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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
A experiência cartográfica compartilhada neste ensaio busca emergir um processo de conhecimento sobre as cidades pequenas. Expressa pelo movimento do ritornelo, é composta e fabulada, metaforicamente por: bagagem, diário de bordo, coletâneas e mapa.

english
The cartographic experience shared in this essay seeks to emerge a process of knowledge about small cities. Expressed by the movement of the ritornello, is composed and fabled metaphorically by: baggage, diaries, collections and map.

español
La experiencia cartográfica compartida en este ensayo busca emerger un proceso de conocimiento sobre ciudades. Expresado por el movimiento del ritornelo, está compuesto y fabulada, metafóricamente por: maleta, diario de a bordo, colecciones y mapa.


how to quote

DETONI, Luana Pavan; ROCHA, Eduardo. O fio de Ariadne. Uma experiência cartográfica das cidades pequenas. Arquitextos, São Paulo, ano 22, n. 258.02, Vitruvius, nov. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/22.258/8316>.

A experiência cartografada neste ensaio busca fazer emergir um processo de conhecimento sobre as cidades pequenas. Segundo os estudos de Giambattista Vico (1), verifica-se que, no ser humano, o processo de conhecimento decorre como um ciclo, não podendo ser explicado simplesmente pela geometria. Ainda assim, é possível traçar, com ressalvas, uma analogia com a forma espiralada. Os ciclos se repetem, mas nunca são exatamente como os anteriores. Cada nova sucessão carrega um pouco da anterior. A etapa da vida sensitiva, quando se sente sem perceber; é seguida pela vida da fantasia, etapa em que se percebe com espírito comovido e perturbado. Finalmente vem a etapa de reflexão com a mente pura, quando é possível raciocinar e chegar ao estágio superior. Assim, o ciclo da espiral se encerra como um ato valoroso, mas também violento, pois impulsiona em parte sua destruição.

A produção de conhecimento, segundo as teorias da filosofia da diferença (2), indica uma ruptura epistemológica na sua concepção rizomática (3), levando não a uma evolução contínua, mas sim à fragmentação. Para além dos resultados mensuráveis, palpáveis ou visíveis, a mais-valia desta cartografia está no conhecimento que acessa as multiplicidades e as singularidades de uma pequena cidade. O ciclo espiralado do conhecimento de Vico, assim como o Labirinto do Minotauro, propõe uma saída, ou seja, uma ruptura, um ato heroico e bárbaro. Graças ao Fio de Ariadne, Teseu, o rei de Atenas, conseguiu voltar a luz depois de enfrentar o monstro nas profundezas do labirinto (4). Figurado nesta escrita, o Fio de Ariadne simboliza o compartilhamento do conhecimento a partir da cartografia do território experienciado.

A cartografia, enquanto método de pesquisa e intervenção, atenta para os processos e opera para compor através das forças e dos afetos. Do desejo de expor uma experiência estética, capturada nos encontros dos planos extensivos e intensivos (5), surgem os mapas, com alusão aos mitos. Esses mapas, narrados em uma linguagem mais livre e impregnados de símbolos, sinalizam outra possibilidade para representação das cidades. Eles foram inspirados no método do viajante Marco Polo ao descrever as cidades que conhecia para o Rei Kublai Khan(6). Em razão de que só a expressão, em relação com as literaturas ditas menores, gera o procedimento (7). A partir desse entendimento, para a criação dos mapas das cidades pequenas foram realizados agenciamentos com a mitologia grega.

O encontro com a mitologia deu-se na leitura das obras de Gilles Deleuze e Félix Guattari, que anunciam, entre outros, o marcante mito do Édipo (8). Os estudos decorrentes foram impulsionados especialmente pelas interpretações filológicas de Giambattista Vico apresentadas em Princípios de uma ciência nova (9); pelo mundo Helênico escrito por Friedrich Nietzsche em O nascimento da tragédia: ou helenismo e pessimismo (10); pelas anotações de Francis Bacon em A sabedoria dos antigos (11); e pelo Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (12).

Os mitos não pretendem transmitir a verdade científica, mas expressar a verdade de certas percepções. Auxiliam, assim, a revelar sentidos mais profundos, pois trazem à tona a função simbolizadora da imaginação. Os gregos sabiam que a vida era inexplicável, mesmo assim, através da mitologia, eles buscavam entender o mundo da vida humana por meio da arte. Nesse aforismo serão apresentados os processos de conhecimento desenvolvidos através da composição das experiências do território de Turuçu ou Hefestos. A fim de capturar e expressar um outro urbano — as cidades pequenas, que embora sejam maioria no contexto da urbanização brasileira, ainda sofrem processos de minorização dentre os estudos acadêmicos e, principalmente, na esfera das políticas públicas (13).

