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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
O artigo analisa o papel da Escola Nacional de Belas Artes na arquitetura brasileira, a atuação de Lucio Costa enquanto diretor, as trajetórias de arquitetos lá formados e sua contribuição para o Ministério da Educação e Saúde e Brasília.

english
The article analyzes the role of the National School of Fine Arts in Brazilian architecture, Lucio Costa's role as director, the trajectories of architects trained there and his contribution to the Ministry of Education and Health and Brasilia.

español
El artículo analiza el papel de la Escuela Nacional de Bellas Artes en la arquitectura brasileña, el papel de Lucio Costa como director, las trayectorias de los arquitectos formados allí y su contribución a el Ministerio de Educación y Salud y Brasilia.


how to quote

CAVALCANTE, Julia. Da discência à docência. Arquitetos modernos na Escola Nacional de Belas Artes. Arquitextos, São Paulo, ano 21, n. 250.01, Vitruvius, mar. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.250/8014>.

Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro RJ Brasil, 1908. Arquiteto Adolfo Morales de Los Rios y Garcia de Pimentel
Foto divulgação, 1910

Lucio Costa: um professor singular

Inicialmente chamada de Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (1816-1822); depois Academia Imperial de Belas Artes (1826-1889); em seguida Escola Nacional de Belas Artes (1890-1971); hoje recebe o nome de Escola de Belas Artes. As consecutivas denominações resultam das constantes transformações e reformas quanto às ideias de ensino na escola, desde sua instauração após a chegada de D. João VI ao Brasil até os dias de hoje.

Extraindo deste recorte o período que vai de 1890 a 1971, quando a instituição se chamava Escola Nacional de Belas Artes – Enba, a escola erguia-se sobre o regime republicano e enfrentava o seguinte embate quanto ao modelo e métodos de ensino: um grupo positivista que visava a manutenção do modelo vigente, ou seja, o da Academia Imperial de Belas Artes, e um grupo moderno que visava a renovação do modelo acadêmico de ensino no país.

Nesta conjuntura, especialmente no ensino da arquitetura, ainda eclético e historicista, na Escola Nacional de Belas Artes, o professor Adolfo Morales de los Rios (1858-1928) (1) que lecionou de 1905 a 1920, já apresentava suas críticas no que se referia a persistência do Império e a posição à margem dos arquitetos na produção arquitetônica da cidade do Rio.

Após inúmeros embates, a instituição se estabelece sob a direção de Rodolfo Bernardelli e com a vice direção de Rodolfo Amoedo. Posteriormente, em 1930, Lucio Costa (1902-1998) assume a direção da escola até 1931, um período curto, porém bastante profícuo tanto para a história da Escola Nacional de Belas Artes quanto da arquitetura no Brasil e no mundo.

Lucio Costa, que formou-se em arquitetura na Enba sob os moldes de ensino pautados em diretrizes características ao século 19, ou seja, em pedagogias voltadas para os padrões neoclássicos, historicistas e ecléticos na arquitetura, em sua atuação como diretor, buscou destituir este modelo de ensino, segundo ele ultrapassada, em direção a uma linguagem moderna em consonância à que já estabelecia-se no exterior.

Em seu famoso trabalho Modern Architecture in Brazil (2), de 1956, Henrique Mindlin comenta sobre o ensino da arquitetura no Brasil deste período:

“Still another problem of the greatest importance for the future development of modern architecture must be mentioned: the problem of teaching it. Formerly combined with the teaching of fine arts or of engineering, it became independent of them in 1945 with the creation of separate Schools of Architecture in the various universities in the country. As the principal means of training young architects, work in established architectural offices, in direct contact with the day-to-day problems of professional practice, was substituted for the old atelier system inherited from the École des Beaux Arts” (3).

O ideal de ensino de Lucio Costa estava atrelado às influências do exterior. Isto é, com as vanguardas modernas da arte ocidental; com o construtivismo na Rússia pré-revolucionária; a Holanda e o neoplasticismo; a Bauhaus; o racionalismo das formas; o lema “a forma segue a função” de Luis Sullivan; os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna – Ciam’s (4) e sobretudo, os projetos dos alemães Walter Gropius e Ludwig Mies van der Rohe. Portanto, Lucio Costa estava afinado com o espirito moderno da época e as renovações das linguagens artísticas no começo do século 20, logo era este novo espírito que o arquiteto pretendia inserir no ensino da Escola Nacional de Belas Artes sob sua direção.

Neste cenário externo, uma figura influenciou consideravelmente Lucio Costa, de modo que foi fundamental para a história da arquitetura moderna e que aqui se desenvolveu, Charles-Edouard Jeanneret-Gris (1887-1965), mais conhecido como Le Corbusier. O arquiteto franco-suíço realizou duas viagens ao Brasil, uma em 1929 e outra em 1936, viagens as quais implantaram no Brasil elementos que se desdobraram aqui sob uma forma original e única.

Entre suas importantes premissas, conceitos e atributos para a arquitetura moderna, estão o Sistema dominó (5); os “Cinco pontos da Nova Arquitetura” (6) e a Carta de Atenas (7). Lucio Costa possuía particular admiração por Le Corbusier, assim como por Gregori Warchavchik (1896-1972) (8), que além de serem amigos seus, foram grandes influenciadores do seu trabalho.

No Brasil, conforme afirma Lauro Cavalcanti: “O campo arquitetônico se dividia, então, em três correntes: a “acadêmico-eclética”, favorável a referências e estilo pretéritos internacionais, a “neocolonial”, propugnadora de retorno às formas nativas de um brasil neocolonial, e a “modernista” (9). Em paralelo, quanto a didática ainda presente no ensino da arquitetura na Enba, afirmava Lucio Costa: “Fazemos cenografia, “estilo”, arqueologia, fazemos casas espanholas de terceira mão, miniaturas de castelos medievais, falsos coloniais, tudo, menos arquitetura” (10). Assim, ainda sobre a necessidade de reformulação do ensino da arquitetura na Enba, observou Lucio Costa em 1930:

“Acho que o curso de arquitetura necessita uma transformação radical. Não só o curso em si, mas os programas das respectivas cadeiras e principalmente a orientação geral do ensino. A atual é absolutamente falha. A divergência entre a arquitetura e a estrutura, a construção propriamente dita, tem tomado proporções simplesmente alarmantes” (11).

Em seu cargo frente a direção da Enba, o arquiteto deu início às mudanças das diretrizes de ensino da arquitetura da escola em prol de uma vertente moderna sobretudo por meio da contratação de novos professores vinculados a este ideário. Quanto às mudanças, declarou:

“A reforma visará aparelhar a escola de um ensino técnico-cientifico tanto quando possível perfeito, e orientar o ensino artístico no sentido de uma perfeita harmonia com a construção. Os clássicos serão estudados como disciplina; os estilos históricos como orientação crítica e não para aplicação direta. [...] Acho imprescindível que os nossos arquitetos deixem a escola conhecendo perfeitamente a nossa arquitetura da época colonial – não com o intuito da transposição ridícula dos seus motivos [...], mas de aprender as boas lições que ela nos dá de simplicidade, perfeita adaptação ao meio e à função, e consequentemente, beleza” (12).

Desta maneira, torna-se claro que a reformulação no ensino da arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes trazida por Lucio Costa, por meio de sua direção, formou as bases para o desenvolvimento de uma nova arquitetura, ou seja, implantou no Brasil as origens da arquitetura moderna.

Tais mudanças, por sua vez, tiveram impactos e reverberações na geração de arquitetos que lá se formaram. Neste sentido, em relação a arquitetura futura, Lucio Costa enquanto professor já transferia com maestria suas lições e ensinamentos aos arquitetos ainda em formação na escola. A exemplo de uma de suas lições:

“Interessa ao estudante, antes de mais nada, conhecer como, em condições idênticas ou diferenciadas de época, do meio, de material e de técnica ou de programa, os problemas da construção foram arquitetonicamente resolvidos no passado” (13).

Contudo, a gestão de Lucio Costa na Enba possuía campanhas de oposição, as quais levaram à sua demissão em 18 de setembro de 1931. Sobre a incompreensão e reação de seus contemporâneos em relação a sua gestão e mudanças, como anunciou o arquiteto:

“Na revolução da arquitetura, ou seja, nas transformações sucessivas por que tem passado a sociedade, os períodos de transição se têm feito notar pela incapacidade dos contemporâneos de julgar o vulto e alcance da nova realidade cuja marcha pretendem sistematicamente deter. A cena é, então, invariavelmente a mesma: gastas as energias que mantinham o equilíbrio anterior, rompida a unidade, uma fase imprecisa e mais ou menos longa sucede, até que, sob atuação e formações convergentes, a perdida coesão se restitui e o novo equilibro se estabelece” (14).

Mesmo com as resistências presentes, o envolvimento e engajamento de Lucio Costa, em todas as suas atuações, não somente na direção da Enba, mas também nos demais trabalhos que exerceu, como sua direção no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan e na Escola Nacional de Belas Artes, abriram as portas ao processo de modernização do Brasil em seu âmbito artístico e cultural – livre das amarras do passado eclético e historicista – sem, contudo, ignorar a cultura autóctone do País.

