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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
O ensaio combina uma narrativa literária com texto técnico-científico com o objetivo de propor uma reflexão poética acerca do tempo, da escala, do lugar e da memória das crianças pequenas nas cidades a partir das diferentes perspectivas de dois irmãos.

english
The essay combines a literary narrative with a technical-scientific text with the aim of proposing a poetic reflection about: time, scale, place and memory of toodlers in cities from the perspectives of two brothers with diferente ages.

español
El ensayo combina una narrativa literaria con un texto técnico-científico con el objetivo de proponer una reflexión poética sobre el tiempo, la escala, el lugar y la memoria de los niños pequeños en las ciudades desde las perspectivas de dos hermanos.


how to quote

MIGLIANI, Audrey; ALMEIDA, Eneida de; IMBRUNITO, Maria Isabel. O tempo, a escala e a memória. A criança na cidade. Arquitextos, São Paulo, ano 22, n. 259.13, Vitruvius, dez. 2021 <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/22.259/8536>.

Kairós era uma criança de três anos que, no auge de sua curiosidade, sensível e atento aos pequenos detalhes, adorava fazer pequenas pausas durante o percurso até a escola, que ficava a três quadras de casa, para observar o formato das nuvens no céu, as formigas carregando folhas cujo tamanho é duas vezes maior do que seu próprio corpo (isso é realmente impressionante!), ou ainda observar qual formato sua sombra faria no piso da calçada. Kairós aprendia muito em seu trajeto casa-escola. Ele gostava de almoçar cedo e se preparava com calma para esse momento porque sabia, dentro de si, que a cada dia veria coisas novas pelo caminho. Na volta para casa sentia a mesma ansiedade, pois gostava de observar as cores do céu durante o pôr do sol e de ver as lâmpadas das ruas começando a acender. Kairós gostava de contar quantos carros amarelos veria em seu caminho de volta para casa. Às vezes, ficava semanas sem enxergar nenhum, mas, todos os dias, acreditava que, desta vez, um carro amarelo passaria por perto.

Chronos, seu irmão mais velho, era um adolescente típico que tinha a responsabilidade de levar e buscar seu irmão na escola todos os dias, já que Chronos estudava na mesma escola de Kairós, mas em prédios distintos. Chronos ficava até tarde jogando videogame em seu quarto. Acabava por acordar tarde, tão tarde que pulava o café da manhã, indo direto para o almoço. Quando faltavam quinze minutos para saírem rumo à escola, Chronos tomava um banho rápido para terminar de despertar seu corpo e sua mente. Afinal, se ele demorasse cinco minutos no banho, ainda restaria tempo suficiente para chegar ao colégio a tempo. Chronos sempre se esquecia que deveria calcular o tempo que seu irmão menor perdia ao ficar observando coisas tão sem sentido, como nuvens, formigas ou, até mesmo, o formato de suas sombras no chão. Chronos sempre perdia a paciência com Kairós por ele nunca respeitar o horário. Todos os dias, os irmãos chegavam à escola quando os portões já estavam fechando. “Vamos tomar uma nova advertência, Kairós”, ele dizia. “O farol abriu, devemos ir antes que ele feche de novo”, Chronos alertava. Ao chegar em casa, contava para a mãe que haviam sido repreendidos mais uma vez, “por causa do atraso de Kairós”, justificava. Assim como o irmão mais velho, a mãe esquecera do quanto gostava de observar as diferentes cores das floreiras das vizinhas enquanto conversava com as amigas em seu trajeto até a escola.

Segundo Paulo Corrêa Arantes, em “Kairós e Chronos: origem, significado e uso” (1), há ao menos duas narrativas sobre a origem de Kairós no contexto da mitologia grega. Na primeira delas, Kairós era visto como filho mais novo do relacionamento de Zeus com Tyche (deusa da prosperidade). Conforme essa narrativa, Kairós era veloz, e possuía apenas um cacho de cabelos na testa; agarrar esse topete seria a única forma de capturá-lo. Kairós estava presente: 1. na inteligência de Atena, 2. no amor de Eros e 3. no vinho de Dionísio e, “mais tarde, na genealogia dos deuses, ele parece estar associado a todos eles, como a manifestação de um tempo específico” (2). Ele passou a ser representado por uma figura atlética referindo-se, ao mesmo tempo, a uma ideia de ação momentânea, sem refletir em nenhum momento sobre o passado ou apresentar qualquer pressentimento sobre o futuro. Kairós, de acordo com essa compreensão, simboliza o momento presente. A contemporaneidade do momento agora. Já na segunda descrição, Kairós aparece como filho de Chronos, deus do tempo e das estações. No entanto, ao contrário de Chronos, Kairós manifestava uma versão metafórica do tempo, que implica a não-linearidade e cuja mensuração é impossível.

Chronos era considerado o caçula entre os seis titãs pertencentes à chamada “primeira geração de seres divinos” (3). Tratava-se do filho mais novo de Urano (representação do céu) e de Gaia (personificação da terra) e, de acordo com a mitologia grega, era conhecido como o “pai do tempo” ou “deus do tempo”. Segundo a mitologia, Chronos nutria em si um grande assombro de que uma antiga maldição de Urano se tornasse realidade e algum de seus filhos tomasse o seu trono. A fim de eliminar qualquer possibilidade de que esse prenúncio se cumprisse, Chronos devorava todos os seus filhos logo após seus nascimentos. No entanto, seu último filho, Zeus, foi escondido por sua mãe Réia e, quando se sentiu pronto para enfrentar seu pai, aliou-se a Métis e, juntos, obrigaram Chronos a regurgitar todos os filhos que havia devorado. Após vencerem uma guerra, os filhos de Chronos foram agraciados com o dom da imortalidade, visto que superaram o “senhor do tempo”. Chronos representa o tempo físico. Essa é a razão pela qual a etimologia das palavras “cronômetro” ou “cronológico”, por exemplo, possuírem o mesmo prefixo chronos, visto que corresponde a um radical atribuído às palavras que se referem ao “tempo dos homens”. Ao analisar mais profundamente o tempo cronológico, é possível perceber o paradoxo de que nada mais é do que um destruidor, o próprio "devorador de tempo”.

Por tudo isso, admite-se Kairós como representante do tempo qualitativo, tempo que não se mede por meio de números, mas sim de experiências. Por não ser linear, é considerado flexível. O tempo eterno, ilimitado, que não se preocupa com o passado e nem com o futuro. Kairós é o agora! Chronos, pelo contrário, concentra-se no tempo medido com precisão, preocupa-se com a quantidade (segundos, minutos, horas, dias…). É linear e rígido. Olha sempre os tempos “passado” e “futuro”. Chronos nunca está no agora.

A reflexão que se propõe é de que, caso Kairós não possa desfrutar o seu trajeto à escola no seu tempo, ou seja, olhando para o que ele realmente considera importante, ele poderá facilmente ser engolido pelo tempo cronometrado de Chronos. O que Kairós faz em seu trajeto até sua escola é procurar por novas experiências, como qualquer pessoa busca encontrar algo importante dentro de uma gaveta bagunçada. As gavetas são compartimentos que guardam segredos que esperam ser descobertos. No percurso que se faz até a escola ou o parque, há muitas gavetas a serem abertas que trazem crescimento e aprendizados. Mas o chamado para desbravar o mundo pressupõe adentrar um tempo kairológico, aquele antagônico ao calendário e aos compromissos da vida atribulada que está, quando muito, restrito a uma pequena reserva de tempo, diária, semanal ou anual, e a uma perspectiva estritamente utilitária.

Cada pedaço da casa representa, para a criança, a mesma intensidade de nuances do cofre descrito por Gaston Bachelard: “O cofre, o pequeno cofre, principalmente, de que temos um maior domínio, são objetos que se abrem. Quando o cofre se fecha, é devolvido à comunidade dos objetos; toma seu lugar no espaço exterior. Mas ele se abre!” (4). Da mesma forma, a casa da criança acaba funcionando como um portal que dilata o tempo e desdobra o espaço, revelando dimensões ocultas. No processo de vínculos que o homem estabelece com seus objetos, a casa torna-se lugar de lembranças, da memória que constitui e constrói uma percepção de estabilidade. Enquanto se habita a casa, a casa se torna habitada. Se os valores da casa estão diretamente relacionados à fenomenologia, à percepção primordial de uma ligação com o mundo e que precede a mediação racional, evocar as memórias relacionadas à casa recupera impressões e sensações profundamente enraizadas no inconsciente e, muitas vezes, escondidas.

Segundo Bachelard, “a casa é nosso canto no mundo” (5). Ao considerar a ação de habitar como manifestar seu canto no mundo e com ele estabelecer vínculos duradouros, é possível concordar que “todo espaço verdadeiramente habitado traz a essência da noção de casa” (6). Assim, esse argumento amplia a relação entre o indivíduo [criança ou não] e o espaço habitado para o âmbito da cidade.

Christian Norberg-Schulz (7) também esteve atento à relação entre o indivíduo, a casa e o mundo exterior. Para ele, o homem aventura-se no mundo, mas tem a casa para onde retornar. Ao sair, carrega consigo o pertencimento a algum lugar. Ao retornar, traz o mundo para o interior da casa. Para o autor, a soleira torna-se espaço simbólico, limite entre o familiar e o desconhecido, linha divisória que podemos ampliar ao tornar o mundo habitado e a cidade acolhedora. Se a casa é um microcosmo, a cidade é um macrocosmo. A cidade pode preparar-se e estar pronta para receber [especialmente] as crianças na primeira infância, com a mesma relação afetuosa e segura encontrada no microcosmo da casa? Se o microcosmo é ninho, seria possível expandir o ninho para a cidade?

