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research

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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
O objetivo é analisar o encontro de Severiano e Dieste em Fortaleza no Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi (1977-2019) e o valor da obra para a cultura arquitetônica brasileira face à sua “morte precoce” em 2019.

english
The objective is to analyze the meeting of Severiano and Dieste in Fortaleza at Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi 1977-2019) and the value of the work for Brazilian architectural culture in the face of his “early death” in 2019.

español
El objetivo es analizar la encuentro de Severiano y Dieste en Fortaleza en Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi 1977-2019) y el valor del trabajo para la cultura arquitectónica brasileña ante su "muerte prematura" en 2019.


how to quote

PAIVA, Ricardo; CERETO, Marcos; TEIXEIRA, Lucas de Vasconcelos. Severiano Porto e Eladio Dieste em Fortaleza. Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi (1977-2019) in memorian. Arquitextos, São Paulo, ano 21, n. 247.00, Vitruvius, dez. 2020 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.247/7973>.

Acesso ao CTEM do Sesi Barra do Ceará
Foto divulgação [Acervo Severiano Porto – NPD/UFRJ]

A arquitetura moderna brasileira possui uma amplitude espacial e temporal digna de nota. Desde as suas primeiras intenções no final da década de 1920 até meados da década de 1970, em diversos lugares do país continental, verifica-se um fluxo intenso de ideias e pessoas, contribuindo para a difusão dos seus princípios, que se particularizaram na medida em que se acomodaram a contextos, temporalidades e estágios distintos de modernização e disponibilidade de recursos materiais e humanos.

Para Hugo Segawa, alguns fatores contribuíram para a “afirmação de uma hegemonia”, ou seja, para a consolidação da arquitetura moderna no Brasil, a saber: a autonomia e criação de escolas de arquitetura, o reconhecimento dos cursos e as publicações de revistas de arquitetura (1). Segawa destaca ainda como os fluxos de informações e conhecimento, por intermédio do deslocamento dos “arquitetos peregrinos, nômades e migrantes”, sejam nacionais ou internacionais, contribuíram para a diversidade do modernismo arquitetônico brasileiro.

O caso de Fortaleza é representativo neste sentido, pois em 1965 foi criada a Escola de Artes e Arquitetura da Universidade Federal do Ceará, tendo como protagonistas arquitetos cearenses que migraram para os principais centros urbanos (Rio de Janeiro, São Paulo e Recife) e retornaram para a terra natal, além do arquiteto “peregrino” Hélio Duarte (1906-1989), formado na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, tendo sido professor na FAU USP e contribuído para o ensino em vários rincões do Brasil.

Em síntese, há em Fortaleza dois caminhos para o desenvolvimento da arquitetura moderna:

  • o primeiro relacionado aos arquitetos locais, muitos deles “migrantes”, que, conforme Ricardo Alexandre Paiva e Beatriz Helena Nogueira Diógenes, pode ser compreendido mediante a atuação de três gerações (2);
  • o segundo associado à atuação de alguns arquitetos “peregrinos”, mas considerados estrangeiros (3) no Ceará, como é o caso de Acácio Gil Borsói (1924-2009), Sérgio Bernardes (1919-2002), Paulo Casé (1931-2018), Ícaro de Castro Melo (1913-1986), Roberto Burle Marx (1909-1994) e Severiano Porto (1930-2020) e o engenheiro Eladio Dieste (1917-2000), que em passagem por Fortaleza, legaram obras significativas.

Particularmente, a trajetória de Borsoi e Severiano demonstra como arquitetos formados no Rio de Janeiro desempenharam um papel fundamental na difusão e acomodação dos valores do modernismo arquitetônico em suas regiões de atuação, o primeiro hegemonicamente no Nordeste e o segundo na Região Norte do Brasil.

Portanto, o Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi (1977-1980), localizado na Barra do Ceará em Fortaleza expressa “outro caminho” no desenvolvimento da arquitetura moderna em Fortaleza, testemunhando o encontro de Severiano Porto (coautoria de Mário Emílio Ribeiro) e do engenheiro uruguaio Eladio Dieste na capital cearense.

Assim, o objetivo deste artigo é analisar a inserção histórica e o valor da atuação dos arquitetos e da obra para a cultura arquitetônica brasileira – do contexto local ao regional, do nacional ao latinoamericano –, enfatizando a importância da documentação e conservação do edifício face à sua “morte precoce” em 2019, comprovando as diversas ameaças sofridas pelo patrimônio moderno na atualidade.

Para tanto, pretende-se registrar a importância do equipamento no contexto de formação cultural dos trabalhadores da indústria no Ceará; discorrer sobre o encontro em Fortaleza e as contribuições de Severiano Porto e Eladio Dieste; analisar o percurso do projeto à obra; apresentar o “obituário digital” da obra por meio do redesenho e modelagem digital e, por fim, discutir a problemática relativa à documentação e conservação que redundou na demolição do edifício.

