Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
O artigo apresenta os temas conformadores das ações de proteção contidos em escritos e pronunciamentos de Rodrigo Melo Franco de Andrade, considerando que o desenvolvimento dos núcleos originais e o dinamismo urbano foram objeto de sua reflexão crítica.

english
The paper presents themes about the action of protecting included in statements of Rodrigo Melo Franco de Andrade, taking into consideration that the development of the original centers and the urban dynamism were a part of his critical thinking.


how to quote

GUIMARAENS, Cêça. Rodrigo Melo Franco de Andrade e a paisagem hiperreal do patrimônio. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.06, Vitruvius, out. 2012 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4543>.

Igreja de São Francisco de Paula vista do Grande Hotel, de Oscar Niemeyer, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra


Rodrigo, o homem de letras

Em “ligeira palestra ao Diário da Noite” publicada em maio de 1936, Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro diretor-geral do Serviço do Patrimônio, definiu da seguinte maneira a criação da entidade e os trabalhos iniciais: “Mais um relevante trabalho do ministro Gustavo Capanema ao país a criação do Serviço de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico, com a incumbência entre outras múltiplas e variadas, de realizar o tombamento geral dos monumentos e evitar a evasão de obras, objetos de arte e de história dignos de nossas tradições e do nosso apreço” (1).

Essa afirmação, no momento da criação do Serviço do Patrimônio (2) em plena vigência do Estado Novo, constituiu um marco na trajetória profissional de Rodrigo, então ilustre componente de importantes famílias de políticos, literatos e juristas das Minas Gerais.

O “dr. Rodrigo do Sphan”, em 1937, era um “jornalista, homem de letras e intelectual comprometido com o seu tempo” (3), neto do senador Virgílio Melo Franco e sobrinho de Afonso Arinos e de Afrânio e João de Melo Franco.

De acordo com a “Notícia biográfica” elaborada por Teresinha Marinho (4), Rodrigo Melo Franco de Andrade nasceu em Belo Horizonte no dia 17 de agosto de 1898, estudou na adolescência em Paris e cumpriu o curso universitário de Direito em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, onde se bacharelou em 1919. Quando se formou, Rodrigo foi bancário em São Paulo; a partir de 1919, e durante oito anos, foi oficial de gabinete do diretor da Inspetoria de Obras Contra as Secas no Rio de Janeiro.

Seus amigos eram os artistas modernistas e os “intelectuais dos mais em evidência”... “que tiveram posteriormente suas obras consagradas” (5), que viveram e atuaram nas cidades onde Rodrigo nasceu, estudou e trabalhou. Seu avô, o senador Virgílio, era um dos diretores do jornal O Dia (“de vida efêmera”, segundo Marinho) onde Rodrigo colaborou, iniciando a carreira jornalística no ano de 1921.

Destacando-se no jornal O Dia por suas críticas literárias que continham “originalidade, grandeza e elegância nas formas” (6), ele era um “homem de letras”, estudioso da vida e obra de Aleijadinho, poeta bissexto e contista muito elogiado de único livro – Velórios – publicado em 1936. Foi também colaborador do Estado de Minas, A Manhã, Diário de Notícias, O Estado de São Paulo, O Cruzeiro, Diário Carioca, Estética e Módulo; e publicou três livros: Brasil, monumentos históricos e arqueológicos (México, 1952), Rio Branco e Gastão da Cunha (Rio de Janeiro, 1953) e Artistas coloniais (Rio de Janeiro, 1958).

Em 1924, trabalhou na Revista do Brasil, adquirida em 1926 por Assis Chateaubriand, onde foi colega de Monteiro Lobato. Nessa Revista, Rodrigo exerceu as funções de redator-chefe promovendo sua renovação, pois, desde 1922, tornara-se mais “um porta-voz” do Movimento Modernista, liderado por Mário de Andrade (7). Trabalhou durante dez anos e foi diretor-presidente de O Jornal, também pertencente a Chateaubriand. Nesse periódico, entre 1928-1930, escreveu na coluna “Boletim Internacional” e no “Rodapé de crítica literária” “sobre política, jornalismo e imprensa, atividade pública, educação, literatura, caricatura, humor e outros assuntos que se apresentavam no cotidiano.”