Em uma noite comum em sua casa, a mãe os chama para jantar. O mais velho responde que desceria em breve, só precisaria fechar o jogo. A mãe aguarda, mas não muito, pois precisa estender as roupas no varal assim que a máquina terminar de bater. Então, come sozinha. O mais novo não se pronuncia.

Alguns quartos de hora depois, o mais velho segue em busca do mais novo para que ele o ajude a tirar a mesa [naquela noite seria sua vez]. Ele o encontra no porão, onde nenhum familiar gostava de passar mais tempo do que o suficiente para encontrar o que buscava.

Naquele lugar secreto e silencioso, no auge de seus três anos, Kairós submerge às profundezas e encoraja sua imaginação a se aventurar pelo espaço oculto de cofres e gavetas, construindo o embasamento de si mesmo [ainda que o faça instintivamente].

Enquanto está no porão, Kairós faz um mergulho investigativo pelo espaço exterior e pelo espaço interior. Sozinho, Kairós fica imerso num mundo só dele: gosta de abrir a caixa de ferramentas que foi de seu avô, que era sapateiro, e de imaginar a serventia de cada uma delas. Ao lado da caixa de ferramentas fica um gaveteiro onde estão guardados os rebites, fivelas, arruelas e ilhoses. Kairós não sabe exatamente para que serve cada uma dessas peças. Ele as imagina com uma nova função a cada semana. Por vezes, os ilhoses são guerreiros lutando contra as arruelas inimigas. Outras, todos os rebites estão disputando uma maratona. Certa vez, ele dividiu as fivelas douradas das prateadas e cada uma delas representava um time de futebol. As douradas foram vencedoras, e às prateadas coube a segunda colocação. Cada uma daquelas peças minúsculas representavam uma imensidão para Kairós, que sempre organizava tudo de volta no lugar em que estava, sem medo de desmontar o jogo a ser novamente construído, de outra maneira, num outro dia. Enquanto desmonta, traça um novo objetivo de levar as peças às suas casas, e tudo retorna a seu posto.

Tudo isso acontece quase que religiosamente dia sim, dia também, ao longo de uma hora no tempo de Chronos e, mais ou menos, cinco histórias diferentes no tempo de Kairós. Ele sente naquele ambiente alguma coisa que sua maturidade emocional ainda não sabe explicar. Pode ser segurança, pode ser pertencimento, pode ser liberdade, pode ser descoberta, ou pode ser só diversão mesmo…

A mãe não se preocupa: “é só uma fase, com meu mais velho foi assim também”, ela se recorda sozinha. O irmão não se lembra. Para ele, o caçula é um mistério, mas ele já não é mais tão curioso assim para sequer tentar decifrá-lo. Desiste. Arruma a mesa sozinho e pensa, amanhã será a vez de ele guardar tudo sozinho.

A curiosidade (e a alegria) pela conquista a cada gaveta aberta vai se perdendo conforme os anos [e as tarefas] se acumulam. Por isso, é compreensível que o irmão mais velho esteja tão pouco interessado no contexto que o cerca. Essa apatia pode ser resultado de diversos momentos nos quais seu ato investigativo foi repreendido: bisbilhoteiro, desfocado, intrometido, distraído, despreocupado. E assim, pouco a pouco, sua excitação pelo desconhecido foi morrendo. Se curiosidade é o desejo intenso de ver, ouvir, conhecer, experimentar algo, como definir a frieza intensa por ver, ouvir, conhecer, experimentar? Pode ser que, conforme a criança cresce, o mundo se fixa em categorias reconhecíveis, previsíveis, mecanismo inevitável que se desenvolva para acumular, com o tempo, certezas que terminam por subtrair o frescor da experiência, impedem de ver e sentir cada coisa no mundo, substituídas que foram por uma compreensão razoável das coisas e do mundo. Assim, é possível viver cotidianamente na casa, bem em cima do porão, percorrendo as mesmas coordenadas geográficas, sem nunca o acessar ou sequer notá-lo.

As gavetas e o porão (e as miniaturas escondidas no porão) são esconderijos' para o devaneio. Estão também escondidos nas cidades, mas apenas os mais interessados [e corajosos] conseguem vê-los. Os homens racionais fogem para a superfície transparente, sem imaginação, sem profundidade. As chaves desses esconderijos podem ser compartilhadas para que outros sonhadores, desde que as encontrem, possam descobrir e construir seus tesouros valiosos. Para estimular (e aumentar o número de curiosos), talvez seja necessário sinalizar a existência de desvios, como um Traboule (8) que permite a passagem para outro lugar, a quem tiver um mapa ou a paciência de notar as portas secretas e esperar que se abram. Os sinais possibilitam que qualquer um, desde que queira, possa encontrar sua joia escondida, adentrando um mundo fantástico que se sobrepõe à superfície do mundo real.