Do Sesi da Barra do Ceará

O Centro Social Dr. Thomás Pompeu de Sousa Brasil, mais conhecido como Sesi – Serviço Social da Indústria – da Barra, foi construído na Barra do Ceará, na Avenida Francisco Sá, vetor histórico de expansão industrial intraurbano que se desenvolveu ao longo do eixo oeste e onde se localizavam a maioria das indústrias de Fortaleza na década de 1970. Inaugurado em 1973, trata-se de um complexo voltado para atender os trabalhadores e seus dependentes em serviços voltados para complementação da profissionalização, lazer, cultura e esporte. Estas atividades ocuparam edifícios e estruturas que foram distribuídas em uma gleba de 15 ha, dentre eles o Clube do Trabalhador e Escola de Música – CTEM do Sesi, que foi construída posteriormente. A inauguração do complexo teve repercussão na imprensa nacional.

“O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Sr. Thomás Pompeu de Sousa Brasil Neto, inaugurou na tarde de ontem o novo núcleo social do Sesi construído na Barra do Ceará, considerado um dos mais modernos do país” (4).

O Sesi-CE cumpre uma atuação de serviço social em parceria com o Senai e se insere em uma ação de modernização e alinhamento ao desenvolvimento industrial pretendido e incrementado no Ceará, sobretudo a partir da década de 1970. A implantação do Sesi da Barra do Ceará foi um marco.

“Este fato possibilitou experiências arrojadas do que se pode justamente considerar uma revolução sociocultural, a partir da construção de Centros Sociais com instalações apropriadas ao desenvolvimento de um programa de atividades múltiplas abrangendo setores como o da educação, das artes, dos desportos e do lazer em geral, de integração social, etc., merecendo referência especial a promoção artística do trabalhador cearense, tanto de caráter popular como clássico” (5).

A motivação para a construção da Escola de Música se deve à importância e notoriedade das atividades de arte da entidade, que possuíam além do caráter educativo, grande importância como grupos artísticos, como a Banda de Música do Sesi, implantada já em 1973, a Edansesi – Escola de DNA Clássica e Moderna do Sesi –, que funcionou de 1974 a 1978, criada e dirigida pelo professor e bailarino carioca Dennis Gray (1928-2006); o Grupo Folclórico do Sesi e o famoso Centro de Formação de Instrumentistas do Sesi, em 1975, implementado por Alberto Jaffé.

A experiência Centro de Formação de Instrumentistas do Sesi, também conhecida como da Escola de Música do Sesi, teve grande repercussão nacional, tanto pelo investimento em atividades artísticas por parte da instituição, como em razão da presença do músico Jeffé, que esteve em Fortaleza por dois anos para implementar um método inovador de ensino de música erudita, “o trabalho iniciado pelo professor Jaffé em Fortaleza ganhou status nacional” (6). No caso do Sesi da Barra cumpriu papel decisivo na inclusão social e formação para os jovens filhos de operários.

Do encontro

O encontro de Severiano e Dieste (7) no projeto do CTEM do Sesi aconteceu à margem da produção dos arquitetos locais e legitimou uma discussão em torno do regionalismo que teve alcance na América Latina e se iniciou internacionalmente com a emergência do debate sobre a condição pós-moderna. É importante ressaltar que ambas produções não possuíam em absoluto origem nas tendências pós-modernistas. No caso de Severiano, o ponto comum na interpretação sobre a sua obra se situava na “tradição nacional-modernista da arquitetura brasileira de excelência” (8). Ainda assim, a obra de Severiano repercutiu na revisão de valores do modernismo arquitetônico brasileiro, como, por exemplo, em relação a um maior diálogo com o contexto de implantação do edifício.

O reconhecimento de Severiano Porto e Eladio Dieste pela crítica da arquitetura na América Latina advém da importância que lhes atribuíram como representantes do regionalismo (9), mas não exatamente ao conceito de “regionalismo crítico” de Kenneth Frampton (10), mas às discussões iniciadas nos Seminários de Arquitetura Latino Americana – SAL, que valorizavam o regionalismo à luz de uma interpretação focada na identidade e na “modernidade apropriada” (11). O olhar sobre a obra de Dieste é particularmente distinto pela sua formação como engenheiro, mas igualmente importante na forma como ele produziu uma arquitetura significativa e adequada ao meio, se valendo de um material simples para promover uma sofisticação na construção (12).

