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research

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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Através de análise focada nas estratégias construtivas e bioclimáticas, o artigo propõe uma reflexão sobre a produção de dois arquitetos conceitualmente próximos, mas geograficamente distantes: o brasileiro João Filgueiras Lima e o burquinês Francis Kéré.

english
Through an analysis focused on constructive and bioclimatic strategies, the article proposes a reflection on the production of two conceptually close but geographically distant architects: the Brazilian João Filgueiras Lima and the Burkinean Francis Kéré.

español
A través de un análisis de las estrategias constructivas y bioclimáticas, el artículo propone una reflexión sobre la producción de dos arquitectos conceptualmente cercanos, pero geográficamente distantes: el brasileño Lelé y el burkinés Francis Kéré.


how to quote

MARQUES, André; LUKIANTCHUKI, Marieli Azoia . Kéré e Lelé. Aproximações e distanciamentos. Arquitextos, São Paulo, ano 22, n. 264.08, Vitruvius, jun. 2023 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/22.264/8525>.

“Chicago, Illinois (15 de março de 2022) — Diébédo Francis Kéré, arquiteto, educador e ativista social, foi selecionado como o Laureado de 2022 do Prêmio Pritzker de Arquitetura, anunciado por Tom Pritzker, presidente da Fundação Hyatt, que patrocina o prêmio internacionalmente conhecido como a mais alta honraria em arquitetura.
[...]
Através do seu comprometimento com a justiça social, seu engajamento e uso inteligente de materiais locais para conectar e responder ao clima natural, ele trabalha em países marginalizados, repletos de restrições e adversidades, onde a arquitetura e a infraestrutura são ausentes. Construindo instituições escolares contemporâneas, equipamentos de saúde, habitações populares, edifícios cívicos e espaços públicos, frequentemente em locais onde os recursos são frágeis e o trabalho em comunidade é vital, a expressão do seu trabalho excede o valor do edifício propriamente dito” (1).

Nascido em Burkina Faso — um dos países mais pobres do mundo, onde o acesso à educação, água potável, eletricidade e infraestrutura é precário —, Francis Kéré é o filho mais velho do chefe da aldeia Gando e o primeiro em sua comunidade a frequentar a escola. Aos vinte anos, recebeu uma bolsa para estudar carpintaria em Berlim, na Alemanha, período no qual aprendeu a construir telhados e móveis durante o dia e frequentou as aulas do segundo grau de noite. Dez anos mais tarde, ganhou uma nova bolsa, desta vez para estudar arquitetura na Universidade Técnica de Berlim, onde se formou em 2004 aos 39 anos (2).

Ao analisarmos a sua obra desenvolvida ao longo dos anos, muitos são os aspectos que podem ser considerados. Por exemplo, a habilidade formal e construtiva do arquiteto, usando apenas materiais muito simples como o barro e o ferro. No entanto, é o seu engajamento social a característica mais importante — vide o anúncio divulgado pelo Prêmio Pritzker. “Francis Kéré empodera e transforma as comunidades através do processo da arquitetura” (3). Quando colocamos esta característica em primeiro plano, é possível traçar um paralelo entre a obra de Keré e a do brasileiro João Filgueiras Lima, Lelé. Ambos os arquitetos desenvolveram projetos em locais carentes de arquitetura e infraestrutura, em comunidades com restrições e graves problemas sociais.

Lelé construiu uma sólida produção arquitetônica voltada a obras de cunho social, sempre apoiada na pré-fabricação de materiais leves, como a argamassa armada e a chapa fina de aço, que permite a montagem manual apenas com o uso de pequenos braços mecânicos. A postura que adota em todos os seus projetos, como o arquiteto que controla os meios de produção, coordenando o processo fabril e a montagem dos componentes no canteiro de obras, permitiu a Lelé desenvolver uma obra socialmente engajada, de baixo custo e, principalmente, com desempenho funcional e distante de uma mera criação de mercadoria. Mesmo na pior situação profissional que encontrou na cidade de Abadiânia, no interior de Goiás, Lelé desenvolveu formas para o engajamento da comunidade através da criação de um manual de montagem, o que permitiu a total compreensão e a profissionalização do operário. Esse manual foi, posteriormente, publicado pelo arquiteto e editado pelo Ministério da Educação e Universidade Federal de Goiás, com apoio da Prefeitura Municipal de Abadiânia (4).

Canteiro de obras, João Filgueiras Lima, Lelé
Desenho André Marques

Da mesma forma, Kéré atua de forma ativa no canteiro de obras: ele se apropria de um elemento construtivo corriqueiro — o barro, que é tradicionalmente usado na construção das habitações em Burkina Faso —, e o transforma tecnologicamente, sem perder de vista os condicionantes locais. O arquiteto usa o seu conhecimento e sua posição de liderança na aldeia de Gando para instruir os operários — os próprios aldeões engajados em colaborar para o processo de transformação de sua comunidade — a trabalharem o barro de forma diferente. Os tijolos de adobe fabricados in loco dão origem às belíssimas construções com coberturas em abóbadas.

Canteiro de obras, Diébedo Francis Kéré
Desenho André Marques

Para demonstrar a liberdade formal e construtiva da obra de Kéré, podemos citar dois exemplos. No primeiro deles, o projeto da Extensão da Escola Primária de Gando (2008) (5), para cobrir as salas de aula, o arquiteto constrói abóbadas, utilizando apenas os tijolos de adobe, para vencer o vão de aproximadamente 7 metros de largura do edifício. Já na Escola Secundária de Dano (2007) (6), opta por construir três catenárias para vencer o vão de 9 metros de comprimento das salas de aula; neste caso, os tijolos de adobe estão associados a barras de aço para resistir aos esforços de tração. Esses tetos de adobe possuem frestas para ventilação dos ambientes internos e, por sobre eles, uma nova cobertura, agora em telhas metálicas, garante a estanqueidade do conjunto e permite o controle térmico através do colchão de ar ventilado formado entre essas duas coberturas.

As preocupações com relação ao desempenho ambiental dos edifícios são constantes tanto na obra de Francis Kéré quanto na de Lelé. A ventilação natural, a proteção solar das fachadas e a atenção ao desenho das coberturas caracterizam fortemente a obra dos dois arquitetos. Essa preocupação real em desenvolver uma obra utilitária barata, na construção e na conservação, extrapola um simples — e já gasto — discurso ecológico.

Condicionantes locais e identificação das estratégias projetuais

Apesar das diferenças culturais e sociais da América do Sul e do continente africano (7), ambas regiões apresentam semelhanças climáticas, dadas as zonas térmicas que compartilham. Burkina Faso tem por característica a alternância entre as estações seca e chuvosa, sendo que esta tem uma duração aproximada de quatro meses (de maio/junho a setembro) (8). No caso dos períodos de temperaturas elevadas e altas taxas de umidade relativa, o resfriamento é a principal meta do projeto arquitetônico e a necessidade de aquecimento é muito rara. E, dado que o conforto térmico dos usuários nas construções depende, principalmente, do movimento de ar e da redução dos ganhos de calor, as estratégias projetuais passivas recomendadas para essas localidades são: proteção da radiação solar direta através do sombreamento e ventilação natural (9). Por outro lado, nos períodos com altas temperaturas e baixas taxas de umidade relativa — que se assemelha, por exemplo, ao clima de Brasília —, além da necessidade de sombreamento e movimentação do ar, a quantidade de poeira demanda um cuidado maior com a ventilação natural. E, por isso, deve-se optar pela adoção de estratégias que possibilitem a redução da temperatura, filtragem e umidificação do ar externo (10).

Dessa forma, do ponto de vista do conforto ambiental, a obra de Francis Kéré e a de João Filgueiras Lima possuem soluções projetuais similares. Na Escola Secundária Lycée Schorge em Koudougou (2004-2016) (11), o arquiteto burquinês adota uma tipologia que reinterpreta as construções vernaculares: opta pela forma de aldeia fechada por elementos vazados ao longo de todo o seu perímetro e cria chaminés que permitem a ventilação natural por efeito de convecção (ou efeito chaminé). Para garantir o ar livre de poeiras e reduzir a sua temperatura, Keré projeta um lago artificial no centro e pequenos tanques junto às venezianas que ventilam as salas. Além disso, para reduzir a temperatura interna dos ambientes, o arquiteto desenha uma cobertura ventilada, composta por um teto ondulado de concreto armado e uma telha metálica separados por um colchão de ar ventilado.

Já Lelé, no Hospital Sarah Fortaleza (1992-2001) (12), projeta um espelho d’água que circunda todo o complexo hospitalar e, a partir de dutos ventilados, cria o sistema de ventilação natural do edifício. Esse espelho d’água garante a retirada de poeira do ar, umidificando-o e reduzindo a sua temperatura (sistema adiabático). O ar que circula pelo interior do edifício é extraído pela cobertura em shed, que tem suas aberturas posicionadas opostas aos ventos dominantes. Com isso, garante a diferença de pressão necessária para a sucção do ar interno. Nos períodos de calmaria (ou seja, sem ventos), a circulação interna do ar é feita de forma mecânica através de ventiladores e exaustores — dispostos no pavimento técnico, no subsolo. Da mesma forma que na obra de Kéré, João Filgueiras Lima opta por uma cobertura metálica leve; mas, neste caso, associa à telha uma manta de isolamento termo-acústico (bidim) e cria um colchão de ar entre a telha e o forro metálico.