Composição das experiências

A partir de uma base teórica gerida pela pista da pedagogia da viagem (14), foram traçados os procedimentos para composição das experiências nas cidades pequenas estudadas (15). De acordo com as etapas de uma viagem, inicialmente é necessário um período de preparação de um bloco espaço-tempo, que aconteceu nesta pesquisa através da coleta de informações históricas e geográficas, da observação e da análise da estrutura viária e da área efetivamente urbanizada através das imagens de satélite. Na sequência, veio a experiência em si, através do ato da viagem, do deslocamento físico até as cidades. Esse foi o momento de percorrer o objeto de estudo e de se aproximar dele, de capturar imagens fotográficas, anotar informações no caderno de campo, gravar falas e sons; em síntese, foi o momento de construir um esquema sensório-motor. Por conseguinte, deu-se o retorno e a reflexão, entre a ação e a reação. Foi preciso distinguir o que afectou — para registrar, trabalhar e compartilhar — daquilo que não afectou — para descartar ou esquecer.

O conceito de afecto, visto em Baruch Spinoza(1632-1677), também conhecido como Espinoza ou Espinosa (16), apresenta uma variação contínua da força de agir e existir do corpo, um estado de vibração que se dá a partir dos encontros. Estes são entendidos como encontros fundamentais, intensificados em função de afecções. O esquema sensório-motor é a capacidade que o indivíduo tem de apreender os movimentos que estão fora dele. A parte sensória pode ser chamada de percepção, e a parte motora, de ação. A afecção acontece no pequeno intervalo que está entre a percepção e a ação. A parte sensória apreende os corpos que estão fora. A parte motora devolve movimento, ou seja, reage aos corpos que estão fora. A afecção é apreendida no próprio corpo do pesquisador (17).

A lei dos encontros, também vista a partir dos estudos de Espinosa (18) é a lei da vida. O ser espinosiano é essencialmente produzido pelos encontros. Ao longo da existência, todo corpo sofre uma série de encontros com outros corpos, humanos ou não, podendo interferir neles ou sofrer interferências deles. Dito de outro modo, um corpo, no encontro com outros corpos, pode realizar a potência de afectar e ser afectado. No encontro, as relações podem compor e aumentar a capacidade de agir. A viagem, abordada como pedagogia, acontece através dos encontros, que se constituem no universo de descoberta. Além da viagem exploratória, há uma constatação de certos aspectos que até então estavam adormecidos. A viagem propõe certa preparação, com caminhos organizados, pré-estabelecidos e até mesmo conhecidos. Apesar disso, também possibilita diversos outros modos de pensar e sentir o que é pesquisado.

Os encontros impulsionados pelos procedimentos da pesquisa-viagem apontam para a construção de planos intensivos e extensivos. O plano intensivo acontece no corpo do pesquisador, a partir da sua singularidade, fruto de uma construção subjetiva. O plano extensivo ocorre em um determinado bloco de espaço-tempo, ou seja, na relação com o meio geográfico e histórico. O movimento que vem do território, a partir daquilo que já está dado ou que já está pronto, é percebido junto com o movimento que a parte motora do pesquisador devolve ao território. Essa oscilação marca um encontro no plano extensivo (19). Contudo, é a sobreposição entre os planos que compõem a cartografia, o mapa desejável. “O plano de imanência que se traça durante o percurso ordena o caos da realidade, para poder produzir um pensamento acerca da experimentação, composto pelos percursos extensivos e intensivos” (20).

Os encontros podem acontecer tanto quando se está exposto à coletividade pública (como no ato da viagem), quanto quando se está retraído em uma solidão (como no momento preparatório, anterior à viagem, e no momento reflexivo, posterior à viagem). Por vezes, as teorias da filosofia da viagem se infiltram no pensamento, no movimento de escrita, outras vezes rompem com esse. Como posto por Suely Rolnik (21), é no corpo do pesquisador que os encontros com os outros geram intensidades, como singularidades pré-individuais. O agenciamento de tais singularidades é exatamente aquilo que irá vazar e propiciar uma produção cartográfica, a partir dos processos que levam os contornos dos indivíduos a sua reconfiguração.

Detectar e apreender o material necessário para a pesquisa cartográfica requer uma concentração sem foco, uma atenção à espreita das cenas que emergem da sensibilidade do pesquisador. As cenas, como lâminas de tempo, permitem recortes múltiplos e heterogêneos (22). Elas podem ser capturadas antes, durante e depois da experiência em si, nas diversas etapas da viagem, através de imagens fotográficas e fílmicas, desenhos, anotações, observações, entrevistas e, até mesmo, dos agenciamentos de conceitos e de outras estratégias que potencializem os encontros e a coexistência dos planos extensivos e intensivos, a fim de produzir um mapa, uma cartografia. As cenas experienciadas podem ser reveladas, ou melhor, emancipadas em procedimentos narrativos, como nos mitos, através de fabulações.

