Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Ainda que o Estado de São Paulo possua uma pequena porção de costa banhada pelo Oceano Atlântico, a capital e seu centro histórico são na verdade continentais

how to quote

ARUCA ALONSO, Lohania. O centro histórico de São Paulo. Drops, São Paulo, ano 04, n. 008.02, Vitruvius, abr. 2004 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/04.008/1621>.


Estação da Luz, Parque da Luz e Pinacoteca do Estado
Foto Nelson Kon


Ainda que o Estado de São Paulo possua uma pequena porção de costa banhada pelo Oceano Atlântico, a capital e seu centro histórico são na verdade continentais. Encontram-se sobre um planalto com quase mil metros de altura acima do mar, e a topografia tem irregularidades que acentuam as diferenças da paisagem urbana, conforme as situações na qual esta esteja implantada.

A modernização da cidade colonial – mediante a implantação e o desenvolvimento da indústria, a estrada de ferro, o saneamento das vias públicas, serviços de água, iluminação, gás, de espaços para a recreação e o metrô –, se iniciou somente depois de 1889, quando caiu o Segundo Império e se iniciou a República.

Somente então o centro urbano de São Paulo foi ampliado e começou um crescimento acelerado, que em apenas um século transformou o lugar e, depois, determinou sua decadência. Atualmente se trata de recuperar o valor histórico-ambiental do antigo centro com um projeto de conservação e reanimação urbanística (Pró-Centro), muito ambicioso, que foi promovido e é dirigido pela prefeitura paulistana.

O centro histórico se assemelha a um retângulo gigante. Esta figura está irregularmente definida pelo canal do rio Tamanduateí, a leste, pelo elevado Costa e Silva e os viadutos Julio de Mesquita Filho, Jaceguai e da via Leste-Oeste, a oeste e sul, e por diversas ruas que convergem na estação Luz do metrô Norte-Sul, a norte.

Uma visita a esta parte da cidade pode começar precisamente a partir da estação Luz. Diante dela se encontram o Jardim da Luz e a Pinacoteca do Estado. Esta última ocupa o edifício anteriormente construído para a Escola de Artes e Ofícios, e sua restauração arquitetônica colocou a vista o material básico da primitiva estrutura: tijolo vermelho. Com vedações e coberturas de vidro transparente e pontes metálicas – que cruzam os espaçosos pátios –, se conseguiu, ao mesmo tempo, uma imagem arquitetônica atualizada e novos pontos de vista para se admirar as magníficas exposições que estão instaladas no lugar.

A avenida Tiradentes nos separa da pequena mas interessante fachada da igreja de São Cristóvão. Um conjunto de templos católicos (doze, no total) se encontra em pleno processo de restauração dentro do centro histórico. Entre eles, o antigo convento dos franciscanos que foi inaugurado em 1647 e a igreja de sua Ordem terceira, de estilo barroco e com pinturas interiores do século XVIII. Também estão incluídas outras igrejas de nomes muito sugestivos, tais como: Nossa Senhora da Boa Morte, Nossa Senhora da Consolação e a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Todas elas conservam as características arquitetônicas do período colonial português.

No domingo, às 11 da manhã, o melhor passeio é ir até o Teatro Municipal de São Paulo, frente à praça Ramos de Azevedo. Ali poderemos desfrutar de um concerto de autêntica música brasileira, executada por uma orquestra e solistas de virtuosos intérpretes, também brasileiros.

Sobre uma pequena elevação foi construído o edifício deste teatro, projetado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, a quem a praça eterniza o nome. Também Cláudio Rossi e Domiziano Rossi (arquitetos de origem italiana, que apesar de possuírem sobrenomes homônimos, não tinham parentesco algum entre si).

A inspiração estilística desta obra foi o clássico modelo eclético da Ópera de Paris, com certas adaptações italianizantes. A construção aconteceu entre 5 de junho de 1903 e 30 de agosto de 1911 e foi totalmente restaurada recentemente.

Nos recebe a grande escadaria principal, que se abre em duas alas curvas, de estudada sensualidade, para levar-nos até o foyer. Ao fundo deste outro amplo salão de tetos muito decorados com afrescos e motivos mitológicos – próprios da época –, grandes espelhos de marcos dourados, e balcões guardados por altas portas com persianas que se abrem como parte da fachada principal.

A sala aonde se executa o concerto está mobiliada elegantemente. O veludo de cor verde seco predomina nos forros das poltronas e das cortinas do cenário, unido aos balcões (encaixes de ferro forjado) e corrimão de bronze muito polido. O ambiente recriado é tão excelente como a acústica. Do teto pende a indispensável "aranha" de peças de cristal transparente que ilumina com suavidade a platéia. A orquestra inicia, pontualmente, a primeira peça do programa "Projeto de Memória Musical" com uma obra de Henrique Oswald. "Estamos colocando São Paulo no mapa mundi da música sinfônica", afirma o maestro e regente da Orquestra Sinfônica da cidade.

Na lateral direita do Teatro Municipal se encontra outro belo lugar, o Parque de Ramos de Azevedo, composto por jardins, estátuas, passeios, bancos colocados artisticamente, em um plano mais baixo que o edifício que o domina. Esta obra foi realizada nas primeiras décadas do século XX com o fim de embelezar a entrada da cidade pelo setor oeste, através do viaduto do Chá, e também foi objeto de minuciosas obras de conservação.

A pouca distância, não mais de cinco quadras distante do Parque, está a Praça de Sé e a histórica Catedral Metropolitana de São Paulo. Agora está  fechada, por causa das ações de restauração que lhe devolverá seu original esplendor. (1)

Apesar disso, desde o alto de sua escadaria pode se ver o formoso passeio arborizado que a precede. Aos lados, ao centro, distribuídos por todas partes, uma representação numerosa dos "moradores de rua", que enchem  este local. Um dos poucos lugares da cidade aonde existe um espaço de tolerância da polícia para os pobres sem lugar. Ali podem colocar seus abrigos noturnos provisórios e realizar seu precário mercado de bugigangas.

Os domingos são dias de mercado popular em todas as praças. Reluzem as pedras semipreciosas brasileiras, de todas as cores, trabalhadas artesanalmente em objetos de adorno, ou, simplesmente polidas. Os encaixes, vestidos, as redes de dormir de algodão tecidas de cores berrantes, as vasilhas de cerâmica, e os mil e um produtos de artesanato local, que cobrem um amplo leque de necessidades diárias da população. Opção de baixo custo e de muito bom gosto, que é adquirida por consumidores nacionais e turistas estrangeiros.

No cruzamento dos metrôs Norte-Sul e Leste-Oeste, está a Praça da Sé. Fomos até lá para concluir nosso passeio dominical. (2)notas1
Hoje a Catedral da Sé, restaurada a partir do projeto do arquiteto Paulo Bastos, encontra-se aberta à comunidade. Ver
http://www.vitruvius.com.br/institucional/inst47/inst47.asp.

2
O presente texto foi escrito em 16 de outubro de 2000.

[publicação: abril 2004]

Lohania Aruca, Havana, Cuba

Catedral Metropolitana de São Paulo, Praça da Sé
Foto Nelson Kon

 

comments

newspaper


© 2000–2021 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided