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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
Este artigo propõe uma revisão crítica da produção teórica constituída no âmbito do Prêmio Rogelio Salmona, dela extraindo critérios que possam vir a contribuir para aproximação entre teoria e prática em projeto em arquitetura.

english
This article proposes a critical review of the theoretical production constituted within the Rogelio Salmona Prize, extracting from it criteria that may contribute to the approximation between theory and practice in architectural design.

español
Este artículo propone una profunda revisión de la producción teórica desarrollada en el ámbito del Premio de Arquitectura Rogelio Salmona, estableciendo ciertos criterios que conseguirán aproximar teoría y práctica del proyecto arquitectónico.


how to quote

ZARPELON, Larissa Francez; ZEIN, Ruth Verde. Prêmios de arquitetura como lugar de crítica. Análise da produção teórica do Prêmio Rogelio Salmona. Arquitextos, São Paulo, ano 21, n. 247.07, Vitruvius, dez. 2020 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.247/7969>.

Colégio Antonio Derka (Obranegra Arquitectos), em Medellín, Colômbia
Elaboração Larissa Francez Zarpelon

Este artigo propõe uma aproximação à produção teórica desenvolvida no âmbito do Prêmio Rogelio Salmona, a fim de ativar uma abordagem crítica sobre prêmios de arquitetura como dispositivo de crítica no contexto das arquiteturas que fazem cidade na América Latina. Após traçar um panorama do Prêmio Salmona e discutir seus conceitos seminais, conclui que a evidenciação do processo de seleção e julgamento das obras, bem como proposição de reflexões feitas a posteriori, abrem espaços para debates no campo de projeto arquitetônico que podem estar a contribuir para a construção de um conhecimento em arquitetura baseado na prática e no contexto das cidades latino-americanas.

Prêmios de arquitetura como lugar de crítica

Neste item, serão expostas reflexões sobre as premiações de arquitetura enquanto potencial lugar de crítica, a partir do artigo “Crítica e Prêmios de Arquitetura” (1), escrito pela arquiteta, pesquisadora e crítica colombiana Silvia Arango, que tem relevante atuação tanto nos Seminários de Arquitectura Latinoamericana – SAL, a partir de 1985, como na constituição tanto da Fundação quanto do Prêmio Rogelio Salmona. Esse texto, escrito em 2012, coincide com os trabalhos de constituição do Prêmio Salmona, podendo ser considerado, portanto, de grande relevância para a compreensão de sua estrutura e proposta.

Ao se aproximar do tema das premiações como lugar de crítica, Arango pontua primeiramente as principais diferenças entre concursos e prêmios de arquitetura. Conforme explica, o primeiro caso valida um projeto que ainda não foi construído, sendo que a seleção da obra pode resultar da escolha de clientes, contratantes ou organizadores do concurso – atores que frequentemente fazem parte das comissões julgadoras. Enquanto o segundo valida uma obra pronta e é normalmente julgado por arquitetas e arquitetos, os quais tomam como base, provavelmente, critérios primordialmente arquitetônicos, podendo, portanto, constituir-se como um importante instrumento de debate e crítica dentro do campo especializado.

Constatando a persistência de se estabelecer a qualidade da arquitetura via modalidades de concursos e premiações, Arango discorre sobre a função dos prêmios de arquitetura e sobre seu eventual potencial para a aproximação entre teoria e prática arquitetônicas. Segundo ela, “Os prêmios para o interior da profissão são os mais especializados, os que têm a última palavra com respeito à qualidade arquitetônica e onde reside a capacidade de qualificar institucionalmente as reputações. Como os prêmios têm papel muito importante como atribuidores de prestígio, também têm uma responsabilidade, pois moldam, de certo modo, o curso da arquitetura futura” (2).

Após seleção e deliberação de obras vencedoras e das que receberão menções honrosas, os júris de prêmios e concursos redigem atas com o fim de documentar e justificar suas escolhas. Segundo Arango, uma reflexão sobre os prêmios de mais prestígio na atualidade demonstra que, na maioria desses documentos, para justificar a seleção exercida, se recorre aos três pilares vitruvianos (solidez, utilidade e beleza) e a um quarto pilar, a adequação ao contexto pré-existente. O argumento é, portanto, apresentado de tal forma a parecer irrefutável, podendo mascarar, assim, que o processo de seleção das obras nem sempre se dá unicamente a partir de dados objetivos, e desconsiderando as inclinações (políticas, conceituais, econômicas, de moda ou inovação) dos membros do júri, que raramente são explicitados nas atas. Arango chama atenção para o fato de que, dentre estes quatro pilares, somente a solidez é critério absoluto e objetivo, enquanto os outros três incorporam níveis de subjetividade variada em função do tempo, localização, interpretação e cultura – o que reforça a subjetividade do juízo em arquitetura. Quando não explicitam percursos e inclinações do júri ou da própria instituição promotora da premiação, as atas dos concursos deixam de fazer seu papel na construção do conhecimento em projeto de arquitetura, pois são, na maioria das vezes, inconsistentes no seu aporte crítico e não fomentam debates em torno de si, conforme pontua a pesquisadora. Um outro fator é o curto período que os jurados normalmente têm para avaliar as obras concorrentes, o que muitas vezes impede pesquisa aprofundada sobre elas.

Nesse artigo, Arango ainda traz à luz a escassez de premiações que considerem a especificidade territorial latino-americana, avaliando a qualidade arquitetônica das obras aqui produzidas de maneira a não adotar, exclusivamente, critérios de avaliação sobre o que seria a boa prática arquitetônica forjados em outros contextos, o que pode gerar distorções de valoração.

Como as premiações estão entre os principais atribuidores de prestígio entre os arquitetos, sendo uma importante forma de divulgação de obras que irão, eventualmente, assumir o papel de referências para estudantes e profissionais, é importante, segundo Arango, que se preste mais atenção aos processos, e não apenas ao resultado final; evitando assim que os prêmios fomentem uma emulação arquitetônica vazia de crítica.

As preocupações da pesquisadora sobre os mecanismos por trás das premiações em arquitetura, conforme se viu no estudo deste artigo, abre espaço para compreensão dos processos que viriam a estar no cerne do Prêmio Salmona, relatados nos itens a seguir.

Panorama do Prêmio Salmona

O espaço comum, em que a esfera social da vida urbana pode ser desenvolvida em sua plenitude, foi um elemento caro ao arquiteto colombiano Rogelio Salmona (1927-2007), e presente em seus projetos e reflexões. Em 2009, um grupo de pessoas interessadas em perpetuar o legado do arquiteto cria a Fundação Rogelio Salmona, que tem entre seus objetivos ajudar a construir cidades mais equitativas e inclusivas na América Latina. Uma das ações para tal é o impulsionamento de debates e pesquisas sobre arquiteturas capazes de criar espaços dignos para desenvolvimento da vida cidadã, bem como sua divulgação (3). Neste âmbito, nasce o Prêmio Rogelio Salmona – espaços abertos/ espaços coletivos no ano de 2013 que pretende, ainda, dar continuidade ao legado dos Seminários de Arquitetura Latino-Americana – SAL, iniciativa da qual o próprio Rogelio Salmona fez parte e que teve como moto a pesquisa da arquitetura latino-americana a partir de pontos de vista locais (4).

A união dos objetivos da Fundação Salmona acima relatados à intenção de dar continuidade aos SAL culmina na valorização da arquitetura enquanto peça fundamental constituinte do espaço público nas cidades latino-americanas, ou seja,

“Espaços que facilitem a construção da cidadania e do encontro social; lugares de memória, liberdade e tolerância, que contribuam à consolidação de uma cultura urbana e representem a ideia de um coletivo no mutante território da cidade” (5).

O Prêmio Salmona é bienal, tendo sido realizadas, até o momento, três edições (2014, 2016 e 2018). Não há um valor pecuniário a ser oferecido aos arquitetos ou proprietários da obra, consistindo apenas em uma placa comemorativa, que pode ser instalada na edificação vencedora. O Prêmio pode ser atribuído a edificações novas ou existentes que sofreram intervenções significativas (e não apenas restauro), de qualquer escala ou uso (exceto uso exclusivamente residencial), de propriedade pública ou não; sendo exigência que estas tenham tido sua construção completada há pelo menos cinco anos da data de lançamento do edital do Prêmio e que estejam localizadas na América Latina ou Caribe. Dentre os critérios de elegibilidade (6) para participação no Prêmio Salmona, está que a edificação deve guardar relação de profundo respeito com o entorno e promover espaços abertos coletivos para o encontro cidadão. Neste critério encontra-se o espírito do Prêmio. Frente a outros prêmios de arquitetura, o Prêmio Salmona se diferencia por ter seu foco não nos edifícios nem nos espaços abertos tomados isoladamente, mas nas relações entre eles, reconhecendo exemplares de arquiteturas que exaltam espaços comuns de apropriação coletiva.

Sendo ampla a área de ingerência, foi definida uma etapa preliminar de seleção em quatro regiões, a saber: Região Andina (Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia), Região Brasil, Região Cone Sul (Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai) e Região México, América Central e Caribe (México, Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, Haiti, Jamaica, República Dominicana, Porto Rico e Antilhas).

O processo de seleção das obras participantes é responsabilidade do Comitê Internacional do Prêmio (7), grupo de profissionais escolhidos pela Fundação Salmona e formado por quatro especialistas em arquitetura latino-americana, um para cada região de ingerência. Cada integrante desse Comitê pode constituir sua equipe, recebendo apoio de membros dos países correspondentes, de maneira a realizar a etapa inicial de pesquisa e seleção das obras de forma mais abrangente; e pode, ainda, receber indicações da comunidade em geral, através do site do Prêmio, que as repassa para as equipes regionais. Durante o período de pesquisa e seleção das obras, que dura cerca de 1 ano, as equipes documentam seus processos de seleção através de textos e artigos, sendo convidadas a contribuir com a reflexão crítica acerca da arquitetura contemporânea latino-americana.

Ao final dessa primeira etapa, cada região escolhe cerca de vinte obras, que são encaminhadas para a apreciação conjunta do coletivo do Júri do Prêmio, formado justamente pelos quatro membros desse Comitê Internacional. São selecionadas por volta de vinte obras, que participarão da escolha da premiação final, e serão incluídas na exposição, livro-catálogo e divulgação no website da Fundação, com o objetivo de fomentar um observatório sobre as boas práticas de arquitetura que fazem cidade mediante seus espaços coletivos. Vale ressaltar que os autores das obras são convocados apenas nesse momento, devendo referendar seu acordo para seguir participando na premiação, e ficando responsáveis pela cessão de material gráfico, imagens e outras informações solicitadas Na etapa final, o Comitê Internacional se reúne, e é convidado a fazer parte do Júri um quinto membro, eleito pelo Fundação, de maneira a acrescentar uma contribuição externa para a fase de deliberação; esse grupo de cinco especialistas é quem vai escolher uma obra vencedora e um número variado de menções honrosas.

Reflexão e crítica no âmbito do Prêmio Salmona

Como visto, o Prêmio Salmona nasce não somente como meio de divulgação, mas como plataforma de debates e críticas sobre o que se acreditam ser boas práticas arquitetônicas, inclusive no processo de seleção e premiação das obras. Ademais, se constitui em um importante balanço sobre arquitetura e cidade na América Latina contemporânea, com preciosa documentação reunida nos livros-catálogo de cada edição, também contribuindo para a construção de conhecimento em projetos de arquitetura. Para este artigo, foram analisados os livros-catálogos das duas primeiras edições do Prêmio.

Quanto à estrutura dos livros-catálogo, verificou-se que são constituídos por cinco partes principais. A primeira contém índice, prólogo, apresentação e transcrição do pronunciamento feito durante cerimônia de entrega da edição corrente do Prêmio. A segunda parte, intitulada “Intenções do Prêmio Rogelio Salmona”, foi composta, nas duas edições estudadas, por dois textos cada uma – um sobre o espírito do Prêmio e o outro uma reflexão sobre arquiteturas que promovem espaços de urbanidade. A terceira parte, “Desenvolvimento do Prêmio”, expõe termos de referência, atas de julgamento e reflexões a posteriori dos jurados sobre o processo de seleção, julgamento e premiação. A quarta parte é dedicada à divulgação das obras participantes e premiadas; contém, ainda, dados de cada obra (autoria do projeto, ano de construção, endereço, entidade gestora), breve texto, imagens da obra pronta e peças gráficas do projeto. A quinta e última parte do livro traz texto sobre processos e ensinamentos obtidos com a edição recém-finalizada do Prêmio.

O estudo criterioso das publicações da Fundação Rogelio Salmona sobre o Prêmio constata que seu conteúdo pode ser entendido como um importante esforço de aproximação entre teoria e prática projetual, permitindo a extração de algumas temáticas que podem contribuir para a construção de conhecimento em arquitetura, ao oferecer elementos para sua análise crítica, sobre as quais discorreremos nos itens a seguir.

A primeira temática diz respeito ao critério essencial do Prêmio: arquiteturas que fazem cidade. A segunda diz respeito a busca por heterogeneidade de usos e contextos. Por fim, a terceira se refere a propostas de aproximações ou categorizações das obras como instrumentos de análise.

Arquiteturas que fazem cidade

Fazer cidade: esta expressão, tão recorrente na fala do arquiteto Rogelio Salmona, comparece também na constituição da fundação que leva seu nome e, consequentemente, no prêmio. Mas o que é fazer cidade? A pesquisadora Maria Eugenia Martinez Delgado (8) dá pistas ao chamar à discussão a noção de direito à cidade (9), que remete ao direito de todos os cidadãos a terem uma vida digna e protegida nos espaços urbanos, bem como direito ao seu uso e desfrute. Benjamín Barney-Caldas (10) relembra Aristóteles quando afirmava que a função da cidade não é exclusivamente suprir necessidades vitais, mas serve sobretudo para se viver bem nela. Assim, fazer cidade pode significar criar ou atuar na criação, potencialização e fortalecimento dos espaços em que a vida cidadã, ou seja, a esfera pública da vida, pode ser plenamente vivida. Estes espaços são prioritariamente os espaços abertos entre os edifícios, de uso coletivos, de livre acesso e utilização, o qual alguns autores (11) chamam de espaço público, independente da propriedade ser pública ou privada.

De acordo com Silvia Arango e Rogelio Salmona, “o propriamente urbano não consiste na aglomeração de edifícios, mas sim nos espaços que estão entre eles: os edifícios são privados, e o que é realmente público reside nos espaços abertos” (12).

Esta noção do espaço público como sendo, por essência, o lugar da esfera pública, aparece também em artigo escrito Wilfried Wang (13), o qual inicia com a transcrição do “Manifesto do Espaço Público: O espaço público do povo, para o povo e pelo povo” (14), segundo o qual, o espaço público é de todos e todos têm direito de nele circular e se expressar de forma livre, anônima e segura a qualquer momento do dia. Tem também a função de dar acesso a outras pessoas, outras instalações urbanas e ao ambiente natural.

Portanto, pode-se dizer que a expressão fazer cidade, como exposta por essas autoras e autores, está ligada a espaços para o pleno exercício da esfera pública da vida. Esta se daria prioritariamente nos espaços abertos de uso coletivo, dispostos entre os edifícios, eventualmente adentrando seus térreos, que conformariam a base de uma condição cívica que colabora para a promoção da livre convivência entre os cidadãos. Mas essa definição não se encerra só nos aspectos físicos e espaciais, pois também sugere a necessidade de envidar esforços para a melhoria da qualidade de vida nas cidades também em diversos outros e relevantes aspectos, como a circulação, o acesso, o ambiente e a possibilidade expressão.

Segundo a visão das organizadoras do Prêmio Salmona, a arquitetura, que pode ser categorizada como o espaço da esfera privada da vida (15), tem também responsabilidade fundamental na conformação de espaços de cidadania. Prova disso é que a expressão arquiteturas que fazem cidade é recorrente nas intenções, publicações e reflexões a posteriori promovidas no âmbito do Prêmio. Se fazer cidade significa promover espaços abertos coletivos adequados à vida cidadã, a arquitetura que faz cidade pode ser entendida como a edificação que promove ou fortalece estes espaços, interpretação que encontra respaldo em diversos textos das publicações da Fundação Rogelio Salmona.

Arango afirma que o júri buscou “identificar aqueles projetos que superaram as práticas especulativas e comerciais indiferentes à cidade e que, ao contrário, assumiram de maneira criativa as incógnitas que os contextos urbanos latino-americanos contemporâneos colocam” (16). Hiroshi Naito (17), membro do júri da edição de 2016, afirma que o Prêmio se destaca do panorama de fundo das outras premiações de arquitetura por valorar edificações que estendem seu efeito à sociedade, apoiando de fato a vida urbana. Desta forma, o Prêmio Salmona atua na ampliação da noção de espaço público, reforçando a importância da arquitetura como elemento urbano capaz de favorecer relações, sentimento de pertencimento e espaços de cidadania – como também pontua Maria Elvira Madrinãn (18).

Louise Noelle Gras (19) relembra que a preocupação com qualidade dos espaços coletivos a partir da arquitetura não é recente na América Latina: os pioneiros do Movimento Moderno buscavam uma arquitetura sólida e funcional com generosos espaços coletivos. É neste contexto, ainda segundo Noelle Gras, que os preceitos de Rogelio Salmona fazem sentido para o século 21 – tornados urgentes por conta da renegação gradual das questões coletivas de sociabilidade pelo planejamento urbano e pela arquitetura praticada pelo mercado, hoje a necessidade de espaços inclusivos e igualitários é latente, tendo a arquitetura papel substancial na idealização destes espaços.