Em 1930, convidado por Francisco Campos – primeiro ministro da Educação e Saúde – assumiu a chefia de gabinete por cinco meses. Nesse cargo, promoveu a contratação do arquiteto Lucio Costa para a direção da Escola Nacional de Belas Artes. Em seguida, chefiou, também por pouco tempo, o gabinete do secretário-geral de Viação e Obras Públicas da Prefeitura do Distrito Federal. Em 1934, integrou o grupo de assessores do gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde até 1945. A partir de 1936, as referências sobre Rodrigo – então chefe do gabinete de Capanema – destacam sua participação na fundação e consolidação do Serviço do Patrimônio, instituição subordinada ao Ministério da Educação e Saúde.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, arruamento e casario, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

Durante as três décadas (1937-1967) em que Rodrigo dirigiu o Patrimônio, trabalharam com ele Mário de Andrade – autor do anteprojeto de criação do Serviço – Lucio Costa e as equipes formadas com “pesquisadores, historiadores, juristas, arquitetos, engenheiros, conservadores, restauradores, mestres-de-obras”, além de intelectuais, artistas e poetas (8).

Mais tarde, em 1961, Rodrigo disse que o Estado Novo foi um período “ominoso” (9). Então, ao escrever sobre a viagem de Joaquim Cardoso ao Rio, afirmou que aquele foi um período em que Pernambuco, atravessava “a vigência de um regime de estupidez discricionária” (10). Nesse contexto, observa-se que, segundo Fonseca, “algum grau de ambiguidade e resultados diferentes” (11) marcaram a posição dos intelectuais que conduziram as políticas de preservação nas décadas de 1930 e 1970/1980. A politização da cultura e as articulações com os grupos privados (ou governamentais contrários ao poder dominante), e com os líderes dos movimentos sociais parecem ter sido, portanto, mecanismos integrantes das políticas que, em momentos decisivos, fixaram as práticas públicas de preservação no país” (12).

Para Rodrigo sua longa tarefa era considerada missão.

Portanto, cotidianamente, ele identificou e administrou – preservando e promovendo – a produção cultural de natureza histórica, artística, paisagística, etnográfica e arqueológica dita nacional. Para evitar demolições e destombamentos, de modo incansável, ele trabalhou sob “incompreensões de setores da população, das próprias autoridades, do clero, de escassez de verbas, de demandas na justiça para tombamentos” (13).

Marinho resume o trabalho de Rodrigo no tempo do PHAN heróico e descreve as impressões que este deixou na mente dos funcionários afirmando que:

“Obras de conservação, consolidação e restauração realizaram-se em proveito dos bens tombados; foram empreendidos estudos e pesquisas relacionadas com a história e a arte no país em diversas áreas; organizou-se arquivo de documentos e dados colhidos em arquivos públicos e particulares, de irmandades sobretudo; iniciaram-se os trabalhos de inventário dos bens tombados; reuniu-se valioso arquivo fotográfico e estruturou-se uma biblioteca rigorosamente especializada; o laboratório-ateliê recuperava obras de pintura antiga, escultura e documentos; o setor de museus apoiava o surgimento de novas unidades nos monumentos tombados e assegurava a preservação das edificações e do patrimônio móvel edificado” (14).

Em 1961, Rodrigo escreveu a um colega argentino, confessando:

“Continuo preso ao posto de chefia da DPHAN enleado nas mesmas dificuldades de sempre, que me parecem aflitivas à medida em que me sinto envelhecer. Desejo cada dia mais aposentar-me mas não consegui ainda alcançar a ociosidade a que aspiro tanto” (15).

O primo Afrânio de Melo Franco, embaixador em Bruxelas, foi, no ano de 1966, confidente para a troca de ideias e impressões sobre as pressões do “atual presidente da República” para que Rodrigo se aposentasse em razão da sua “permanência, por 30 anos no mesmo cargo” (16). Então, Rodrigo promoveu, junto aos ministros da Educação e Cultura, seu sucessor – o colaborador e arquiteto Renato Soeiro – e se aposenta em 1967.

Após assumir o cargo de conselheiro no Conselho Consultivo do Iphan, faleceu no ano de 1968 em razão de doença cancerígena.

Vista da cidade a partir da Casa do Conto, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

A breve biografia que aqui me serve de referência foi gentilmente elaborada por Marinho para revelar a “versatilidade, agudeza, honestidade e sensibilidade”, que foram as virtudes do “espírito de Rodrigo” (17).

Assim, confirma-se que, dessas mesmas categorias, constituíram-se a ética e a estética do “espírito do PHAN”. Este “espírito” flexibilizou normas e desestabilizou dogmas que, oportuna e apropriadamente, ele criou.

Permanência e transformação: pedra e cal

A largueza da visão histórica de Rodrigo Melo Franco de Andrade e do seu grupo acerca do conceito de patrimônio incluía a determinação da natureza física e do valor dos bens culturais, abrangendo “coisas” que simultaneamente eram documento e monumento.

Essa abrangência manifestava, acima de tudo, a compreensão das categorias próprias do universo físico e do “lugar” concreto em que os bens culturais estavam situados. Ao observar os escritos de Rodrigo, constata-se que, quando “monumento” remete à pedra, é permanência; e quando remete à cal, é “documento”, transformação.

Os significados de História e memória estavam aí contidos. E, na permanência e na transformação, encontrava-se, para ele, o sentido do lugar.

Para Rodrigo, o universo concreto e social onde se elaborava e realizava a produção cultural era, ao mesmo tempo, o lugar físico onde a sociedade integrava materialidade e imaterialidade. Portanto, “Aquilo que se denomina Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – por ser espólio dos bens materiais móveis e imóveis aqui produzidos por nossos antepassados, com valor de obras de arte erudita e popular, ou vinculados a personagens e fatos memoráveis da história do país – é o documento de identidade da nação brasileira. A subsistência desse patrimônio é que comprova, melhor do que qualquer outra coisa, nosso direito de propriedade sobre o território que habitamos” (18).

A ampliação do conceito de espaço físico, em que ele agregava o espaço social, revelava-se ainda na entrevista ao jornal O Globo no ano de 1936, quando Rodrigo explicava que a sua “missão” compreendia “a proteção a tudo que fala da nossa vida de povo e traduz o sentimento artístico da nossa gente desde o seu primitivismo até as fases mais adiantadas de sua evolução” (19).

Ladeira de acesso à igreja São Francisco de Paula, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

A referência ao “sentimento artístico” presente nessa frase e a proteção de “tudo que fala da nossa vida de povo” enquadravam as “fases mais adiantadas de sua (dele, povo) evolução”. Então, para Rodrigo, a evolução tornaria a permanência dos significados simbólicos efêmera, e, consequentemente, a transformação das coisas e lugares estaria desde sempre determinada. Assim, o raio de abrangência do conceito da produção material denominada “patrimônio nacional” atingiu, desde os tempos de Rodrigo, as raias do intangível e do imaterial.

O documento-monumento nas fronteiras rodrigueanas

Para o “homem de letras” Rodrigo Melo Franco de Andrade, o território do monumento era o lugar do documento, pois era assim que a singular natureza do documento configurava o ambiente composto do meio físico e cultural. Um exemplo significativo do que Rodrigo compreendia na condição de “documento”, em sentido restrito, está registrado na crônica “Um testamento do século XVIII” publicada em A Manhã, no ano de 1943 (20).

Nesse pequeno texto ele comenta o livro de registros das “declarações e disposições da última vontade de 10 ou 12 habitantes de Vila Rica”. Passível de ser interpretado na condição de metáfora ou fábula, o escrito de Rodrigo desvela a largueza de sua visão no que diz respeito aos termos designativos de bem cultural.

Na fala rodrigueana, os suportes dos registros dos bens “de valor” que deveriam ser herdados são o papel e a tinta. Desse modo, em ampla interpretação, os projetos, em que foram traçadas as cidades e lugares, são documentos de valor que contêm a ideia, o sentido da vida das populações, e a memória das florestas, rios e mares com seus bichos e ventos, cantos e silêncios.

Nessa crônica, a ideia de Rodrigo sobre documento material e imaterial está assim contida: “A legenda de um homem inteiramente feliz ficou inscrita, com expressão memorável, num livro pertencente ao Arquivo da Ordem Terceira de São Francisco de Assis de Ouro Preto. É um belo volume, de grande formato, encadernado em pergaminho e datado de 1752” [...] (que) “contém informações de valor inestimável sobre a mentalidade, os costumes e os haveres da população local durante aquele período” (21).

Prosseguindo, Rodrigo sugeria que o documento ou o livro seria

“fonte para o estudo das características de mobiliário regional setecentista, inclusive utensílios de adorno, de ouro e de prata, (e) não poderia desejar nada mais preciso e interessante, a despeito das descrições de bens nem sempre serem minuciosas. Até mesmo para o conhecimento dos tipos e sistemas de construção, usados na época em Vila Rica, esses testamentos fornecem subsídios muito valiosos” (22).