Como é o ambiente que recebe bem a criança? Como é possível cuidar do espaço que cuide de todos, construir o espaço que constrói? É possível dotá-lo de uma condição que respeite o entusiasmo pelo novo, a janela de curiosidade representada pela infância, admitindo que o lugar só será plenamente vivido caso a criança tenha a permissão para explorá-lo com liberdade e segurança? Como abordar as diferentes escalas do ambiente da criança, uma vez que implicam em diferentes níveis de interação — 1. o interior da criança; 2. a casa da criança; 3. a escola, casa das crianças; 4. a cidade da criança — todas elas fundamentais para a construção da personalidade: como indivíduo, como família, como comunidade, e como cidadão?

No caso das cidades, e supondo a possibilidade de um trajeto que convide e estimule o usuário a [re]descobrir seus caminhos, caso queira, seria possível afirmar que a relação do indivíduo com a cidade seria duplamente beneficiada, com espaços se tornando mais acolhedores e cidadãos se tornando mais presentes?

Voltando à história dos irmãos — Chronos e Kairós —. é possível afirmar que as atitudes do irmão mais velho contribuem para engavetar a vivacidade, a imaginação e a curiosidade do irmão mais novo, e a gaveta, por sua vez, será esquecida, fechada a chaves no porão? Seria o que a cidade, de tempo e espaço controlados, faz com suas crianças?

Traboule entre Rue de Bœf e Rue Saint-Jean, Lyon
Acervo das autoras

Quando se fala sobre arquitetura para crianças, o que usualmente vem à cabeça são espaços isolados do uso comum dos adultos: o cercadinho, o dormitório da criança; a brinquedoteca do condomínio; o parquinho da praça do bairro. Estes espaços trabalham com medidas e interesses da criança e com regras próprias. No entanto, numa perspectiva mais alargada, o que deveria ser discutido é a acessibilidade infantil diante do contexto urbano em geral, e de que modo isso afeta a vida de todos os moradores da cidade.

Maria Montessori (9), já afirmava, no início do século 20: “Quando falamos de ‘ambiente’, referimo-nos ao conjunto total de coisas que a criança pode escolher livremente e manusear à vontade, de acordo com suas tendências e impulsos de atividade” (10). É preciso ir além: entender as necessidades de cada momento do desenvolvimento infantil, estudar a ergonomia aplicada a cada idade da criança e sintetizar essas informações para oferecer um ambiente verdadeiramente seguro e inclusivo, tanto no âmbito arquitetônico quanto na escala urbana. No que diz respeito às cidades, pode-se considerar que, para as crianças, especialmente durante sua primeira infância, a exploração do espaço ocorre ao mesmo tempo em que a criança também testa seu corpo e os sentidos. Neste período, cada centímetro quadrado pode ser uma imensidão. “Tudo, mesmo a grandeza, é valor humano, [...] a miniatura sabe armazenar a grandeza. Ela é vasta à sua maneira” (11).

Conforme a criança se desenvolve, outros interesses vêm à tona: aprender como as coisas funcionam, esboçar os trajetos, interagir com os outros. A cidade está repleta de pontos de interesse para todas as etapas da infância e da vida. Quanto mais possibilidades a cidade oferecer, mais inclusiva ela será.

Planejar mais segurança para atravessar a rua, com mais faixas de pedestres e maior tempo de travessia; ter ruas esporadicamente fechadas para carros com o objetivo de permitir brincadeiras sem riscos à vida; promover intervenções em parques ou até mesmo pontos de ônibus para estimular a apropriação do espaço público, e olhar com maior cuidado para os entornos e os caminhos que levam as crianças até suas escolas podem ser práticas interessantes para iniciar uma maior conexão afetiva da criança com a cidade. Permitir que a criança tenha uma voz ativa na construção desses espaços pode ser uma excelente forma de iniciar esse processo. Em consequência, é bastante possível que, quando essas crianças crescerem, terão uma relação mais benéfica, respeitosa e consciente do seu papel de cidadão. Não seria esse o início de uma [nova] relação justa, primordial e necessária?

Viela de acesso de crianças à escola, Poá SP
Foto Ariadna Guedes Lima

  

Kairós acordava [ainda mais] cedo no domingo para convidar seu pai para ir à feira. Todos os domingos, seu pai pedia que esperasse. Todos os domingos, Kairós acordava sua mãe perguntando quanto tempo teria que esperar até que seu pai decidisse se iriam à feira para trazer pastéis. Todo domingo era a mesma coisa. O pai se levantava mais cedo [do que ele gostaria] toda semana para atender aos pedidos de Kairós de irem juntos até a feira. Domingo o pai estava cansado, mas ele acabava se deixando levar pelo pedido tão insistente do filho. No fundo, ele sabia que a feira de domingo representava um momento deles juntos. Mais do que o pastel na feira, o que Kairós gostava era de conversar com o pai enquanto percorriam o trajeto, parar por alguns minutos para ser balançado no parquinho da esquina, andar na mureta muito alta do parquinho (de um metro de altura) e então competirem para ver quem chegaria primeiro à barraca da feira. Todo domingo era a mesma coisa.