A viagem cria possibilidades de apreender a vida, a ciência e a educação para além do pensamento dual, cujos termos permitem somente dois extremos (por exemplo, o claro e o escuro), comum às pedagogias tradicionais das salas de aula. A pedagogia da viagem aconselha a busca de perguntas, uma vez que as respostas não as extinguem ou reduzem. Tal pedagogia busca experienciar o cinza, os lugares do entre, as frestas das cidades, a fim de expressar relações menores, desterritorializantes, provocadas pelos encontros. Esse procedimento de ensino-aprendizagem evoca a experiência. Ver, ouvir, sentir e vivenciar, deixar-se afectar e ser conduzido pelos desejos, pela necessidade do conhecimento, que as experiências nas cidades podem provocar.

A experiência da viagem nas pequenas cidades possibilita expor um território múltiplo e repleto de singularidades, que transborda os limites das teorias sobre cidades. A cartografia das cenas experienciadas busca romper com a ideia de um registro tradicional na tentativa de imergir nos encontros. Essa experiência vivida possibilita também uma própria processualidade na escrita. Na cartografia, o material a ser pesquisado não é apenas coletado (decalque), ele é produzido (mapa). Tal produção requer uma cognição capaz de inventar, criar e fabular outros mundos possíveis.

A dimensão inventivo-intuitiva da cognição é vista especialmente em Bergson, na obra O pensamento e o movente (23), e em Deleuze, na obra O bergsonismo (24). A fabulação, como exercício cognitivo, um Fio de Ariadne, da mitologia grega para a cartografia das cidades pequenas. Trata-se de uma solução possível diante de uma situação complexa, labiríntica, e, até mesmo, caótica. O mapa do território de um devir menor (25) na contemporaneidade será dimensional, não como uma medida exata, mas como um ritmo (26). O caos não é o contrário do ritmo; é antes o meio de todos os meios. Há ritmo desde que haja passagem transcodificada de um para outro meio, comunicação de meios, coordenação de espaços e tempos heterogêneos.

“Pode acontecer que a criança salte ao mesmo tempo que canta, ela acelera ou diminui seu passo; mas a própria canção já é um salto: a canção salta do caos a um começo de ordem no caos, ela arrisca também deslocar-se a cada instante. Há sempre uma sonoridade no Fio de Ariadne. Ou o canto de Orfeu” (27).

Cartografar implica certa ludicidade, convoca o impulso vital, um devir criança na cognição, trata-se de um reconhecimento operado pela intuição que possibilita inventar, visionar, fabular as experiências. Permite acessar processos singulares que remetem a um passado que se mantém em movimento pela memória. Esta, tangenciada pelos desejos, é capaz de transformar. Segundo Deleuze (28), duração, memória e impulso vital marcam as grandes etapas da filosofia bergsoniana. Tais noções compreendem realidades e experiências vividas, porém permanecem indeterminadas sem o fio condutor da intuição. A intuição, tida como um ato simples que não exclui uma multiplicidade qualitativa e virtual, implica uma pluralidade de acepções, pontos de vista múltiplos irredutíveis.

A fabulação tem uma origem religiosa, mas se desenvolve livremente na arte e na literatura. Bergson a define como uma capacidade diferente da imaginação ou da lembrança que não tem a ver com um fantasma. A composição da fabulação excede os estados perceptivos e as passagens afetivas do vivido, se eleva aos devires, às potências, aos perceptos e aos afectos. As fabulações são visões paradas no bloco espaço-tempo, que não apresentam outros objetos ou sujeitos senão eles mesmos. Trata-se de um trabalho da intuição, que se desloca de qualquer espécie de projeção do eu. Os perceptos, motivos dos atos da fabulação, podem ser telescópicos ou microscópicos. Eles oferecem aos personagens e às paisagens dimensões divinas, não importando se elas são medíocres ou não (29).

O que conserva a obra de arte é “um bloco de sensações, isto é, um composto de perceptos e afectos” (30). A fabulação apresenta, neste ensaio cartográfico, uma possibilidade de compor um mapa, fruto dos encontros experienciados entre os planos extensivos e intensivos. Assim como a obra de arte, os mapas também buscam se conservar por um composto de perceptos e afectos, a fim de valer por si mesmo e exceder qualquer vivido.

Cartografia de Turuçu ou Hefestos

Expressa pelo movimento do ritornelo (31), a cartografia de Turuçu ou Hefestos, território de um devir menor, deseja uma territorialização, obtida através das informações sobre o histórico, a morfologia, o topônimo, a demografia e a legislação da cidade, que constituem os planos extensivos, metaforicamente a bagagem. Ao mesmo tempo, deseja uma desterritorialização, estimulada pelo deslocamento físico da viagem, que propicia a experiência corporal em meio ao território e estabelece os planos intensivos, expressos através das narrativas de um típico diário de bordo junto às coletâneas que capturam os trajetos e as cenas. O terceiro movimento deseja uma reterritorialização, um produto cartográfico, ou seja, a criação de um mapa.