Rodrigo, na entrevista publicada no Correio da Manhã em janeiro de 1940, apresentou uma espécie de relatório resumido das atividades do Iphan, onde se incluíam as ações relativas ao “inventário dos monumentos” – que o repórter denominava de “verdadeiras bibliografias” – e ao “beneficiamento” dos museus, informava que, em 1939, da mesma forma que em outros estados, foram executadas obras de conservação no Distrito Federal e no Estado do Rio (23).

Após relacionar as obras realizadas pelo Iphan – que no antigo Distrito Federal se restringiram a recuperar “alguns dos velhos chafarizes” – e que estavam de acordo com o plano elaborado pelo ministro da Educação e aprovado pelo presidente da República, dizia Rodrigo: “os riscos a que estão expostos os monumentos nacionais decorrem também da execução de obras públicas ou particulares nas vizinhanças. Às vezes essas obras desfiguram a fisionomia do monumento ou lhe reduzem a visibilidade.”

Igreja Nossa Senhora do Carmo vista do Grande Hotel, de Oscar Niemeyer, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

Os limites dos monumentos – que fixam os entornos ou áreas sob a influência do bem, segundo o vocabulário técnico do Iphan – estabelecem restrições à inserção de construções novas nas imediações das “coisas” tombadas e constituem, portanto, o tema principal das teses preservacionistas. Assim, os textos, diálogos e relatos de Rodrigo e seus entrevistadores são significativos para a compreensão do entendimento do ambiente edificado a ser protegido e estrategicamente tratado com este sentido.

Nessa perspectiva, a entrevista publicada em O Jornal no ano de 1958 (24), é reveladora porque Rodrigo Melo Franco de Andrade ali discorreu sobre o “que mais importa ao Iphan: a proteção das características primitivas, do ambiente adequado”, onde se incluem, juntamente com os entornos ou fronteiras, os usos adequados nas vizinhanças dos monumentos.

Ao fazer considerações sobre as pretensões dos proprietários dos imóveis tombados, Rodrigo ressaltava que muitas vezes não as aceitaria, pois: “quer (porque) prejudicam o monumento em si, quer porque trariam consequências desastrosas para a paisagem” (25).

Nessa entrevista, Rodrigo lançou mão de um exemplo de entorno, ou seja, as fronteiras que delimitam a paisagem de um monumento, para comentar as restrições da missão de sua Diretoria. Para tanto, Rodrigo revelou que a Fundação Getúlio Vargas proprietária de terreno no entorno do edifício do antigo Ministério da Educação e Saúde, local em que se instalou a sede do Iphan, “Há algum tempo atrás, desejando construir um prédio para sua sede, na praia de Botafogo, aquela instituição pretendeu vender o terreno. Contudo, o Serviço do Patrimônio fez restrições a construções nessa área, o que prejudicaria sem dúvida o aspecto paisagístico do Ministério da Educação e Cultura, além de prejudicar a igreja de Santa Luzia, também monumento tombado” (26).

Ainda segundo Rodrigo, o Iphan desejava construir uma praça pública nesse terreno; mas, dizia: “o presidente da República [...] não acha conveniente [...] devido à situação em que o país se encontra” (27).

A cidade rodrigueana

Rodrigo Melo Franco de Andrade delimitou a sua concepção de cidade em contínua articulação de conceitos e significados; dessa maneira, objetos, diferentes tempos e as ideias das sociedades configuravam o espaço urbano, extensão indefinida que contém e envolve tudo e todos.

Também seria plausível supor que, para Rodrigo, o sítio, era mais do que a forma geográfica de “povoação ou aldeia” ou “lugar para construção”. Era o “lugar assinalado por acontecimento notável” (28). Entende-se, dessa maneira, que a expressão com que ele designava o “acontecimento notável” poderia traduzir a dimensão mutante do lugar. Pois, culturalmente, o lugar cede lugar para os fatos e acontecimentos históricos.

Em Rodrigo observa-se que os vocábulos cenário e relicário tinham em comum o fato de serem utilizados na condição designativa de lugar ou local da cena, mas, especialmente, lugar da cena de valor. Essa evidência encontra-se na entrevista publicada pelo O Diário de Belo Horizonte em 1940, que traz também referência à cidade de Ouro Preto na condição de cidade-monumento.