Referindo-se à fala do arquiteto Rogelio Salmona, em que distingue espaços urbanos de espaços públicos e afirma que somente alguns são realmente significativos e capazes de fazer cidade, Ruth Verde Zein defende que a cidade se fará de qualquer jeito, com boas ou más arquiteturas e espaços públicos de boa ou má qualidade. “Fará cidade a arquitetura que o quiser fazer e que, ademais, o consiga”, assinala Ruth Verde Zein (20) e, assim, a pesquisadora agrega à discussão as complexas dinâmicas urbanas das quais o projeto é apenas uma parte, ao lado de questões legais, políticas, ambientais, econômicas e técnicas, sem falar nas entidades gestoras e nas alterações posteriores à construção, que podem possibilitar ou atravancar as intenções iniciais do projeto. Por isso lança a questão: quando o arquiteto usa o termo fazer cidade, qual é a cidade que está sendo evocada por ele? A resposta, segundo Zein, é a “cidade que ele vislumbrava no horizonte das utopias que abraçava” (21).

Dentre as utopias que Salmona abraçou, estava a cidade como o espaço da liberdade e que, assim sendo, permitia a livre expressão de todos – ideal que, apesar de possuir forte componente utópico, comparece em suas reflexões, as quais denunciam uma busca por tornar viáveis tais utopias, como verificado no texto produzido juntamente com Claudia Antonia Arcila (22), em que o arquiteto questiona: se a cidade é este espaço da liberdade, como então, permitir que esta liberdade crie acordos para benefício dos cidadãos? Notam-se aí preocupação em propor soluções reais, efetivas que se materializem em intervenções que estejam ancoradas na vida urbana e das quais os cidadãos possam delas se apropriar – e não meras abstrações (23).

A primeira parte de uma solução real e efetiva para uma arquitetura que faz cidade é a intenção do projeto em estabelecer relações urbanas com o entorno. Ainda que o projeto não seja o único determinante, sem um bom projeto a boa cidade não se faz. E, assim, a arquitetura que faz cidade começa a ser concebida, a princípio, na intenção em fazê-la, seguindo pelo caminho da boa arquitetura que, segundo Ruth Verde Zein (24), está embasada no saber fazer arquitetura, passando, posteriormente, por tantos outros aspectos muitas vezes alheios ao projeto.

A valoração da intenção também aparece no texto “O terceiro espaço público”, de Hiroshi Naito (25), segundo o qual, na realidade crítica dos países latino-americanos, merece destaque a arquitetura que cria propositadamente espaços abertos. Maria Elvira Madriñan (26) reafirma a importância do Prêmio quando pontua que vale cada intenção de construir cidades mais amáveis, materializada em propostas que compreendam a cidade como um grande projeto coletivo. O primeiro passo em direção a este horizonte utópico, portanto, é o querer fazer uma arquitetura que melhore as condições cívicas do entorno.

Rogelio Salmona (27), ao atribuir importância capital à arquitetura na permanente construção dos espaços públicos de qualidade, propõe uma estratégia de interpretação e projeto, em que sugere que uma intervenção que tenha propósito de fazer cidade deva ser pensada a partir de duas camadas. A primeira diz respeito à compreensão individual e autônoma dos elementos que compõem o espaço urbano (arquitetura e espaços públicos) e a segunda diz respeito à compreensão destes mesmos elementos como um tecido de relações e dinâmicas, também em relação à adequação ao contexto, sendo que um princípio importante para a construção dessa cena refere-se a cada cidade ser olhada a partir de si mesma.

Silvia Arango (28) reforça e complementa este fator ao revelar que, no Prêmio, o processo de seleção das obras primou pela identificação de elementos que denunciassem adequação ao contexto e, ainda, convidassem a pensar possibilidades futuras para uma cidade mais inclusiva.

O tempo foi um outro fator preponderante para a valoração das arquiteturas que fazem cidade, de acordo com o Prêmio Salmona, já que, para terem sua participação aprovada, as obras deviam ter sido completadas há pelo menos cinco anos da data de lançamento do edital de cada ciclo. No texto “Tempo, arquitetura e o Prêmio Rogelio Salmona”, Ana María Durán Calisto reflete: “Convoca-se o tempo porque a grande prova do espaço público é seu uso. Se a vida fervilha em um espaço e o cuidam, então ele cumpre com seu fim primordial de integrar comunidades e possibilitar seu encontro” (29).

Cinco anos foi o tempo tido como razoável pela Fundação Rogelio Salmona, ao instituir os termos de referência do Prêmio, para que as obras se consolidassem em suas comunidades, as quais teriam tempo de encontrar formas de inseri-las, ou não, no rol dos espaços urbanos da vida pública.

