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architexts ISSN 1809-6298


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AQUINO, Eduardo. A fotografia de Maxe Fisher. Arquitextos, São Paulo, ano 01, n. 005.02, Vitruvius, out. 2000 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.005/968>.

"A fascinação temporária por fachadas cria a impressão de uma existência que é só genuinamente conferida quando o interior do edifício se revela, como em semblantes humanos. A cara de uma pessoa significa realmente o que a pessoa é? Caminhar pelas ruas constitui uma maneira de descobrir o que está por detrás das fachadas, dentro dos edifícios, atrás dos semblantes. Vaguear, viajar de metrô ou ônibus, dirigir, andar de bicicleta; a viagem do voyeur urbano escava arquiteturas e gente, ao mesmo tempo que ensaia encontrar a si mesmo na complexa teia da cidade." Eduardo Aquino

"O mundo que construímos e os artefatos que produzimos em massa surgem e existem para o nosso próprio consumo quando continuamos ingênuos e desconectados dos seus processos e tecnologias. Consentindo, adotamos novas tecnologias sem nunca ter vivenciado as anteriores que agora descansam desprezadas e em abundância." Maxe Fisher

"Uma foto não é uma imagem em tempo real. Ela retém o momento do negativo, o suspense do negativo. A fotografia preserva o momento do desaparecimento e então o charme do real, de uma vida prévia. Cada objeto fotografado é meramente um traço deixado pelo desaparecimento de tudo o mais. Do pináculo de tal objeto, excepcionalmente ausente do resto do mundo, se tem uma vista imbatível do mundo. O silêncio da fotografia é uma de suas qualidades mais preciosas. A solidão do objeto e o seu silêncio temperamental. Se existe um segredo da ilusão ele envolve assumir o mundo pelo mundo e não pelo seu modelo." Jean Baudrillard, em The Perfect Crime.

"A história não constitui verdade mas sim continuidade, de acordo com John Ralston Saul. É uma memória constante. Dentro de ambientes tão despossuídos de vida sobrevive o pensamento, idéia e memória, e uma circunstância para criar novas compreensões do nosso contexto contemporâneo. Estas indústrias, um dia tão poderosas e dominantes, têm se transformado em esqueletos pungentes, alojando os segredos da própria existência, e por extensão, os nossos próprios segredos." Maxe Fisher

"O abandono urbano cria um espetáculo pós-industrial que poucos têm a oportunidade de vivenciar pela sua inacessibilidade. Tal caráter fantasioso proporciona uma paisagem mais rica do que muitos projetos de revitalização, que tendem a tornar anti-séptica esta mesma paisagem. A estratégia marginal através da invasão voluntária e ilegal destes espaços para o seu registro acentua o aspecto enigmático destas imagens, funcionando assim como um contraponto crítico à indiferença de urbanistas e políticos, que tendem a aniquilá-los como possibilidade de reinvenção urbana ou simplesmente como poesia. Como conseqüência, às vezes é melhor deixar tais condições intocáveis do que removê-las da textura original e da qualidade histórica do lugar." Eduardo Aquino

"Simplificando as coisas: qualquer encanto com o passado não deve ser sentido fora do reconhecimento completo do presente. Qualquer uso do passado que nos isole do viver presente é covarde, trivializante, e na pior das hipóteses desesperador. Reliquiarismo pode ser usado como na maioria das drogas como um redutor da mente. Como vivemos no presente, devemos ter em mente que fazemos parte de uma civilização cuja fatalidade encontra-se em conceber o tempo enquanto historia. Portanto, por vivermos no agora, a tarefa da reflexão entre aqueles constrangidos a algo que os impede de dizer sim completamente ao tempo enquanto historia, não está em inocular-se contra seu presente mas antes de tudo fazer parte, revelando o que está sendo pensado nesse presente." George Grant em Time as History.

"Uma vez dentro e viajando sozinha através espaços misteriosos e corredores enigmáticos, decifro a arqueologia residual. A cada ano que passa, as construções envelhecem exponencialmente e são reduzidas unicamente aos elementos mais puros da arquitetura. O edifício se torna o próprio guia. Ele guia através dos espaços, horizontal e verticalmente, sob a sua estrutura até o desconhecido, até os espaços indefinidos da produção industrial. Alguém entrou neste labirinto voluntariamente." Maxe Fisher

"O passado passou, e só o presente é real, mas a atualidade do espaço tem isto de singular: ela é formada de momentos que foram, estando agora cristalizados como objetos geográficos atuais; essas formas-objetos, tempo passado, são igualmente tempo presente enquanto formas que abrigam uma essência, dada pelo fracionamento da sociedade total. Por isso, o momento passado está morto como ‘tempo’, não porém como ‘espaço’." Milton Santos em O Presente como Espaço.

notas

1
Maxe Fisher vem fotografando sítios industriais abandonados, especialmente nos arredores de Montreal, por mais de quinze anos. Ela é desenhista industrial, tendo desenvolvido projetos de tecnologias avançadas, como as de realidade virtual, e objetos de uso cotidiano. Leciona desenho industrial no Dawson College em Montreal, e é estudante de mestrado em artes plásticas na Concordia University.

[editoria e tradução Eduardo Aquino]

sobre os autores

Eduardo Aquino acabou de realizar o projeto Tapume (Re-partição) no Centro Cultural São Paulo. Leciona projeto ambiental na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Manitoba, em Winnipeg, e Artes Interdisciplinares no Goddard College em Vermont (EUA).

Maxe Fisher vem fotografando sítios industriais abandonados, especialmente nos arredores de Montreal, por mais de quinze anos. Ela é desenhista industrial, tendo desenvolvido projetos de tecnologias avançadas, como as de realidade virtual, e objetos de uso cotidiano. Leciona desenho industrial no Dawson College em Montreal, e é estudante de mestrado em artes plásticas na Concordia University.

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