É importante destacar que, apesar das aproximações entre as estratégias projetuais bioclimáticas de ambos os arquitetos, há um grande distanciamento em seus modos de construir. Com sua equipe do Centro Tecnológico da Rede Sarah — CTRS, Lelé dispõe de um aparato tecnológico para o desenvolvimento dos componentes necessários para a construção do edifício. Já Francis Kéré se utiliza de um canteiro de produção cooperativa e artesanal. Sendo assim, os resultados formais do Hospital Sarah Fortaleza e da Escola Secundária de Koudougou são muito diferentes e, por isso, o intuito deste artigo é deixar de lado qualquer juízo de valores, para priorizar as lições deixadas por ambos os arquitetos.

Outra forma eficaz de aprimorar o desempenho térmico da edificação e, consequentemente, o conforto dos usuários é através da implantação, estratégia que pode ser identificada nas obras desses dois arquitetos. A decisão pela melhor orientação geográfica do edifício no terreno pode influenciar tanto na carga térmica por radiação que recebe quanto na captação dos ventos dominantes. Tendo em mente que, no Brasil e em Burkina Faso, as superfícies de maior incidência solar são a cobertura e as fachadas Leste e Oeste, e as de menor incidência, as fachadas Norte e Sul, entende-se que a implantação mais adequada a essas condições é aquela que orienta as fachadas maiores para Norte-Sul e as menores para Leste-Oeste. Opção adotada, por exemplo (mas não restrita a eles), na Escola Rural de Abadiânia (1982-1984) (13), projetada por Lelé, e na Escola Primária de Gando (1999-2001) (14), projetada por Kéré. Ambos os projetos adotaram a forma de uma retângulo implantado com as fachadas maiores — e que recebem as amplas aberturas — direcionadas para Norte-Sul; enquanto que as fachadas menores — totalmente opacas — voltam-se para Leste-Oeste. Nestes casos específicos, além de reduzir a incidência da radiação solar direta nos ambientes internos, essa implantação prioriza os ventos dominantes, que possibilitam a ventilação cruzada nas salas de aula.

Canteiro de obras durante montagem da cobertura, Diébedo Francis Kéré
Desenho André MarquesDesenho André Marques

É claro que a opção de implantar os edifícios de acordo com a orientação solar nem sempre é possível, pois outras questões estão em jogo ao longo do desenvolvimento do projeto: a metragem quadrada do terreno, o programa do edifício, o entorno urbano etc. Outra questão importante levantada por Lelé, ao longo de sua trajetória profissional, é a implantação de acordo com os ventos dominantes. No Hospital Sarah Salvador (1991) (15), por exemplo, as fachadas maiores estão orientadas para 40° Nordeste/220° Sudoeste e as menores na direção 130° Sudeste/310° Noroeste, de modo que a trajetória solar acontece na diagonal dos edifícios. Já no Hospital Sarah Rio de Janeiro (2009) (16), as fachadas maiores estão orientadas para Leste-Oeste. Nestes dois casos, apesar das implantações exporem os edifícios a uma maior carga térmica, a prioridade foi dada aos ventos dominantes, que incidem da direção Nordeste em Salvador e Sudeste no Rio de Janeiro. Da mesma forma, no Hospital Sarah Fortaleza, as fachadas maiores são orientadas para Noroeste-Sudeste, visando aproveitar a brisa que incide da direção Leste-Oeste (17).

Canteiro de obras durante montagem da cobertura, João Filgueiras Lima, Lelé
Desenho André Marques

É importante notar, tanto na obra de João Filgueiras Lima quanto na de Kéré, o tratamento dado em todas as aberturas. Ao identificar a fachada que as receberá, esses arquitetos buscam soluções para protegê-las. A partir do momento que se tem o domínio da geometria da insolação, adequações nas envoltórias da edificação são realizadas para alcançar uma maior proteção da radiação solar direta e, consequentemente, um menor ganho térmico para os ambientes internos. No entanto, apesar das similaridades, o partido adotado por ambos arquitetos na implantação é diferente. De modo geral, Kéré procura uma implantação por uma tipologia de pátio fechado, o que remete às aldeias de Burkina Faso. Lelé, por sua vez, opta por uma estrutura pavilhonar linear, onde os espaços se organizam através de uma ramificação da circulação central.