Vista do casario a partir da varanda do quarto do Grande Hotel, de Oscar Niemeyer, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

Cenário e relicário foram palavras-chave que enfeixaram a cidade nas declarações de 1940 à imprensa mineira, quando o diretor do Iphan, segundo o repórter, dedicava-se “com carinho à patriótica tarefa de reconstruir e guardar a arte nacional desde os seus primeiros ensaios até as suas mais requintadas manifestações” (29).

Ali registrou-se que o estado de Minas Gerais e, de modo ideal, Ouro Preto, eram para Rodrigo o “cenário mais importante de nossa história colonial e de quase todo o passado histórico do país.” Além disso, dizia, “é natural que essa preponderância” [...] “tenha constituído” (em Minas) “uma espécie de relicário dos grandes feitos e das grandes realizações nacionais” (30).

No texto “Conservação de conjuntos urbanos”, publicado no Jornal do Brasil em maio de 1970, encontram-se algumas definições e recomendações que podem ser reveladoras do pensamento rodrigueano sobre a cidade e o centro, que ele qualificava na condição de “sítios urbanos”. Para justificar a conservação dos sítios urbanos, Rodrigo inicia o texto conceituando-os ao afirmar que estes constituíam “criação notável e representativa da vida e da organização social de um povo, em determinada fase de sua evolução” (31).

Ao classificar os sítios urbanos “habitados ou ativos” e “decadentes ou arruinados” ele conferia às condições econômicas desses locais o papel de principal base de sustentação dos serviços para sua conservação. Assim, no caso dos sítios “povoados e relativamente ativos”... “as medidas destinadas a assegurá-la (a conservação) deverão evidentemente, atender às condições mais complexas da área interessada” (32).

O sentido fixado na expressão rodrigueana “condições mais complexas da área interessada” expressava e confirmava sua consciente percepção dos variados estágios econômicos e da influência das entidades políticas encarregadas e envolvidas na dinamização das cidades (ou dos seus centros originais).

Com o mesmo objetivo de ampliar a definição de cidade, na entrevista publicada em O Jornal no dia 29.06.1958, Rodrigo, discorrendo sobre a quantidade de bens tombados que já atingia aproximadamente a seiscentas unidades, inclui “algumas cidades inteiras, como Diamantina e Ouro Preto em Minas Gerais (que) são contadas como unidades” (33).

Portanto, de acordo com os registros de 1958, à maneira de 1940, para Rodrigo, a cidade sempre se configurou a partir do entendimento de conjunto integral e espaço do coletivo, e não da ideia de monumento estabelecido na condição de unidade isolada.

Um texto singular, motivado pela morte do arquiteto Atílio Correia Lima, publicado no jornal A Manhã de 24.09.1943 (34), talvez represente a forma completa da percepção, entendimento e reconhecimento de Rodrigo sobre as noções e as estratégias de intervenção em cidades históricas.

No texto de Atílio Correia Lima encontram-se todos os temas da cidade e as questões de sua arquitetura que, atualmente, são envolvidos pelas disciplinas que tratam do gerenciamento de um espaço urbano: história, geografia urbana e social, planejamento urbano, antropologia e preservação ambiental.

Grande Hotel, de Oscar Niemeyer, visto da Casa do Conto, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

Para Correia Lima e, também, para Rodrigo, o sentido de ordenar as aglomerações urbanas se conciliava perfeitamente com a indicação de “soluções simples e satisfatórias para os problemas de tráfego, de zoneamento e tantos outros relacionados com a vida moderna” (35).

Ao transcrever trechos da simples e densa análise elaborada em 1941 por Correia Lima sobre a formação física decorrente do desenvolvimento social de uma pequena cidade litorânea fluminense, Rodrigo comenta que o arquiteto, embora modernista, “não se deixou dominar por obsessões de especialista” e “manifestou, desde o início ... o maior escrúpulo em (não) prejudicar a feição característica e espontânea das formações urbanas de nosso país” (36).

Inteligente, sensível e valorizado pela capacidade técnica “muito rara entre nós”, segundo Rodrigo, Correia Lima apontava os “riscos” com que as normas municipais racionalistas, ao privilegiar o tráfego de veículos, ameaçavam “todo um valioso conjunto arquitetônico de raro encanto, onde de um só golpe de vista se descortinam, em harmoniosa consequência, edificações dos séculos XVII, XVIII e XIX” (37).

