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Apresentação do arquiteto Severiano Mario Porto pela Profa. Dra. Elizabete Rodrigues de Campos Martins na outorga do título Professor Honoris Causa, em 19 de novembro de 2003


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RODRIGUES DE CAMPOS, Elizabete. A arquitetura brasileira de Severiano Mario Porto. Arquitextos, São Paulo, ano 04, n. 043.08, Vitruvius, dez. 2003 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.043/631>.

Há poucos dias, em uma conversa telefônica, Severiano demonstrou-se sensibilizado com a lembrança desta homenagem uma vez que, por longo tempo, vivendo em Manaus, distanciara-se desta universidade. Expliquei-lhe que a distância impeditiva do estabelecimento das relações de proximidade entre nós, da FAU, jamais existiu fisicamente. Nossa relações nunca se perderam e, ao longo de todo esse tempo, esse contato havia se realizado através da nossa escolha em comum: o ofício da arquitetura. Seu ofício como arquiteto não permitiu que nos afastássemos, permitindo-nos também e às novas gerações reconhecer, no conjunto de sua obra, o mérito desta homenagem.

Certamente, homenagear o arquiteto Severiano Mario Porto como Professor Honoris Causa da UFRJ é um fato histórico de grande relevância para todos nós: arquitetos e futuros arquitetos, professores e para esta universidade da qual sua história profissional também leva marcas. É relevante também para o Instituto de Arquitetos do Brasil, instituição com a qual Severiano tanto contribuiu. Mas esta data é importante, sobretudo para a própria arquitetura brasileira no que ela possui de mais forte, simples e seu.

Severiano Mario Vieira de Magalhães Porto, mineiro de Uberlândia, forma-se na turma de 1954 da Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, na Escola de Belas Artes no centro onde, como ele próprio explica, “tínhamos uma noção global do curso desde o principio, havia muita integração entre os alunos. Na época viviam-se coisas muito criativas na arquitetura, até sem perceber ou sentir claramente, era uma fase de importantes exemplos de nossa arquitetura, embora esparsos e fruto de um país jovem e sem muito compromisso” (2).

Esta vivência criativa tão bem percebida e claramente sentida o impulsiona, em 1963, a escolher Manaus “porque era o lugar mais longe que imaginei” (3) para conhecer de férias com a família. Foi uma viagem presenteada por um amigo que o pai trabalhava em uma companhia aérea. Dois anos após ele é novamente convidado, desta vez por um amigo e antigo vizinho, Arthur Reis, então governador da Amazônia, a retornar a Manaus para reformar o palácio do governo e projetar a Assembléia Legislativa do Estado. Embora não realizados, estes projetos o levaram ao envolvimento em outras atuações; a reforma de um posto de saúde para a Legião Brasileira de Assistência e o projeto de uma escola que projetou em madeira pré-fabricada. Foi a primeira subversão de Severiano e sua primeira imersão na dimensão amazônica que começava a entrar, pouco a pouco, na sua vida. Ele lembra: “na época, acharam que madeira era obra de pobre, o governo queria uma imagem de permanência” (4), mas a realização destes projetos e as cansativas idas e vindas ao Rio de Janeiro levaram a que se transferisse, em 1966, com a família para Manaus.

“Construí uma casa de madeira junto de um igarapé; na época não era costume, apenas as pessoas do povo moravam assim” (5). Estava feito o pacto do homem e do arquiteto, com os povos da floresta.

Este generoso desprendimento de se posicionar frente ao mundo propiciou justamente ao arquiteto, etnógrafo nato, a entender através do olhar arguto os elementos que, pouco a pouco, descortinavam uma região mostrando-se fundamentais para a construção de uma outra paisagem. “Foi observando o pessoal nativo – os seringueiros, para mim, gigantes que cruzam a floresta amazônica a pé e passam meses embrenhados na mata, levando uma bagagem mínima, enfrentando toda sorte de problemas até grande onças que a gente pode encontrar mesmo perto de Manaus – que aprendi sobre o fazer regional” (6). E embrenhando-se neste caminho Severiano desenvolvia uma “outra modernidade”, como explicou Ruth Verde Zein: “não modelos arquitetônicos a seguir, mas sem dúvida uma proposta, através do exemplo de sua atuação, para um “perfil de arquiteto” (7).