Outra característica comum aos arquitetos é o cuidado na inserção do projeto no entorno, sempre respeitando a paisagem natural e as massas vegetativas presentes nos locais de atuação. No Hospital Sarah Fortaleza, por exemplo, diferente da maioria dos hospitais da rede, Lelé desenvolve um partido misto vertical e horizontal — mais compacto — para preservar a grande área arborizada de espécies locais que ocupava mais de 1/3 do terreno. Essa solução visa proporcionar uma paisagem agradável aos usuários, ao mesmo tempo que possibilita um microclima mais ameno. A vegetação, através do processo de evapotranspiração, ajuda a umidificar o ar, reduzindo a sua temperatura e, assim, resfriando os ambientes internos. De forma similar, no projeto Benga Riverside Residential Community (2014-) (18), os edifícios “se misturam sem qualquer esforço com o ambiente natural” (19) e preservam a vegetação local, composta por “baobás antigos, arbustos e gramíneas nativas, que também ajudarão a sombrear e proteger a área dos ventos empoeirados” (20).

Kéré e João Filgueiras Lima tem por característica a atuação em zonas não totalmente urbanizadas, implantando nelas edifícios de caráter social, como escolas, postos de saúde ou edifícios comunitários. A premissa adotada pelos dois arquitetos para essas regiões é uma ocupação mais ecológica que preserve a vegetação existente — e, quando possível, complemente-a — e que seja capaz de lançar diretrizes para seu processo de urbanização. Nos projetos para Gando (21), por exemplo, essas diretrizes podem ser facilmente identificadas. A ocupação aparentemente dispersa dos edifícios pulveriza os conteúdos programáticos — uma escola primária e sua extensão, uma escola secundária, uma biblioteca, a Casa dos Professores, o Centro da Mulher Songtaaba e o Ateliê Gando — de forma a criar uma estrutura de conexão entre as diversas aldeias existentes, antes completamente desamparadas de equipamentos sociais e que, agora, ganham um sentido comunitário. Da mesma forma, o Posto Avançado de Macapá (2001-2005) (22), projetado por Lelé, cria elementos que buscam se conectar às infraestruturas locais e, assim, contribuir para o processo de transformação dessa área pouco adensada e distante do centro de Macapá. A passarela, que liga o hospital ao campus da Universidade Federal do Amapá — Unifap (do outro lado da rodovia Josmar Chaves Pinto), serve também de abrigo para dois pontos de ônibus que fazem a ligação desses equipamentos com a cidade. Com relação ao edifício em si, Lelé opta por uma implantação junto à rodovia, deixando boa parte do terreno para possíveis futuras ampliações.

“A necessidade de ampliação da fisioterapia antes mesmo dessa unidade ser ocupada vem reforçar nossa tese sobre a importância da extensibilidade dos edifícios hospitalares. E, mais uma vez, o conceito adotado de circulações abertas e o sistema de industrialização adotado permitiram que esse acréscimo fosse executado sem qualquer prejuízo funcional ou econômico ao setor ou à construção existente" (23).

O desenho da edificação a partir da cobertura

Como já foi dito anteriormente, a cobertura é uma das superfícies que mais recebe a incidência solar e, consequentemente, que mais sofre com os ganhos de temperatura. Assim, o desenho delas tem papel importante no desempenho térmico dos edifícios, bem como na proteção das fachadas contra os raios de luz indesejados e contra a água da chuva. Nas mãos de arquitetos habilidosos, como é o caso de Kéré e de João Filgueiras Lima, a cobertura pode ganhar muito mais protagonismo: para além do desempenho funcional, passam a ter importância formal e simbólica nos projetos — e isso se dá muito mais pelo seu desenho em si do que pelo uso de algum material específico. Em seus projetos, ora essas coberturas criam amplos beirais, ora formam alpendres, ora são grandes sheds que auxiliam na ventilação interna dos edifícios. Segundo Oscar Corbella e Simos Yannas, em seu livro Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos: conforto ambiental, a proteção da cobertura para controle dos ganhos de calor é conseguida através de um teto ventilado e refletor, sendo o uso de isolantes térmicos nas superfícies mais castigadas pelo sol — como os tetos — uma estratégia muito eficiente (24).

