISZELEW, José. El Mercado de Abasto de Buenos Aires. (Resistencia), Instituto Argentino de Investigaciones de Historia de la Arquitectura y del Urbanismo, 1984, Cap. 1. (Los mercados porteños).

32
LAGLEYZE, Julio Luqui. Las iglesias de la ciudad de la Trinidad y Puerto de Santa María de los Buenos Aires. Buenos Aires, MCBA, 1981, p. 9.

33
DE LAFUENTE MACHAIN, Ricardo. El barrio de Santo Domingo. Buenos Aires, MCBA, 1978, 3º ed, p. 49.

34
Expressão de Vice-rei Amat, impulsionador do Passeio das Águas e da Alameda dos Descalços de Lima, de 1770-1790. Citado por ARDANAZ, Daisy Rípodas. "Las ciudades indianas" In Difrieri et al. Atlas de Buenos Aires, Buenos Aires, MCBA. s/f, p. 113.

35
GUTIÉRREZ, Ramón. Ver nota nº 24, p. 296.

36
Ver nota nº 34.

37
GUTIÉRREZ, Ramón. Ver nota nº 24, p. 292 e seguintes.

38
WILDE, José A. Buenos Aires desde setenta años atrás. Buenos Aires, Espasa Calpe, 1944, p. 101. "La Plaza de Toros" In Caras y Caretas (Buenos Aires), nº 378. I jan. 1906.

39
BERJMAN, Sonia. "Los espacios verdes de Buenos Aires hasta 1925". Buenos Aires, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires, Tese de Doutorado, 1988, inédita.

40
JARRASÉ, Dominique. "Le bouquet de Paris. Les jardins publics parisiens au XIXe siècIe". In Monuments historiques (Paris), nº 142, jan. 1986, p. 56.

41
Ver nota nº 20.

42
Ibidem, p. 10.

43
Ibidem.

44
ALPHAND, Adolphe; ERNOUF, Baron. L'art des jardins. Paris, Rothschild. c. 1875, 3º ed, avant-propos de l'editeur, p. XI-XII.

45
MCBA, Memoria 1856-57, ver litografia de Kratzenstein,

46
SARMIENTO, Domingo Faustino. Mensaje al Congreso de la Nación, maio 1874.

47
GUTIÉRREZ, Ramón. Ver nota nº 24.

48
MCBA. Memoria 1880, p. 228.

49
VARELA, Adrián Beccar. Torcuato de Alvear, primer Intendente Municipal, Buenos Aires, Municipalidad, 1926, p. 203.

50
Para ampliar o tema de Charles Thays, ver os seguintes trabalhos: PAULA, Alberto de. "Salta en la obra del paisajista Carlos Thays". In Salta IV siglos de arquitectura y urbanismo. Salta, Sociedad de Arquitectos de Salta, 1982, p. 57-63; PAULA, Alberto de. "Carlos Thays" In Summa Colección Temática. (Buenos Aires), nº 3, 1983, p. 51-55. "La arquitectura paisajista en la obra de Carlos Thays". Conferência apresentada nas primeiras Jornadas de Investigación, FAU-UBA, out. 1985, cópia mimeografada.

51
MCBA. Memoria de los trabajos realizados en los Parques y Paseos Público de la Ciudad de Buenos Aires. ANos 1914, 1915 e 1916. Buenos Aires, Weiss y Preusche, 1917.

sobre o autor

Sonia Berjman é doutora em Filosofia e Letras pela Universidade de Buenos Aires, doutora em História da Arte pela Université de la Sorbonne, Fellow postdoctoral de Dumbarton Oaks Library (Harvard University), ex Pesquisadora do CONICET e da Universidad de Buenos Aires, Vicepresidenta do Comitê Científico Internacional "Jardines Históricos-Paisajes Culturales" do ICOMOS.

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