Foi esse perfil que Severiano construiu no percurso do seu oficio – no campo da criação, do desenvolvimento projetual e no da construção – exercitando, com muito rigor, seus sentidos. O olhar sobre a geografia e suas nuances, o escutar do homem local sobre materiais, métodos e técnicas, seus costumes, construindo num tempo compassado e firme da sabedoria adquirida sua teoria da arquitetura brasileira regional.

E a simbiose é tamanha que a própria imagem da arquitetura amazônica passa também a se transformar no perfil do arquiteto Severiano. É assim pelo menos que ele é visto nos traços de Paulo Caruso e é celebrado em 1987 como o Homem do Ano em uma das mais célebres revistas de arquitetura da Europa a L´Architecture d’Aujourd’hui (8). O homem já não é mais homem, é abrigo, é teto, é casa, pássaro e floresta que se misturam compondo uma arquitetura em madeira e palha que envolve a cabeça, e formam a cabeleira e o rosto do Severiano.

A singularidade desse homem-casa-floresta começa, entretanto, a ser reconhecida desde os anos 60. Já na terceira premiação anual do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB – do Rio de Janeiro em 1965, ele apresenta o “tartarugão”, o estádio de futebol Vivaldo Lima na Amazônia, que é laureado com “Menção Honrosa”. O parecer dos jurados já observava: “solução simples, conduzida corretamente, integrada ao sitio e bem de acordo com a escala do problema” (9).

Dois anos após, projeta e executa com madeira e palha, típicos na região amazônica, em pouco tempo e com baixo custo o restaurante Chapéu de Palha, premiado na VII premiação anual do IAB-RJ em 1967 “pela simplicidade bem sugere as origens e tradições locais” (10), afirmando a brasilidade da arquitetura do autor em um tempo em que se multiplicam construções anônimas, concretos aparentes e o funcionalismo marca cidades e regiões por todo o Brasil, com sua mesma marca pouco imaginativa, rígida e inadaptada.

Em 1971 recebe novamente do IAB o “Prêmio Marcelo Roberto” com o projeto para sua própria residência pela “excelente proposta do autor, coerente, elaborada com vocabulário brasileiro, com uso adequado dos materiais, respeitando o meio ambiente, sem se alienar da técnica contemporânea” (11).

Com o projeto para o reservatório d’água COSAMI recebe o prêmio em 1972; com o projeto para a Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA é laureado em 1974 e com o projeto para residência unifamiliar do Sr. Robert Schuster o prêmio de 1978, todos atribuídos na premiação anual do IAB.

Quatro anos depois, em 1982, o prêmio é recebido com o projeto para a Pousada da Ilha de Silves quando um Severiano plenamente maduro afirma o peso de seu próprio gesto e de suas escolhas. “Não se trata de um hotel convencional. Lá é lindo. Um lugar pequeno, de difícil acesso, distante de avião 50 minutos de Manaus. É um povoado de nativos, com cerca de mil habitantes que vivem basicamente da caça e da pesca. Tem uma igreja, a escola, botecos, uma agência do Banco do Brasil e uma cadeia que vive de portas abertas, pois não tem ninguém preso” (12). O rebatimento da explicação do arquiteto sobre a especificidade do local e da arquitetura sóbria e simples que concebe manifesta-se na expressão critica dos jurados. “O júri se sente gratificado diante deste trabalho. É raro o prazer de admirar uma arquitetura tão bem realizada, com tal integração material / linguagem / criatividade / resultado, onde se vê o domínio do arquiteto sobre o material, e uma linguagem coerente com a Amazônia desvinculada de estereótipos” (13).

Silves seria outra vez reconhecido com o “Premio Universidad de Buenos Aires”, na Bienal de Arquitetura de Buenos Aires em 1985 que enfocava a análise crítica do conceito de identidade e região. Na ocasião outras atividades foram organizadas como o primeiro Seminário de Arquitetura Latino-Americano no qual a grande surpresa foi justamente a exposição de Severiano Mario Porto.

Como escreveu Marina Waiseman: “Sua exposição se referiu uma outra vez, sem grandes preâmbulos teóricos, as suas intenções – tão bem realizadas, além disso – de utilizar em cada lugar os materiais, as técnicas e a mão de obra existente, sem se ater cegamente às tradições, mas, ao contrário, utilizando todos os recursos possíveis que os conhecimentos técnicos contemporâneos dispõe para melhorar soluções ou para inventar novas. (...) A formula de Porto para uma arquitetura “do tempo e do lugar” como diria Browne, parte, pois, da tecnologia. Mas uma tecnologia imaginativa” (14). Ou seja, a que mergulha no passado local e habilmente o reinventa, criando novas formas que caracterizarão outra modernidade da arquitetura, sócio e culturalmente ambientadas.