A atuação de Dieste no Brasil aconteceu em um momento de maturidade profissional, depois de já ter realizado muitas obras de relevo e gozar de reconhecimento internacional. O primeiro encontro de Dieste com a arquitetura brasileira ocorreu no projeto da Ceasa de Porto Alegre (1968-72) em parceria com Carlos M. Fayet (1930-2007), Cláudio Araujo (1931-2016), Carlos Eduardo Dias Comas(1943) e Américo Gaudenzi. Desde então, seguiram-se diversas outras colaborações de Dieste com arquitetos em todo o Brasil por meio da EDEC - Estruturas de Cerâmica, Projetos e Construções Ltda (1971), que por seu turno congregou vários colaboradores e discípulos do mestre uruguaio e se desdobrou em diversas empresas.

“Em 1976, foi constituída a Dieste e a Montañez Abóbodas de Tijolos Ltda, com a Dieste e Montañez como parceiros. Os engenheiros Ariel Valmaggia (1977) que estava trabalhando entrou em abril de 1975 no DYM de Montevidéu, substituindo Raul Romero e Mario Santos (1981). Em setembro de 1977, Ariel Valmaggia é enviado para abrir a filial de Porto Alegre. Entretanto a EDEC deixa de trabalhar como empresa e permanece ativa em consultoria e projetos, enquanto a cobertura é realizada inteiramente pela Dieste y Montañez Abobadas de Tijolos Ltda. Em março de 1981, Montañez, devido a sérios problemas de saúde, retornou a Montevidéu; logo após o término EDEC está ativo e em 10 de agosto Dieste y Montañez Abóbodas de Tijolos Ltda também está oficialmente fechado” (13).

No Nordeste, cabe destacar outra colaboração importante do engenheiro com Acácio Gil Borsoi (1924-2009), no caso do projeto da Assembleia Legislativa do Piauí (1984). Como consequência dos encontros de Dieste com arquitetos no Brasil, cabe citar a atuação dos seus discípulos, como os Engenheiros Ariel Valmaggia e Raul Romero, que executaram obras no Recife e Teresina, destaque ainda para a Assembléia Legislativa de Uberlândia (1992), de Borsoi Arquitetos Associados. No caso do CTEM do Sesi, constam nas pranchas os carimbos com os registros da EDEC e a responsabilidade técnica de Eladio Dieste e Raul Romero.

As ideias de Severiano e Dieste se encontraram ainda na valorização do caráter independente da cobertura, premissa presente na produção de ambos. No caso de Severiano, sobretudo, em função das estratégias bioclimáticas de projeto no contexto da Amazônia, visíveis no projeto da Sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa (1971-1974 – 1994-1995 ) e no Centro de Proteção Ambiental de Balbina (1985-1989), só para mencionar os dois mais conhecidos. No caso de Dieste, nas respostas às demandas de grandes vãos em programas arquitetônicos de infraestruturas, equipamentos públicos e instalações industriais, como no Centro de Manutenção do Metrô do Rio de Janeiro (1976), Ceasa do Rio de Janeiro (1976), Fábrica Memphis em Porto Alegre (1976), respectivamente.

Em síntese, a obra do CTEM do Sesi representou um encontro bem sucedido entre a Arquitetura e a Engenharia e a parceria de Severiano e Dieste se repetiu posteriormente em Porto Velho, para o projeto não construído da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia em 1983.

Do projeto à obra

Embora não tenha sido possível identificar as circunstâncias específicas de contratação de Severiano e Dieste para realizar o projeto e a construção do CTEM – Sesi da Barra. A encomenda do projeto com o uso da tecnologia de cerâmica armada desenvolvida por Dieste possivelmente está atrelada a uma contratação orientada por um gestor nacional do Sesi, uma vez que outros projetos foram produzidos pela Edec exatamente no mesmo período, a saber: Sesi Corumbá MS, 1978; Sesi São Gonçalo RJ, 1978; Escola e Clube Jacarepaguá RJ, 1978; Sesi CAT Rio Branco AC, 1978-1979; Sesi Campo Bom RS, 1978-1979; Sesi Parobé RS, 1980-1981 (14).

O contato do Sesi com Severiano Porto seguramente se deu para a contratação de um projeto do Sesi da Parangaba em Fortaleza, que data de 1977. Severiano realizou outros projetos para o sistema "S" como o Sesi São Jorge em Manaus (1970-197?), Senai em Rio Branco AC (1973-1975), Senai em Manaus AM (1973-197?), Sesi em Manaus AM (1973-197?), Sesi em Santarém PA (1975-197?), Sesc em Araruana RJ (1989), Senai Distrito Industrial em Manaus (1994-199?), Sesc em Baía das Pedras MS (1989).

O Centro Regional do Sesi da Barra do Ceará como um todo constitui ainda hoje um grande espaço livre na tessitura urbana do bairro, beneficiando-se de uma vegetação abundante e a presença do Riacho Floresta dentro do generoso terreno.

O CTEM do Sesi se situava em meio a um conjunto de edifícios preexistentes que ainda compõem o complexo do Sesi, notadamente os dois blocos mais próximos à via de acesso: o do refeitório com planta circular e um pavilhão administrativo de dois pavimentos, ambos com características modernizantes e que datam do início da década de 1970. A implantação do novo edifício à época articulava-se a esses dois blocos, tangenciando-os por meio do conjunto de abóbadas em cerâmica armada que compunha a coberta.

A expansão da cobertura em direção à Avenida Francisco Sá cumpria a função adicional de estruturar o acesso ao complexo, abrigando a guarita e a portaria. Assim, a estrutura proposta adquiriu grande visibilidade desde o logradouro, exercendo uma função simbólica importante na identificação institucional do Sesi da Barra do Ceará desde a perspectiva do espaço urbano.

Ao acesso ao CTEM do Sesi Barra do Ceará, imagem publicada no livro Arquiteturas no Brasil / Anos 1980, organizado por Hugo Segawa
Foto divulgação [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

Os usos do entorno, à época da construção do equipamento eram predominantemente de indústrias e residências mais precárias, ainda que algumas empresas tenham migrado na década de 1980 para os eixos de expansão metropolitana e para o Distrito Industrial de Maracanaú.

O declive do terreno foi aproveitado por meio da criação de uma plataforma elevada solta do terreno, que conferia grande leveza ao edifício, reforçada pelo avanço da laje. A diferença de nível favoreceu ainda a geração de um pavimento semi-enterrado abaixo da plataforma, utilizado paras as atividades de ensaio e depósito de instrumentos. A implantação do edifício acontecia paralela à rua e o seu caráter aberto permitia franca integração entre o interior e o exterior, ainda que existisse uma barreira física de um muro de cobogó de tijolo cerâmico.

Acesso ao CTEM do Sesi Barra do Ceará, pavimento semi-enterrado
Foto divulgação [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

O ambiente amplo e aberto do grande salão possibilitava o uso diversificado e flexível já previsto no programa, como as atividades esportivas e culturais. Nesse nível, os elementos programáticos fixos se situavam na periferia da edificação e correspondiam às áreas de apoio, como banheiros, lanchonete, depósitos e na parte posterior localizavam-se o palco e camarins.

Acesso ao CTEM do Sesi Barra do Ceará. Aula de Judô
Foto divulgação [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

A amplitude espacial do grande vão se assemelhava a uma nave de igreja, perceptível na forma dinâmica do vazio proporcionado pela tridimensionalidade das abóbodas. Entretanto, tratava-se de um espaço desacralizado pela informalidade e flexibilidade do uso recreativo de um clube, mas também em razão da ausência de vedações, permanecendo inteiramente aberto. O jogo dinâmico de abóbadas, marcado pela repetição, mas também pela variação de altura, conferia significativa dinamicidade espacial.

Acesso ao CTEM do Sesi Barra do Ceará, aula de judô
Foto divulgação [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

O nível inferior semi-enterrado, em contraponto ao pavimento das atividades de lazer e cultura, desenvolvia-se de forma fechada e abrigava salas de ensaio da orquestra, canto coral e banda de música, além do depósito para instrumentos e equipamentos. Alguns ambientes não contavam com aberturas e janelas e para garantir o isolamento acústico, foram projetadas com paredes duplas, construídas deixando um vazio entre elas. A conexão entre os dois pavimentos se dava através de escadas localizadas nas elevações sudeste e nordeste ou externamente ao edifício, acompanhando o próprio declive do terreno.

Acesso ao CTEM do Sesi Barra do Ceará, imagem publicada no livro Arquitetura nos Brasil/ Anos 1980 organizado por Hugo Segawa
Foto divulgação [Acervo Severiano Porto – NPD/UFRJ]

Os elementos de apoio (depósitos, lanchonetes, etc.) estavam abrigados pelas abóbodas, mas só atingiam a altura do pilar, proporcionando a autonomia da cobertura, além de grande continuidade espacial no interior.

Projeto arquitetônico do CTEM do Sesi Barra do Ceará, cortes, prancha em cópia heliográfica [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

Em geral as obras de Dieste e Severiano são representativas de uma atitude peculiar de considerar a tecnologia, ao incorporar inovações em materiais tradicionais e na absorção da mão-de-obra disponível. Dieste o faz com a exploração máxima do tijolo como elemento estrutural e construtivo e Severiano por meio do uso da madeira e do concreto.

A trajetória de ambos são convergentes em valorizar aspectos relativos à tectônica, especificamente alinhada “à disponibilidade de recursos materiais e humanos, processos e técnicas, colocando-os a serviço de uma linguagem arquitetônica apropriada e comprometida como o espaço e o tempo da sua existência material” (15).

Entretanto, a solução arquitetônica e construtiva/estrutural surgiu como exceção no contexto da produção arquitetônica à época. Para Bastos e Zein, o CTEM do Sesi “seguiu como um exemplo respeitado, mas pouco incensado no meio nacional. Nos anos 1970 se considerava que a característica que destacava a arquitetura moderna brasileira era a exploração plásticas das estruturas de concreto armado” (16).

Leonardo Fitz se vale da interpretação de Edward Allen (17) para sustentar a ideia de que Dieste criou uma espécie de “tipos estruturais”. Tipo compreendido nos termos da interpretação de Giulio Carlo Argan, qual seja, uma abstração, uma essência que não se presta à imitação. Dieste utilizou vários tipos de estruturas como: a) abóbadas gaussianas; b) cascas autoportantes; c) superfícies regradas; d) superfícies dobradas; e) torres vazadas (18).

Dieste considerava que a cobertura de abóboda autoportante era muito flexível como um elemento de composição arquitetônica. De fato, ela possuía o atributo de um tipo estrutural, uma vez que, na condição de elemento irredutível, foi empregada em diversos fins programáticos e funcionais e com possibilidades de expansão.

No caso do CTEM do Sesi a solução foi uma sucessão de abóbodas autoportantes com perfil de uma catenária com balanços generosos de seis metros e apoiadas em pilares de concreto. As abóbodas possuíam ainda como elemento de estabilidade dois cabos pré-tensionados cruzados. A tecnologia proposta por Dieste se impôs pela economia, pelo custo baixo (valor do tijolo, tempo da obra e formas deslizantes) e pela expressiva qualidade arquitetônica das suas estruturas.

Projeto Estrutural do CTEM do Sesi Barra do Ceará, prancha da cópia heliográfica com cobertura [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

No CTEM do Sesi havia duas modulações de abóbodas: as menores, com cinco metros e as maiores, que venciam um vão de 10 metros. Estas últimas possuíam lajes horizontais nas finalizações para resistirem aos empuxos a que estavam submetidas (19).

O projeto do CTEM do Sesi e muitos outros projetos de Severiano Porto se alinhavam em grande medida as proposições presentes no livro “Roteiros para se construir no Nordeste” de Armando de Holanda, visíveis na ideia de “construir frondoso”, preconizando “uma arquitetura sombreada, aberta, contínua, vigorosa, acolhedora e envolvente” (20).

Projeto Estrutural do CTEM do Sesi Barra do Ceará, prancha da cópia heliográfica do detalhamento da cerâmica armada da abóbada [Acervo Severiano Porto NPD/UFRJ]

Do lugar na historiografia

O projeto teve bastante visibilidade nas revistas especializadas brasileiras da época, como publicações específicas na revista Projeto (21) e menções na revista AU – Arquitetura e Urbanismo (22), em meio a matérias sobre Severiano e Dieste. A obra compõe ainda a importante publicação da editora Projeto organizada por Hugo Segawa, denominada Arquiteturas no Brasil / anos 80 (23). Inclusive, identificou-se nessa publicação um equívoco em uma das imagens do edifício, que se encontra espelhada.

O livro Arquitetura no Brasil após 1950, também faz menções ao projeto. Entretanto, verifica-se que não há um aprofundamento maior relativo ao projeto e destaca-se apenas sua importância em uma perspectiva mais ampla da obra de Severiano e Dieste no Brasil.

As narrativas se debruçaram sobretudo no caráter econômico e inventivo das soluções de Dieste, como em Bastos e Zein, ao afirmarem que “a qualidade plástica de suas elegantes estruturas e a sofisticação de seus cálculos superavam os meios relativamente pobres, levando a uma arquitetura de alta qualidade” (24).

A obra ainda aparece, sem análise, em alguns artigos (25), dissertações e teses desenvolvidas sobre a trajetória de Severiano Porto e Eladio Dieste. Aliás, levanta-se como hipótese que uma certa atenção a essa obra em Fortaleza se deve ao protagonismo de Severiano à época e para reforçar, à parceria dos dois. Talvez por se tratar de um “outro caminho” no desenvolvimento da arquitetura moderna em Fortaleza, a historiografia local também não deu muita atenção ao edifício. A localização periférica do CTEM do Sesi na cidade de Fortaleza pode ter também contribuído, infelizmente e equivocadamente, para uma certa desvalorização da obra no contexto da cultura arquitetônica local.

Verifica-se que outras obras de Dieste construídas pelo Sesi em lugares distintos do Brasil não tiveram tanta notoriedade e sequer foram referenciadas pela historiografia. Porém, é preciso admitir que no CTEM do Sesi da Barra, o resultado foi distinto.

Do obituário digital

O termo “obituário” refere-se à informação e anúncio da morte de um indivíduo nos meios de comunicação, principalmente nos jornais e, no caso das pessoas consideradas ilustres, vem acompanhado de uma breve biografia, incluindo uma descrição dos feitos realizados em vida como forma de homenagear e preservar a memória do ente que partiu.

Como uma metáfora, é possível afirmar que os “entes arquitetônicos” também perecem, findam no “óbito arquitetônico”, conforme Luiz Amorim:

“Óbito arquitetônico pode ser entendido como desaparecimento do corpo edilício em sua totalidade ou em suas partes. Quando pleno, dele nada resta; não sobrevive, além dos registros e memória, nada que matéria e espaço moldado expressaram, abrigaram ou possibilitaram” (26).

Deste modo, a produção de um “obituário arquitetônico” se impõe como um registro significativo para a valorização de uma obra e do seu legado. A ideia de um obituário digital “in memorian” do CTEM do Sesi se justifica pela importância em ressuscitar e prolongar a sua existência no tempo, ainda que virtualmente. Essa empreitada foi realizada por meio da produção da modelagem digital do edifício na Plataforma BIM, se valendo das premissas do HBIM – Historic Bulding Information Modelling.

Para José Kos, a modelagem digital é mais que simplesmente uma representação, ela constitui um base de dados digital/virtual da pesquisa, que agrega fontes primárias, imagens, desenhos, documentos, acervos vetorizados e não vetorizados funcionando como a matriz de pesquisa histórica sobre o patrimônio construído (27).

Ainda que não tenha sido simples reunir todas as fontes, a modelagem do edifício foi possível graças ao acesso às plantas em “dwg” fornecidas pela FIEC – Federação das Indústrias do Estado do Ceará e às imagens das cópias heliográficas do projeto de arquitetura e de cálculo estrutural do acervo de Severiano Porto, sob a tutela do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ. Somem-se a isto os registros fotográficos presentes nas publicações sobre o edifício e uma visita in loco realizada em março de 2018.

O redesenho é uma importante ferramenta de pesquisa histórica, pois constitui “uma prática metalinguística, isto é, um simulacro intencional e dirigido do projeto: um projeto do projeto (28). O redesenho por meio da modelagem digital foi realizado no contexto da pesquisa financiada pelo CNPq “(Re)Construção da Arquitetura Moderna em Fortaleza: Memória e Modelagem Digital”, com apoio de um bolsista PIBIT do CNPq do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará. A seguir, o obituário digital do CTEM do Sesi da Barra do Ceará.

Planta de Coberta CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Planta Térreo do CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Perspectiva Digital Geral do CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Elevações do CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Elevações do CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Elevações do CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Perspectiva Diagramática CTEM do Sesi Barra do Ceará
Desenho elaborado pelos autores

Da “morte precoce” ao luto: à guisa de conclusão

O “óbito arquitetônico” do CTEM do Sesi ocorreu primeiramente na intervenção que ocultou o tijolo cerâmico das abóbodas e anunciado posteriormente por uma série de transformações nas atividades e na gestão do Complexo. A princípio, os cursos e grupos artísticos foram se extinguindo, acompanhado de um processo crescente de desmantelamento de ações sociais voltadas para a comunidade. O exemplo mais emblemático se refere ao fim do Centro de Formação de Instrumentistas do Sesi, anunciado no Jornal O Povo: “Quando o ano de 2014 acabar, serão encerrados também os 41 anos de atividades de uma das principais escolas de música de Fortaleza, o Centro de Formação de Instrumentistas do Sesi (Cefis) da Barra do Ceará” (29).

CTEM do Sesi Barra do Ceará capturadas em março de 2018
Foto divulgação [Acervo dos autores]

Esta mudança de direcionamento demonstra como o pensamento neoliberal incide sobre o fomento à cultura (30), visíveis no próprio depoimento do Superintendente Regional da Fiec à época: “Constatamos que o retorno era baixo [...] Fazer gestão é fazer escolhas” (31). A primazia do negócio em relação ao ócio é tão patente que o antigo “Centro Social Dr. Thomaz Pompeu de Sousa Brasil” se denomina atualmente “Núcleo de Negócio Sesi Barra do Ceará” e possui um Plano de Negócios específico para tal fim (32).

CTEM do Sesi Barra do Ceará capturadas em março de 2018
Foto divulgação [Acervo dos autores]

O efeito colateral da diminuição das atividades sociais e culturais do complexo, ainda que as práticas esportivas persistam, reverberou na obsolescência do CTEM do Sesi e culminaram na demolição da estrutura do edifício no segundo semestre de 2019, permanecendo apenas os restos mortais do pavimento semi-enterrado. A justificativa para a demolição se sustenta em um laudo técnico relatando o comprometimento de partes da estrutura. A decisão da FIEC diante do parecer foi que a demolição seria a alternativa mais vantajosa economicamente ao invés da sua reabilitação.

