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PORTAL VITRUVIUS. 2º Prêmio Nacional de Pré-Fabricados de Concreto para Estudantes de Arquitetura. Projetos, São Paulo, ano 04, n. 041.01, Vitruvius, maio 2004 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/04.041/2312>.


“A partir da habitação, teria o homem primitivo transposto a sua não menos primitiva ‘soleira’, para apropriar-se do espaço em escala mais ampla. A outra margem de um rio passa a fazer parte do espaço da habitação através de uma ponte (...) As cidades como as casas. As casas como as cidades”
Vilanova Artigas, Arquitetura e construção (1969) in Caminhos da Arquitetura

A área de intervenção desse trabalho é hoje sede de uma das unidades do Jockey Clube de São Paulo, localizado na Vila Sônia, na zona Oeste, vizinho à futura estação Vila Sônia da linha 4 do metrô. Destinada à prefeitura, existe um programa já elaborado, que comporta elementos educacionais, culturais e esportivos, além de um conjunto habitacional.

Nosso desafio é exatamente procurar implementar esse programa de uma forma diversa daquela adotada usualmente. Acima de tudo, identificamos o terreno como uma grande área verde, em desnível, cuja dimensão gerou uma leitura desse espaço como um parque, que conecta a Avenida Francisco Morato, um divisor de águas, e o Córrego Pirajussara, atual Avenida Eliseu de Almeida.

Essa intervenção não se restringe ao lote como leitura de espaço. O parque dentro de uma hierarquia é o mais importante elemento estruturador. Por isso, o projeto se propõe a inserir os equipamentos do programa, de modo que a sua atividade interfira o menos possível na condição pública desse espaço.

Portanto, optamos por desenvolver a habitação, indicando que os equipamentos se situariam, ora no terreno, ora distribuídos no embasamento. O pré-moldado aparece como um elemento que se repete em todos esses equipamentos, constituindo um sistema estrutural único, porém flexível.

Dois conceitos

Além de seu caráter de intervenção urbana, cabe ao nosso conceito, mostrar que um sistema convencional pode configurar espaços inusitados, exatamente a partir da análise de diferentes escalas na cidade.

O terreno funciona como um parque inserido na paisagem urbana através dos equipamentos. A permeabilidade visual dos volumes delimita novas possibilidades ao entorno próximo.

Transição de escalas

Duas lâminas habitacionais detalhadas lidam exatamente com essa questão das escalas, e da forma como os diferentes níveis de entendimento fluem no projeto.

Esses edifícios são perfurados diagonalmente por pátios conectados através de uma circulação externa de escadas. Com isso, constituem-se unidades de vizinhança, uma transição do espaço individual ao de caráter coletivo, que levam ao parque.

As escadas costuram o edifício, quase como uma cidade de ladeiras, conectando-o com o plano verde. A configuração dos vazios representa uma progressão que conceitua um parque vertical. O parque não é o quintal do edifício.

Existem duas tipologias de apartamentos: uma duplex e uma kitchinete. As volumetrias diferentes destacam-se na fachada, juntando –se aos vazios e criando uma fachada dinâmica.

Implantadas num terreno acidentado, o edifício ganha pavimentos, conforme desce. É nesses locais que surgem alguns dos importantes equipamentos.

As duas lâminas são conectadas por um edifício corredor, que tem acessos a partir da Avenida Francisco Morato, tendo um pavimento de garagem, um de comércio, com visuais abertas ao parque, e um belvedere.

Um outro equipamento: o centro cultural, que organiza um desnível de 9 metros, une as atividades que ocorrem em planos diferentes. Todos esses equipamentos são constituídos dos mesmos sistemas construtivos.

O espelho d’ água é uma referência ao rio canalizado, organizando atividades lúdicas junto aos equipamentos.

O desenho

O projeto se concilia perfeitamente com a solução estrutural empregada. São pórticos bi-apoiados em consoles, com vãos de 10,20 x 7,15, com uma laje protendida alveolar que vence esse vão.

São pilares contínuos de até 31metros, utilizando três vigas diferentes: as que vencem os pórticos transversalmente, uma outra que trava, localizada no primeiro e no último andar, longitudinalmente, travando e dando acabamento à fachada, constituindo a função de platibanda.

A fachada é recuada pela utilização de pilares com consoles de apoio Gerber, conferindo proteção e sombreamento às áreas internas.

As lajes são de piso, alveolares, em concreto protendido, permitindo furos, para a passagem de condutos elétricos. Essa laje tem 1metro de largura, 15cm de altura, vencendo 7,15metros.

Os apartamentos foram modulados a partir da laje, com fechamento em painéis de concreto fixados à estrutura e vidro, além venezianas metálicas na fachada, e divisórias de madeira, que garantem o fechamento do módulo hidráulico, conferindo maior flexibilidade à unidade de habitação.

Esse sistema vai de encontro ao raciocínio da fachada criado. Sai uma laje, e entra uma escada, de concreto pré-fabricado, organizando essa circulação, sendo também um elemento visual que indica a ligação com o parque.

A circulação vertical ocorre através de elevador e escada, dentro de um módulo U, pré-fabricado, acoplado à estrutura da fachada.Dadas as proporções dessa estrutura, temos um sistema hiperestático, sendo os encaixes concretados.

Conclusão

Esse sistema apresenta uma grande vantagem, em uma área com tais proporções, facilitando carga e descarga, ou até mesmo permitindo fabricação in loco.

Apesar do concreto ser uma estrutura pesada, procuramos a partir desse mesmo sistema industrial, conferir leveza à composição. Não buscamos trabalhar o terreno como um grande conjunto habitacional. O conceito do projeto está exatamente nessas lâminas que configuram um espaço fechado, contraditoriamente, abrindo-o visualmente, criando novos enquadramentos da cidade, não constituindo uma barreira, nem visual, nem física, oferecendo um novo equipamento à cidade.

Propõe-se a aproximação do indivíduo ao parque em escalas diversas. A estrutura é o intermédio dessa interação.

ficha técnica

Projeto
Parque de Equipamentos Vila Sonia – Bloco Habitacional
Alunos
Vanessa Grossman, Marcos Leite Rosa e Pedro Mollan Saito
Orientador
Milton Braga
Instituição de Ensino
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo
Cidade
São Paulo – SP

source
Autor
São Paulo SP Brasil

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