A busca por um corpus heterogêneo

Entendemos que a essência do Prêmio Salmona é promover as arquiteturas capazes fazer cidade. E ademais, ao lado de outros critérios comentados nos itens anteriores, há um outro parâmetro muito relevante que foi utilizado na seleção das obras: a busca por um corpus heterogêneo.

Em textos escritos pelos membros do júri do Prêmio, manifesta-se uma busca por variedade de soluções, programas, propriedade e contextos. Embora não fosse um critério de seleção propriamente dito, pois não veta a participação de quaisquer obras no Prêmio, configura-se como uma intenção, voluntária e explícita, de buscar ofertar um rol diversificado de obras, de maneira a demonstrar que quaisquer arquiteturas podem ter, em si, a potencialidade de contribuir para cidades mais generosas, em uma multiplicidade de contextos.

Esta intenção comparece na Ata de Deliberações da primeira edição do Prêmio, em que se relatou ter o júri selecionado quatro obras de características distintas em relação a “condições de lugar, escala de intervenção, incumbências e recursos” (30), reforçando a busca pela heterogeneidade no conjunto das obras. Fernando Diez (31) corrobora que a diversidade foi um aspecto conscientemente pretendido para a seleção final das obras classificadas para participarem do Prêmio. Essa posição criou, segundo Silvia Arango (32), diversas complexidades para a avaliação das obras, uma vez que torna difícil uma comparação simples entre elas. Para superar essa questão, uma das formas que o júri usou para selecionar as obras participantes, e depois propor uma reflexão teórica sobre elas, foi sistematizar esse conjunto a partir de categorias e aproximações – que será objeto do próximo item.

Aproximações

Em alguns textos da publicação sobre as duas primeiras edições do Prêmio Salmona, notou-se estabelecimento de critérios de aproximações como método de pesquisa ou reflexão sobre as obras, recurso útil que permitiu analisar e comparar conjunto tão heterogêneo, além de ter grande relevância em expor o percurso intelectual de valoração dessas obras.

Silvia Arango (33), posteriormente à seleção e julgamento, propõe um sistema de classificação como forma de esquematizar conceitualmente as obras participantes da primeira edição Prêmio:

  • Liberados: edifícios localizados em parques, molhes ou caminhos, que estão liberados da interferência imediata de outros edifícios; costumam ter uso como centros comunitários e são tidos como únicos ou excepcionais; comumente adquirem significado simbólico para a cidade;
  • Limites: edifícios em margens de espaços confinados, como praças, fazendo ele mesmo papel de delimitador. Estão, geralmente, em centros urbanos consolidados, com profusão de memórias coletivas;
  • Umbrais: são situações de transição entre exterior e interior, entre espaço público e espaço privado. A arquitetura, em si, pode fazer este papel metaforicamente, servindo como elemento de transição entre duas situações urbanas;
  • Passagens: edifícios que se dividem com a finalidade de deixar um caminho de passagem entre dois espaços públicos. Enquanto os umbrais conectam espaços privados a espaços públicos, as passagens conectam espaços públicos entre si;
  • Acontecimentos: edifícios que se configuram um lugar por si só, autonomamente, por sua grande escala e seu uso de caráter público;
  • Sequenciais: conformados por dois ou mais edifícios, pulverizados no tecido urbano e capazes de promover unidade mental e de usos, configurando um conjunto.

Fernando Diez (34) também ensaia categorias de sistematização, mas as aplica como caminho para auxiliar critérios de seleção das obras participantes na Região Cone Sul, pela qual era responsável. As categorias por ele constituídas foram: pequenos pavilhões em grandes espaços públicos, edifícios com pátios públicos, torre corporativa com praça, costeira com edifício e campus urbano. A estas, são somadas: iniciativa (pública ou privada), edifícios (público ou privado), espaços de uso coletivo (exteriores ou interiores), domínio (público ou privado), uso (irrestrito ou controlado). Segundo o arquiteto, a classificação das obras revelou combinações surpreendentes, explicitando a complexidade deste campo de interesse.

Ruth Verde Zein e Manuella Marianna Carvalho Rodrigues de Andrade (35) propõem sistematização qualitativa para uma reflexão retroativa sobre as obras participantes daquela edição do Prêmio. Passam a inquirir acerca das configurações espaciais dos espaços abertos e reconhecem nas obras selecionadas quatro tipos de relações distintas entre tais espaços e o entorno:

  • Converge: diz respeito escala da cidade e sintetiza a capacidade dos espaços abertos criados pelas edificações em atrair e concentrar número significativo de pessoas, seja pela sua grande dimensão ou pelas atividades que podem ser desenvolvidas ali;
  • Aglutina: na escala do bairro, o termo diz respeito atender significativamente à população local por meio de atividades específicas ou por oferecerem espaços abertos de lazer;
  • Dissipa: capacidade dos espaços abertos de facilitar a fluxo e passagem, de pessoas que usam o edifício, pelo interior da quadra, com possibilidade de convívio temporário;
  • Distrai: capacidade dos espaços abertos em promover áreas para desfrute para seus usuários, ainda que dentro dos restritos limites do lote.

As pesquisadoras isolam, ainda, três tipos de relações verificadas entre as obras adotadas na análise: atração, aversão e empatia.

As diversas sistematizações propostas pelos membros do júri e suas respectivas equipes demonstraram importantes esforços em evidenciar e fundamentar o processo de seleção das obras através de um olhar atento, pousado nas relações entre edifício, espaços abertos coletivos e cidade. Fornecem, ainda, métodos de análise de projeto que podem ser extrapolados para outras obras e contribuem significativamente para a prática e ensino de projeto.

O ambiente intelectual desenvolvido no âmbito do Prêmio Salmona se estendeu ao ambiente acadêmico através do seminário eletivo sobre teoria da arquitetura latino-americana junto à faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Colômbia, desenvolvido no segundo semestre de 2014. Este seminário, conforme relata Jorge Ramírez Nieto (36), se debruçou sobre o processo de seleção, julgamento e premiação das obras da primeira edição do Prêmio, ocasião em que discentes discutiram autonomamente o pensamento arquitetônico e o fazer cidade na América Latina. Esta experiência, feita a posteriori da premiação, desvela também possibilidades de reflexão documentada em projeto de arquitetura, a partir de aproximações críticas entre teoria e prática.

Conclusão

Os prêmios de arquitetura ocupam posição hegemônica na atribuição de prestígio a profissionais de arquitetura e na consolidação daquilo que podem ser consideradas como “boa prática”, que podem vir a influenciar tanto a prática quanto o ensino de arquitetura. Também podem abrir lugar para o debate e crítica neste campo. Segundo mostra Arango, no entanto, as principais premiações da atualidade falham nesses dois últimos aspectos, por não explicitarem ou divulgarem seus processos de seleção e julgamento, que são em geral feitos muito rapidamente, sem o tempo necessário uma compreensão das obras em profundidade.

A análise do corpus teórico produzido no âmbito do Prêmio Salmona demonstrou que a iniciativa da Fundação, ao divulgar obras que assumem para si o papel de criar cidades mais inclusivas e tolerantes, e propor métodos de análise e investigação atentos à devida documentação dos processos, foi solidificada como observatório sobre boas práticas de arquiteturas que criam cidades na América Latina e criou um lugar relevante para debate e crítica sobre o tema. Contribuiu, também, para a construção de conhecimento em projeto de arquitetura, podendo assim ser extrapolado para outros casos e outras obras.

O estudo da produção intelectual desenvolvida em torno ao Prêmio Rogelio Salmona contribuiu para melhor compreensão sobre possibilidades de obras tão díspares em relação a programa, escala, contexto e propriedade podem, igualmente, propor reflexões sobre hipóteses de arquiteturas que fazem cidade.

notas

1
ARANGO, Silvia. Crítica e Prêmios de Arquitetura. Summa +, n. 124, out. 2012, Buenos Aires, p. 77

2
Idem, ibidem, p. 77

3
Fundacíon Rogélio Salmona <https://bit.ly/3gwhwZN>.

4
MADRIÑAN, Maria Elvira. Apresentação. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 16

5
Idem, ibidem, p. 19

6
“Edificações de qualquer uso e escala, novas ou que sofreram intervenções, públicas ou privadas, que cumpram com as seguintes características:
– Destacar-se pelo desenho generoso, duradouro e inclusivo e espaços abertos e coletivos que propiciem o encontro dos cidadãos e que contribuam ao desenvolvimento qualitativo e à revalorização do seu entorno, a partir do respeito e reconhecimento da arquitetura urbana existente;
– Demonstrar, através da documentação solicitada pelo Prêmio, sua capacidade e nível de apropriação por parte dos habitantes ou da comunidade de impacto;
– Ter, no momento de abertura oficial da edição bienal, no mínimo 5 anos de construção ou intervenção;
– Estar localizada na América Latina ou Caribe”. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 71.