Vale aqui relembrar a importância que o engajamento social desses arquitetos tem no desenvolvimento de seus projetos e, principalmente, na construção deles. Em outras palavras, a atenção que têm pelas condicionantes — muitas vezes, adversas — dos locais onde atuam deixa marcas características na forma como constroem. Pelo fato de frequentemente trabalharem com limitações financeiras — dado o caráter público e de cunho social de suas obras — e falta de acesso à determinados tipos de materiais, maquinários e, até mesmo, mão de obra altamente especializada, esses dois arquitetos aprenderam a fazer mais com menos (25). Usando materiais de baixa tecnologia e profissionalizando os operários, João Filgueiras Lima e Kéré são capazes de produzir obras de refinado apuro técnico e transformadoras. Transformadoras tanto da paisagem e do local onde se inserem quanto da condição social das pessoas envolvidas em todo o processo — da construção a seu uso de fato.

No caso de Lelé, por se tratar de um profissional com mais de cinquenta anos de experiência, sua trajetória foi, em suas próprias palavras, “pontuada por fracassos” (26). Devido ao fato de seu trabalho estar diretamente ligado a instituições públicas, suas fábricas, muitas vezes, duravam apenas o período de um mandato político — a única exceção foi o CTRS, que durou dezoito anos (27). Apesar das adversidades administrativas, Lelé nunca abandonou seu posicionamento de arquiteto engajado. Desenvolveu sistemas construtivos mais econômicos, fáceis de montar e uma obra cada vez mais adaptada às questões ambientais. No mesmo sentido, Kéré, dada a sua posição de filho do chefe da aldeia Gando e a oportunidade que teve de estudar e se formar arquiteto, desenvolveu uma obra marcada pelo engajamento social e atenção às condicionantes locais e às questões climáticas. Mesmo em projetos desenvolvidos fora de Burkina Faso, como é o caso do Pavilhão Serpentine (2016-2017) (28), essas características podem ser facilmente reconhecidas.

Nem sempre os materiais viáveis economicamente e fáceis de manipular no canteiro de obras são aqueles de melhor desempenho térmico e acústico. Ainda assim, ambos os arquitetos foram capazes de, através do desenho e conhecimento técnico, trabalha-los de forma a conseguir melhores resultados. No caso das coberturas, por exemplo, a telha de alumínio — usada tanto pelo arquiteto brasileiro como pelo burquinês — é muito fina em espessura e possui alto valor de condutividade térmica (29), sendo assim um material com resistência térmica baixa, e, consequentemente, com transmitância térmica alta. Essas propriedades indicam que grande quantidade de calor é transmitida para os ambientes internos. Sendo assim, se João Filgueiras e Keré não resolvessem, no desenho, formas de minimizar esse ganho de calor, essa telha seria um péssimo material a ser usado na construção. A partir de seus projetos, um material ruim se torna um elemento precioso para a construção de uma obra economicamente viável e simbolicamente transformadora.

Para o Instituto Tecnológico de Burkina Faso (2020) (30), Kéré dispõe de uma possibilidade tecnológica melhor do que em seus projetos anteriores. Utilizando a experiência e conhecimento desenvolvidos na Escola Secundária de Gando (2011–) (31), o arquiteto projeta o edifício com paredes estruturais, moldadas in loco, de barro, cimento e agregados. Por sobre elas, apoia-se uma cobertura em chapa de alumínio estruturada por perfis metálicos, com forro em ripas de eucalipto — mesmo material usado para criar uma pele externa, transparente e ventilada, de proteção do conjunto. Diferentemente de outros projetos do arquiteto, não existe aqui um colchão de ar entre o forro e a cobertura. Com a diferença de altura das paredes, Kéré cria uma abertura zenital tipo shed que faz a extração do ar interno através do efeito chaminé. O projeto do instituto é o segundo a utilizar esse efeito para ventilação dos ambientes, mas o primeiro a experimentar o uso de sheds. No projeto anterior da Escola Secundária Lycée Schorge, a cobertura foi desenhada com chaminés triangulares, no fundo das salas de aula, responsáveis pela circulação do ar.

Escola Secundária de Dano, corte com esquema da ventilação natural, Dano, Burkina Faso, 2007. Arquiteto Diébedo Francis Kéré
Desenho André Marques

Lelé utilizou de forma recorrente os sheds na cobertura de suas obras. E essa recorrência projetual, expressão que o próprio arquiteto gostava de usar (32), vai se transformando ao longo de cada projeto. As mudanças são condicionadas sempre no sentido de melhorar o desempenho da cobertura, tanto em termos de iluminação quanto de ventilação — em ambos os casos, de forma natural. Essa evolução do desenho dos sheds acontece por um processo de avalição crítica que o arquiteto fazia desses elementos. “Podemos metaforicamente dizer que, na obra de João Filgueiras Lima, certas soluções arquitetônicas sobrevivem por estarem mais adaptadas ao meio físico brasileiro” (33).