A bagagem

A história da cidade de pode ser narrada pelos seus títulos. O lema que a administração municipal confere a Turuçu, “Terra do Morango e da Pimenta”, conta um pouco sobre os modos de vida da população. Desde as primeiras famílias que ocuparam o território até os dias de hoje, registra-se o cultivo e a comercialização de produtos agrícolas na região. O município é conhecido como a “Capital Nacional da Pimenta Vermelha”, devido à alta produção de pimenta calabresa. Turuçu também é a terra das “Águas Grandes”, significado do topônimo de origem indígena, atribuído inicialmente ao curso hídrico localizado próximo às origens do povoado, o Rio Turuçu, anteriormente batizado literalmente de Arroio Grande, hoje marca um dos limites geográficos do município (32).

Além das características de vila industrial, devido às atividades iniciadas na década de 1930, a densificação de Turuçu está diretamente associada à construção da rodovia federal em 1960. Atualmente em obras para duplicação, a BR-116 configura a principal via de acesso à região, pois conecta as cidades do extremo sul do Rio Grande do Sul com a capital do estado e com os demais territórios do país. A pequena área urbanizada acontece de um lado da faixa, com ruas predominantemente longitudinais e algumas poucas ruas transversais. Tal linearidade tem um aspecto árido, marcado pela homogeneização do uso predominantemente residencial, salvo pela presença de alguma venda ou oficina, e pela ausência de atravessamentos de espaços públicos, como ruas e praças. A paisagem desbastada pelos campos de cultivo de arroz e soja faz alusão à precarização de uma urbanização espontânea, à margem dos benefícios do planejamento e das infraestruturas necessárias à vida em sociedade.

O município, com área de 253,63 Km², apresenta uma densidade de 13,89 Hab/Km². De acordo com o último censo, realizado em 2010, possui 3.522 habitantes, dos quais 1.487 vivem em área urbana e 2.035, na zona rural. A última estimativa populacional, de 2019, indica uma população total de 3.438 habitantes (33). Caso seja aprovada a Proposta de Emenda à Constituição do Pacto Federativo (PEC 188/2019) (34), os municípios como Turuçu, que possuem menos de 5 mil habitantes e arrecadação de impostos menor que 10% da receita total do município, serão incorporados a outros municípios. Neste cenário, Turuçu provavelmente voltará a integrar o município de Pelotas, cujo território se emancipou na década de 1990.

O município de Turuçu corresponde aos que estão à margem das proposições das políticas urbanas regulamentadas pelo Estatuto da Cidade (35), que tem como principal instrumento o Plano Diretor obrigatório para os municípios com mais de 20 mil habitantes. Para fins de regulamentação do território Turuçu apresenta apenas uma lei que institui Diretrizes Urbanas (36). Em síntese, essa lei define padrões que não condizem com a realidade local, onde é possível observar gabaritos de ruas maiores, com passeios mais alargados, assim como, a presença de recuos frontais e laterais maiores e com ajardinamento. Também em contradição os índices de aproveitamento e as taxas de ocupação existentes são muito menores que os regulamentados, não havendo edificações com mais de dois pavimentos.

Sob expectativas nebulosas a respeito dessa pequena cidade, que estampa o slogan “Apimentando o desenvolvimento” no site onde compartilha sua legislação, cuja lei tanto destoa das análises pré-concebidas a distância. Apesar de configurar um caminho de passagem, a viagem a Turuçu é algo imprevisível, não há registro de transporte coletivo para esse destino. Constata-se apenas que por ali passam várias linhas de ônibus que saem de Pelotas (cidade de origem dos pesquisadores) para os seguintes destinos: São Lourenço do Sul, Camaquã e Porto Alegre. Algumas linhas permitem uma parada na faixa da BR-116, em frente a Turuçu, para o desembarque de passageiros, mediante prévia solicitação. Apesar de não ser oficial, tal destino registra grande oferta de horários e empresas de ônibus. Por isso, sem hora marcada ou qualquer agendamento prévio, deu-se continuidade ao próximo movimento cartográfico, a viagem em si. Em instantes, depois da chegada a parada de ônibus no centro da Cidade de Pelotas, a pesquisadora adentrou um ônibus, que aceitou, sem hesitar, inserir mais uma parada em seu trajeto.

