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interview ISSN 2175-6708

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português
Professora titular de "Storia della Città e del Territorio" do Dipartimento di Storia dell'Architettura, do Istituto Universitario di Architettura di Venezia, Donatella Calabi é hoje uma das mais importantes historiadoras da Itália

english
Full professor of "Storia della Città e del Territorio" of the Dipartimento di Storia dell'architettura of the Istituto Universitario di Architettura di Venezia, Donatella Calabi is today one of the most important historians of Italy

español
Profesora titular de "Storia della Città e del Territorio" del Dipartimento di Storia dell'Architettura, del Istituto Universitario di Architettura di Venezia, Donatella Calabi es hoy una de las más importantes historiadoras de Italia

how to quote

RETTO JR., Adalberto; BOIFAVA, Barbara . Donatella Calabi. Entrevista, São Paulo, ano 04, n. 015.01, Vitruvius, jul. 2003 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/04.015/3335>.


Fabbriche, piazze, mercati. La città italiana del Rinascimento. Donatella Calabi. Roma, Officina Edizioni, 1997

Longa duração e inovação

Adalberto Retto e Barbara Boifava: Qual a importância da "Longa duração " e "inovação" para o estudo dos fenômenos urbanos?

Donatella Calabi: O tema "por que uma cidade nasceu aqui e se desenvolveu tanto?" constitui a pergunta fundamental da História urbana. Assim, esta última, é simplesmente uma definição operativa para identificar historiadores e outros que trabalham sobre alguns problemas (uma espécie de estratégia histórica e nada mais).

Em termos formais pode ser entendida como um campo do conhecimento, não como uma disciplina isolada, na acepção comum do termo "disciplina". Um campo em que convergem muitas formas de conhecimento, e não uma forma de conhecimento em si mesmo.

O que seja "urbano" e o que não o seja se torna então quase impossível definir com grande precisão em um certo tempo (não através da dimensão, nem através da densidade, nem do grau de nucleação): existem dificuldades no uso de critérios homogêneos relativos ao longo período, mesmo dentro da mesma comunidade.

O sentido do espaço também muda no tempo e é impossível ter um sentido absoluto do mesmo: um exemplo é aquele da densidade física no centro da cidade americana e da massa social que se dispersa na sua periferia. Contudo, as conexões entre forma e função, entre escala e estrutura permanecem, sobretudo na conceituação que temos de uma grande cidade.

É por isso que me parece justo insistir sobre a importância, para nós, da "longa duração".

A cidade é cravejada de grandes praças, talvez antigamente destinadas ao mercado de gado (animais), ou das verduras e das frutas, ou às feiras anuais, que pouco a pouco perderam significado e nas quais se instalam outras atividades; ou de ruas nas quais alguns se estabelecem, outros desaparecem; ou ainda de pórticos invadidos por bancos e assentos, ou penosamente mantidos desocupados; e (a cidade) é, num certo momento, marcada pelo fato de que os hábitos e o gosto dominante assumem um papel de inércia à mudança. A estabilidade dos mecanismos de propriedade do solo e do parcelamento constitui um dos obstáculos mais importantes à transformação da cidade antiga e da medieval (5). Mas as razões simbólicas, ideológicas, culturais podem ser igualmente vinculativas.

Na Europa, por exemplo, a praça foi freqüentemente considerada a obra– prima da construção medieval e é, ao contrário, o lugar onde se realizaram intervenções de dimensões importantes, sobretudo durante o Quatrocentos e o Quinhentos (6). Isto aconteceu num momento determinado, em que se juntaram os poderes temporal e religioso, como naquele em que dominavam separadamente o município, ou o palácio da Signoria, ou a catedral, ou os lugares de mercados. Na maior parte dos países da Europa central aumentou a especialização das vendas: construções comerciais permanentes (freqüentemente construídas em série uniforme) substituem bancas, tendas e recintos de madeira; aquelas mistas para o fornecimento de produtos cotidianos a varejo tendem a desaparecer; os grandes armazéns são cada vez mais destinados exclusivamente aos tecidos, ou ao couro, ou aos grãos (7).

