
Ludwig Hilberseimer, da Grosstadtarchitektur, Stuttgart, 1927
[fonte: Progetto di crisi, p. 80]
Adalberto Retto: Em “O mestiere do historiador. Entrevista a Manfredo Tafuri” (Domus, nº 605, 1980), Tafuri diz: “O modo com que olho os fenômenos históricos pode ser 'projetual', mesmo se continuo a rejeitar qualquer categoria de tipo operativo”. O senhor afirma que “A crítica a crítica operativa fornece um essencial elemento para analisar ainda in nuce o ‘projeto histórico’ de Tafuri”. O senhor poderia desenvolver essa afirmação?
Marco Biraghi: Parece que há em Tafuri uma extraordinária lucidez, desde as páginas de Teorias e histórias da arquitetura, em que ele tinha impostado o discurso sobre crítica operativa.
Naquelas páginas ele consegue se manter “destacado” de uma crítica operativa fácil, que tinha como objetivo evidente Bruno Zevi, com que foi consumada uma ruptura insanável. Este “destaque” corresponde ao esforço de não fazer uma crítica ideológica, mas sim uma crítica da ideologia. No projeto histórico o tema do destaque retornará, mesmo que seja em uma perspectiva diferente. A questão da distância, da não identificação do historiador com o objeto dos seus estudos, com a época estudada, aqui assume um caráter, sobretudo metodológico. Mas transforma-se também em uma crítica da cultura do Einfühlung, que teve o seu reverso na profunda “simpatia” que Tafuri tinha por Aby Warburg, um historiador que na sua vida sentiu com extraordinária intensidade o pathos, o chamamento sedutor das imagens que estudava, mas que sentia com a mesma intensidade o pathos da distância.
Ludwig Hilberseimer, da Grosstadtarchitektur, Stuttgart, 1927