Diário de bordo e coletâneas

Dia 16 de dezembro de 2017, céu limpo, 31°C, saída de Pelotas por volta das 15 horas. O deslocamento foi realizado no ônibus da linha Pelotas x Camaquã. Em instantes foi possível avistar Turuçu. Percorreu-se com os olhos a extensa linearidade da urbanização paralela à BR-116, até chegar à parada de ônibus avaliada pelo motorista como o ponto central da cidade. O abrigo parecia abandonado, não havia ninguém nos arredores. Estava localizado no meio do nada. Indícios de cidade despontavam do outro lado da rodovia. A travessia realizou-se sem qualquer aparato de segurança, mas em um momento em que nenhum veículo passava.

Coletânea 2: registros da viagem
Elaboração Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

Após ter passado menos de uma hora no gélido ar condicionado do ônibus, a sensação térmica de um típico sábado de verão foi aguçada. Em busca de água, foi possível encontrar um comércio aberto a poucos passos, na rua perpendicular à BR. Tratava-se de uma padaria, lá dentro a temperatura era ainda mais alta, provavelmente por causa do forno. A aridez do clima quente e seco se somava ao visual de uma paisagem infinitamente horizontal, formada por campos limpos e solos descobertos. A linearidade era interrompida somente ao longe pelas muralhas das plantações de eucaliptos, com característica de “desertos” só que “verdes”.

Coletânea 3: primeira impressão: abandono
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

Outra interrupção, mais agradável, ocorreu no encontro com a rua principal. Ali a cena se transformou e, momentaneamente, toda a aridez causada pela poeira levantada pelos passos no saibro da rua anterior ficou para trás. A avenida com pavimentação de bloco de concreto e canteiro central arborizado parecia um oásis, um verdadeiro refúgio. Dessa forma, deu-se a continuidade do percurso, ao longo de distintas e monumentais alamedas.

Coletânea 4: alamedas
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

Na sombra das alamedas, fixavam-se bancos de concreto e, junto deles, havia algumas cadeiras móveis, tipo de praia, que faziam da rua uma extensão da sala de estar da casa. O cenário acolhia os moradores para o descanso e promovia encontros entre os vizinhos e os transeuntes naquele entardecer. No entanto, o acúmulo de caminhões estacionados na avenida e o som dos veículos que passavam em alta velocidade na rodovia advertiam que, a poucos metros, se esvaía essa espécie de oásis, pois logo ali estava a principal e mais movimentada BR da região.

Coletânea 5: estares da população
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

A configuração do espaço dessa cidade abrigava e orquestrava timbres heterogêneos. Sua trilha sonora era composta, ao fundo, por um som motorizado que cortava o ar, lembrando até as imediações de um aeroporto. Porém, seu ritmo era dado pelo canto dos passarinhos que voavam entre as árvores das alamedas, das calçadas e dos jardins frontais. A trilha também era marcada, descompassadamente, pelos mugidos das vacas, pelos relinchos dos cavalos e pelos latidos e uivos dos cachorros. Seria essa a diferença rítmica do ritornelo?

Coletânea 6: caminhões
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

A cidade, formada por um conjunto longitudinal de casas e ruas, está localizada entre uma rodovia federal e um campo de criação de gado. Nesse território do entre, havia canteiros centrais cuidados e geridos pelos moradores, visto que em cada tronco de árvore eram cultivadas orquídeas. Entre uma árvore e outra, plantavam roseiras e construíam pequenos jardins dentro de pneus que serviam de floreiras.

Coletânea 7: animais
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

Os passeios públicos também orquestravam um ritmo, nesse caso não apenas sonoro, mas visual, tátil e olfativo. As calçadas eram pavimentadas de diversas formas. De praxe, escorregava-se na moda dos pisos cerâmicos, possível manifestação da afinidade entre espaços público e privado ou da confusão entre eles. Alguns trechos do passeio eram gramados ou ajardinados. Quando pavimentados, recebiam vasos e, até mesmo, esculturas. Na interface dos espaços públicos-privados, havia árvores, arbustos e trepadeiras, que garantiam um pouco de sombra aos transeuntes e proporcionavam o desenvolvimento de outras vidas, vegetais e animais. Junto aos passeios, estavam os recuos frontais. A maioria deles era ajardinada. Alguns tinham base de terra e grama; outros, lajota, com vasos e floreiras em cima, adaptando seus jardins às novas condições.

As pimentas não aparecem in natura em meio à cidade, mas são recorrentes nas placas das edificações públicas. O monumento com a escultura da pimenta calabresa indica a localização do centro de eventos, que é sede das festas típicas da cidade: a Oktoberfemorango e a Fepimenta. Já os movimentos da cidade naquele sábado não puderam ser vistos de modo tão declarado quanto o símbolo da pimenta. Eles existem, mas não se notam explicitamente, porque se diferem do que acontece na excessiva concentração das grandes cidades, da qual os pesquisadores estão mais habituados. Suas oscilações decorrem dos sons já descritos, dos olhares ilusoriamente estáticos que apreciam a paisagem, daqueles que cuidam dos afazeres do jardim, dos poucos que transitam, seja a pé, de bicicleta ou em veículos motorizados, que assim como o vento, passam e balançam as folhas das árvores e as roupas no varal. Esses sutis movimentos compõem e transformam aquele território.