Hospital Sarah Fortaleza, corte com esquema da ventilação natural, Fortaleza CE, 2001. Arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé
Desenho André Marques

É possível encontrar, na trajetória de Lelé, obras em que a implantação do edifício e o posicionamento dos sheds na cobertura se assemelham ao projeto do Instituto Tecnológico de Burkina Faso. No entanto, o intuito deste artigo é tratar das obras de ambos os arquitetos também por aquilo que as distancia. Para este fim, optou-se pela análise do Tribunal de Contas da União — TCU de Aracajú SE (34), onde Lelé, diferentemente do arquiteto burquinês, não está preocupado apenas com a extração do ar através dessas aberturas zenitais, mas sim em possibilitar a ventilação cruzada.

Nesse pequeno edifício, João Filgueiras Lima dispõe os sheds em sentidos opostos — Sudoeste-Nordeste —, de forma a forçar a passagem do ar através dos ambientes internos. E esse efeito pode ocorrer naturalmente ou, nos períodos de eventual redução da brisa, com a ajuda de pequenos ventiladores, desenvolvidos na própria fábrica do CTRS, para acelerar a circulação do ar. Além disso, Lelé cria um pátio interno central — coberto por uma estrutura ondulada e iluminado por uma abertura zenital — que serve como um jardim de ambientação, com rampas e bancos coletivos. O desempenho térmico deste TCU de Aracajú não acontece através de um colchão de ar ventilado entre o forro e a telha, mas sim por uma sofisticada construção volumétrica para um desenho aerodinâmico do edifício. Como coloca o arquiteto José Fernando Minho, colaborador do CTRS: “Não é uma questão de formalismo, da forma pela forma, do desenho rebuscado. Tem a ver com a funcionalidade” (35).

O melhor lugar é embaixo de uma árvore

Todos os anos, a Galeria Serpentine de Londres convida um arquiteto internacional para construir um pequeno pavilhão temporário nos jardins de Kensington. Este pavilhão deve expressar as características principais da obra desse arquiteto convidado. Em 2017, foi a vez de Francis Kéré: sua proposta foi criar uma grande cobertura elíptica apoiada em catorze treliças espaciais de aço pintadas de branco. Essa estrutura é coberta por uma telha translúcida que conduz as águas pluviais para o centro do pavilhão. Na parte interna da estrutura, foi montado um forro em ripas de madeira que filtram a incidência da luz e do calor solar. O pavilhão é parcialmente fechado por quatro paredes curvas construídas por elementos também em madeira, pintados de azul anil ou índigo, e dispostos de tal forma que remetem aos padrões usados nos tecidos e nas pinturas típicas de Burkina Faso (36). Conforme a descrição do projeto que consta no site do escritório de Kéré, o pavilhão é inspirado em uma grande árvore, por sob a qual as pessoas possam ter um lugar onde se encontrar.

“Inspirando-se na grande árvore de sua cidade natal Gando, sob a qual os membros da comunidade se reúnem para refletir sobre o dia, o design de Kéré é baseado na criação desse senso de comunidade enquanto conecta as pessoas com a natureza” (37).

Essa inspiração a partir de uma árvore aproxima, de forma conceitual, o arquiteto burquinês com o brasileiro. Lelé, um arquiteto engajado com as questões ecológicas, sempre priorizou a luz e a ventilação natural não apenas por serem mais econômicas, mas sim por serem muito mais agradáveis para a condição ambiental (38). Essa visão o levou a dizer que o melhor lugar para fugir do calor é embaixo de uma árvore, na sombra com um “ventinho agradável” (39):

“É como se você estivesse filtrando a luz, o vento, o ar. O frescor que você sente embaixo de uma árvore é como um filtro, onde o vento passa e a luz solar intensa é barrada. Para você se defender do calor, o melhor lugar é embaixo de uma árvore. Então, o conceito básico ali é você criar uma grande sombra. Entre a cobertura dos sheds e os basculantes, fica um colchão de ar que atenua todas as ações de calor” (40).

A aproximação, proposta neste artigo, sobre a obra desses dois importantes arquitetos não pode ser tida como conclusiva, mas sim como um pontapé inicial de um tema que deveria ser mais trabalhado. Importante lembrar que a obra do arquiteto burquinês ainda é recente e, com certeza, passará ainda por muitas transformações. Já a obra de João Filgueiras Lima está consolidada e, possivelmente, pode ser do conhecimento de Kéré — fato que não é discutido neste artigo. O intuito aqui é unicamente levantar as condicionantes comuns entre esses dois países em desenvolvimento abaixo da linha do equador e, ainda, abaixo da “cortina de ouro” (41) do desenvolvimento científico e tecnológico da América do Norte e da Europa. Dada a extensão e diversidade do Brasil, é possível encontrarmos situações em que determinadas cidades tenham contextos melhores do que em Burkina Faso, tanto quanto cidades em que a realidade é bem parecida com a do país africano. E é por isso que essa reflexão/análise entre os dois arquitetos é tão importante.