O centro histórico à luz do Iphan

Segundo Rodrigo Melo Franco de Andrade, a cidade do Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal, ao lado de Ouro Preto, “por pensamento” do ministro Gustavo Capanema, foi um dos primeiros locais a receber as comissões designadas para proceder aos atos de tombamento (38). No entanto, a localização e a situação político-administrativa do Rio de Janeiro foram determinantes para a flexibilização das normas protecionistas.

Sob a conotação de monumentos constitutivos da paisagem do Centro do Rio, os marcos naturais configuravam para Rodrigo um certo Rio que era:

“o povoado precário e pobre que aqui se formou e evoluiu” ... (e que ) ... “não superava ainda, quase dois séculos depois da morte de Estácio de Sá, as vilas mais populosas criadas ao longo do litoral e no interior do Brasil senão pela beleza estupenda da paisagem. As obras de maior vulto, – o convento e igreja de Santo Antônio, a Sé, o colégio e igreja dos jesuítas, o mosteiro e igreja de São Bento –, situavam-se no alto das colinas, com exceção do templo e residência dos carmelitas. Na área urbanizada entre o mar, os morros, os riachos e lagoas, os arruamentos e o casario se apertavam, constrangidos, sem que as melhores edificações conseguissem se destacar” (39).

Portanto, na perspectiva da modernização urbana que foi também produzida com o empenho dos especialistas do campo da preservação que militavam no Iphan, a paisagem determinada no tecido original constituiria a morfologia autêntica do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro.

Porém, no caso do Rio, a paisagem iphaniana foi composta dos marcos da ocupação original, onde se incluem os morros e também as arquiteturas e urbanismos redefinidos de modo constante ao longo do tempo. E, em decorrência do que prescreve a boa norma iphaniana, poderíamos crer que o Rio possui diversos centros históricos; e que estes, segundo definição de Rodrigo em 1939, deveriam conter todas as paisagens dos vários tempos da cidade.

Dessa forma, tanto a cidade quanto a sua paisagem, apesar de dinâmicas, poderiam se enquadrar na categoria de patrimônio “pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana” (40).

Museu da Inconfidência visto do Museu de Mineralogia, Ouro Preto MG
Foto Abilio Guerra

À sombra do arranha-céu de Rodrigo

O sentido de monumentalidade da sede do antigo Ministério de Educação e Saúde – ícone da arquitetura modernista – foi, muitas vezes, o motivo principal dos pronunciamentos de Rodrigo, revelando algumas de suas ideias sobre os impactos da construção de estruturas novas em áreas centrais históricas.

Em 1947, ao apresentar o arquiteto Oscar Niemeyer, que iniciava, com uma palestra no atual Palácio Gustavo Capanema, as atividades culturais do então recém-fundado Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rodrigo Melo Franco de Andrade afirmava: “O próprio edifício, que nos hospeda neste momento, impôs-se e popularizou-se internacionalmente como um dos monumentos de arte moderna mais importantes do patrimônio universal. Além dele, um número já considerável de obras de envergadura excepcional, projetadas pela geração atual de arquitetos patrícios, com o mesmo ímpeto rejuvenescedor das formas e semelhante senso de monumentalidade, colocaram o Brasil na vanguarda das nações que abriram um capítulo inteiramente novo na história da arquitetura” (41).

Igreja de Santa Luzia com Palácio Capanema, antiga sede do Ministério de Educação e Saúde Pública, ao fundo
Foto Silvana Romano

Para Rodrigo, em Ouro Preto, os gestores municipais com o objetivo de “retificar e alargar as ruas”, teriam sido insensíveis “aos trabalhos diferenciadores de velhas construções, de vividas calçadas de lajes e do pitoresco dos aclives e declives [...] que foram os trilhos e caminhos dos arraiais primitivos da mineração” (42).

Na sua luta contra todos os agentes do poder público municipal que produziram tipos semelhantes de “empreendimentos desastrados”, Rodrigo declararia:

“ocorreu-me, frequentemente, a lembrança mortificante dos atentados cometidos contra a integridade e a feição característica das antigas cidades e sítios de interesse histórico e arquitetônico que o Brasil conservou até agora ou até há pouco, a despeito das falhas de critério das administrações municipais e da obra nefasta de especulação imobiliária” (43).