Coletânea 8: jardins públicos
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

Naquele entardecer de sábado, os poucos comércios da cidade estavam entreabertos, quase fechando ou fechados. Os veículos — caminhões, carros, motos e bicicletas — estavam estacionados. A vida parecia repousar. Uma indústria local, que ainda sobrevive, também não estava ativa naquele dia. Até mesmo as igrejas estavam de portas cerradas. No caminho de volta, percorrendo a rua do meio, que ao final acessaria a BR, surgiu o caminhão de um feirante que chegava a casa para descarregar os restos e por ali descansar, provavelmente até a segunda-feira. Assim, como o feirante, a pesquisadora findou por um tempo sua atividade. A espera do ônibus para retornar a Pelotas não demorou muito no tempo do relógio, mas sim, no longo tempo regido pelo incômodo da incerteza do que esperar. A partir do abrigo da parada de ônibus, observou-se que a estrada estava mais movimentada do que no momento de chegada. Vários ônibus passaram por ali, até que um, enfim, parou.

A experiência em Turuçu revelou um encontro com Hefestos. A presença do deus fogo foi sentida pela aridez, mas também pela estética visual e sonora de um oásis, que seduz como um lume através de seus ritmos agudos e únicos. Turuçu poderia representar a vitória do fogo, presente na atividade industrial e no cultivo da pimenta, sobre a água, motivo de sua origem nas imediações do grande arroio. Segundo o valor simbólico dos mitos, essa façanha foi garantida por Hefestos, mas sem harmonia entre os elementos. Hefestos cultivou a habilidade do mundo industrioso. Mestre das artes do fogo, em prejuízo da sua identidade, traído, enfermo, coxo, revela “o ‘saber fazer’ à custa do ‘saber ser’” (37).

Coletânea 9: monumento à pimenta
Foto Luana Pavan Detoni e Eduado Rocha

O mapa

O chão e o ar ardiam como um sinal de boas-vindas a Hefestos, cidade que, para além do estereótipo de um cenário devastado após um incêndio, continha no seu íntimo a beleza do próprio fogo. Hefestos compunha-se do movimento rítmico de uma flama: descompassado, complexo, plausível à diferença e não à repetição. Dentre a calmaria espaço-temporal, estavam intrínsecas às oscilações visuais, sonoras e táteis.

A cidade, fruto de um encontro entre o saber fazer e o saber ser, foi experienciada em um recorte espaço-temporal determinado por um corpo intruso, um estrangeiro que naquele instante compôs uma paisagem que anunciava distintos modos temporais. O tempo do deus Chronos estava ali para conduzir aqueles que precisam olhar o relógio e também os dias que têm feira ‒ segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira. Para alguns, aquele sábado era como se fosse um dia de feira. Nesse espaço-tempo do já e do ainda não, entre a semana que já havia passado e a que ainda estava por vir, uns procuravam um lugar à sombra, e compunham pouco a pouco um “estar”, apropriando-se de tudo que só essa interrupção na rotina pode oferecer. Ali estava a fagulha do cotidiano, na sua máxima expressão de potência. Esse espaço no meio de, no entre-tempo, pertence a outro deus: o Aion.

Tal divindade oferece um tempo flutuante, não mensurável, que transcorre não externamente, mas sim a partir de cada subjetividade. O acontecimento deleuziano não tem lugar no tempo Chronos, sucessivo, marcado por um início, um meio e um final. Contrariamente, o acontecimento marca uma interrupção, uma censura, capaz de parar um tempo e retomar outro. Esse espaço não temporal é regido por Aion. Talvez seja mais banal, mas pode-se dizer que no tempo vago, despretensioso, ocioso, nesse intervalo de tempo em que parece não acontecer nada, é que acontecem grandes coisas, coisas que realmente importam.

O poder desse instante atemporal se reflete nas livre escolhas dos locais de “estar”. Sempre à sombra, esses locais podiam ser fixos e consolidados, como um banco de concreto; móveis e recém extraídos do interior da casa, como uma cadeira; montáveis e desmontáveis, como um assento de praia; ou fruto de uma intervenção, transformação que não requer obra, apenas ato: “e o menino que usava a escada para subir no meio dela usou-a para sentar.”

A composição da cena do “estar” ardia na monotonia de um olhar treinado a arquitetar, regular, organizar, ordenar, alinhar os elementos que estruturam a paisagem. Em meio àquela bagunça formal, carregada de informações visuais, foi despertado, mais que o globo ocular, um corpo inteiro, convidado a sentir a multiplicidade e a complexidade, a experienciar o território. A viagem a Hefestos ofereceu uma imersão sensorial análoga a uma pitada de pimenta, que aguça os sabores da comida. A partir dessa experiência poderão ser potencializadas muitas outras...