Por fim, vale destacar que, neste mesmo ano de 2022 em que Keré recebeu o Prêmio Pritzker e em que são comemorados os noventa anos de João Filgueiras Lima, o Conselho de Arquitetos e Urbanistas do Brasil lançou um plano para levar arquitetos para o interior do país (42). Como uma homenagem ao brasileiro, este plano foi nomeado de Projeto Lelé por remeter ao engajamento social e à própria trajetória do arquiteto, que deixou o Rio de Janeiro para trabalhar na construção de Brasília, no interior do Brasil. E sua constante luta por atuar em regiões do país ainda carentes social e urbanisticamente se equipara ao trabalho que Kéré vem desenvolvendo em seu país de origem. Por essa proximidade, é possível que o Projeto Lelé possa também usufruir das experiências exemplares de Burkina Faso.

notas

1
Announcement. Diébédo Francis Kéré Receives the 2022 Pritzker Architecture Prize. The Pritzker Architecture Prize, 15 mar. 2022 <https://bit.ly/3sPeUgI>. Tradução dos autores.

2
Diébédo Francis Kéré, Biography. The Pritzker Architecture Prize, 15 mar. 2022 <https://bit.ly/3sPeUgI>. Tradução dos autores; SERAPIÃO, Fernando. Francis Kéré, arquiteto ativista, levou o Pritzker sem fazer espetáculo. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 mar. 2022 <https://bit.ly/3PBkaOQ>.

3
Announcement. Diébédo Francis Kéré Receives the 2022 Pritzker Architecture Prize (op. cit.).

4
LIMA, João Filgueiras. Escola Transitória: modelo rural. Brasília, MEC, 1984 <https://bit.ly/38RRz7k>.

5
Francis Kéré. Practical aesthetics. AV Monografías, n. 201, Madri, 2018, p. 22-27; LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple. Berlim, Hatje Cantz Verlag, 2016, p. 42-47.

6
Francis Kéré. Practical aesthetics (op. cit.), p. 28-33; LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple (op. cit.), p. 74-77.

7
“Embora sejam culturas e povos muito diferentes da nossa conhecida paisagem Ocidental, os povos desses países têm afinidades profundas com os brasileiros. As raízes são ocultas e estão nas profundezas... Mas o fato é que estamos entranhados de África”. BARBIERI, Renato. A África é o humano. Arquiteturismo, São Paulo, ano 01, n. 001.06, Vitruvius, mar. 2007 <https://bit.ly/3y1ifMC>.

8
MÜLLER, Marcela dos Santos. Classificação climática segundo Köppen e Thornthwaite e zoneamento agrícola das culturas de milho e soja na União Econômica e Monetária do Oeste Africano. Tese de doutorado. Piracicaba, Esalq USP, 2015, p. 38 <https://bit.ly/3x8QBvy>.

9
Sobre esse tema, ver: LAMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando. Eficiência energética na arquitetura. Rio de Janeiro, Procel, 2014 <https://bit.ly/3xfnhUc>.

10
Sobre esse tema, ver: BITTENCOURT, Leonardo; CÂNDIDO, Cristina. Introdução a ventilação natural. Maceió, Edufal, 2006.

11
Francis Kéré. Practical aesthetics (op. cit.), p. 80-85; LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple (op. cit.), p. 96-103.

12
LATORRACA, Giancarlo. João Filgueiras Lima, Lelé. Série Arquitetos Brasileiros. Lisboa/São Paulo, Blau/Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, 2000, p. 203.

13
Idem, ibidem, p. 137.

14
Francis Kéré. Practical aesthetics (op. cit.), p. 12-17; LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple (op. cit.), p. 32-37.

15
LATORRACA, Giancarlo. Op. cit., p. 191.

16
RISSELADA, Max; LATORRACA, Giancarlo. A arquitetura de Lelé: fábrica e invenção. Catálogo de exposição. São Paulo, Museu da Casa Brasileira, 2010, p. 160.

17
LUKIANTCHUKI, Marieli Azoia. A evolução das estratégias de conforto térmico e ventilação natural de João Filgueiras Lima, Lelé: hospitais Sarah de Salvador e do Rio de Janeiro. Dissertação de mestrado. São Carlos, EESC USP, 2010, p. 182 <https://bit.ly/3mpdNB0>.