Em seu texto “Razões para a nova arquitetura”, de 1934, Lucio Costa já comentava sobre as mudanças que buscava e suas possíveis consequências, nas palavras do arquiteto: “Não há com o recear pela tranquilidade das gerações futuras. As “revoluções” – com seus desatinos – são, apenas, o meio de vencer a encosta, levando-nos de um plano árido a outro, ainda fértil” (15).

De fato, nas gerações futuras encontraremos essa fertilidade no campo arquitetura, conforme previu o arquiteto. Uma vez que, após suas “revoluções”, o terreno assentado por Lucio Costa tornou o espaço propício para o desenvolvimento da linguagem moderna na arquitetura, a qual foi encontrando espaço e disseminando-se no Brasil. Logo, gradualmente os arquitetos modernos foram assumindo uma posição de destaque no cenário arquitetônico, como afirma Lauro Cavalcanti em seu trabalho Moderno e Brasileiro:

“Os arquitetos modernos conquistaram a posição de dominantes, desde a década de 1940, ao vencerem o debate com seus oponentes coloniais e acadêmicos nas seguintes frentes: a construção de monumentos estatais para o Estado Novo, a instauração de Serviço de Patrimônio responsável pela constituição de um capital simbólico nacional – com a seleção e a guarda das obras consideradas monumentos nacionais – e, finalmente, a proposição de projetos de moradias econômicas, para a implantação, no pais, de uma política de habitação popular” (16).

A atuação de Lucio Costa foi curta, porém significativa. Em apenas um ano de sua presença na Escola Nacional de Belas Artes o arquiteto contribuiu para a gênese do ideário moderno no ensino de arquitetura na escola e na configuração dos projetos arquitetônicos a partir de então. O arquiteto trouxe transformações para a época, cujas implicações permanecem ainda nos dias de hoje, motivo o qual o torna o principal nome da história da arquitetura moderna brasileira.

Trajetórias ilustres no aprendizado e ensino de arquitetura na Enba

Como vimos, Lucio Costa estabeleceu as bases para o processo de surgimento da arquitetura moderna no Brasil. Seu pioneirismo em relação as mudanças neste meio fizeram do arquiteto um personagem singular, cuja magnitude reverberou na formação intelectual e profissional de jovens arquitetos.

Em outras palavras, suas lições e princípios foram apreendidos pelos arquitetos ainda estudantes da Escola Nacional de Belas Artes, os quais posteriormente tomaram-se professores tão ilustres quanto o mestre. Em seu texto “Interessa ao estudante”, Lucio Costa deixa como uma de suas lições sobre arquitetura:

“A consciência do sentido verdadeiro dessa preciosa experiência acumulada é necessária para que então o aluno, profundamente imbuído do espirito novo de sua época, se familiarize com as condições particulares do meio em que vive, se assenhorie dos novos recursos de material e de técnica, se informe das particularidades especificas dos programas contemporâneos, se exercite e apure nos segredos da comodulação e da modernatura, a fim de, por sua vez, habilitar-se a resolver, arquitetonicamente, os problemas atuais da construção” (17).

Jovens arquitetos, alunos da Enba, como Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Machado Moreira e outros nomes, obtiveram enorme sucesso em sua geração, cujos projetos se encontram hoje na historiografia da arquitetura como os mais celebrados da arquitetura moderna brasileira.

Um levantamento de arquitetos modernos formados na Escola Nacional de Belas Artes seguido de suas principais obras, realizado a partir do livro Quando o Brasil era moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960, de Lauro Cavalcanti (18).

Tabela de arquitetos modernos formados na Escola Nacional de Belas Artes e suas principais obras
Elaboração Julia Cavalcante, 2020

Quanto a totalidade do número de formações no curso de arquitetura na instituição, Lauro Cavalcanti em Moderno e Brasileiro apresenta um notável dado estatístico conforme o relatório do diretor da Enba, Augusto Bracet, ao ministro Capanema, em 4 de novembro de 1940:

“A Escola Nacional de Belas Artes havia formado, de 1890 a 1900, somente três arquitetos. De 1901 a 1929, 37 profissionais. De 1930 a 1939 graduaram-se 344 arquitetos (48 em 1930; 56 em 1931; 58 em 1932; 68 em 1933; 59 em 1934; 17 em 1935; 8 em 1936; 8 em 1937; nenhum em 1938 e 28 em 1939” (19).

Sejam como alunos, professores ou diretores, os nomes presentes no quadro acima tornaram-se presenças eminentes no cenário acadêmico e profissional relacionado a arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes. Tratam-se de trajetórias brilhantes que tiveram suas carreiras elevadas ao corpo docente da escola, dando continuidade aos antigos mestres com os quais aprenderam suas lições.