Coletânea 10: movimentos
Foto Luana Pavan Detoni e Eduardo Rocha

Considerações

O presente ensaio percorre os estudos teóricos de conceitos filosóficos ao mesmo tempo em que agencia as experiências estudadas e vividas. A cada viagem, seja pela leitura ou pelo deslocamento físico, o método cartográfico foi construído e reconstruído. O estudo da cartografia está embasado nos encontros com o método e com seus procedimentos através dos planos extensivos e intensivos proporcionados pela pedagogia da viagem e pela captura das cenas experienciadas e fabuladas. O mapa de Turuçu provocado por Hefestos indica uma possibilidade de apreender as multiplicidades e singularidades das cidades pequenas, que por vezes são simplificadas ou generalizadas pelos estudos através de métodos mais convencionais, sobretudo pela marginalização destes territórios diante dos instrumentos urbanísticos preconizados pelo Estatuto da Cidade.

A cartografia do Fio de Ariadne, apresentada a partir da experiência do território de Turuçu, se comportou esquizofrenicamente em meio às distintas atividades e perspectivas que recaem sobre este ensaio. Nos estudos da filosofia da diferença, a cartografia serve como um alerta para a não representação. Nas aulas práticas de planejamento urbano e regional, ela aparece sobretudo de forma quantitativa e como ferramenta para análise espacial. Nas aulas teóricas sobre história e temas emergentes da arquitetura, ela revela uma experiência estética. Essas e outras variações da cartografia compõem a noção do método desta pesquisa, que não se estabelece como dogma ou regra a ser seguido, mas sobretudo como alternativa de criação, comunicação e compartilhamento. Todos os mapas são invenções entre a representação e a não representação, diante das intervenções dos desejos.

A representação por meio das coletâneas, organizadas pela lógica da repetição, buscou evidenciar as singularidades que compunham o território estudado. As coletâneas apresentam cenas, ou seja, capturas espaço-temporal, condicionadas pelo dia, horário, clima, percurso, modos de deslocamento e encontros experienciados. A primeira impressão de abandono, ainda externa ao território da cidade, foi rompida pela presença das distintas alamedas, pela instalação efêmera dos estares da população, pelo artefato dos jardins públicos e residenciais. O movimento singular visto nas coletâneas da população e do varal ao vento, junto com a presença inusitada dos variados tipos e sonoridades de animais e de veículos revelaram um ritornelo distinto e múltiplo composto pela sutil e constante transformação do território.

Através do encontro com a mitologia e a prática da fabulação, um mapa da cidade experienciada pode ser elaborado. Foi um grande desafio cartografar essa cidade pequena, compor um mapa, através de um processo rizomático que evidenciasse o território como o movimento de um ritornelo, em uma trama de heterogêneos: “e... e... e...”. Um desafio necessário diante de uma disciplina que segue uma lógica hierárquica e acaba desconsiderando grande parcela territorial, aquém das políticas públicas urbanas. No processo estrutural do urbanismo, o desenho de uma cidade pequena apareceria como um ponto que demarca um início ou um final. Porém, as cidades pequenas podem ser entendidas como territórios de um devir menor, uma linha de fuga, uma fronteira, que não tem nem começo nem fim, só tem um meio. Esse meio não corresponde a uma média, mas a uma aceleração. Diante dessa noção, este ensaio não aponta para um final, mas para um lançamento, para a pulsão da micropolítica nos estudos das cidades.

notas

1
SOUZA, Vilma De Katinszky Barreto de. A história e a filologia na Ciência Nova de Giambattista Vico. Revista Fragmentos, v. 33, Florianópolis, 2007 <https://bit.ly/3qGCPyV>.

2
Vinculada ao movimento pós-estruturalista, é uma linha filosófica com abordagem na diversidade, pluralidade e singularidade, ao invés de uma ideia universal e total que contém partes singulares. Ver PETERS, Michael. Pós-estruturalismo e filosofia da diferença: uma introdução. Belo Horizonte, Autêntica, 2000.

3
“Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo”. O conceito de rizoma é apresentado pelos princípios: conexão e heterogeneidade, multiplicidade, ruptura a-significante, cartografia e decalcomania. Ver DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. V. 1. Rio de Janeiro, Editora 34, 1995, p. 36.

4
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 23ª edição. Rio de Janeiro, José Olympio, 2009, p. 611.

5
O plano extensivo corresponde aos dados, estudos e concepções sobre o território que já estão prontos. O plano intensivo acontece a partir da construção subjetiva de cada indivíduo. Ver DELEUZE, Gilles. Espinosa: filosofia prática. São Paulo, Escuta, 2002.

6
CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. 2ª edição. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.

7
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka: por uma literatura menor. Belo Horizonte, Autêntica, 2014.

8
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo, Editora 34, 2010.

9
VICO, Giambattista. Princípios de uma ciência nova. São Paulo, Abril Cultural, 1979.

10
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia: ou helenismo e pessimismo. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.

11
BACON, Francis. A sabedoria dos antigos. São Paulo, Editora Unesp, 2002.

12
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Op. cit.

13
Nos estudos das cidades pequenas, que revelam esse outro urbano marginalizado, esquecido e por vezes isolado, destacam-se os geógrafos brasileiros: Milton Santos, Roberto Lobato Corrêa, Maria Encarnação Beltrão Sposito, Angela Maria Endlich, Tânia Maria Fresca, Eliseu Savério Sposito e Paulo Fernando Jurado da Silva, Beatriz Ribeiro Soares e Nágela Aparecida de Melo, Wendel Henrique Baumgartner, Paulo Roberto Baqueiro Brandão.

14
ROCHA, Eduardo et al. Cross-Cult: Desenho Urbano/Urban Design. Pelotas/Oxford, UFPel, 2016.

15
Este ensaio abordará apenas a cidade de Turuçu. No entanto, a pesquisa completa percorreu três cidades pequenas, localizadas ao sul do estado do Rio Grande do Sul: Arroio do Padre, Morro Redondo e Turuçu, que fazem parte da região que têm Pelotas como cidade polo. Ver DETONI, Luana Pavan. Cidades pequenas: território de um devir menor na contemporaneidade. Dissertação de mestrado. Pelotas, Prograu UFPel, 2018 <https://bit.ly/3ca8CQ3>.

16
SPINOZA, Baruch de. Ética. Belo Horizonte, Autêntica, 2009.

17
ULPIANO, Claudio. Movimento extenso e movimento intenso: indivíduo e singularidade. Aula transcrita, 1995 <https://bit.ly/3wIpBTc>.

18
DELEUZE, Gilles. Espinosa: filosofia prática (op. cit.).

19
ULPIANO, Claudio. Op. cit.

20
DELEUZE, Gilles. Espinosa: filosofia prática (op. cit.).

21
ROLNIK, Suely. Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre, Sulina, 2006.

22
DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. São Paulo, Brasiliense, 2005.

23
BERGSON, Henri. Duração e Simultaneidade. São Paulo, Martins Fontes, 2006.

24
DELEUZE, Gilles. Bergsonismo. São Paulo, Editora 34, 1999.

25
O devir menor, corresponde a mais-valia que uma maioria, minorizada, pode criar ante as forças dominantes. Ver DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka: por uma literatura menor (op. cit.).

26
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (op. cit.).

27
Idem, ibidem, p. 101.

28
DELEUZE, Gilles. Bergsonismo (op. cit.).

29
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? São Paulo, Editora 34, 1992.

30
Idem, ibidem, p. 209.

31
O ritornelo corresponde a noção de transformação, de um território movente, em meio aos processos de territorialização, desterritorialização e reterritorialização. Ver DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (op. cit.).

32
MACIEL, Alexandre Pereira. Antigos Prédios e Novos Municípios: Patrimônio Arquitetônico Urbano Capão do Leão, Morro Redondo, Turuçu e Arroio do Padre — RS. Dissertação de mestrado. Pelotas, PPG Memória Social e Patrimônio Cultural UFPel, 2009.

33
Dados coletados do censo de 2010 e estimativas de 2019 realizados pelo IBGE. Ver INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População de Turuçu, Rio Grande do Sul, Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 2016 <https://bit.ly/3DhVVP0>.

34
Proposta de Emenda à Constituição do Pacto Federativo. Brasília, Senado Federal do Brasil, 2019 <https://bit.ly/3DfjGaL>.

35
Lei Federal n. 10.257 — Estabelece diretrizes gerais da política urbana. Brasília, Presidência da República, 2001.

36
Lei Municipal n. 720 — Institui a Lei de Diretrizes Urbanas do Município de Turuçu e dá outras providências. Turuçu, Câmara Municipal de Turuçu, 2009.

37
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Op. cit., p. 485.

sobre os autores

Luana Pavan Detoni é arquiteta e urbanista, doutoranda em Planejamento Urbano e Regional pelo Propur UFRGS e mestra em Arquitetura e Urbanismo pelo Prograu UFPel. Pesquisadora vinculada ao Grupo de Pesquisa CNPq Cidade+Contemporaneidade.

Eduardo Rocha é arquiteto e urbanista, doutor em Arquitetura pelo Propar UFRGS, mestre em Educação e especialista em Patrimônio Cultural pela UFPel. Professor associado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPel. Coordenador do Grupo de Pesquisa CNPq Cidade+Contemporaneidade.

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