18
Francis Kéré. Practical aesthetics (op. cit.), p. 88-89; LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple (op. cit.), p. 130-133.

19
Benga Riverside Residential Community. Kéré Architecture <https://bit.ly/3xd2ctt>. Tradução dos autores.

20
Idem, ibidem. Tradução dos autores.

21
LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple (op. cit.), p. 30-31.

22
RISSELADA, Max; LATORRACA, Giancarlo. Op. cit., p. 180.

23
LIMA, João Filgueiras. Arquitetura. Uma experiência na área de saúde. São Paulo, Romano Guerra, 2012, p. 249-251.

24
CORBELLA, Oscar; YANNAS, Simos. Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos: conforto ambiental. Rio de Janeiro, Revan, 2003, p. 39-40.

25
“Más por menos” é o tema do congresso que aconteceu em Pamplona, em junho de 2010, no qual Francis Kéré proferiu palestra sobre arquitetura em zonas rurais. Sobre a questão, ver: FERNÁNDEZ-GALEANO, Luiz. Más por menos. Arquitectura Viva, n. 133, Madri, 2010, p. 3; Kéré desde España. AV Monografías, n. 201, Madri, 2018, p. 115-117.

26
LIMA, João Filgueiras. O que é ser arquiteto: memórias profissionais de Lelé (João Filgueiras Lima); em depoimento a Cynara Menezes. Rio de Janeiro, Record, 2004, p. 85.

27
Sobre esse tema, ver: MARQUES, André. Lelé: diálogos com Neutra e Prouvé. São Paulo/Austin, Romano Guerra/Nhamerica Platform, 2020, p. 63-69.

28
Francis Kéré. Practical aesthetics (op. cit.), p. 108-113.

29
Segundo a NBR 15220-2003, a condutividade térmica da telha de alumínio é λ= 230 W/(m2.K). Ver: BRASIL. NBR 15220/2003. Desempenho térmico de edificações. Brasília, set 2003.

30
Burkina Institute of Technology (BIT). Kéré Architecture <https://bit.ly/3NSy0uA>.

31
Francis Kéré. Practical aesthetics (op. cit.), p. 68-71; LEPIK, Andres; BEYGO, Ayça (org.). Francis Kéré. Radicaly simple (op. cit.), p. 52-55.

32
LIMA, João Filgueiras. Entrevista realizada por Adriano Carneiro de Mendonça. Salvador, 18 jan. 2004, p. 15 <https://bit.ly/398omVX>; MARQUES, André. Op. cit., p. 148-150.

33
MARQUES, André. Op. cit., p. 70.

34
LATORRACA, Giancarlo. Op. cit., p. 225.

35
MINHO, José Fernando. Entrevista realizada por Marieli Lukiantchuki. Salvador, 24 nov. 2011.

36
Sobre as pinturas e grafismos feitas pelas mulheres burquinesas nas fachadas de suas casas, ver: BARBIERI, Renato. Op. cit.

37
Serpentine Pavilion. Kéré Architecture, <https://bit.ly/38Wsl82>. Tradução dos autores.

38
LIMA, João Filgueiras. O que é ser arquiteto (op. cit.), p. 67.

39
Idem, ibidem, p. 66.

40
LIMA, João Filgueiras. Entrevista realizada por Marieli Lukiantchuki, Salvador, 18 nov. 2008.

41
Termo cunhado por Cristovam Buarque para descrever o processo de segregação entre ricos e pobres, entre aqueles que terão acesso à educação e aqueles que não terão. SALGADO, Sebastião; BUARQUE, Cristovam. O berço da desigualdade. Brasília, Unesco, 2005, p. 17-18.

42
Projeto Lelé: CAU Brasil leva alunos de Arquitetura e Urbanismo ao interior do país. CAU BR, 19 mai. 2022 <https://bit.ly/3aueu98>.

sobre os autores

André Marques, arquiteto (USJT, 2003), mestre e doutor (FAU Mackenzie, 2012 e 2018), com especialização em Conforto Ambiental e Eficiência Energética (Fupam, FAU USP, 2006). Professor de tecnologia e projeto de arquitetura na Universidade São Judas, é autor do livro Lelé: diálogos com Neutra e Prouvé (Romano Guerra/Nhamerica, 2020).

Marieli Azoia Lukiantchuki, arquiteta (UEM, 2006), mestre e doutora (IAU USP, 2010 e 2014). Professora adjunta da UEM, no Departamento de Arquitetura e Urbanismo, e professora do Programa Associado de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo UEM/UEL.

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