Às vezes, na base dos investimentos urbanos, cujas atitudes culturais vão além das questões puramente econômicas e mercantis, tem-se o crescimento de um grupo de mercadores dedicados ao tráfego de mercadorias ricas (Lubecca). Outras vezes o aumento da riqueza, ou do risco e da precariedade das despesas feitas somente com fins comerciais, ou a transferência da propriedade de mão em mão, não bastam para explicar a maior atenção dedicada aos edifícios públicos, nem o sentido de dignidade atribuído aos postos do governo municipal (Nuremberg). Neste processo, é importante o papel que assumem não só as classes dominantes, mas também os "mestres de rua" (8), os peritos da magistratura pública, os pedreiros, a mão-de– obra do canteiro, isto é, os assalariados da construção a serviço da cidade nas primeiras décadas do século XVI. Nas bases hanseáticas, parecem ser mesmo os edifícios públicos de grande escala a se constituírem previamente como oportunidade para a formação de grupos itinerantes de mestres construtores. Mas, em muitos casos (Veneza, Nuremberg, Paris), é também a passagem da "cidade de madeira" à "cidade de pedra" a tornar-se um pretexto – freqüentemente um formidável pretexto– de total reconstrução, além de parcial emigração de modelos (9). A degradação das estruturas, o perigo de desabamentos, os incêndios na cidade medieval eram aceitos como inevitáveis, porque faziam parte da vida cotidiana. "Nínguém deve se espantar se nestes tempos desmoronavam tantos edifícios, não somente em Vinegia (Veneza) mas em outros lugares da Itália, assim como em Bolonha e em Milão[...], porque quase todos os edifícios eram de madeira, como se pode ver até hoje na maior parte da Alemanha e da França": esta nota dá uma descrição pontual quinhentista do "bel paese" (Itália) (10). Assim, o propagar-se das chamas é absolutamente inevitável. Mas ao longo do século, o fogo parece se transformar, em todos os lugares, num pesadelo. De um lado a vigilância, do outro a mecanização dos instrumentos para apagá-los se transformam respectivamente, em objeto de atribuições específicas, de regras (na forma de obra de prevenção) e em objetos de ilustração nos tratados. As edições dos dez livros de Vitrúvio de Como de 1521 e de Nuremberg de 1547, dedicam um espaço particular ao desenho de máquinas especiais com finalidade de derramar água em incêndios de grandes proporções; igualmente acontece no Théatre des instruments, publicado por Besson em Lion, em 1578 (11). Aliás, neste sentido, são atribuídas tarefas particulares a um número crescente de funcionários a serviço da cidade ( os "quartemiers" de Paris, como os párocos nos bairros venezianos). As normas construtivas (limitação do uso da madeira, ou das coberturas em palha, ou a obrigação de erguer muros divisórios separados entre unidades limítrofes) e de comportamento (sistema de iluminação, horários), que também existiam em todas as cidades com alta densidade habitacional, não são por longo tempo aplicadas, mas repentinamente são reforçadas com maior autoridade e insistência; e como de improviso, os incêndios são descritos com tons dramáticos por cronistas e testemunhas oculares; tornam-se uma ocasião de reflexão, uma oportunidade a ser aproveitada. Freqüentemente, nestes casos, impulsos de modernização são assim temperados de um saber constituído, de hábitos no uso dos materiais e interesses consolidados, da vontade de não criar transtornos. Enfim, não é raro que velhas regras de técnicas construtivas sejam executadas somente com muitas décadas de atraso (por exemplo, os editais que, no centro de Paris, vetam a fábrica de madeira, somente com Henrique IV, em 1607, tornam-se verdadeiramente executáveis). Às vezes, nas cidades do norte, a inovação está ligada mais às considerações econômicas (o preço da madeira, as dificuldades de provisões ou de laboração) e psicológica (o prestígio do modelo mediterrâneo) do que às razões técnicas (a defesa contra os incêndios) (12). E estes são, novamente, os fatores que têm uma importância no abrandamento de algumas decisões ou, ainda, na sua aceleração em favor de um simples saneamento, ou de rearranjos de pouco valor, conduzidos sob antigos vestígios. Na história das cidades européias, reencontramos acontecimentos absolutamente exemplares na incerteza de escolher entre modelos contrastantes: as controvérsias entre o saber teórico de um arquiteto de grande cultura e o saber empírico dos técnicos funcionários, os resumem eficazmente. Os dois casos famosos, de reconstrução em pedra da antiga ponte de Notre Dame sobre o Sena e daquela de Rialto sobre o Canal Grande, estruturas vetustas e complexas não somente de passagem, estreitamente ligadas à renovação das áreas mercantis, as quais dão acesso, fornecem um sinal significativo, que vai muito além do caso específico. Ambos são emblemáticos das dificuldades em que se envolve o redesenho das metrópoles.

notas

5
As análises de André Chastel sobre as Halles parisienses, de Donatella Calabi e Paolo Morachiello sobre a ilha de Rialto, de Renate Kistemaker sobre Amsterdã permitem ver a proporção de tais estabilidades.

6
Gustavo Giovannoni, Vecchie città ed edilizia nuova, Torino 1931, pp. 24-26.

7
Erwin Anton, International History of City Development, Glencoe Illinois, 1964-72, vol.. I, pp. 162-168.

8
Chamava-se assim em Roma a magistratura designada à vigilância e ao controle dos trabalhos edilícios urbanos.

9
Ver as análises de Pierre Francastel sobre as normativas em Paris ainda existentes na época de Henrique IV; cfr.: L'urbanisme de Paris et l'Europe 1600-1680, Paris 1969, cit., in: Histoire de la France Urbaine, vol. 3, cit., p. 14.

10
Leandro Alberti, Descrittione di tutta Italia, Bologna 1550, p. 460.

11
Lucio Vitruvio Pollione, De Architectura Libri dece traducti de latino in vulgare affigurati, commentati, Como per Magistro Gotardo da Ponte... nel anno... MDXXI, XV mensis julii regnante il christianissimo re de Franza [edita da A. Gallo e L. Pirovano: Cesare Cisariano circa il fine de magio del anno presente MDXXI, havendo commentato e dato le copie a li impressori...se partite da Como e lasso l'opera imperfecta]; Marci Vitruvii Pollioni, Zehen Bücher von der Architektur und kunstlichen Bawen, Nürnberg 1948; Theatrum Instrumentorum et machinarum Iacobi Bessoni Delphinatis, Mathematici ingeniosissimi, Lione MDLXXVIII, p. cii v. e tav. 52.

12
C. Enlart, Manuel d'archéologie française, Paris 1929, parte II ("Architecture civile"), vol. I, pp. 231-409.

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