Demolição do CTEM do Sesi Barra do Ceará
Foto Clovis Ramiro Jucá Neto

Depois da morte consumada, ainda não se esgotou a dor da perda. Assim, há a necessidade de uma terapia do luto, que pressupõe superar o desaparecimento do CTEM do Sesi, ação possível apenas por meio de um diálogo entre diversos sujeitos, incluindo as instituições de salvaguarda do patrimônio nas suas diversas instâncias; as instituições de ensino superior, particularmente os cursos de Arquitetura e Urbanismo; os núcleos de pesquisa, como o Docomomo; as instituições do sistema “S” e; sobretudo, a comunidade que usufruía do equipamento. Superar o luto pressupõe ainda elevar o nível de consciência em relação ao valor e significado dessa obra, do âmbito local ao universal, para minimizar os efeitos de mortes precoces de outros “entes arquitetônicos”. O Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi da Barra do Ceará morreu, mas não cumpriu sua sentença!

notas

NE – o presente artigo, aprovado em avaliação por um parecerista ad hoc, seria publicado em janeiro de 2020. A antecipação é uma homenagem ao arquiteto Severiano Porto, falecido no dia 10 de dezembro de 2020, devido a pandemia da Covid-19.

1
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. São Paulo, Edusp, 2002.

2
PAIVA, Ricardo Alexandre; DIÓGENES, Beatriz Helena Nogueira. Dinâmica imobiliária e preservação da arquitetura moderna em Fortaleza. O passado, o presente e o futuro em questão. Arquitextos, São Paulo, ano 19, n. 223.02, Vitruvius, dez. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/19.223/7243>.

3
É importante destacar que a contribuição destes arquitetos estrangeiros à arquitetura moderna em Fortaleza não se relaciona necessariamente à transmissão do conteúdo programático do seu ideário, pois os arquitetos pioneiros da cidade também se formaram no Rio de Janeiro. Ver: PAIVA, Ricardo Alexandre; DIOGENES, Beatriz Helena Nogueira. Caminhos da Arquitetura Moderna em Fortaleza: A contribuição do arquiteto Acacio Gil Borsoi. In: Anais 2° Seminário Docomomo N-NE – desafios da preservação: referências da arquitetura e do urbanismos modernos no Norte e no Nordeste, Salvador, 2008.

4
Sesi tem nova obra em Fortaleza. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 fev. 1973, p. 7.

5
NOBRE, Geraldo da Silva. O processo histórico da industrialização do Ceará. 2ª ed. Fortaleza, FIEC, 2001, p. 312.

6
SANTOS, Simone dos. Projeto Espiral (1976-1979): uma experiência de ensino coletivo de instrumentos de cordas. Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro, UFRJ, 2015, p. 29.

7
Provavelmente Severiano e Dieste tenham sido apresentados por Fayet (que eram amigos de militância no IAB e no CREA), na ocasião da visita que Severiano Porto realizou em Porto Alegre no início dos anos 1970 para pesquisar a Central de Abastecimento em Porto Alegre para o projeto que realizaria em Manaus (1973-1974).

8
HESPANHA, Sérgio Augusto Menezes. Severiano Porto. Entre o regional e o moderno. Arquitextos, São Paulo, ano 09, n. 105.05, Vitruvius, fev. 2009 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.105/76>.

[a]

9
Tanto Severiano como Dieste realizam obra com técnicas construtivas excêntricas desde os anos 1970, ou seja, anteriores ao texto de Liane Lefevre e Alexander Tzonis de 1981. Dieste e Porto não são reacionários ao modernismo.

10
FRAMPTON, Kenneth. El regionalismo crítico: arquitectura moderna e identidad cultural. A&V Monografías, Madri, n. 3, jul./set. 1985.

11
COX, Cristián Fernández. Hacia una modernidad apropriada: obstáculos y tareas internas. In: TOCA FERNÁNDEZ, Antonio. Nueva arquitectura en América Latina: presente y futuro. México, Gustavo Gili, 1990, p. 71-93.

12
Ver: COMAS, Carlos Eduardo; CANEZ, Anna Paula; BOHRER, Glênio Vianna. Arquiteturas cisplatinas: Roman Fresnedo Siri e Eladio Dieste em Porto Alegre. Porto Alegre, UniRitter, 2004.

13
GIOVANNARDI, Fausto; VALMAGGIA, Ariel. Eladio Dieste e Eugenio Rolando Montañez. Opere in Brasile. Firenze, ED 100, 2017, p. 2.

14
Idem, ibidem, p. 2.

15
PAIVA, Ricardo Alexandre. Modernidade (arqui)tectônica: a arte de construir. In: AFONSO, Alcília. (Org.). Modernidade no Norte Nordeste Brasileiro: o diálogo entre arquitetura, tectônica e lugar. Teresina: EDUFPI/Editora Gráfica Cidade Verde, 2017, v. 1, p. 150.

16
BASTOS, Maria Alice Junqueira; ZEIN, Ruth Verde. Brasil. Arquiteturas após 1950. São Paulo, Perspectiva, 2011, p. 156.

17
ALLEN, Edward. Guastavino, Dieste, and the two revolutions in Masonry Vaulting. In: ANDERSON, Stanford (Org.). Eladio Dieste: innovation in Structural Art. Nova York, Princeton Architectural Press, 2004, p. 74.

18
ARGAN, Giulio Carlo. Sobre a tipologia em arquitetura. In: NESBITT, Kate (Org). Uma nova agenda para a arquitetura. São Paulo, Cosac Naify, 2006.

19
FITZ, Leonardo. A obra de Eladio Dieste. Orientadora Cláudia Piantá Costa Cabral. Dissertação de mestrado. Porto Alegre, Propar UFRGS, 2015.

20
HOLANDA, Armando de. Roteiros para se construir no Nordeste: arquitetura como lugar ameno nos trópicos. Dissertação de mestrado. Recife, UFPE, 1976, p. 43.

21
Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi, Fortaleza, Ceará, proj. Severiano Mário Porto; Mário Emílio Ribeiro e Eladio Dieste. Projeto, n. 114, set. 1988, s/p; Escola de música e clube no Nordeste, Fortaleza, CE, proj. Severiano Mario Porto. Projeto, n. 83, jan. 1986, p. 63-65; Clube do Trabalhador e Escola de Música do Sesi, Fortaleza, CE, 1978/80. proj. Severiano Porto; Mario Emílio Ribeiro e Eladio Dieste. Projeto, n. 129, jan./ fev. 1990, p. 127.

22
Com rigor e arte, por Eladio Dieste. AU – Arquitetura e Urbanismo, n. 15, dez. 1987/ jan. 1988, p. 81-87; Um trabalho pioneiro, por Paulo Henrique Coelho. AU – Arquitetura e Urbanismo, n. 15, dez. 1987/jan. 1988, p. 82-83.

23
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil/anos 80. São Paulo, Projeto, 1988.

24
BASTOS, Maria Alice Junqueira; ZEIN, Ruth Verde. Brasil. Arquiteturas após 1950. São Paulo, Perspectiva, 2011, p. 207.

25
HENRIQUES, Gonçalo Castro. Severiano Porto. Sintaxe e processo, que futuro(s)? Arquitextos, São Paulo, ano 17, n. 198.03, Vitruvius, nov. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.198/6303>.

26
AMORIM, Luiz Manuel do Eirado. Obituário arquitetônico. Pernambuco modernista. Recife, Editora UFPE, 2007, p. 162.

27
KOS, José. The Digital Historical Researcher, 20th Education in Computer Aided Architectural Design in Europe Conference – eCAADe 2002. Varsóvia, 2003, p. 502-510.

28
VÁZQUEZ RAMOS, Fernando Guillermo. Redesenho. Conceitos gerais para compreender uma prática de pesquisa histórica em arquitetura. Arquitextos, São Paulo, ano 17, n. 195.09, Vitruvius, ago. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.195/6181>.

29
HOLANDA, Camila. Centro de Formação de Instrumentistas do Sesi encerra as atividades, Jornal de Hoje, Fortaleza, 23 set. 2014 <https://bit.ly/3gAJ93D>.

30
Em depoimento na rede social do Facebook uma postagem denuncia as transformações na política social do Sesi. FLORENZ, Jose Carlos. Uma maneira sutil de acabar com o Lazer no Sesi. Página Facebook do Sesi da Barra do Ceará <https://bit.ly/3qJ5wIR>.

31
HOLANDA, Camila. Op. cit.

32
SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Plano de Negócio Sesi Barra do Ceará. Fortaleza, Departamento Regional do Estado do Ceará, 2013 <https://bit.ly/2JKmxSA>.

sobre os autores

Ricardo Alexandre Paiva é arquiteto e urbanista (UFC, 1997), mestre e doutor (FAU USP, 2005 e 2011). É Professor Associado de Projeto Arquitetônico do DAUD-UFC e do PPGAU+D-UFC e Pesquisador PQ-2 do CNPq. Coordena o LoCAU – Laboratório de Crítica em Arquitetura, Urbanismo e Urbanização-UFC.

Marcos Paulo Cereto é arquiteto (UFRGS, 1999), mestre e doutor (Propar UFRGS, 2003 e 2020). É professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas. Coordena o NAMA – Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia.

Lucas de Vasconcelos Teixeira é graduando em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará e Bolsista PIBIT / CNPq / LoCAU – Laboratório de Crítica em Arquitetura, Urbanismo e Urbanização UFC.

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