Mestre na busca do passado para reinventar o presente, determinado como o seringueiro que em seu exílio foi possível observar, o arquiteto brasileiro além do prêmio e de surpreender a crítica pela simplicidade de sua exposição teórica insistiu, naquele momento, na importância de nos reconhecermos enquanto latino-americanos capazes de criar arquiteturas, suas formas e teorias, identificando-nos: Ele declararia na ocasião: “Vivemos lendo livros estrangeiros, e queremos entrar nos padrões europeus. Não nos libertamos disso nem [neste Seminário Latino-Americano] onde se precisou convidar europeus e japoneses para não ser uma simples bienal” (15).

Porém, na construção desta trajetória Severiano Mario Porto não se exilou e também aqui ensina, deixa exemplo de amizade, de confiança mútua, de respeito. Associou-se, por exemplo, com seu colega de turma da FNA Mario Emílio Ribeiro para desenvolver, Severiano, em Manaus, e Mario, no Rio de Janeiro, as co-autorias que estruturaram e resultaram nessa identificação da arquitetura brasileira da Amazônia. De fato, é um enorme saber, inclusive, saber escolher os parceiros que nos completam e nos realizam a nós mesmos. A associação Severiano-Mario também seria reconhecida pelo IAB na XXIV premiação em 1986 quando ambos são premiados como “Personalidade do Ano”.

Escrevendo sobre a premiação, Ana Luiza Petrik Magalhães ex-estagiaria dos arquitetos, ressalta as particularidades do processo de criação explicando o cotidiano do escritório dos arquitetos. “À uma concepção inicial quase sempre bastante precisa, segue-se um absoluto rigor no desenvolvimento dos projetos, com uma coordenação que valoriza a integração entre espaços, técnicas, instalações, materiais, e que desdobra, afinal em um acompanhamento criativo da obra. Destaco esse aspecto de vinculação estudo / detalhe / coordenação / obra porque tal processo não é fácil; ao contrario, requer discernimento, vontade, muito empenho, muito trabalho. Por isso mesmo identificar até aonde vai a participação de um e a contribuição do outro nos projetos e nas obras executadas não é possível. Nem necessário. Basta-nos o resultado alcançado” (16).

Na XXV premiação do IAB Nacional em 1987, esse resultado agora tem duplo reconhecimento. Os projetos para o Campus da Universidade da Amazônia e para o Centro de Proteção Ambiental Balbina recebem o prêmio do IAB-RJ e a Menção Honrosa pelo conjunto da obra no Prêmio Anual Nacional. “Os trabalhos apresentados pelos arquitetos destacam-se não só seus evidentes valores arquitetônicos excepcionais, mas, pelo que representam em termos de pesquisa, seja por abrirem horizontes para o desenvolvimento de tecnologias novas, com grande interesse nacional, seja pela busca de uma melhor e mais profunda integração da arquitetura com a natureza equatorial da Amazônia. Sem abrir mão dos avançados recursos materiais e técnicos contemporâneos, os arquitetos não vacilam em aproveitar as tradições culturais indígenas no trato da madeira e das estruturas espaciais. O Campus da Universidade de Manaus e no Centro de Proteção Ambiental de Balbina, constroem “espaços que respiram” com uma linguagem plena de modernidade, sem concessões ao exótico e ao pitoresco” (17).

Poderíamos ainda muito falar do arquiteto Severiano Mario Porto, de sua ação que vai evoluindo da arquitetura, da técnica e da forma, para uma concepção ecológica ainda mais vasta, exemplificada em tantos projetos. Mas gostaríamos de evocar também o homem de fala lenta, baixa, doce. Gostaríamos de evocar o “cavaleiro de todas as madrugadas do universo”, título que figura entre tantos outros diplomas nacionais e internacionais em seu currículo, e que lhe foi outorgado pelo “Clube da Madrugada” de Manaus por seu enorme talento em criar uma arquitetura amazônica, cuja simplicidade tanto buscamos (18). Como havia falado, sobre o arquiteto brasileiro, nosso antigo diretor da ENBA, Lucio Costa : “Se ele for bem formado, com sentimento brasileiro natural, sem afetação (tudo que é bom brasileiro tá imbuído do simples, seja mineiro, paulista, nordestino, carioca)” (19), e como Severiano tão bem mostrou, também amazônico. Ele não só fez e atualizou a boa arquitetura no país como não se esqueceu tampouco que o próprio objetivo da arquitetura não se restringe à proteção física, mas oferecer um quadro às ações e às estruturas sociais e representar e ser, ela própria, uma cultura.