Muitos dos recém formados arquitetos seguiram por diferentes trajetórias e destinos, sem, no entanto, romperem relações com a escola que os formou. Logo, neste panorama de tempos de estudante e tempos de professor na escola, destacam-se, por exemplo, alguns recortes individuais que mostram relação que se seguiu de arquitetos com a Enba, como:

  • Attilio Corrêa Lima, que formou-se engenheiro-arquiteto na escola com direito a medalha de ouro e viagem à Europa e estudou na França com Alfred Agache, especializando-se em urbanismo. Tornou-se o primeiro professor da recém-criada cadeira de Urbanismo da Enba a convite de Lucio Costa. No início dos anos 1930, junto com o arquiteto Paulo Antunes Ribeiro abriu um escritório e no mesmo ano abriu o seu próprio;
  • Paulo Antunes Ribeiro, formou-se arquiteto e urbanista, e assim como Attilio e outros estudantes formados na escola, também recebeu a medalha de ouro e o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Belas Artes;
  • Affonso Eduardo Reidy, ainda durante seus estudos em arquitetura estagiou como assistente do urbanista francês Alfred Agache na elaboração do novo plano diretor da cidade do Rio de Janeiro. No ano de sua formação foi indicado por Lucio Costa a ser assistente de Gregori Warchavchik na Escola Nacional de Belas Artes. Logo, tonou-se professor da cadeira de Composição de Arquitetura da escola (1931-1933), primeiro como assistente de Warchavchik e em seguida como titular;
  • Wladimir Alves de Souza, formou-se arquiteto e também conquistou o prêmio de viagem na Europa em concurso na Escola Nacional de Belas Artes, o Prêmio Caminhoá. Em 1938, tornou-se professor catedrático na Enba, atuando na área de Teoria e Filosofia da Arquitetura e ocupando posteriormente, por duas vezes, o cargo de diretor da Escola Nacional de Belas Artes. Também atuou como membro do Conselho do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e diretor-adjunto do Museu Nacional de Belas-Artes. Em 1944, em companhia de alunos da Faculdade Nacional de Arquitetura, realizou uma conferência em Lisboa acerca da Arquitetura Brasileira;
  • Entre os MMM Roberto, Marcelo Roberto, o irmão mais velho, ainda antes de se formar na ENBA, entre 1929 e 1930, viajou por seis meses pela Europa, e ao retornar ao Rio passou a trabalhar com o construtor J. Santos, chamando a atenção do arquiteto Lucio Costa. Ele pertenceu a turma da ENBA que, sob a influência de Gregori Warchavchik e Lucio Costa, organizou a primeira exposição de arquitetura tropical. Marcelo foi o fundador do escritório M Roberto no Rio de Janeiro em 1930, que funcionou com o seu nome até 1934. Em seguida os outros dois irmãos se juntam ao trabalho no escritório. Milton em 1934 e Maurício, em 1941, ainda estudante;
  • Luís Carlos Nunes, formou-se arquiteto e urbanista. Ainda estudante, comandou como presidente do diretório acadêmico, tendo como vice Jorge Machado Moreira, a greve de apoio ao projeto de renovação do ensino proposto por Lucio Costa, então diretor da Enba, no apoio contra a sua demissão;
  • Jorge Machado Moreira, ainda estudante, na vice-presidência do diretório acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes, junto a Luís Carlos Nunes, também colaborou na implantação do projeto de renovação do ensino proposto por Lucio Costa. O arquiteto manteve intensa relação com o desenvolvimento da escola desde seus tempos de estudante, de modo que posteriormente tornou-se arquiteto chefe do Escritório da Universidade do Brasil (1950-1955), coordenando a equipe responsável pelo planejamento da cidade universitária da Ilha do Fundão, no Rio. O arquiteto foi autor, por exemplo, de dois importantes projetos na cidade universitária: o Instituto de Puericultura e Pediatria (1949-1953) e o prédio da Faculdade de Arquitetura e da Reitoria (1957);
  • Alcides da Rocha Miranda, ainda em seus tempos de estudante, estagiou no escritório de Emílio Baumgart, calculista do projeto do Ministério de Educação e Saúde. Após formado como arquiteto, obteve destaque enquanto conservador do patrimônio, atuando como técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ao lado de Rodrigo Mello Franco de Andrade e de Lucio Costa. Alcides foi o primeiro diretor da Escola de Arquitetura e Belas Artes;
  • Oscar Niemeyer, após formado, iniciou sua carreira profissional no escritório de Lucio Costa. Ainda em 1950 quando se apresentou para o trabalho no escritório, disse Lucio Costa sobre o jovem Oscar: “o aprendiz daquela época já era consciente do seu valor e tinha um vago e confuso pressentimento do seu destino” (20). Em 1939-1940, projetaram juntos o pavilhão brasileiro para a Feira Internacional de Nova York, evento importante na inserção do Brasil no campo arquitetônico mundial, e anos depois, trabalharam juntos na idealização de Brasília.