Ao enfocar a importância do patrimônio artístico, arquitetônico e urbanístico dos núcleos históricos mineiros, ele expressava a sua visão sobre o nefasto processo de produção e consumo de bens imóveis urbanos em razão da especulação econômica. Mas, Rodrigo também revelava-se um seguidor dos princípios da Carta de Atenas, particularmente no que dizia respeito à proteção do contexto físico preexistente. Neste sentido, ele transcreveu um excerto da Carta destacando que:

“a noção de monumento compreende não só a construção arquitetônica em si mesma, mas também a moldura em que ela é inserida. O monumento é inseparável do meio em que se encontra situado e, bem assim, do ambiente histórico do qual constitui testemunho. Reconhece-se, consequentemente, valor monumental tanto aos grandes conjuntos arquitetônicos, quanto às obras modestas que adquiriram, no decorrer do tempo, significação cultural e humana” (44).

Rodrigo agregava, desse modo, o conceito de ambiência para confirmar que o entorno é um espaço estabelecido no monumento onde o vazio delimitava, em outra dimensão, o espaço do novo – o lugar de comunicação do monumento.

E, nesse lugar, novas construções tornar-se-iam, também, monumentos.

Assim, do legado rodrigueano, construíram-se tanto as venerandas quanto as dinâmicas cidades brasileiras.

notas

NA - Este artigo apresenta trechos do livro de minha autoria Paradoxos entrelaçados: as torres para o futuro e a tradição nacional, publicado pela Editora da UFRJ em 2002.

NE – Sob coordenação editorial de Abilio Guerra (editor Arquitextos), número traz dez artigos sobre o tema “Patrimônio histórico”, tendo como inspiração artigo de Clara de Andrade sobre vida e obra de seu pai, o intelectual Rodrigo Melo Franco de Andrade, falecido no dia 11 de maio de 1969. Os artigos do número especial sobre patrimônio histórico são os seguintes:

ALVIM, Clara de Andrade. Rodrigo Melo Franco de Andrade, meu pai. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.00, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4526>.

SANTOS, Cecília Rodrigues dos. A noção de patrimônio e a origem das ideias e das práticas da preservação no Brasil. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.01, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4528>.

COSTA, Lucio. Museu do Ouro. Sabará. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.02, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4532>.

ANDRADE (JANJÃO), Antonio Luiz Dias de. O discurso do sofá. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.03, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4534>.

TORELLY, Luiz Philippe. Patrimônio cultural. Notas sobre a evolução do conceito. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.04, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4539>.

CALIL, Carlos Augusto. Sob o signo do Aleijadinho. Blaise Cendrars, precursor do patrimônio histórico. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.05, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4540>.

GUIMARAENS, Cêça. Rodrigo Melo Franco de Andrade e a paisagem hiperreal do patrimônio. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.06, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4543>.

ROSSETTI, Eduardo Pierrotti. Brasília-patrimônio. Cidade e arquitetura moderna encarando o presente. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.07, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4547>.

ALCÂNTARA, Antonio Pedro de. Aspectos do espaço barroco na arquitetura civil dos séculos XIX e XX. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 149.08, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4550>.

PROZOROVICH, Fernando Alvarez. El patrimonio histórico como punto de vista. Notas sobre la asignatura “Intervención en el patrimonio histórico”. Arquitextos, São Paulo, año 13, n. 149.09, Vitruvius, oct. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.149/4537>.

1
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. A defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN; coletânea de textos sobre o patrimônio cultural. Rio de Janeiro, MinC,FNpM, 1987, p. 24.

2
O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, instituição designada para promover a proteção dos bens culturais no Brasil, foi criado em 1936 como uma das instituições extraescolares do Ministério da Educação e Saúde. O tombamento constitui, desde então, o principal instrumento de atuação dessa entidade, tornando-a, até hoje, a base de ação para o campo preservacionista brasileiro. Naquela década inicial, um seleto grupo de funcionários e intelectuais redefiniu a Inspetoria Nacional de Monumentos e, assim, deu sequência a ações anteriores levadas a efeito em alguns estados da federação, enfatizando ainda as iniciativas levadas a efeito em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.

3
MARINHO, Teresinha. Notícia biográfica. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e seus tempos. MEC, FNpM, Rio de Janeiro, 1986, p. 19.