O pai, que antes cansado, voltava da feira revigorado. Lembrava-se do quanto gostaria de ter seu pai por perto aos domingos para irem à feira. Lembrava-se também de que Chronos costumava fazer o mesmo com ele aos domingos, mas ao invés da feira, seu filho mais velho pedia que fossem juntos à banca de jornal. Eles costumavam completar juntos o álbum de figurinhas enquanto a mãe terminava o almoço. Todo domingo era a mesma coisa. Todo domingo o pai pensa: “Como seria bom acordar [tão cedo] para ir à feira com meus dois filhos”. Kairós e seu pai chegam da feira antes mesmo de Chronos acordar. “Por que os domingos passam tão rápido?” Chronos resmunga. “Amanhã já é segunda-feira de novo?” Ao que Kairós agradece: “Que dia legal, o domingo eu tive com meu pai!” Todo domingo é sempre igual...

Maria Stella Bresciani afirma que o tecido das relações é entremeado pelas memórias do espaço (12). Com base nessa afirmação, é fácil imaginar porque Kairós fica tão empolgado aos domingos. O passeio recorrente não é só uma novidade a cada domingo, exercício de descoberta, mas também marca uma mesma trilha, baseia-se no reconhecimento. Se todos os acontecimentos humanos ocorrem no espaço, habitar recorrentemente estes espaços reforça vínculos e relações, mas também possibilita aquilo que é inédito, inesperado, aconteça.

Que tipo de vínculo as crianças constroem nas cidades? Quais memórias as cidades estão possibilitando que as crianças formem? Além de reforçar a ideia do tempo cronológico (deslocamentos pendulares, controle, separação das atividades, segregação espacial), durante a pandemia de Covid-19, especialmente as crianças permaneceram resguardadas, e o convívio público, ameaçado, o que aumenta a separação entre o dentro e o fora dificultando a continuidade da vida para o espaço da cidade. Assim, quais memórias estão sendo fortalecidas nas crianças em tempos de pandemia? Reclusas em casa, com regras de conduta e afastamento físico no espaço escolar, estaria em risco o vínculo entre crianças e cidades?!

Para Bresciani, já houve, nas cidades do passado, uma “engenhosidade humana” direcionada a “captar o bom momento, a oportunidade”.

“Essa boa noção do tempo (kairós) encontra-se afastada em função de uma outra noção, menos amável, que designa o tempo em seu momento cotidiano (chronos), o tempo que se esvai entre o dia e a noite, a duração de uma vida humana, aliado do Deus Kronos, pai de Zeus, na mitologia um deus devorador e cruel. Esse esquecimento do tempo bom nos leva a ter hoje como representação gráfica do tempo as variantes da velocidade” (13).

Segundo Bresciani, a cidade poderia ser planejada a partir da unificação de uma cidade com os dois tempos: o tempo de chronos e o tempo de kairós. Sem essa dualidade, a cidades permanecerão como um “lugar inóspito, agressivo, pouco propício à produção e ao comércio, avesso à sociabilidade” (14), avesso à vida, às brincadeiras e ao jogo, avesso ao valor de uso, reafirmando seu papel de máquina devoradora de homens.

De acordo com a argumentação da autora, estudiosa da cidade no século 19, é possível entender as cidades a partir de “cinco portas de entradas conceituais, todas elas desdobramentos da noção liberal de indivíduo (liberdade, propriedade, representação política) e de disciplina (constrangimento físico para moldar corpos e mentes) [...]. De perspectivas diferentes, cada entrada toma a cidade como um todo” (15). Pretende-se, aqui, explorar cada uma dessas portas a partir de uma perspectiva da cidade para as crianças durante a primeira infância.

Sobre a primeira porta: a questão técnica, pergunta-se: qual seria a aproximação técnica para uma cidade inclusiva às crianças (e, consequentemente, a todos?). As preocupações sanitárias são entendidas como um parâmetro muito importante a ser considerado para uma cidade respeitosa às crianças. Uma cidade que seja limpa: com saneamento básico, tratamento de resíduos, drenagem adequada, manutenção urbana, sem poluição sonora e visual; equipada: com mobiliário urbano compatível com os diferentes espaços e usos; e segura: com vias separadas por modalidade, acessível, iluminada, sinalizada, e que minimize riscos físicos e psicológicos, para que o uso do espaço público seja incentivado. Neste sentido, a questão técnica também deve abranger a escala das crianças, diretamente ligada à segurança nas cidades.