Dado o período histórico, as trajetórias apresentadas de certo modo se entrecruzam devido sua contemporaneidade. De maneira que muitos trabalharam juntos, fizeram parcerias, participaram dos mesmos concursos, integraram as mesmas equipes, compartilharam serviços, indicavam uns aos outros, e, na maior parte dos casos, mantinham relações de amizade, as quais, muitas delas, duraram praticamente vidas inteiras.

Neste recorte apresentado, um fato chama atenção, praticamente todas as trajetórias dos arquitetos foram marcadas pela presença de professores, orientadores e mentores em seus destinos acadêmicos e profissionais. Determinados ensinamentos, influências, contatos e oportunidades, assim como os estágios em escritórios de arquitetura foram fundamentais para a formação e início de carreira dos mesmos.

Além de Lucio Costa, que particularmente possuía um olhar atento ao talento e potencial dos jovens arquitetos, estiveram presente no início de muitas dessas trajetórias nomes como Gregori Warchavchik e Alfred Agache (1875-1959) (21), os quais contribuíram significativamente para esta experiência única no cenário arquitetônico brasileiro — acompanharam o nascimento do modernismo na arquitetura no país.

Além, é claro, de Le Corbusier, cujo contato com o Brasil foi primordial para arquitetura que aqui se desenvolveu. Seus princípios formais e teóricos, como a integração entre arquitetura e paisagem, o uso de pilotis, brise soleil, terraço jardim, pano de vidro e fachada livre, foram absorvidos e interpretadas pelos arquitetos brasileiros, dando vida às inovações estéticas e construtivas locais. A esta e demais influências, Lauro Cavalcanti atribui como circunstâncias propiciadoras da singularidade da arquitetura moderna brasileira:

“Não diferente de outros países do novo mundo, o estilo chegou entre nós graças à migração, visita de europeus, retorno de brasileiros que estudaram na Europa e, principalmente entusiasmo pelo novo estilo por parte das gerações mais jovens de arquitetos. Algumas enormes diferenças assinalam, contudo, o nosso modernismo: a boa condição econômica do Brasil, o desejo de o governo buscar uma base para a capital federal e uma brilhante geração de intelectuais e arquitetos, com penetração nas brechas do aparelho cultural do estado, que transformaram o estilo em uma nova linguagem, inconfundivelmente brasileira e universal” (22).

O contexto político do início dos anos 1930 sugeria a possiblidade de desenvolvimento da arquitetura moderna no país, como destacou Lauro sobre a boa condição econômica do Brasil, que atravessava um momento de certa pujança econômica, notabilizando-se um esforço governamental no sentido de sua “modernização” (23). E continua:

“O governo de Getúlio Vargas desejava imprimir sua marca nas formas do Rio de Janeiro e elege como uma de suas prioridades a construção de palácios e sedes para abrigar a sede dos ministérios e órgãos públicos da nova administração” (24).

Neste contexto, é possível compreender a absorção das influências externas na nova arquitetura aliada a mudança no ensino e no aprendizado do curso no país através dos projetos construídos a partir de então: em edifícios estatais, como o palácio o Ministério da Educação e Saúde; na construção de museus, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; em habitações populares ou restritas a uma camada restrita da sociedade, como o Pedregulho e o Parque Guinle e em residências privadas, como a Casa das Canoas. De modo geral, tratam-se de obras que apresentam a “modernização” caracterizada pelo autor.

Enba: genitora do Ministério da Educação e Saúde e Brasília

Nesta conjuntura, da existência de um campo já propício e fértil para os arquitetos modernos desempenharem seus papéis profissionais e acadêmicos, interessa-nos pensar o processo de maturidade dos trabalhos desses arquitetos e o desenvolvimento de suas linguagens próprias no cenário arquitetônico do período moderno. Neste momento, os arquitetos modernos começaram a ter relevância no meio, de modo que passaram a vencer diversos concursos de projetos arquitetônicos, sobretudo para a construção de obras públicas, no sentido de modernização das cidades, em particular, do Rio de Janeiro.

Neste panorama geral, é curioso perceber o posicionamento da Enba tanto no contexto de nascimento da linguagem moderna na arquitetura brasileira quanto no seu contexto de maturidade desta linguagem em formação. Estes dois momentos podem ser notados através de duas grandes obras – o Ministério da Educação e Saúde e da cidade de Brasília.