4
MARINHO, Teresinha. Op. cit., p. 17-36.

5
Idem, ibidem, p. 17.

6
Idem, ibidem, p. 18.

7
Idem, ibidem, p. 19.

8
Idem, ibidem, p. 20-21. Segundo Marinho, fizeram parte dessas equipes, entre outros, “Manuel Bandeira, Carlos Leão, Heloísa Alberto Torres, Francisco Marques dos Santos, Gilberto Freyre, Afonso Arinos de Melo Franco, Edgard Roquette Pinto, Carlos Drummond de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Joaquim Cardoso, Vinicius de Moraes, Celso Cunha e Gustavo Barroso”.

9
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Joaquim Cardoso. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e seus tempos (op. cit.), p. 274.

10
Idem, ibidem, p. 274.

11
FONSECA, Maria Cecília Londres. O Patrimônio em processo. Rio de Janeiro, UFRJ/Iphan, 1997, p. 15.

12
Idem, ibidem.

13
MARINHO, Teresinha. Op. cit., p. 24.

14
Idem, ibidem, p. 21.

15
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Notícia biográfica. Apud MARINHO, Teresinha. Op. cit., p. 24.

16
Idem, ibidem, p. 31.

17
MARINHO, Teresinha. Op. cit., p. 15.

18
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Notícia biográfica. Apud MARINHO, Teresinha. Op. cit., p. 21.

19
Idem, ibidem, p. 25.

20
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Um testamento do século XVIII. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e seus tempos (op. cit.), p. 311.

21
Idem, ibidem, p. 311.

22
Idem, ibidem, p. 311.

23
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Na casa onde se defende a nossa história. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e seus tempos (op. cit.), p. 36.

24
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Zelar pelo patrimônio é obrigação constitucional. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 39-41.

25
Idem, ibidem, p. 40.

26
Idem, ibidem, p. 40.

27
Idem, ibidem, p. 40.

28
GUIMARAENS, Cêça. Paradoxos entrelaçados: as torres para o futuro e a tradição nacional. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 2002, p. 86.

29
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Restaurando e conservando os marcos de nossa arte e história. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 37.

30
Idem, ibidem, p. 37.

31
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. “Conservação de conjuntos urbanos”. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 81.

32
Idem, ibidem, p. 82.

33
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Zelar pelo patrimônio é obrigação constitucional. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 40.

34
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Atílio Correia Lima. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e seus tempos (op. cit.), p. 266-268.

35
Idem, ibidem, p. 268.

36
Idem, ibidem, p. 267.

37
Idem, ibidem, p. 267.

38
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. A defesa do patrimônio histórico e artístico dos brasileiros. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 25.

39
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Na inauguração da escola José Alpoim. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 175-176.

40
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. O patrimônio histórico e artístico nacional. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 51.

41
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Apresentação do arq. Oscar Niemeyer. In Rodrigo e seus tempos. Op. cit., p. 268.

42
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Preservação de cidades e sítios históricos. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 81.

43
Idem, ibidem, p. 81.

44
ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. O panorama histórico e artístico de Minas. In ANDRADE, Rodrigo Melo Franco de. Rodrigo e o SPHAN (op. cit.), p. 77.

sobre a autora

Cêça Guimaraens é arquiteta, doutora em Planejamento Urbano e Regional, professora associada da UFRJ, pesquisadora do CNPq e diretora do Instituto de Arquitetos do Brasil.

comments

149.06 patrimônio
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

149

149.00 patrimônio

Rodrigo Melo Franco de Andrade, meu pai

Clara de Andrade Alvim

149.01 patrimônio

A noção de patrimônio e a origem das ideias e das práticas da preservação no Brasil

Cecília Rodrigues dos Santos

149.02 patrimônio

Museu do Ouro

Sabará

Lucio Costa

149.03 patrimônio

O discurso do sofá

Antonio Luiz Dias de Andrade (Janjão)

149.04 patrimônio

Patrimônio cultural

Notas sobre a evolução do conceito

Luiz Philippe Torelly

149.05 patrimônio

Sob o signo do Aleijadinho

Blaise Cendrars, precursor do patrimônio histórico

Carlos Augusto Calil

149.07 patrimônio

Brasília-patrimônio

Cidade e arquitetura moderna encarando o presente

Eduardo Pierrotti Rossetti

149.08 patrimônio

Aspectos do espaço barroco na arquitetura civil dos séculos XIX e XX

Antonio Pedro de Alcântara

149.09 patrimônio

El patrimonio histórico como punto de vista

Notas sobre la asignatura “Intervención en el patrimonio histórico”

Fernando Alvarez Prozorovich

newspaper


© 2000–2022 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided