
Peter Eisenman, Axonometrica da Casa II (Casa Falk), Harwick, 1969-70
[fonte: TAFURI, Manfredo. Progetto di crisi, p. 150]
Adalberto Retto: No capítulo “L’architecture dans le boudoir” Tafuri adverte: “não temos nenhuma intenção de examinar atentamente as recentes tendências arquitetônicas. Preferimos, mais do que isso, concentrar a atenção sobre algumas atitudes particularmente significativas, interrogando-nos sobre papéis que, de vez em quando, a crítica deve assumir com relação a eles”. Toma em análise James Stirling (um que revelou a possibilidade de uma manipulação sem fim de uma gramática e de uma sintaxe dos signos arquitetônicos, usando com coerência extrema a lei formalista do contraste e da oposição: a rotação dos eixos, o uso de estruturas antitéticas, as distorções tecnológicas” (p. 326), passa a Aldo Rossi (“a especificidade da arquitetura se insere em um universo dos signos rigorosamente selecionados, em que domina a lei da exclusão”, p. 331), Vittorio De Feo (um oscilar “entre criação de espaços virtuais e refinadas pesquisas tipológicas. A experimentação sobre deformação dos materiais geométricos é para ele dominante”, p. 340), Franco Purini e Vittorio Gregotti (“a forma não é um absoluto. [...] um arquiteto com excessiva vontade de síntese”, p. 341). Outros exemplos analisados são Graves e Hejduk.
Estes exemplos vêm utilizados por Tafuri para demonstrar que cada uma das linguagens examinadas requer instrumentos diversos de abordagem? É oportuno assim, no âmbito da crítica mais eficaz, partir da obra?
Marco Biraghi: Seria muito fácil dizer: obviamente sim, e afirmar que isso foi sempre o que fez Tafuri. Na realidade, parece que relendo hoje os livros de Tafuri (penso em Arquitetura Contemporânea, escrita com Dal Co) a sensação seja exatamente oposta.
Mesmo que não nos pareça hoje aceitável e também ao que pode ser aceito por aqueles que afirmavam a necessidade de evitar sobreposições operativas ou ideológicas ao trabalho do historiador e o indispensável retorno às fontes, aos documentos, a uma sapiente filologia, as obras parecem cair num dramático vazio substituídas por afirmações que as “fotografam” de maneira freqüentemente fulminante, mas não exaustiva ou satisfatória.
Isto naturalmente mudou nos últimos 12-15 anos da sua atividade. Mas em muitos livros de Tafuri (e em muitos dentre aqueles que tiveram grande repercussão, como A esfera e o labirinto, por você citado), as obras são negligenciadas totalmente.
Ou então, se tornam grandes metáforas de questões mais gerais que não conseguem, enquanto obras particulares, sustentá-las. Em certos casos a abordagem funciona muito bem, como no caso de Piranesi. Noutros autores talvez menos. Assim como também a diversidade das abordagens, se é verdade observando o horizonte mais geral da pesquisa, parece ter menos correspondência no âmbito de um livro como A esfera e o labirinto. No meu livro tentei seguir, por exemplo, a chave interpretativa da “nostalgia” usada por Tafuri, e essa foi utilizada indiferentemente para experiências arquitetônicas diversas, de Kahn a Venturi, a Eisenman, ao próprio Rossi.
Louis Kahn, Vista superior do Centro Cívico, Filadélfia, 1956-57
[fonte: TAFURI, Manfredo. Progetto di Crisi, p. 108]