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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
A autora comenta a falta de ética e hipocrisia no exercício da profissão arquiteto

english
The author comments on the lack of ethics and hypocrisy in the profession of architect

español
La autora comenta la falta de ética e hipocresía en el ejercicio de la profesión de arquitecto

how to quote

SAIBROSA, Joene. Novos rumos da arquitetura?. Falta de ética e hipocrisia no exercício da profissão. Drops, São Paulo, ano 04, n. 008.06, Vitruvius, jun. 2004 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/04.008/1625>.


Outro dia, visitando um website na Internet, li uma entrevista com um renomado arquiteto falando sobre o subemprego na arquitetura. Na entrevista, ele criticava os jovens arquitetos que se formam e passam a trabalhar em lojas de decoração como consultores – vendedores. Fiquei pasma com a falta de humildade, a arrogância e a hipocrisia existente.

Os jovens e até “velhos” arquitetos que se prestam a trabalhar como consultores de vendas, não fazem nada, do meu ponto de vista, que afete a ética da arquitetura. Pelo contrário, a intenção é que se divulgue entre os clientes a necessidade cada vez maior do acompanhamento de um profissional na hora das escolhas. Além do que, a existência de um profissional em uma loja até facilita o trabalho do arquiteto, visto que ambos entendem do assunto.

Outro fator que contribui para que recém-formados atuem nessa área é que nem todos nascem com um pai dono de hospital, de uma construtora ou de uma grande rede de empresas, tendo condições de montar um escritório com alguém para bancá-lo até que se consiga uma boa clientela, de repente até os amigos influentes dos pais.

Logo, manter um escritório nos dias de hoje não é tarefa muito fácil, visto que o mercado ainda não é tão grande e de certa forma é um pouco saturado, devido aos vários arquitetos que saem anualmente das universidades e também poucas pessoas têm a consciência da importância do arquiteto.

E pra completar, existe no meio arquitetônico uma certa “prostituição”, onde arquitetos deixam de cobrar os honorários em troca de comissões ou reserva técnica oferecidas pelas lojas de decoração e materiais de construção. Estão nesse meio inclusive arquitetos renomados que induzem clientes a comprar nessa ou naquela loja de acordo com o percentual repassado. È a arquitetura do quem dá mais! Determinados móveis e materiais de construção se tornam feios e de má qualidade porque só dão 5%!!!

Existe arquiteto que faz apenas uma ligação, por exemplo para uma loja de modulados, indicando o cliente. O arquiteto-consultor-vendedor atende o cliente e faz o projeto. Quem indicou ganha a reserva técnica e ainda a Glória pelo projeto que ELE fez. É muito triste mesmo esse subemprego!

Algumas pessoas que já sabem como funciona o sistema já não contratam arquitetos e, às vezes, solicitam à empresa o desconto do que seria repassado para o arquiteto. Não sei se a culpa disso é do lojista que manipula ou do arquiteto que se vende.

Realmente é vergonhoso! Não sei se é pior ser arquiteto-consultor-vendedor ou arquiteto-prostituto, que ganha premiações por determinadas empresas porque vendeu mais (entenda-se: ganhou mais comissão!). Acho que os primeiros deveriam receber premiações por serem pacientes com determinados arquitetos-prostitutos que se julgam superiores e que na verdade são renomados, mas graças a grande equipe de funcionários dos computadores que criam, desenham e, às vezes, até copiam projetos de revistas que o grande arquiteto-prostituto escolheu.

Mas nem tudo está perdido, pois ainda existem muitos arquitetos compromissados e que não se vendem por qualquer 5% a 15%. Existem arquitetos cuja principal preocupação é realmente a satisfação do cliente e não a do seu bolso.

notas

[publicação: julho 2004]

Joene Saibrosa, Teresina PI Brasil

"A noite"
Foto Nelson Kon

 

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