Em 1935, foi aberto o concurso de anteprojetos para a nova sede do Ministério da Educação e Saúde, em 1935, o qual levou seis meses para uma decisão definitiva de seu projeto. O projeto vencedor foi o de Archimedes Memória (1893-1960) (25), mas devido sua inadequado por afinação com os estilos acadêmicos e neocoloniais, o ministro Gustavo Capanema (1901-1985) não o executa. Após algumas atribulações, sugestões e por fim, a anuência presidencial, o ministro convida Lucio Costa para elaborar um novo projeto em consonância a uma aspiração modernizadora voltada para o futuro.

Lucio Costa aceita o convite para o trabalho, convida Le Corbusier para atuar como consultor do projeto e forma uma equipe de ex-alunos da Enba, que ficaram conhecidos como “Grupo dos cinco”, são eles: Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, Ernani Vasconcellos e Oscar Niemeyer.

Assim, em 1945, no Rio de Janeiro, é inaugurada a sede do Ministério da Educação e Saúde (atual Palácio Gustavo Capanema), inscrevendo na história da arquitetura brasileira o resultado de uma junção da matriz corbusiana com as experiências até então realizadas pela escola carioca. Nesta perspectiva, este edifício que tornou-se um marco da arquitetura moderna brasileira é resultado de mentes que estudaram e formaram-se na Escola Nacional de Belas Artes.

Este edifício, em particular, trouxe para a arquitetura brasileira o reconhecimento externo que até então não possuía com tanta notabilidade. Conforme observa Lauro Cavalcanti em Dezoito graus: Rio moderno, uma história do Palácio Gustavo Capanema:

“Até meados dos anos 1930, o modernismo nacional parecia apenas uma nova importação, diversa na forma, mas similar no espírito a tantas outras já realizadas nas arquiteturas dos séculos anteriores. Esse quadro foi radicalmente alterado a partir de 1936, por meio da cooperação entre a equipe brasileira e Le Corbusier, com a releitura tropical de seus princípios para a construção do Prédio do Ministério de Educação e Saúde. [...] A partir daí a timidez foi afastada da arquitetura brasileira, que passou a se relacionar de modo mais original e maduro com a cena moderna internacional” (26).

Neste cenário, por meio da exposição “Brazil Builds: architecture new and old” (27), realizada no The Museum of Modern Art – MoMA, em 1943, a arquitetura concebida no Brasil na década de 1930 e 1940 consumou a entrada do modernismo brasileiro no cenário internacional. Segundo Lauro Cavalcanti:

“Philip L. Goodwin, co-autor do prédio do MoMA, e G.E Kidder Smith passaram, em 1942, seis meses no Brasil, visitando prédios e entrevistando a nova geração de arquitetos. Fascinados pelo modernismo brasileiro, organizaram a primeira mostra a captar o singular elo entre foras revolucionárias e a descoberta e preservação de prédios históricos” (28).

Em outras palavras, a exposição teve um papel importante na consolidação da linguagem da arquitetura moderna brasileira no campo arquitetônico internacional. De acordo com Lauro Cavalcanti, esse reconhecimento encorajou os arquitetos brasileiros a manter distância dos cânones europeus e a criar os seus próprios padrões, o que proporcionou a criação de uma nova linguagem nacional. Assim, “a segunda geração modernista passa a ter o Brasil, em geral e Oscar Niemeyer, em particular, como uma de suas mais fortes referências” (29)

Esta nova gramática de características singulares, citada por Lauro, pode ser considerada pelo o que ficou conhecida na historiografia da arquitetura como Escola Carioca, um nome que caracterizou o estilo único desenvolvido na arquitetura moderna brasileira entre os anos 1940 e 1950, também chamada de brazilian style, o qual fincou os aspectos locais que contribuíram para seu reconhecimento internacional. Conforme afirmou Alan Hess:

“The world came to Brazil in the 1950s. In 1951, the São Paulo Architecture Biennial brought Walter Gropius, Max Bill, and other influential European architects to witness, among other buildings, Niemeyer’s new house with the astonishing amoeba-shaped roof. Publications proliferated: Brazil Builds, Kidder-Smith's catalogue of the exhibit, put Brazil on the map in 1943, followed by two monographs on Oscar Niemeyer by Stamo Papadaki in 1950 and 1960” (30).

Tais eventos representaram um marco fundamental na difusão da importância histórica e artística da arquitetura brasileira para o mundo, que atingiu seu ápice construtivo em 1960, com a inauguração de Brasília. Esta nova cidade, que abrigaria a capital do Brasil, iniciada em 1956 após a posse de Juscelino Kubitschek, foi inteiramente construída a partir de preceitos modernos. Assim observou Lauro Cavalcanti:

“Ao decidir construir a nova sede no centro do Brasil, Juscelino Kubitschek chamou Oscar Niemeyer para fazer os prédios e o projeto urbanístico. Projetar uma nova capital para o futuro em região semiárida, sem qualquer constrangimento cultural de estruturas já existentes, era a tarefa dos sonhos de qualquer modernista” (31).

Desde a concepção inicial do projeto da cidade, como mostra o projeto de Lucio Costa, vencedor do concurso para o plano piloto da cidade, até suas edificações, com os palácios projetados pelo Oscar Niemeyer, a exemplo do Palácio da Alvorada (1956-1958), da Praça dos Três Poderes (1957-1958), do Palácio do Itamaraty (1959-1967), entre outros. Quanto ao concurso e o projeto vencedor de Lucio Costa, disse Mário Pedrosa em seu famoso texto "Reflexões em torno da Nova Capital”, de 1957:

“Lucio Costa vence lisamente o concurso, por mais que circunstancias externas deem uma aparência em contrário. Alguns dos concorrentes são arquitetos de talento reconhecido e apresentaram trabalho bem cuidado e, às vezes, até caprichoso. A modesta apresentação de Lucio, um cartão e umas folhas datilografadas explicativas, com aqui e acolá uns croquis à mão para ilustrar o texto, em contraste com a suntuosidade e complexidade de outras apresentações deixou o grande público atônito” (32).

Neste cenário da construção de Brasília, percebemos novamente presença significativa de arquitetos modernos, formados pela Escola Nacional de Belas Artes, liderando também a construção da nova capital do país. Isto é, arquitetos que atuaram no Rio de Janeiro na concepção de projetos significativos como o Ministério da Educação e Saúde dando forma também a nova cidade que foi Brasília. Como continua o autor:

“Esse processo de transformação que provocará uma revolução estética começa com a consultoria de Le Corbusier no prédio do Ministério de Educação e Saúde 91936), é difundida através de ações de Política da Boa Vizinhança (1940-45), chega à maioridade por ocasião do projeto da Pampulha (1942-43) e atinge seu ápice na construção de Brasília (1956-60), fechando o ciclo do que se convencionou chamar de Alto Modernismo na arquitetura brasileira” (33).

Considerações finais

Para pensar sobre a presença da Escola Nacional de Belas Artes é interessante contrapor esses dois momentos e produções aqui apresentados. Inicialmente, Lucio Costa nos anos 1930, em sua direção na escola trouxe as mudanças e reformulações no ensino da arquitetura na instituição em prol de uma vertente moderna.

Posteriormente, as ações e lições deste importante arquiteto junto a influências e orientações externas como as de Gregori Warchavchik, Alfred Agache e Le Corbusier, que repercutiram na formação intelectual e profissional de jovens arquitetos formados na instituição, os quais posteriormente tomaram-se professores tão ilustres quanto o mestre. De maneira igual, o modo como influenciaram não só uns aos outros, mas também os novos arquitetos em formação, assim como foram, no passado, auxiliados e orientados por seus mestres.

Neste sentido, a absorção das novas diretrizes no campo profissional e acadêmico resultou nos anos 1940 e 1950 em uma experiência única no cenário arquitetônico brasileiro, na constituição de uma arquitetura singular reconhecida internacionalmente.

Portanto, observamos neste percurso, a presença da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, tanto no contexto de nascimento de uma nova linguagem da arquitetura brasileira como no contexto de sua maturidade. Em resumo, o papel da Enba tanto em uma fase inicial de formação das bases para o modernismo quanto em uma fase posterior, já de maturidade, em que importantes obras e projetos foram concretizados por meio de arquitetos lá formados.

Nesta perspectiva de retorno ao passado, no que tange ao período de formação dos arquitetos, e as suas reverberações futuras, no que se refere aos resultados concretizados arquitetonicamente, constatamos o importante posicionamento da escola na formação daqueles que lideraram e projetaram dois importantes marcos para a história da arquitetura moderna brasileira: o Ministério da Educação e Saúde e a cidade de Brasília.

Por fim, é curioso pensar na Escola Nacional de Belas como uma instituição que consagrou-se pela formação de arquitetos modernos eminentes, que tiveram não só uma atuação significativa no campo profissional como também no de ensino acadêmico. E, sobretudo a presença de arquitetos ilustres que mantiveram suas trajetórias e carreiras ligadas à escola, isto é, que tornaram-se mestres na mesma instituição em que se formaram, atuando como professores e/ou diretores.

notas

1
Adolfo Morales de Los Rios y Garcia de Pimentel (Sevilha, 1858; Rio de Janeiro, 1928). Arquiteto, urbanista, professor e historiador. Foi responsável pelo projeto do prédio da Enba e lá foi professor do curso de arquitetura. Seu filho Adolfo Morales de los Rios Filho herdou as cadeiras de História da Arquitetura e de Teoria e Filosofia da Arquitetura na Enba, tornando-se também professor.

2
Henrique Ephim Mindlin (São Paulo, 1911; Rio de Janeiro, 1971). Arquiteto, urbanista, professor, historiador da arquitetura. Atuou como professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. MINDLIN, Henrique Ephim. Modern architecture in Brazil. Rio de Janeiro/Amsterdam, Colibris, 1956.

3
Idem, ibidem, p. 8.

4
Congresso Internacional da Arquitetura Moderna, importante veículo ideológico da arquitetura moderna.

5
Desenvolvido entre 1914 e 1917, trata-se de um sistema construtivo aplicável a fabricações em série.

6
Em 1926 Le Corbusier publica os cinco pontos da nova arquitetura, que são: planta livre, sistema de pilotis, uso de brise-soleil, terraço jardim e janelas em fita. Os cinco pontos foram aplicados por Le Corbusier na Villa Savoye (1928), um dos ícones maiores da arquitetura moderna no século 20.

7
Publicada por Le Corbusier em 1933 no IV Ciam, trouxe discussões sobre urbanismo, (habitação, lazer, trabalho, circulação e patrimônio histórico). No Brasil, seus preceitos influenciaram a criação do Plano Piloto de Brasília por Lúcio Costa.

8
Gregori Ilych Warchavchik (Odessa, 1896; São Paulo, 1972). Um dos principais nomes da primeira geração de arquitetos modernistas do Brasil.

9
CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro, Aeroplano, 2001, p. 365.

10
COSTA, Lucio. Lucio Costa: registro de uma vivência. São Paulo, Empresa das Artes, 1995, p. 68.

11
Em entrevista concedida em dezembro de 1930. Idem, ibidem, p. 68.

12
Idem, ibidem, p. 68.

13
Idem, ibidem, p. 117.

14
Idem, ibidem, p. 108.

15
Idem, ibidem, p. 109.

16
CAVALCANTI, Lauro. Moderno e brasileiro: a história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60). Rio de Janeiro, Zahar, 2006, p. 10.

17
COSTA, Lucio. Op. cit., p. 117.

18
CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: guia de arquitetura 1928-1960 (op. cit.).

19
Arquivo Capanema, CPDOC/FGV. CAVALCANTI, Lauro. Moderno e brasileiro: a história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60) (op. cit.), p. 10.

20
No prefácio para o livro de Stamo Papadaki, Oscar Niemeyer, 1950. In COSTA, Lucio. Op. cit., p. 195.

21
Arquiteto francês, conhecido por ter planejado a urbanização de cidades brasileiras nas décadas de 1940 e 1950. Muito do que foi proposto não veio a acontecer.

22
CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: guia de arquitetura 1928-1960 (op. cit.), p. 12-13.

23
Idem, ibidem, p. 12-13.

24
CAVALCANTI, Lauro. Moderno e brasileiro: a história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60) (op. cit.), p. 12-13.

25
Arquiteto brasileiro, foi professor de Composição da Escola de Belas-Artes.

26
CAVALCANTI, Lauro. Dezoito graus: Rio moderno, uma história do Palácio Gustavo Capanema. Língua Geral, 2014, p. 9.

27
Realizada pelo arquiteto norte americano Philip L. Goodwin, a exposição sobre a arquitetura produzida no Brasil não apenas naquele momento, mas desde meados do século XVII. A exposição foi amplamente baseada em fotografias feitas por G. E. Kidder Smith, de modo que ocupou quase todo o térreo do museu com modelos, grandes impressões fotográficas, desenhos, croquis, plantas, mapas e projeções de slides. A mesma resultou no catálogo Brazil Builds, talvez primeira grande publicação sobre a arquitetura brasileira a percorrer outros continentes.

28
CAVALCANTI, Lauro. Dezoito graus: Rio moderno, uma história do Palácio Gustavo Capanema. Op. cit., p. 19.

29
CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960 (op. cit.), p. 21-22.

30
HESS, Alan. Casa Modernista: A History of the Brazil Modern House. Nova York, Rizzoli, 2010, p. 18.

31
CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960 (op. cit.), p. 421.

32
PEDROSA, Mário; ARANTES, Otília Beatriz Fiori. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos. São Paulo, Edusp, 1998, p. 394.

33
CAVALCANTI, Lauro. Moderno e brasileiro: a história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60) (op. cit.), p. 9.

sobre a autora

Julia Cavalcante é graduanda do curso de História da Arte na Escola de Belas Artes da UFRJ e atua na área de pesquisa e documentação do Instituto Memória da Arquitetura Brasileira. Teve o artigo “Casa de Mendes: o modernismo de Niemeyer no interior do Rio de Janeiro” publicado nos anais no 6° Seminário Museografia e Arquitetura de Museus: Pesquisa e Patrimônio, em 2019.

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