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architexts ISSN 1809-6298


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Elvio Araújo fala sobre as experiências do arquiteto Éolo Maia em Campo Grande, aonde esteve pela primeira vez em 1989


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GARABINI, Elvio Araújo. Éolo Maia em Campo Grande MS. Arquitextos, São Paulo, ano 03, n. 029.07, Vitruvius, out. 2002 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.029/742>.

O mês de agosto deste ano de 2002, para arquitetura brasileira aconteceu em setembro. Recebo a informação do falecimento (16/9), em Belo Horizonte, do arquiteto Éolo Maia, vitima de malvado câncer. Nascido em Ouro Preto MG, em 1942, diplomou-se pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG.) em 1967, no curso de Arquitetura e Urbanismo. Trabalhou como engenheiro de obras em Brasília DF, na década de 1970, onde projetou o Colégio Pré-Universitário (1971-2). Retornou a Beagá, cria o escritório próprio e ali permaneceu. Conheci-o desde o final da década de 1980, não poderia assim deixar de narrar a surpreendente liberdade do arquiteto mineiro em se manter fiel ao seu partido e aos seus trôpegos passeios pela nossa capital.

Avesso a dogmas e rótulos, irrequieto e “brega” possuía um tipo físico semelhante, mas não igual, às esculturas de Aleijadinho, seu conterrâneo.

Mineiro, como já disse, falastrão e simpático, “considerava a escola o que eu aprendi com os colegas. Minha geração – contínua ele – foi muito influenciada por coisas muito diferentes, e Minas Gerais é um Estado que não é norte nem sul, tem uma mistura muito grande. Vêm coisas de fora e coisas daqui, e a gente cria em cima. Mas o dialogo sobre arquitetura é visto meio complicado, porque não estão acostumados com isso, ainda no Brasil” (1991).

Conforme Jorge Glusberg, Diretor do Centro de Arte e Comunicação (CAYC) de Buenos Aires, ex-presidente da Associação Internacional de Críticos de Arte, “é um guerrilheiro da arquitetura”, referindo-se a Éolo. Compreendo e não compreendo. Subversivo sim, ao não se limitar a pertencer às correntes racionalista ou brutalista, subvertia ao praticar a arquitetura do autor. “Ele é um dos motores de arranque de uma nova versão da arquitetura brasileira”, diz Carlos Bratke.

Éolo trabalhava sob o fio da navalha, apelidado de neobarroco e “pós-moderno mineiro” por alguns de seus colegas, rebatia apelidando suas criações arquitetônicas. Assim foi com o Centro de Apoio Turístico ou “Rainha da Sucata” (1984-85), Academia de Ginástica Wanda Bambirra ou “Uai-tech” (1997-98), além do “pós-moderno patropi”, recebeu inúmeros prêmios, entre outros cito: Medalha de Ouro na II Bienal da Argentina em Buenos Aires (1987) e o Prêmio Latino-Americano Diário e Nova Geración na Bienal de Buenos Aires (1995), além de professor da EAU-UFMG, participou de vários concursos de projetos arquitetônicos, tendo em equipe, obtido o primeiro lugar no recente Concurso de Projeto Arquitetônico para a Sede do “Grupo Corpo”, a ser construído em Nova Lima, região metropolitana de Beagá, com 18 mil metros quadrados. Lançou as revistas Pampulha, Vão Livre, além dos jornais “3 Arquitetos” e “Arquitetos”.

Em Campo Grande, Éolo Maia esteve pela primeira vez à convite da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – antiga Cesup, hoje Uniderp – proferindo palestra sobre Arquitetura Pós-Moderna no Brasil. Nesta sua estada (1989) o autor do texto e o arquiteto Gogliardo Maragno fizeram-se anfitriões, a começar na primeira noite na antiga cachaçaria “Confidências Mineiras”, quando fomos surpreendidos por um dos “donos” do estabelecimento, indo embora e nos passando a chave, deveriam ser duas da “matina”, falávamos de tudo não percebendo o estado etílico de cada um e, continuávamos... Uma outra vez, Éolo veio como um dos membros do júri para o Concurso Público de Idéias para Revitalização do Parque Laucidio Coelho (1991), sempre reclamando, com justiça, que deveriam lhe dar um projeto de arquitetura para ele elaborar, desde que seja em Campo Grande, repetia. Desta vez, acompanhado do prof. Miguel Pereira, de quem fui aluno na UnB, almoçaram aqui em casa. Veio também participar do júri para a sede da Famasul, juntamente com o arquiteto paulistano ex-presidente da Bienal de São Paulo, Carlos Bratke, coincidindo com a inauguração do “Horto Florestal”. Era figura cativante, amado ou odiado, para ele não tinha muita importância, queria era fazer “folia”, expressão por ele utilizada para significar festa. Festa fez ele e Bratke em minha moradia, após muita cerveja e churrasco com mandioca. O ex-presidente da Bienal, cantando Minha namorada, Éolo ao violão (mal tocado), enquanto Bratke ao microfone, digo meu telefone, serenateava um interurbano, que custou-me alguns “trocos”. Tarde da noite, ofereci meu carro ao Éolo para junto ao Bratke fossem para o Hotel, delicadamente o último achou muito arriscado, abandonando a idéia.

Não contente em somente vir, participou do Concurso Público para o Memorial do Primeiro Centenário de Campo Grande em 1998, obtendo o primeiro lugar, entre os 21 inscritos, infelizmente nossa municipalidade perdeu aquela que seria, certamente, uma referência prazerosa.

Confesso admirador da obra do arquiteto suíço Mario Botta, por quem se deixou influenciar em princípios dos anos 80, como afirma na Revista Projeto n. 176, simpatiza, a partir de meados da década de 90 com a arquitetura de Frank Gehry, pela sua imprevisibilidade desconcertante, facilmente perceptível no “Rainha da Sucata”, e na “Uai-tech, a primeira Centro de Apoio Turístico e a Academia de Ginástica.

Nos seus últimos depoimentos afirmava  que “o que teóricos e práticos estão querendo é uma fórmula de fazer arquitetura, ninguém procura pelo novo, só sei que quero fazer arquitetura com prazer e contemporânea“. Deixa saudades.

sobre o autor

Elvio Araújo Garabini é arquiteto formado pela UnB

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