Severiano Mario Porto nós é que devemos lhe agradecer por sua ação construtora e construtiva, por sua obra e sua arquitetura naturalmente brasileira (20).

notas

1
Apresentação do arquiteto Severiano Mario Porto pela Profa. Dra. Elizabete Rodrigues de Campos Martins na outorga do título Professor Honoris Causa, em 19 de novembro de 2003: Salão Pedro Calmon, Fórum de Ciência e Cultura. Agradecemos Vicente Wissenbach e Paulo Caruso pela autorização da reprodução da charge que ilustra este artigo.

2
PORTO, Severiano Mário. A longa trajetória, da efervescência cultural do Rio a Manaus. In Revista Projeto 83, São Paulo: Projeto Editores Associados, janeiro de 1986, p. 46.

3
PORTO, Severiano Mário. Id. Ibid, p. 46.

4
PORTO, Severiano Mário. Id. Ibid, p. 46.

5
PORTO, Severiano Mário. Id. Ibid, p. 47.

6
PORTO, Severiano Mário. Id. Ibid, p. 48.

7
ZEIN, Ruth Verde. Um arquiteto brasileiro: Severiano Mario Porto. In Projeto, n. 83, São Paulo: Projeto Editores Associados, janeiro de 1986, p. 44.

8
L´Architecture d’Aujourd’hui, n. 251, Paris, juin 1987, p. 10.

9
III Premiação Anual do IAB – GB, 1965. In Arquitetura, n. 44, Rio de Janeiro, IAB, fev. 1966.

10
Premio Categoria B-6 Edifício para fins recreativos. Restaurante Chapéu de Palha. In Arquitetura, n. 68, Rio de Janeiro, IAB, fev. 1968.

11
IX Premiação anual do IAB-GB, Prêmio Marcelo Roberto, Curriculum Vitae do arquiteto. Acervo NPD – FAU-UFRJ.

12
MONKEN, Luis César, Apud. MONAN, Maira. Destaques de Arquitetura. In Revista ADEMI, ano X, n. 101, abr. 1983, p. 14.

13
Prêmio IAB/RJ 1982. Curriculum Vitae do arquiteto. Acervo NPD – FAU-UFRJ.

14
WAISEMAN, Marina. Primer Seminário de Arquitectura Latinoamericana. Um auspicioso comienzo.In. Summa, n. 217, set. 1985, p. 27. Tradução da autora deste artigo.

15
PORTO, Severiano Mário. Apud. Depoimentos Latinoamericanos. In Projeto, n. 77, p. 48.

16
MAGALHÃES, Ana Luiza Petrik. Severiano Mario Porto – Mario Emílio Ribeiro. In Revista da XXIV Premiação Anual 1986, IAB RJ.

17
Parecer do Júri da XXV Premiação Anual do IAB-RJ. In Curriculum Vitae do arquiteto. Acervo NPD – FAU-UFRJ.

18
Texto da autora, citando os dizeres do Diploma do Clube da Madrugada de Manaus. In Curriculun Vitae do arquiteto. Acervo NPD – FAU-UFRJ..

19
COSTA, Lucio. Apud. ACAYABA, Marlene Milan. A premiação brasileira na Bienal de Buenos Aires. In Projeto, Tendências atuais da arquitetura brasileira. Vilanova Artigas 1915/1985, p. 7.

20
Ver sobre Severiano Porto em Vitruvius: SABBAG, Haifa. "Severiano Porto e a arquitetura regional", Editoria AC – Arquitetura.Crítica, n. 12, set. 2003 <http://www.vitruvius.com.br/ac/ac012/ac012.asp>; ZEIN, Ruth Verde. "Título de Professor Honoris Causa para Severiano Porto", Texto Especial Arquitextos 210, dez. 2003 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp210.asp>.

sobre o autor

Elizabete Rodrigues de Campos Martins é doutora e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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