A segunda porta diz respeito à questão social. Sobre esse aspecto, é preciso refletir: a criança é bem-vinda na cidade? Como a sociedade enxerga a criança no espaço público? Como a criança contribui para a construção do espaço público e o sobre como este espaço deve ser? Como as necessidades da criança, e de seus cuidadores são consideradas no planejamento urbano? Além de dar voz às crianças e exercitar a escuta, no contexto brasileiro cabe refletir sobre o papel do espaço público, que vem somar-se aos equipamentos de educação, esporte, lazer e cultura, para amparar a infância e juventude, especialmente em condição de fragilidade. Nesse sentido, o espaço público deve não só superar sua condição precária (drenagem, pavimentação, iluminação, acessibilidade), mas oferecer ambientes que possam acolher atividades, às vezes, impossibilitadas de ocorrer na moradia. É possível oferecer às crianças uma realidade urbana que complemente e dê suporte às suas vidas cotidianas, ampliando sua base material, mas também seus vínculos, sonhos e possibilidades?

Na terceira porta mencionada por Bresciani, a cidade surge como um espaço de formação de “novas identidades sociais”. Espaços urbanos ocupados por crianças certamente atuam como locais de identificação e reconhecimento. Qualquer adulto que acompanha a criança em um passeio sabe a atração imediata que elas exercem umas sobre as outras no espaço público, bastando um pequeno pretexto para que as atividades em grupo se desenvolvam. Convém refletir sobre a nova configuração social da infância durante o período pandêmico que [ainda] se vivencia. Após o lapso de tempo no exercício da convivência no espaço escolar e no espaço público, como a cidade está se preparando para receber de volta as “novas” crianças, que passaram por um período tão difícil, impedidas de viverem as cidades no encontro fortuito (e, quase sempre, inclusivo) com o outro? Apesar de sua plasticidade e capacidade de adaptação, como é possível dar conta de reestruturar vínculos perdidos durante fases de desenvolvimento que não retornam mais?

Diretamente relacionada ao que diz respeito ao desenvolvimento da criança, na quarta porta, enumerada por Bresciani, está a educação dos sentidos. Durante a primeira infância, ela aprende a explorar por meio do corpo e se relaciona com o ambiente por meio dos sentidos. De modo resumido, Maria Montessori descobriu uma fase específica na qual a criança passa pelo período de refinamento sensorial.

“O período de vida que vai dos três aos seis anos de idade é um período de rápido crescimento físico, ao mesmo tempo que de formação das atividades psíquicas e sensoriais, a fim de que as sensações se desenvolvam racionalmente; prepara-se, assim a base sobre a qual construir-se-á uma mentalidade positiva” (16).

Por isso, a relação com o espaço (seja ele urbano ou não) e sua livre exploração são tão importantes para as crianças pequenas. Elas aprendem pela percepção sensorial! Pelo que tocam, pelo que veem, pelo que sentem, pelo que ouvem, ou seja, através do conjunto de sensações que captam dos ambientes nos quais estão. Caso houvesse um gráfico que mostrasse a influência dos órgãos sensoriais no aprendizado ao longo do tempo, o gráfico estaria em seu ponto mais alto durante a primeira infância. O “Homúnculo de Penfield” (17) representa de forma bastante didática a proporção da importância de cada um desses órgãos dos sentidos no cômputo geral do indivíduo. Uma cidade que considera a educação dos sentidos contribuirá também com o refinamento da sensibilidade humana ante ao “mundo mecanizado”.

Já a quinta e a sexta portas referem-se ao lugar da criança nas cidades no âmbito da história e da cultura. Elas, respectivamente, propõem uma reflexão a respeito do lugar da história e da cultura popular. Qual foi o papel da criança durante toda a história da urbanização brasileira? Qual é o papel da criança na cidade contemporânea e, mais ainda, qual será o papel da criança no período pós-pandêmico nas cidades?

Da mesma forma é possível questionar, retoricamente, como nossa cultura enxerga as crianças. Um exemplo a ser resgatado é a educação das crianças por toda a comunidade nos povos originários do Brasil. Voltada para a cultura, a comunidade, a vida e a natureza, essa concepção de educação congrega saberes do ser e do fazer em relação muito estreita com o meio. A condução coletiva da responsabilidade em educar as crianças traz novamente a atenção para o ambiente, a cidade e a sociedade. É mecanismo de inclusão, uma vez que distribui o trabalho que recai normalmente sobre a mulher. Em algumas cidades suíças, é bastante comum ver crianças caminharem até a escola sem os pais como acompanhantes. Quando muito novos, a própria comunidade se encarrega de, pouco a pouco, conduzir a caminhada dos pequenos grupos uniformizados até seu destino. É possível imaginar essa realidade nas cidades brasileiras a curto, médio ou longo prazo?

A criança na cidade

Deveria a cidade contemporânea ser pensada para a rigidez de Chronos ou para a flexibilidade de Kairós? Como seria um espaço urbano que respeitasse a não linearidade das descobertas? Como viveriam esses irmãos em um ambiente no qual as oportunidades de aprendizado fossem mais valiosas do que os números do relógio? Seriam as crianças personificações de Kairós?

Tendo como máxima a ideia de que toda criança é especialista na arte de viver o agora, por que não aprender com elas e, mais do que isso, proporcionar-lhes um ambiente preparado que seja maximizador de suas experiências e aprendizados? Uma cidade que, além de cumprir com os requisitos funcionais, fosse estimulante, agradável, segura e respeitosa, permitindo que todos aqueles que desejam uma vida focada no agora, ou que, ao menos, disponibilizam-se a episódios de atenção ao presente (muitos preferem passar seus dias focados na relação gregoriana com o tempo), possam acessar outras camadas de experiência no próprio ambiente urbano cotidiano.

Uma cidade inclusiva sempre levará em consideração não apenas as necessidades físicas (acessibilidade de todos os usuários, qualidade do ar, poluição sonora, presença do verde) como também psíquicas (pertencimento, senso de capacidade, representatividade, noção de respeito) de seus usuários. Uma possível alternativa seria evidenciar situações kairológicas através de uma rotina ativa de quem quer que viva nelas: sejam crianças, adolescentes, adultos, portadores de deficiência (físicas ou intelectuais), idosos... Presenciar os diferentes grupos e as diferentes práticas no meio urbano pode estimular, amplificar e sedimentar experiências de qualidade no espaço público. Assim como defende o pedagogo e pensador italiano Francesco Tonucci (18), criador da iniciativa La città dei Bambini, uma cidade respeitosa a um grupo é respeitosa a todos os seus cidadãos. Tonucci defende a participação social das crianças na discussão pública para garantir um melhor futuro para as cidades. De acordo com seu pensamento, a cidade contemporânea “tornou-se hostil aos seus próprios habitantes, sem apoio e sem hospitalidade.”

Em entrevista (19), reivindica uma cidade segura: escolher crianças pequenas como meta inclusiva é garantir que a cidade acolherá as necessidades de todos! Segundo ele, para isso, são necessários três passos: 1. ouvir a voz das crianças, ao invés das necessidades dos adultos (criticando a prioridade dos carros, “os brinquedos favoritos dos homens adultos”, ironiza); 2. priorizar o pedestre frente aos veículos como solução mais democrática, visto que todo cidadão é pedestre. Em seu raciocínio, a hierarquização das vias seria em primeiro lugar os pedestres, depois as bicicletas, seguidas pelo transporte público e, em última instância, os veículos privados; e 3. inverter a prioridade entre bairro e cidade: uma vez definidas as regras para os bairros, começar a aplicá-las nas cidades.

Uma cidade realmente inclusiva é aquela que sobrepõe os dois tempos: o tempo de Chronos e o tempo de Kairós. Ela tem os parquinhos com brinquedos seguros que estimulam movimento, a interação social, a diversão, a conexão afetiva entre cuidadores e crianças, o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional das crianças; mas, ao mesmo tempo, ela tem faixas de pedestres em todos os cruzamentos, tem semáforos com maior tempo para os pedestres, tem velocidade reduzida nas vias dos veículos automotivos, é limpa (deixando os cuidadores mais tranquilos de que a criança possa tocar em tudo), é silenciosa, tem menos poluição, mais contato com o verde.

Compreende-se que não é possível construir uma cidade sem levar em conta a multiplicidade de quesitos associados à qualidade da vida nas cidades contemporâneas, que envolvem não apenas as questões ambientais, mas especialmente a dimensão do cotidiano, conferindo primazia aos cidadãos (às crianças) que habitam os lugares, enquanto protagonistas do ambiente urbano, concedendo-lhes uma presença mais concreta nos planos e nos projetos urbanos. Contudo, ela somente estará completa quando considerar sua dualidade: a racionalidade de Chronos não pode ser desconectada do senso de oportunidade de Kairós!

A cidade precisa funcionar. Os negócios precisam acontecer. As crianças crescem, as árvores florescem. Tudo isso acontece no tempo quantitativo de Chronos, mas as memórias e os vínculos de pertencimento só são construídos no tempo qualitativo de Kairós. Os dois tempos se sobrepõem. Vez por outra, Chronos se esquece das formalidades que a vida, no auge de seus treze anos, lhe impõe.

notas

NA — Sobre Preâmbulo: este ensaio não se propõe a responder nenhum dos questionamentos aqui apresentados. Ele é parte de uma reflexão que será desenvolvida de maneira mais congruente durante a pesquisa de doutorado em arquitetura e urbanismo que planeia uma discussão de natureza epistemológica acerca do lugar da criança nas casas, nas escolas e nas cidades. O mote aqui foi explorar limites e potencialidades ao redor dos conceitos de cidade relacionando-os às crianças, tendo em vista associar essa discussão aos processos cognitivos e às noções do campo ampliado do patrimônio cultural e ambiental, nos aspectos mais estritamente vinculados à memória, identidade e pertencimento. Nesse sentido, procurou-se aproveitar a ocasião do Preâmbulo, parceria IAB SP e portal Vitruvius como discussão prévia da 13ª Bienal Internacional de Arquitetura São Paulo, para incluir a pauta das cidades seguras e inclusivas às crianças. Entende-se que o eixo mais apropriado para a inserção deste texto seja Corpos, por abarcar a reflexão acerca das políticas sociais, das maneiras de garantir acesso, convivência e circulação de pessoas nas cidades, mencionando de maneira bastante explícita a atenção a programas de necessidades de grupos específicos, como as crianças!

1
ARANTES, Paulo Corrêa. Kairós e Chronos: Origem, significado e uso. Revista Pandora Brasil, n. 69, dez. 2015 <https://bit.ly/3Nq20NJ>.

2
Idem, ibidem, p. 2.

3
Idem, ibidem, p. 3.

4
BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. In Os pensadores — Henri Bergson & Gaston Bachelard. São Paulo, Victor Civita, 1974, p. 410. Grifo das autoras.

5
Idem, ibidem, p. 358.

6
Idem, ibidem, p. 358.

7
Christian Norberg-Schulz (1926–2000) foi um arquiteto norueguês, educador e teórico que fazia parte do movimento modernista e associado à fenomenologia arquitetônica.

8
Traboules são as passagens secretas pelos miolos de quadra no centro histórico da cidade de Lyon. Esse tipo de estratégia urbana também foi utilizado nas cidades de Villefranche-sur-Saône, Mâcon, Saint-Étienne e Chambéry, todas na França. De acordo com o site Explore France, “traboule” é uma palavra cuja origem é o latim e refere-se “a pequenas passagens entre dois edifícios. As cerca de quatrocentos traboules da cidade são um tipo de arquitetura típica da cidade medieval de Lyon sobre a qual foram construídas as casas renascentistas. Explore France <https://bit.ly/3A4xndM>.

9
Maria Montessori (1870–1952) foi uma médica italiana que se especializou em pedagogia e neuropsiquiatria infantil. Ela tornou-se conhecida mundialmente por ser a criadora de um método educacional que privilegia o desenvolvimento sensorial da criança para estimular sua capacidade cognitiva. Enfatizou a importância da liberdade, da atividade e do estímulo para o desenvolvimento físico e mental das crianças. O método Montessori deu origem à pedagogia científica cuja ênfase está na autonomia, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. A criança é o centro desse método. O professor atua como guia do aprendizado (não dita e nem impõe o que vai ser aprendido pela criança) e o ambiente é o que possibilita a livre exploração de forma segura e intuitiva.

10
MONTESSORI, Maria. A descoberta da criança: pedagogia científica. Campinas, Kírion, 2017, p. 67.

11
BACHELARD, Gaston. Op. cit., p. 496.

12
BRESCIANI, Maria Stella. Cidades: espaço e memória. In DEPARTAMENTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (org.). O direito à memória: patrimônio histórico e cidadania. São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, 1992, p. 164. Grifo das autoras.

13
Idem, ibidem, p. 165. Grifo das autoras.

14
Idem, ibidem, p. 161.

15
Idem, ibidem, p. 161.

16
MONTESSORI, Maria. Op. cit., p. 110.

17
O “Homúnculo Sensório-Motor” ou “Homúnculo de Penfield” traz uma representação psico-neuro-anatômica das funções sensoriais e motoras do corpo humano feita pelo Dr. Wilder Penfield (1891–1976), um neurocirurgião canadense que cuidava de pacientes com epilepsia. Nesta representação, a área neural corresponde a cada porção corpórea. Assim como a face tem uma maior quantidade de nervos, no desenho da imensa face destaca-se a boca, os olhos e o nariz, braços grandes com mãos enormes, pernas pequenas com pés médios e com um tronco pequeno.

18
Francesco Tonucci é um pensador, pedagogo e desenhista que se dedica ao estudo de questões relacionadas à educação, especialmente às crianças, e a formação de professores. Sob o pseudônimo “Frato”, o autor já publicou uma série de quadrinhos na qual discute, de forma irônica, o cenário escolar e a estrutura familiar contemporânea. É também autor do livro La ciudad de los niños, cuja edição original data de 2004.

19
RIBEIRO, Raiana. Francesco Tonucci: a criança como paradigma de uma cidade para todos. Educação Território, 21 set. 2016 <https://bit.ly/3OJNT70>.

sobre as autoras

Audrey Migliani é arquiteta e urbanista (2013), mestre (2016) e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo (2021_) pela Universidade São Judas.

Eneida de Almeida é professora da Graduação e Pós-Graduação da Universidade São Judas. Possui doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP (2010), mestrado em Studio e Restauro de Monumenti pela Università La Sapienza, Roma (1987), graduação em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP (1981). É coeditora da revista acadêmica eletrônica arq.urb, do Pgaur USJT.

Maria Isabel Imbrunito é arquiteta e urbanista (1994), mestre (2003) e doutora (2008) pela FAU USP e docente nas universidades São Judas e Presbiteriana Mackenzie.

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