7
Para a primeira edição do Prêmio (2016), o jurado teve a seguinte formação: Silvia Arango (Região Andina), Ruth Verde Zein (Região Brasil), Fernando Diez (Região Cone Sul), Louise Noelle Gras (Região México, América Central e Caribe), Hiroshi Naito. Na segunda edição (2018), o jurado foi composto por: Ana Maria Durán Calisto (Região Andina), Ruth Verde Zein (Região Brasil), Fernando Diez (Região Cone Sul), Louise Noelle Gras (Região México, América Central e Caribe) e Wilfried Wang (quinto membro).

8
MARTÍNEZ DELGADO, Maria Eugenia. Prólogo. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 12.

9
Expressão cunhada por Henri Lefebvre, em 1968, que remete ao direito humano e coletivo, não somente a infraestruturas e equipamentos urbanos (para transporte, educação, saúde, habitação etc.), mas também à vida urbana, ou seja, à cidade como local de trocas, encontros e desfrute.

10
BARNEY-CALDAS, Benjamín. Arquitetura, espaço público e cidade. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Segundo Ciclo 2016. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2017, p. 28.

11
Dentre eles, Herman Hertzberger, Manuel de Solá-Morales e Pierre Bourdieu.

12
ARANGO, Silvia; SALMONA, Rogelio. La arquitectura em la ciudad. In TORRES TOVAR, Carlos Alberto (Org.). La ciudad: hábitat de diversidad y complejidad. Bogotá, Universidad Nacional de Colômbia, 2002, p. 150.

13
WANG, Wilfried. O direito do público ao espaço público. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Segundo Ciclo 2016. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2017, p. 210.

14
Publicado primeiramente por ocasião da exposição “Demo:polis” na Akademie der Künste, de março a maio de 2016, a qual contou com a curadoria de Wang.

15
Outros autores, dentre eles Hannah Arendt corroboram com esta interpretação.

16
ARANGO, Silvia. Critérios para emitir um julgamento. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 89.

17
NAITO, Hiroshi. O “terceiro espaço público”. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 120.

18
MADRIÑAN, Maria Elvira. Op. cit., 2015, p. 16.

19
NOELLE GRAS, Louise. Uma aproximação à paisagem urbana. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Segundo Ciclo 2016. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2017, p. 170.

20
ZEIN, Ruth Verde. Op. cit., p. 103.

21
Idem, ibidem.

22
ARCILA, Claudia Antonia. SALMONA, Rogelio. Espaço público e cidade. Bogotá: cidade aberta. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 32.

23
Idem, ibidem, p. 32.

24
ZEIN, Ruth Verde. Um prêmio de horizontes utópicos. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 103.

25
NAITO, Hiroshi. Op. cit., 2015, p. 120.

26
MADRIÑAN, Maria Elvira. Apresentação. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Segundo Ciclo 2016. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2017, p. 10.

27
ARCILA, Claudia Antonia. SALMONA, Rogelio. Op. cit., p. 32.

28
ARANGO, Silvia. Op. cit., 2015, p. 89.

29
DURÁN CALISTO, Ana María. Tempo, arquitetura e o Prêmio Rogelio Salmona. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Segundo Ciclo 2016. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2017, p. 72.

30
FUNDAÇÃO ROGELIO SALMONA. Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, 2015, p. 83.

31
DIEZ, Fernando. Sobre a variedade de casos exemplares. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 104.

32
ARANGO, Silvia. Op. cit., 2015, p. 89.

33
Idem, ibidem.

34
DIEZ, Fernando. Op. cit., 2015, p. 104.

35
ZEIN, Ruth Verde; ANDRADE, Manuella Marianna Carvalho Rodrigues de. Espaços públicos distintos, espaços abertos semelhantes: uma reflexão sobre arquitetura contemporânea. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Segundo Ciclo 2016. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2017, p. 96.

36
RAMIREZ NIETO, Jorge. Uma experiência acadêmica. In Prêmio Latinoamericano de Arquitectura Rogelio Salmona – espacios abiertos/ espacios colectivos, Primer Ciclo 2014. Bogotá, Fundação Rogelio Salmona, 2015, p. 244.

sobre as autoras

Larissa Francez Zarpelon é doutoranda em Arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Cursou o Master Paesaggi Straordinari: Paesaggio – Arte – Architettura no Politecnico di Milano (2008). Sócia do escritório Z3 Consultoria e Projetos, atua como docente na Universidade Paulista nas disciplinas de Projeto Arquitetônico e Projeto Urbano e Paisagístico.

Ruth Verde Zein é professora e pesquisadora na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Arquiteta pela FAU USP (1977), mestre (2000) e doutora (2005) pelo Propar UFRGS.

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